domingo, 20 de outubro de 2013

Endless, Jessica Shirvington


Opinião: Esta é uma série que, à primeira vista, não se destacaria entre tantas outras do mesmo género. Mas sorrateiramente, acabou por me cativar. A Jessica Shirvington confere aos seus livros algo que os distingue - um worldbuilding com o seu quê de originalidade, personagens que adoro seguir, momentos de acção que me deixam agarrada às paginas, e momentos profundamente emocionais que me torturam. E dou por mim no fim de mais um livro dela completamente morta por ler o seguinte.

Após o livro anterior, um inimigo poderoso dos Grigori está à solta pelo mundo, decidido a causar o caos. Violet e o seu grupo esforçam-se para o encontrar e travar os seus planos. Mas quando a Academia dos Grigori exige que Violet se apresente em Nova Iorque para ser testada e questionada, ela não pode recusar, apesar de os aliados na Academia serem escassos. E quando chega um ultimato do inimigo que Violet não pode recusar, vê-se perante o seu maior desafio, e a escolha mais difícil que terá de fazer...

Bem, mas que livro. Tenho acompanhado a evolução da Violet como personagem ao longo da série, e é difícil não ficar orgulhosa dela, por tudo o que passou e pela maneira como encara as coisas. Cresceu de uma miúda relutante em aceitar a sua herança para uma mulher forte e confiante, que aceita as coisas difíceis que tem de fazer. O seu caminho não é fácil, mas ela encara-o com uma postura magnífica.

Sobre ela e o Lincoln... há uns dias, ao explicar porque é que gostava dos livros, descrevi a sua relação a alguém como uma tortura, no bom sentido, e agora apercebo-me que usei exactamente as mesmas palavras para os descrever há um ano, quando comentei o segundo livro. Apesar da natureza "destinada" da sua relação, as coisas não são mais fáceis por isso. São mais difíceis. E é mais bonito quando têm direito a um momento de felicidade, ainda que passageiro.

E a culpa é deles por as últimas 100-150 páginas serem assustadoramente emocionais. O tipo de sacrifício a que se expõem, combinado com tudo o que acaba por acontecer... e que deu cabo de mim. Foi muito interessante ver o Lincoln finalmente solto, a deixar-se desfrutar das coisas; mas triste, porque sabia que ele estava a tramar alguma. E doeu-me ver as coisas difíceis e dolorosas que este par suporta até ao fim do livro.

Pelo meio, tenho de falar do elenco secundário, em que não há um personagem que eu não goste. Até o Phoenix acabou por se redimir um pouco de todas as coisas que fez. Não me esqueço delas, mas o seu arrependimento e o que tenta fazer para se redimir mostra pelo menos uma evolução na sua postura. Por sua vez, o grupo de amigos em volta da Violet é algo fantástico, adoro aqueles miúdos (e não-tão-miúdos).

A relação da Violet com a mãe ganha novas facetas, e foi bom poder vê-las a conhecer-se melhor e a compreender-se melhor. Era uma relação difícil, e foi bom perceber o que aconteceu realmente no passado com a Evelyn. E foi curioso ver como o pai da Violet reagiu a ela e a finalmente entrar neste mundo. Por outro lado, gostei de conhecer alguns novos personagens na Academia, ter um vislumbre de como funciona... e até ver a Jacqueline morder a língua e aceitar a Violet, ainda que tarde de mais.

Em termos de exploração da mitologia, descobrimos mais alguns pormenores que complementam a história, coisas que a Violet consegue fazer, sobre os anjos e as dimensões em que existem... faltam revelar alguns pormenores, mas fiquei satisfeita. Houve uma aparição dum personagem que me deixou desconfiada, e estou intrigada com o futuro papel dele nos livros.

O fim? O fim foi terrível, duro, tristíssimo. Mas não podia ser de outra maneira. Depois de tudo o que acontecera, a Violet estava num ponto de rotura, quebrada pelos acontecimentos, e nada mais seria o mesmo. Para ela, não era possível voltar atrás, por mais que eu quisesse. E por isso compreendo a sua decisão, apesar de não concordar completamente com ela, ou com as razões pelas quais a tomou.

E por isso espero que o próximo volume me traga (boas) notícias, porque aquilo que eu queria aconteceu neste livro, mas soube-me a pouco, e quero mais. Felizmente, como já tem sido hábito nesta série, só terei de esperar um mero meio ano em vez do costumeiro ano. A curiosidade, essa, não é menor.

Páginas: 480

Editora: Sourcebooks Fire

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