terça-feira, 22 de outubro de 2013

The Falconer, Elizabeth May


Opinião: Vai ser uma opinião curta, porque este livro ficou ali no meio, no meiozinho. Nem estupidamente bom nem tão mau que me dá vontade de arrancar cabelos. Teve coisas que gostei, mas também coisas que bem precisavam de ser melhoradas.

Entre as coisas que gostei: o mundo e o conceito. Edimburgo no século XIX, com um toque de steampunk e outro de paranormal, com a existência de fadas predadoras que matam humanos para seu prazer e alimentação. O dilema posto pela inadequação da protagonista num mundo com determinadas regras e exigências é muito interessante. Gostei do facto da Aileana estar sempre a construir maquinas e ser uma rapariga muitíssimo inteligente. E gostei do ponto das fadas assassinas e tremendamente perigosas.

Gostei de conhecer a Aileana. É refrescante ver uma personagem que aceita e convive com o seu lado negro. Está obcecada com a vingança, gosta de matar fadas e não pede desculpa por isso. Debate-se com o seu papel de debutante obediente e a certeza de que depois do que aconteceu no passado já não pertence a esse mundo. Achei interessante os paralelismos que se estabelecem entre ela e o Gavin; ainda mais se notarmos que ela é que tem o papel activo, de caçadora de fadas, e ele o papel passivo, de vidente. É uma inversão dos papéis tipicamente atribuídos a homens e mulheres.

Entre o que não gostei: bem, pode ser resumido a - o livro precisava de ser trabalhado. Primeiro, porque parece que tem "saltos" na narrativa. O personagem A vai do ponto B ao ponto C sem clarificar o que aconteceu pelo caminho. E não estou a ser picuinhas; é mesmo o tipo de coisa que precisa de ser explicada, ou as acções dos personagens não fazem sentido.

Depois há lacunas na construção dos personagens. Poucos me pareceram tridimensionais. O Kieran é pouco mais que o tipo impenetrável, duro, e inumano que vai mostrando mais facetas ao longo da história. Só que não há nuance, e quando finalmente vemos que é mais que a fada fria e inumana, parece que vem do nada.

O mesmo acontece com a suposta atracção entre ele e a Aileana. Não há pistas, momentos que sugiram no início do livro que eles se vêem como mais que, er, "parceiros de negócios". E se no ano anterior ao início do livro não se aproximaram, não faz sentido que em meia dúzia de dias isso aconteça. E para mais, como esta atracção não é credível, quando a Aileana decide que desiste da vingança porque não quer que nada aconteça ao Kieran, soa a ridículo. Ela vivia para a sua vingança. Enfraquece os seus motivos vê-la desistir tão facilmente, quando até esse ponto eu acreditava que o Kieran era só mais um degrau no caminho para aquilo que ela queria, e que o sacrificaria sem hesitar.

Acho que o livro teria resultado melhor se acompanhássemos a evolução da Aileana desde debutante inocente a assassina sanguinária obcecada pela vingança. Resolveria algumas fraquezas que apontei e permitiria desenvolver melhor os personagens.

E por fim, aquele final. Credo, o editor responsável por deixá-lo ficar assim devia ser despedido. Eu compreendo até certo ponto um final cliffhanger. Mas este vai para além disso. Muito além. Pára literalmente a meio do clímax final, o que narrativamente não faz sentido nenhum. E termina com a frase mais críptica e inexplicada de sempre, precisamente porque não há um fecho adequado da história. Enfim... em suma, ainda estou a tentar perceber se a autora merece que eu leia o segundo livro depois de me fazer uma destas.

Páginas: 336

Editora: Gollancz

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