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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Between the Lives, Jessica Shirvington


Opinião: Há uns tempos, estava eu a ler uma opinião num blogue, sem ter reparado sequer no título do livro, quando penso para mim "isto parece-me estranhamente familiar", Fui ver... e era o Disruption, desta mesma autora. Fiquei horrorizada. Eu que gosto tanto dela, e não me tinha dado conta que o mercado americano ia lançar mais um livro dela, e pior, eu ainda não tinha lido o anterior! Procedi a sentir-me imensamente culpada e a corrigir a situação.

É que, convenhamos, os livros anteriores dela que li, a série da Violet Eden? Suspeito que me estão tatuados no coração, ou no cérebro, ou lá onde é que me ficam os livros dos quais nunca mais me esqueço, aqueles que me ficarão sempre com um carinho especial. Há qualquer coisa na maneira como a Jessica escreve que ressoa comigo. Intensa, emocional, realista. E por isso, mea culpa. Distraí-me e de repente já tinham passado dois anos desde o lançamento deste nos EUA/Reino Unido (a minha edição é deste último).

A premissa deste livro tem, à semelhança dos livros anteriores da autora, um quê de ficção especulativa, mais a atirar para a ficção científica, mesmo, se bem que ainda assim firmemente enraizado na ficção contemporânea. Sabine é uma jovem de 18 anos que tem duas vidas. Antes da meia-noite está numa delas, depois da meia-noite, dá por si imediatamente na outra. Vive cada dia duas vezes.

Em Roxbury vive uma vida mais carenciada, revoltada com as suas circunstâncias, os pais são gerentes duma farmácia, e adora a sua irmãzinha mais nova. Em Wellesley, é duma família rica, e tudo aparentemente é perfeito - família, namorado, vida, amigos; até os pais são divorciados de forma amigável - mas a mãe é algo neurótica com a aparência, e não sente grande ligação aos dois irmãos mais velhos.

Sabine sabe desde sempre que as suas posses materiais não transferem de vida para vida; apenas o seu corpo e mente sim - e por isso, memórias e capacidades cognitivas existem nas duas vidas, e uma doença passa de uma para a outra. Só que, após o 18º aniversário, Sabine parte o braço numa das vidas. E as regras mudam. Dantes o braço partido passaria para a outra vida, mas não é isso o que acontece.

Sabine sente-se exausta de viver duas vidas, enganar toda a gente sobre a pessoa que é, e fingir muito do que é para benefício dos outros. Como vive cada dias duas vezes, tem em teoria o dobro da idade - 36 em vez de 18. E Sabine está farta. Depois de tanto tempo assim, ela só quer que acabe. E então começa a magicar sobre os efeitos da fisicalidade já não se transferir entre as duas vidas.

E se seguir essa linha de pensamento até às últimas consequências, o que ela estará a considerar é suicídio numa das vidas, para ficar a viver na outra. A inteligência da coisa é que a autora nunca deixa de sublinhar a gravidade dessa decisão, mas também faz acreditar que para a Sabine, é a única saída que ela vê numa situação que considera insuportável.

É também o que me agrada no livro: pega numa premissa de ficção científica, mas o como não é importante. O foco aqui é o impacto humano dessa premissa extraordinária; há um excelente trabalho de mostrar como algo muito fixe e aparentemente agradável a alguém, uma bênção, digamos, pode revelar-se também como uma maldição, algo insuportável para quem recebe este "dom", esta capacidade.

Também mostra que nem tudo é a preto e branco, no que toca à potencial decisão drástica da Sabine. A sinopse é redutora na exposição que faz da situação ("perfect life or perfect love"), mas realmente as vidas parecem perfilar-se nesses dois sentidos.

Em Wellesley, a vida parece perfeita, invejável. (Apesar de mais à frente a propria Sabine compreender que não, nem por isso, e ela estava a contentar-se com pouco, sabendo que podia ter melhor, sentir-se mais completa.) Em Roxbury, a vida é mais complexa, nuanceada... no meio das suas "experiências" com as duas vidas e o que transporta entre elas, Sabine é apanhada pelos pais, e conta-lhes a verdade...

... só que eles não acreditam, e internam-na, a pensar que está com um distúrbio psicológico, numa reacção bastante realista, mas também algo revoltante, pois parecem agir como se as aparências fossem mais importantes que a saúde dela. E é no hospital psiquiátrico que a Sabine, desesperada, abandonada, conhece finalmente alguém que está disposto a acreditar nela.

O Ethan, que se revela bastante intrigante, pela sua postura e atitude na vida, e pela sua inclinação para acreditar na Sabine. Há qualquer coisa nele que me faz desejar que a autora tivesse explorado mais o seu personagem, escrever umas histórias laterais no ponto de vista dele; é quase hipnótico, de fascinante que parece ser a sua personalidade.

O Ethan tem o seu próprio mistério, razões para querer acreditar; no entanto, é engenhoso, presta atenção ao que a Sabine lhe conta e apresenta-lhe testes que possam comprovar que ela diz a verdade. Eles passam uns dias fantásticos juntos; contudo, se eu pudesse fazer algo ao livro, actuaria nesta parte, que é a menos bem explorada.

Faria por desenvolver mais a relação deles; até poderia acreditar que uma semana chegou para se apaixonarem, mas teria de ver isso. Faltaram mais cenas com eles juntos, capítulos sobre o tempo que passaram juntos; em alternativa, alguns parágrafos em jeito de reflexão da Sabine já teriam sido suficientes, se mostrassem a intensidade dos momentos que passaram juntos. Faltou aprofundar esse tempo, para ser mais credível esse "perfect love" de que fala a sinopse.

De qualquer modo, é isso mesmo que faz a Sabine vacilar na sua decisão. Enquanto Wellesley parecia a clara vencedora no início, indirectamente o Ethan mostra à Sabine que tem muito por que viver na vida de Roxbury também. E ele bem tenta não influenciar a sua decisão ao máximo; sabe que se lhe revelar certas coisas sobre si mesmo, ela podia fazer tomar uma decisão precipitada, e por isso prefere não revelar uma parte de si mesmo.

É essa a verdadeira tragédia do livro. (No bom sentido.) Quando a Sabine começa a apreciar o que tem, o livro acaba. O final é agridoce, triste e com uma boa dose de esperança, e com uma pequena reviravolta que seria tão cativante, deliciosa de ver explorar. Mas a história termina aqui, em aberto, com um monte de possibilidades. Acho que é esse o objectivo, apreciar as possibilidades da vida. Mas morria se pudesse ser uma mosca e ver a cena final do livro evoluir para algo mais.

Ah, este livro não é tão perfeito como o que eu já li da autora. Merecia ter umas 50 páginas a mais, e explorar mais a fundo a sua premissa e a relação dos protagonistas. Mas é uma pequena boa surpresa. Gosto de como a autora pensa e de como decidiu explorar a premissa aqui, o ângulo que apresenta. Certamente vou continuar a lê-la.

Páginas: 336

Editora: Orchard Books (Hachette)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Empower, Jessica Shirvington


Opinião: Este é o último livro desta série, e estava super animada com a perspectiva de o ler. Tenho adorado cada volume desta série, a escrita da autora emociona-me, torço pelos personagens, e as histórias simplesmente absorvem-me. Portando, era com alguma trepidação que esperava o livro.

Empower começa dois anos após o último livro, e encontramos Violet, a protagonista, em Londres, depois de ter fugido de tudo o que conhecia e viajado mundo fora. Violet tenta cumprir uma promessa que fez, lutando o mais que pode contra os Exiles, e tenta enterrar bem fundo tudo o que aconteceu dois anos antes, pois a alternativa é deixar a dor avassaladora tomar as rédeas. Só que alguns assuntos ficaram por resolver, e quando um amigo se encontra em perigo, a Violet não pode deixar de tentar ajudar, mesmo que signifique encarar aquilo de que tentou fugir.

Declaro que este parágrafo vai ser o Parágrafo de Apreciação da Violet Eden. Ora bem, a Violet é assim o melhor exemplo que eu me consigo lembrar de evolução de uma personagem ao longo de uma série, e melhor, de uma evolução fabulosa. Ela era uma miúda tão confusa e assustada e a fazer asneiras no primeiro livro... e pronto, continua a fazer asneiras, mas agora de maneira mais informada, mais responsável e, convenhamos, mais badass. Os dois anos de sofrimento e de auto-negação tornaram-na mais cautelosa e ponderada, mas continua a ser a jovem destemida e que luta pelos seus. Compreendo agora melhor porque sentiu necessidade de partir, e o tempo que passou ensinou-lhe muita coisa e trouxe-lhe aliados valiosos. Aquilo que acaba por conquistar no fim é mais merecido, por tudo o que teve de enfrentar antes.

Quanto ao Lincoln... o tempo que passou também teve um efeito marcado nele, e o reencontro com a Violet é digno de nota pela sua, hmmm, explosividade. Já estava como o grupo de amigos deles, observando avidamente cada reencontro a torcer por eles. Há um certo grupo de mal-entendidos e falta de compreensão entre os dois que os separava, e eram coisas que precisavam de ser entendidas antes de poderem pensar em reconciliação. O Lincoln também amadurece nestes anos, tornando-se num líder respeitado, e compreende finalmente que não pode lançar-se à frente da Violet sempre que a vê em perigo. A posição dela exige que esteja constantemente em perigo, e isso não é vida. Por sua vez, a Violet precisava de aprender a aceitar a possibilidade de coisas más que vêm com entregar-se a uma coisa muito boa. Como disse, é aquilo com que se debatem este tempo todo (e aquilo que me fazem sofrer a mim) que torna o final mais doce e mais merecido. Adorei aquele momento em que o Lincoln entende finalmente a extensão do sacrifício da Violet e declara, determinado, que vai lutar por ela e que não a vai deixar fugir. É um passo no caminho certo. E quando ela ouve o silêncio e percebe aquilo que lhe faz falta. Toda a gente já o sabia, mas ei, há quem leve tempo a lá chegar.

Sou fã do elenco de personagens secundários que a autora criou para a série. Fora aqueles claramente vilões, não me é possível detestar ninguém. São pessoas cheias de nuances. A Steph é a melhor "melhor amiga" que já vi em livros; normalmente o cliché é o melhor amigo ficar no escuro sem saber da vida do protagonista sobrenatural, e os secretismo afasta-os; aqui, a Violet não hesitou em contar à Steph quando viu que os dois mundos iam colidir, o que permitiu à Steph criar um lugar para si neste mundo, tornando-se um elemento inestimável para os Grigori. Estou tão orgulhosa dela.

Conseguimos compreender melhor o antagonismo da Josephine. Ela é muito determinada, e preocupada com o futuro dos Grigori, e isso faz com que procure o melhor para eles, o que na sua perspectiva chocou por vezes com a Violet. Mas acho que elas acabam por se respeitar e compreender. Senti falta do Spence e do Griffin, que são dois personagens fabulosos, mas o enredo precisava que se mantivessem afastados, e compreendo. Adorei conhecer os Rogues, que foram aliados e amigos muito bons para a Violet nos anos em que esteve afastada. Particularmente o Gray, que, coitado, se mete a jeito para levar uns olhares furiosos do Lincoln. Também apreciei conhecer outros personagens novos, como a Chloe, e rever personagens antigos.

Sobre o Phoenix, acabei a sentir pena e compaixão por ele. Às vezes vilão, às vezes aliado incerto, a sua história é demasiado complicada para explicar. Fez muita coisa errada, mas muitas vezes por boas razões, ainda que mal encaminhadas. Nunca teve realmente uma hipótese com a Violet, nem mesmo no primeiro livro em que ambos consideram uma ligação física, mas mantém a sua lealdade a ela, que é o que o leva a tornar-se num aliado. Acho que aquilo que ele sacrifica no fim vai ser bom para ele. Ter os pés em dois mundos nunca o ajudou.

Depois do livro anterior, ficou um vilão por enfrentar, cuja identidade conhecemos neste volume, assim como os seus objectivos. Faz uma adição muito interessante à mitologia do mundo, e melhor, não é o vilão mais óbvio. Gostei imenso de conhecer mais a extensão das capacidades da Violet e do que a liga ao mundo angélico, e é espantoso que ela tenha conseguido lidar tão bem com o mesmo. Quanto ao enredo, faz um bom balanço entre o expositivo, o exploratório e a acção, e é isso que importa. Adorei as partes iniciais, com o reencontro Violet-Lincoln, e como a sua evolução estava enredado no conflito principal, e adorei os capítulos finais, com o clímax, cheios de acção, e que me deixaram a roer as unhas de preocupação. Estava mesmo um apocalipse para acontecer, e o resultado final era incerto.

Acho que o que tenho a dizer no fim é que fiquei fã da série. Fiquei encantada com a escrita da autora, que é deliciosamente emocional, e adorei o modo como constrói as suas histórias e os seus personagens, e a mensagem que transmite. Acho que não há nada que possa apontar que me tenha desagradado realmente nos cinco livros, e é isso que faz com que vá contar a série como uma das minhas favoritas, e com que tencione continuar a seguir a autora avidamente.

Páginas: 496

Editora: Sourcebooks Fire

domingo, 20 de outubro de 2013

Endless, Jessica Shirvington


Opinião: Esta é uma série que, à primeira vista, não se destacaria entre tantas outras do mesmo género. Mas sorrateiramente, acabou por me cativar. A Jessica Shirvington confere aos seus livros algo que os distingue - um worldbuilding com o seu quê de originalidade, personagens que adoro seguir, momentos de acção que me deixam agarrada às paginas, e momentos profundamente emocionais que me torturam. E dou por mim no fim de mais um livro dela completamente morta por ler o seguinte.

Após o livro anterior, um inimigo poderoso dos Grigori está à solta pelo mundo, decidido a causar o caos. Violet e o seu grupo esforçam-se para o encontrar e travar os seus planos. Mas quando a Academia dos Grigori exige que Violet se apresente em Nova Iorque para ser testada e questionada, ela não pode recusar, apesar de os aliados na Academia serem escassos. E quando chega um ultimato do inimigo que Violet não pode recusar, vê-se perante o seu maior desafio, e a escolha mais difícil que terá de fazer...

Bem, mas que livro. Tenho acompanhado a evolução da Violet como personagem ao longo da série, e é difícil não ficar orgulhosa dela, por tudo o que passou e pela maneira como encara as coisas. Cresceu de uma miúda relutante em aceitar a sua herança para uma mulher forte e confiante, que aceita as coisas difíceis que tem de fazer. O seu caminho não é fácil, mas ela encara-o com uma postura magnífica.

Sobre ela e o Lincoln... há uns dias, ao explicar porque é que gostava dos livros, descrevi a sua relação a alguém como uma tortura, no bom sentido, e agora apercebo-me que usei exactamente as mesmas palavras para os descrever há um ano, quando comentei o segundo livro. Apesar da natureza "destinada" da sua relação, as coisas não são mais fáceis por isso. São mais difíceis. E é mais bonito quando têm direito a um momento de felicidade, ainda que passageiro.

E a culpa é deles por as últimas 100-150 páginas serem assustadoramente emocionais. O tipo de sacrifício a que se expõem, combinado com tudo o que acaba por acontecer... e que deu cabo de mim. Foi muito interessante ver o Lincoln finalmente solto, a deixar-se desfrutar das coisas; mas triste, porque sabia que ele estava a tramar alguma. E doeu-me ver as coisas difíceis e dolorosas que este par suporta até ao fim do livro.

Pelo meio, tenho de falar do elenco secundário, em que não há um personagem que eu não goste. Até o Phoenix acabou por se redimir um pouco de todas as coisas que fez. Não me esqueço delas, mas o seu arrependimento e o que tenta fazer para se redimir mostra pelo menos uma evolução na sua postura. Por sua vez, o grupo de amigos em volta da Violet é algo fantástico, adoro aqueles miúdos (e não-tão-miúdos).

A relação da Violet com a mãe ganha novas facetas, e foi bom poder vê-las a conhecer-se melhor e a compreender-se melhor. Era uma relação difícil, e foi bom perceber o que aconteceu realmente no passado com a Evelyn. E foi curioso ver como o pai da Violet reagiu a ela e a finalmente entrar neste mundo. Por outro lado, gostei de conhecer alguns novos personagens na Academia, ter um vislumbre de como funciona... e até ver a Jacqueline morder a língua e aceitar a Violet, ainda que tarde de mais.

Em termos de exploração da mitologia, descobrimos mais alguns pormenores que complementam a história, coisas que a Violet consegue fazer, sobre os anjos e as dimensões em que existem... faltam revelar alguns pormenores, mas fiquei satisfeita. Houve uma aparição dum personagem que me deixou desconfiada, e estou intrigada com o futuro papel dele nos livros.

O fim? O fim foi terrível, duro, tristíssimo. Mas não podia ser de outra maneira. Depois de tudo o que acontecera, a Violet estava num ponto de rotura, quebrada pelos acontecimentos, e nada mais seria o mesmo. Para ela, não era possível voltar atrás, por mais que eu quisesse. E por isso compreendo a sua decisão, apesar de não concordar completamente com ela, ou com as razões pelas quais a tomou.

E por isso espero que o próximo volume me traga (boas) notícias, porque aquilo que eu queria aconteceu neste livro, mas soube-me a pouco, e quero mais. Felizmente, como já tem sido hábito nesta série, só terei de esperar um mero meio ano em vez do costumeiro ano. A curiosidade, essa, não é menor.

Páginas: 480

Editora: Sourcebooks Fire

sexta-feira, 29 de março de 2013

Emblaze, Jessica Shirvington


Opinião: Depois dos acontecimentos do livro anterior, Violet e os Grigori tentam encontrar um meio-termo com Phoenix e os Exiles, para trocar as Scriptures que cada grupo tem e que o outro cobiça. Contudo, os Grigori não se podem dar ao luxo de entregar a Exile Scripture verdadeira aos Exiles, pois vão usá-la para libertar um mal antigo e poderoso. Quando a negociação corre mal, cabe a Violet decidir se vale a pena sacrificar alguém que ama para impedir os planos dos Exiles...

uma várias razões para eu gostar tanto de ler estes livros. Primeiro, porque a Jessica Shirvington conseguiu incorporar mitologia angélica duma maneira muito interessante na sua história, e a cada livro vai revelando um pouco mais. Gostei muito de como ela ligou locais reais à história dos Exiles e dos Grigori, de ver os personagens a estudar a Exile Scripture e a tentar interpretá-la, e de ver revelado o que esta realmente implicava no fim.

Depois, porque está sempre a acontecer alguma coisa, ou relacionado com a narrativa geral, ou com os personagens em particular, e os livros não me dão descanso. Neste, de negociações a lutas com os Exiles, a uma tentativa de os impedir de libertar o mal encarnado na Terra. A autora entrelaça bem os momentos de acção com os emocionais, e eu saltito entre emoções, de excitação a terror a pena a tristeza a vontade de bater na Violet e no Lincoln por me fazerem sofrer tanto. (E já vou voltar a esse assunto.)

Também há os personagens secundários. Adoro a Steph, a amiga humana a quem a Violet introduziu a este mundo no livro anterior, que faz por se integrar nele e até tem contribuído muito para ajudar os Grigori. O Spence é outro personagem tão bom - tornou-se num bom amigo para a Violet, a desencaminhá-la quando ela precisa de espairecer, e a ajudá-la e a protegê-la quando pode. O pai da Violet passou dum extremo para o outro, de ignorá-la a tentar agir como um pai (podia ter sido uma transição mais subtil), mas gostei de o ver acordar da sua tristeza e finalmente prestar atenção à filha; tenho pena do pobre do homem, porque não sabe nada deste mundo e de repente cai-lhe tanta coisa em cima.

A Josephine irritou-me pela sua atitude, decidida a odiar a Violet antes de a conhecer, mas ao menos tem estilo. O Onyx vai tendo cada vez mais presença, gosto do carácter dele, muito honesto e algo brusco, mas que vai ficando integrado no grupo. O Griffin continua o líder calmo e fixe, mas gostava que arranjasse um novo parceiro Grigori, era uma maneira de introduzir um novo personagem no grupo e criar alguma tensão. O Phoenix revelou-se mais um bocadinho, com um capítulo no seu POV, mas tendo em conta o que ele fez para trás, não posso desculpá-lo, não quero saber quão coitadinho ele é, não há desculpas para certas coisas - ele continua a tentar manipular a Violet, e quando isso não resulta vira-se para as más acções, porque "oh coitadinho de mim ninguém gosta de mim".

A última razão para eu ler estes livros, é a pura tortura que é ler a relação entre a Violet e o Lincoln. OMG, os obstáculos não param de se empilhar, e metade das vezes são eles os seus próprios obstáculos. No primeiro livro era o Phoenix e o facto de serem parceiros Grigori, o que impede que sejam parceiros de verdade, apesar de estarem babados um pelo outro há sei lá quanto tempo. No segundo, descobrem que têm uma ligação especial (*cof*soul mates*cof), e eu passo metade do livro feliz da vida, porque finalmente vão ficar juntos, blá blá blá blá, mas no fim descobrem que estimular essa ligação pode ter consequências para ambos.

E aqui, no terceiro, por causa disso, passam grande parte do tempo a evitar-se, a ter mal-entendidos e a lutar (não literalmente) um contra o outro. O evitar da sua ligação causa-lhes dor, e gera todos estes problemas, e eles acham que é pelo melhor - porque, bem, ao estabelecerem a sua ligação definitivamente, se um deles morre o outro fica louco, e eles sacrificam-se porque não querem causar esse tipo de dor ao outro no caso de algo correr mal - o que é louvável, mas acho que percebemos que aqui não vai resultar. Por isso desistam, meus queridos, que isto não é saudável e now kiss!

É quando são obrigados a deixarem de ser uns palermas que temos algumas das melhores cenas - como a cena com o Keeper, que os põe a confrontar alguns medos e é muito interessante, a cena lá para o fim na casa no Lincoln, ou cena no vulcão, em que ele finalmente diz tudo o que lhe vai na alma. A sério, o Lincoln deixa-me curiosa. Por fora parece o menos afectado e super controlado, mas lá dentro é ao mesmo tempo um ursinho de peluche e um vulcão emocional à espera de explodir.

A Violet como heroína tem dois lados. Um fabuloso, em que ela continua a exceder-se e a mostrar-se cada vez mais forte, a mostrar-se capaz de lidar com tudo o que lhe atiram e a crescer como pessoa, e outro, em que ela ainda se fecha em copas e não confia nas pessoas que a rodeiam para contar algumas coisas. Quero muito vê-la cada vez mais na primeira postura, e a eliminar a segunda.

Bem, agora até tenho medo de ler o quarto livro quando sair, todas as opiniões mencionam que o fim é daqueles de deixar uma pessoa pendurada. Não que este não o seja um pouco, mas é uma situação que consigo ver resolvida, enquanto que o fim do quarto parece ser uma coisa mais a sério. Veremos, ai... be still my beating heart.

Páginas: 464

Editora: Sourcebooks Fire

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Entice, Jessica Shirvington


Opinião: Estou a gostar muito, muito desta série. A autora tem uma escrita que me agrada, cria um mundo fascinante, e as suas personagens são complexas. Consegue criar uma história que me cativa e lança numa montanha-russa de emoções. Tortura-me com o romance. E até com o final da história.

Neste volume, Violet e os outros Grigori têm como objectivo recuperar um documento antiquíssimo, o qual também é procurado pelos Exiles. Só que sendo o livro escrito pela autora que é, as coisas não são tão simples assim e a narrativa está apimentada com imensos detalhes que à partida podem não parecer nada ter a ver com o objectivo final, mas contribuem em muito para enriquecer a história.

Gostei muito dos personagens novos. A Nyla e o Rudyard serviram mais para provar um ponto (já lá chego), mas o grupo de amigos que se juntou em torno da Violet é bem divertido - a Zoe e o Salvatore, parceiros perdidos na tradução; a Steph, que mesmo sendo apenas humana conseguiu integrar-se no grupo, muito por culpa da Violet, que fez por mantê-la na sua nova vida paranormal, em vez de escondê-la dela (como em todos os outros livros, o que só me faz adorar mais este pormenor); e o Spence, que conseguiu ser um personagem sólido e divertido (e sem precisar de se aproximar do terreno romântico, graças aos céus) e um óptimo partner-in-crime da Violet.

O Onyx, vilão no livro anterior, mudou um bocadinho de estado, e gostei da sua evolução. A Magda fez tudo por me irritar, dando razão à atitude que exuda durante este livro. O Phoenix também. Depois da sua personagem ter tido algumas nuances interessantes no primeiro livro, neste reverte mais para o papel de vilão, e isso desapontou-me um bocadinho.

Ver a Violet e o Lincoln é uma tortura, no bom sentido. No primeiro livro estava com receio de torcer por eles, por causa dos eventos nesse livro, mas aqui vibrei quando cada um ultrapassou as suas barreiras pessoais para poderem ficar juntos. Achei que a Violet teve ali um momento brilhante, a salvá-lo de si próprio, e o Lincoln também brilha quando se deixa sonhar. Maaasss... é claro que a Jessica Shirvington havia de me partir o coração com o final do livro e separá-los.

Este é um daqueles casos em que dou por mim a considerar-me uma sortuda, pois ao contrário da regra só tenho de esperar aí uns 6 meses para ler o próximo livro. E que longos vão esses 6 meses ser.

Páginas: 464

Editora: Sourcebooks Fire

terça-feira, 10 de abril de 2012

Embrace, Jessica Shirvington


Opinião: Como é possível acontecer tanta e tão pouca coisa num livro? De certo modo o livro foi um carrossel de emoções e acontecimentos, mas fiquei tão cheia de perguntas e de curiosidade sobre tudo e mais alguma coisa que precisava de ter o segundo livro já aqui. (No can do. Só sai em Setembro.)

A Violet é uma normalíssima (ou não) rapariga que tem uma paixoneta pelo melhor amigo, treinador pessoal, e cinco anos mais velho, Lincoln, e após fazer 17 anos descobre que está destinada a fazer parte de um grupo de guerreiros que defendem a humanidade.

Apreciei os pequenos pormenores que a autora usou para definir a mitologia angélica que serve de base à história. Digamos que torna as coisas mais interessantes, especialmente no que toca aos anjos, e já agora aos nossos protagonistas.

Falando da protagonista, Violet. Achei que ela estava um bocado às aranhas com as novas descobertas sobre a sua vida, compreensivelmente, mas gostava de a ter visto mais em acção para ver o que ela consegue fazer. E, claro, gostava de a ter visto mais com o Lincoln. Eles são adoráveis juntos, mas uma certa coisa acontece que impede que estejam juntos durante uma boa parte do livro. Pior, há uma segunda coisa pronta para os manter separados no segundo livro, por isso estou a ver-me sofrer durante mais um bom bocado.

Por outro lado, a autora cria um triângulo amoroso interessante (o choque! eu a usar as palavras triângulo e interessante na mesma frase), sim, é verdade, aconteceram coisas interessantes, passe a repetição, com o terceiro lado do triângulo, o Phoenix, e estou muitíssimo interessada em ver que consequências terão as revelações finais sobre ele e os seus motivos.

Enfim, acho que já mencionei o quão curiosa estou com o próximo livro, por isso vou passar a gabar a edição de capa dura, lindíssima, com a sobrecapa com toque aveludado e tendo o interior do livro um design muito cuidado. A capa em si é bem bonita, e gosto muito da imagem e da cor.

Páginas: 400

Editora: Sourcebooks Fire