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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

If There's No Tomorrow, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Para que fique registado (se ainda não ficou), eu gosto desta autora. Divirto-me a ler os livros dela. Não são a maior invenção desde a roda (poucos livros o são), mas são cativantes, cheios de humor e têm uma fórmula que até agora não me tem cansado. (Provavelmente porque a Jennifer não é uma escritora preguiçosa e introduz variedade suficiente no que escreve.)

No entanto... devo dizer que os livros paranormais/de fantasia dela me têm suscitado mais interesse que os contemporâneos. O The Problem With Forever é bastante bom pela caracterização da protagonista... mas este não é um que se destaque na minha admitidamente movimentada vida literária.

Para já, a sinopse é estúpida: o livro não ganha nada com fazer caixinha. É descativante o mistério, porque faz este construir de expectativas que caem facilmente ao percebermos o que aconteceu. Que não é nada assim de tão impressionante ou especial. É uma situação que terá acontecido um sem-número de vezes, e voltará a acontecer. O que faria a situação especial seria a caracterização da protagonista e a sua reacção à situação.

Focando-nos na protagonista: tem esta combinação estranha. A Lena parece-me uma adolescente razoável, credível: boa aluna, discreta, preocupada com o seu futuro, com um simpático grupo de amigos e com uma paixoneta duradoura pelo melhor amigo de infância.

Por outro lado, a Lena adora ler, e aí é que a Jennifer abusa um bocadinho: claro, é divertido ver as referências a certos livros e autoras (particularmente a Maas), mas a Jen pinta a Lena com este véu de "não é como as outras raparigas" e contrasta-a com outras pessoas que não gostam de ler ou lêem outras coisas...primeiro, não há nada de errado em não gostar de ler, segundo, não podemos estar sempre com esta de os leitores serem uns bichos raros. Não são. Soa tudo um pouco demasiado a cliché.

A exploração da culpa da Lena é interessante e até certo ponto credível... é a única sobrevivente de uma tragédia, e isso tem um peso especial para o sobrevivente. Ela fecha-se, deixa muita gente de fora. E isso é credível, assim como o é ter cedido à pressão de pares numa situação em que a atitude certa teria sido não o fazer.

Irritaram-me no entanto duas coisas: um, a reacção da mãe, a repreendê-la ("ensinei-te a ser melhro que isso") quando tinha acabado de acordar no hospital, confusa e assustada (era mesmo necessário?), e julgo que não ajudou a Lena a ultrapassar a culpa; duas, ninguém lembra a Lena que ela sobreviveu porque era a única a usar cinto. Diga-se o que se disser, tenho alguma dificuldade em acreditar que usar cinto não é uma atitude subconsciente para as pessoas nos dias de hoje, tenham tomado alguma coisa que lhes altere a capacidade de decisão ou não. E portanto o problema torna-se não só em conduzir bêbedo, mas sim conduzir sem cinto, que é uma coisa diferente. Não invalida como a Lena se sente, no centro duma tragédia, claro, mas esse enquadramento não é feito, apesar de o facto ser óbvio.

Destaque final para o Sebastian, que é um rapaz fofinho. Tem alguma dificuldade, como a Lena, em definir a evolução da sua relação, o que é amoroso de acompanhar, os mal-entendidos e tudo o mais; depois da tragédia, é interessante ver a sua perspectiva, à beira de perder a Lena, e em luto pelos amigos que perdeu, mas sem se esquecer que a vida a continua e tem um mundo à sua espera (e da Lena).

Em suma... uma boa leitura para passar umas tardes, mas não exactamente memorável.

Páginas: 384

Editora: Harlequin Teen

domingo, 16 de abril de 2017

The Struggle, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Eh, este soou exactamente a um livro do meio duma série, e não é propriamente no bom sentido que o digo. Está demasiado focado em preparar os acontecimentos do próximo livro, e por isso parece que nada acontece neste, o ritmo do enredo é algo... aborrecido.

A piada da coisa é que, em teoria, montes de coisas interessantes e importantes acontecem. Mas a maneira como são expostas não é a minha favorita; e além disso, são afogadas pela forte presença do elemento romântico.

E falando no mesmo, pode-se dizer que me tornei fã do casal principal. A Josie e o Seth funcionam bem juntos, gostam mesmo um do outro, defendem-se e lutam um pelo outro. No entanto, sinto que a sua relação e respectiva evolução ocupou demasiado espaço de antena no livro, não dando espaço a que o enredo evolua.

Além disso, a Jennifer faz com eles uma coisa que me fez revirar os olhos. É o cliché dos clichés, e tenho receio de ver como isso vai condicionar a narrativa daqui para a frente. Achei as reacções dos dois a isso realistas, e por isso tenho esperança que corra tudo bem, mas veremos.

Fora isso, tenho gostado do que esta série vai revelando sobre a mitologia deste mundo, e este volume não é excepção. Há algumas coisas com muito potencial aqui, e quero continuar a ver o que dali sai. Estou curiosa para ver o que andam os deuses a tramar, têm andado muito discretos, e isso nunca parece ser bom sinal.

Falando individualmente dos personagens, gosto bastante da Josie. Acho que ela tem ido evoluindo, mas gosto de como se mantém terra-a-terra, e como alguém recém-introduzida a este mundo, não perdendo o seu lado "humano" e mundano. (Acho muito credível a sua reacção à "notícia".) No entanto, ela passa por uma situação complicada, e acho que a Jennifer não aproveitou o potencial da situação para explorar as reacções da Josie a esse momento. E teria sido mais realista vê-la com sequelas do mesmo.

O Seth continua aquele tipinho irritante, mas também tem tido uma evolução interessante ao longo dos livros, e gosto do que tenho visto dele. Os novos factos acerca dele são fascinantes, e mudam as coisas duma forma curiosa. Acho ainda engraçado que o Seth tem ido ganhando juízo, sem deixar de ser ele mesmo.

Foi bom rever outros personagens, como a Alex e o Aiden, que deixaram tantas saudades. São um casal adorável, muito forte e fantástico de acompanhar, ainda que já não sejam os protagonistas. E o Deacon e o Luke também são uma delícia de acompanhar. (Além disso, o Deacon é o grande responsável pelos momentos humorísticos do livro. Adoro o humor dele e do livro em si.)

E pronto, aqui estou eu, pronta para esperar mais um ano. Inicialmente isto era para ser uma trilogia, mas de momento estão planeados quatro livros, ao que sei. Apesar das falhas, tenho fé na autora e estou curiosa para ler como ela vai resolver certos problemas. Espero que o quarto livro seja mais animado e excitante, e que traga um bom fim para a história destes personagens.

Páginas: 368

Editora: Hodder & Stoughton (Hachette)

terça-feira, 21 de março de 2017

Till Death, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Há algum tempo que não lia esta autora, e estava com saudades. Especialmente porque de início achei que era uma leitura mediana, boa, mas nada de especial; mas quanto mais penso nela, mas gosto dela.

Till Death conta a história de Sasha Keaton. Dez anos antes, a Sasha viu-se alvo dum serial killer... e escapou. Desde então, ela passou este tempo todo fora da sua cidade de origem; as memórias eram demasiado pesadas para ela.

Uma década depois, a Sasha sente-se preparada para voltar: sempre quis assumir a gerência da pousada da família. Contudo, mal põe os pés na sua antiga cidade, uma série de acontecimentos preocupantes começa a suceder-se, fazendo as pessoas pensar que o assassino está, de alguma forma, de volta. (Tinha morrido dez anos antes.)

E aqui está a minha parte favorita da história: a Sasha. Aquilo por que ela passou pode fazer qualquer um perguntar-se como é possível voltar a ter uma vida depois disso. Mas a Sasha conseguiu. Foi a terapia, e ainda tem pesadelos. Mas a Sasha reconstruiu-se de uma provação incrível. É o que adorei ver nela: convive em sociedade, tem um emprego, viveu algumas relações românticas breves - o que tendo em conta os contornos do serial killer em questão, seria muito difícil.

Acho que posso dizer que esta narrativa, em vez de se focar no trauma, como a maior parte dos livros que têm este elemento do enredo, foca-se na cura. O que impede a história de fazer da protagonista uma coitadinha - faz dela uma sobrevivente e uma guerreira. Gostei disso.

O enredo é um mistério/thriller que envolve a repetição de assassinatos semelhantes aos de dez anos atrás mal a Sasha volta à sua cidade natal; só que o assassino morreu na altura em que ela conseguiu fugir. A razão pela qual eles se estão a repetir é relativamente fácil de adivinhar - ao fim de uma década de Criminal Minds, é fácil de vir à memória, já que é uma reviravolta que é usada pelo menos uma vez por temporada. A pessoa envolvida, no entanto, conseguiu praticamente surpreender-me - só o vi umas páginas antes de ser revelado. E no entanto faz sentido. Em retrospectiva, estava nos sítios certos às horas certas.

Outro elemento interessante da história e da vida da Sasha é o Cole - o Cole era o namorado da Sasha na altura em que foi raptada; e depois da fuga, ela cortou com tudo da sua vida antiga, incluindo ele. Nunca mais se viram ou falaram. Quando a Sasha volta a casa, no entanto, eles reconectam-se; e é como se nunca tivessem estado separados. Esta parte da história deixa-me dividida.

É que por um lado gosto da ideia de um romance em que as partes se conhecem e já estiveram envolvidas no passado - é um atalho para desenvolver a relação, normalmente bem sucedido. É mais credível quando as coisas acontecem mais rápido entre o par. Já têm a química, já se conhecem. Aqui só me queixo de tanta rapidez, não pela falta de química, nem pela situação emocional dos dois; queixo-me porque a separação foi abrupta, e por um constrangimento externo que afectaria a sua relação tivesse a Sasha ficado ou não.

E por isso sinto que eles deviam ter passado algum tempo a falar disso, a reconectar-se verdadeiramente, a reaproximar-se - passaram dez anos, não são as mesmas pessoas. E no entanto de repente estão nos braços um do outro, a declarar amor eterno. Lamento, mas a minha suspensão de descrença não é assim tão abrangente.

Outras coisas boas da história: a mãe da Sasha, uma sua apoiante incondicional - e quão difícil deve ter sido para a senhora ver a filha passar por tudo. Mas a atitude dela é tremendamente positiva, e muito preocupada com a filha, sem a sufocar. Ah, e gostei imenso da Miranda, uma amiga da Sasha com quem se manteve em contacto, e que tem uma atitude fantástica.

(Oh, e mais uma coisa: gostei do ambiente de cidadezinha pequena, e de como os personagens vivem satisfeitos nela, ou retornam a ela. Demasiadas vezes em livros dos EUA a narrativa foca-se em cidades grandes, e esta diferença é refrescante.)

Em suma: gostei. Não é extraordinário ou algo que me apaixone de modo a eu evangelizar qualquer leitor que me apareça à frente, mas tem a qualidade e capacidades a que a Jennifer já nos habituou, e tem muitos pontos agradáveis na narrativa, capazes de cativar o leitor.

P.S.: HarperCollins, que diabos é que se passou aqui? O meu exemplar é a coisa mais estranha de sempre. Tem a largura dum mass market paperback (os livros de bolso mais pequenos), e a altura dum trade paperback (os livros de bolso médios); ou seja, acaba por ser um livro completamente desproporcional, demasiado comprido para a sua largura. Não faz sentido algum e gostava de saber o que lhes deu para fazer isto.

Páginas: 400

Editora: William Morrow (HarperCollins)

domingo, 26 de junho de 2016

The Problem With Forever, Jennifer L. Armentrout


Opinião: A este ponto do campeonato, estou muito familiarizada com os livros desta autora. Talvez demasiado familiarizada. Conheço-a e à sua obra de uma ponta à outra. Li quase tudo dela o que havia para ler, excepção feita àquilo que não se proporcionou, por ter saído primeiro em e-book ou algo do género, ou num dos casos, porque me vai deixar tão furiosa, disso tenho a certeza (Every Last Breath; não gostei dos primeiros livros, não vejo como é que este vai mudar o jogo, acho que vai é piorar as coisas... oh bem, não se pode ganhar tudo).

Bem. Ela já tem escrito coisas de todos os tamanhos e feitios, mas este é dos poucos contemporâneos que escreveu na faixa YA. Talvez mesmo o único e primeiro, se excluírmos o Don't Look Back da categoria de contemporâneo por ser mais a tender para o mistério/thriller. Para quem começou a escrever no fantástico/FC YA, até é curioso ver que ela nunca explorou muito este cantinho género.

E o livro é enorme. Não parece nada, contudo. Flui bastante bem. Uma característica da escrita da Jennifer. Mesmo aqui, num livro que não é guiado pelo enredo ou pelo worldbuilding - coisas que facilitam muito o ritmo da leitura. O impressionante deste livro é que não tem nada disso, é guiado pela caracterização dos personagens, e mesmo assim é devorável.

É por isso que eu gostei dele. A caracterização. A Mallory é espectacular, fantástica de ler. As limitações dela são um seguimento lógico do passado dela, e a autora escreve-as com uma verdade emocional que ressoa. É custoso, é doloroso, a Mallory gostava de ser diferente, mas é assim. Vive com isso, e vai evoluindo aos bocadinhos para fora do casulo. Há vários tipos de força, e a Mallory encontra-a no seu interior. Mesmo não tendo passado pelo que ela passou, mesmo que não agisse como ela, posso entender as suas limitações, identificar-me com elas. Senti-as mais profundamente por isso.

Gostei bastante de ver a história desabrochar, de acompanhar o que estes personagens tinham enfrentado. A descrição do sistema de adopção e acolhimento de crianças é assustador. Nem todos têm as mesmas experiências, mas só a noção de que apenas uma criança possa passar algo como o que a Mallory ou o Rider passaram, bem, é aterrador e preocupante.

No caso do Rider (e já agora, que raio de nome é Rider? ninguém se chama assim, a não ser rapazes bonzões nos livros... ups, aí tenho a minha resposta), bem, o Rider pode parecer bastante mais bem resolvido com o seu passado. Palavra-chave: parecer. No caso dele o que me entristece é que é vítima do estereótipo e do que os outros projectam nele. Quantos miúdos não se perdem porque ninguém espera mais deles? Porque não há ninguém a puxar por eles, a incentivá-los a superarem-se e às expectativas?

Gostei bastante de os ver juntos, porque têm uma história tão séria e poderosa para trás que é impossível não gravitarem um para o outro. E são bem giros juntos, ele armado em protector, ela determinada a acreditar nele quando mais ninguém o faz. Achei um pormenor absolutamente adorável, que era o Rider corar por tudo e por nada. Ah, e há uma cena muito interessante, pelo, er, conteúdo, mas também por se manterem responsáveis. Haja alguém que acredite que os adolescentes são capazes disso.

Fiquei fã de alguns pormenores da história. A Ainsley, pela sua personalidade, pelas discussões com o Hector, mas também por a autora colocar um pouco da sua história nela. Ela tem sido vocal no Facebook sobre ter a doença e alguns problemas que lhe traz. O leque de amigos do Rider. Os pedacinhos da vida do Rider. O professor da disciplina de discurso. Os pais adoptivos da Mallory, a dinâmica que ela tem com eles, o modo como formaram uma família.

Tenho de destacar um par de coisas menos positivas. Uma é que o livro às vezes me deu a sensação de não estar... bem revisto? Ocasionalmente uma frase soava-me mal formulada, coisa que se apanhava com uma revisão mais aturada.

Dois, uma personagem identifica que alguém fala "Puerto Rican" por ouvir uma expressão, e eu fiquei... WTF??? Até consigo perceber a lógica de dizer que alguém fala porto-riquenho, apesar de ser impreciso. Poderíamos fazer o mesmo e dizer que alguém fala brasileiro se for óbvio pelo sotaque e expressões que usa que fala português do Brasil. Mas a expressão usada é tão corriqueira, tão pouco específica, que seria preciso poderes de dedução do nível Sherlock Holmes para chegar a isso. E a Jennifer agradece nos Acknowledgements a uma moça latina pela ajuda com o espanhol. Como é que um falante de espanhol deixava passar uma destas?

De qualquer modo, isto não é nada para me afectar o gosto da leitura, apenas são momentos... estranhos. No fim de contas, acho que este acabou por ficar um dos meus livros favoritos dela. Até me deu vontade de ir ler todos os livros dela que ainda me faltam.

Páginas: 480

Editora: Harlequin Teen

sábado, 19 de março de 2016

The Power, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Ok, isto não avançou tanto quanto eu esperaria. E até fez algumas coisas que eu esperava que não acontecessem. Estranhamente, não estou zangada. Parabéns, JLA, conseguiste fazer coisas que eu geralmente não gosto muito, e ainda assim manter a minha atenção e fazer-me gostar da história. É bem melhor que o Stone Cold Touch, que ainda me dá uma raiva intensa cada vez que penso nele.

Agora a sério. O enredo em partes parece arrastar-se um pouco, andar sem objectivo definido, e ganhar tracção mais à frente. Eu percebo. Não é completamente estranho à autora, começar a história mais por desenvolver os personagens e depois passar à acção, mas esperava que avançasse um pouco mais. Dá a sensação que tem demasiadas coisas por resolver no último livro.

A parte que eu queria mesmo que ela não fizesse era criar um desentendimento entre a Josie e o Seth para separá-los. É pior por causa do comportamento do Seth. Que decide que tem de se separar dela por... coisas, e não lhe dá espaço para se manifestar. Não, o macho grande e mau tem de decidir por ela, e não lhe explicar a situação, e deixá-la fazer as suas próprias escolhas. Ainda pior, continua de volta dela tipo cão no cio a marcar território. Grrr. Detesto este tipo de comportamento.

Pegando agora no outro lado, continuo a gostar bastante da mistura de mitologia greco-romana que a autora vai usando na história e adaptando para a sua própria mitologia. Gosto de como descobrimos mais umas coisas neste volume, e como tudo vai ficando mais complicado e complexo à medida que avançamos. Quando o enredo arranca, a parte da mitologia torna-se bastante interessante e acho que vai dar pano para mangas.

Também gosto muito da Josie, porque neste livro vai crescendo um pouco, começa a ficar mais à vontade neste mundo, e vai-se tornando numa guerreira, à sua maneira. Aprecio-a por se recusar a por o Seth numa caixa, e tentar compreendê-lo, ver como ele "funciona". É mais do que alguém alguma vez lhe deu.

Quanto ao Seth, é complicado. A caracterização dele tem nuance, posso dizê-lo, os seus problemas e o modo como reage fazem muito sentido. Só que às vezes ele é... demasiado? Demasiado alfa, demasiado intenso, demasiado irritante. Os bad boys perdidos e danificados são divertidos de ler, mas chego à conclusão que detestaria conhecer um na vida real. Era capaz de dar em doida com este tipo de comportamento.

Continuo a adorar o elenco secundário. O Luke e o Deacon (adoráveis), o Marcus (pobrezito, tem de aturar estes putos, até me ri quando ele disse que o Seth e a Josie a discutir era estranhamente familiar), e o pessoal novo, como o Colin, ou o Hercules (hilariante, a personalidade dele). Melhor ainda, caras antigas voltam, e é fabuloso revê-las. Que saudades.

O fim descarrila em parte a direcção que o enredo estava a tomar, e por isso estou relativamente curiosa para ver o que vai acontecer no próximo livro. Não é muito usual com os livros da autora, mas vou ter de esperar um ano. Raios.

Páginas: 352

Editora: Hodder & Stoughton

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Série Tempting the ..., Jennifer L. Armentrout


Páginas: 208 / 272 / 272

Editora: Hodder & Stoughton


Esta colecção é um conjunto de novelas, no género romance, escritas pela autora e publicadas em e-book pelo seu editor americano, mas que o editor britânico decidiu publicar em papel, o que me fez aproveitar a oportunidade. É uma autora que sigo e gosto de ter os livros dela na estante.

A série Tempting segue os três irmãos Gamble, com uma história de família complicada, uma mãe alcóolica pronta a afogar as mágoas, um pai desligado e engatatão. Isto deixou marcas nos filhos, que - é óbvio neste tipo de história - são uns avessos a compromissos, pelo menos até encontrarem a mulher certa, é claro.

Acho que posso apreciar o facto de, apesar de serem romances e haver uma certa "fórmula" a seguir, acabam por ser diferentes o suficiente, ter facetas distintas que os tornam a cada um uma história dissimilar. Num género tendencialmente formulaico, o que em si não é mau, tudo o que confira uma distinção à história que a destaque e lhe dê um gostinho especial é bastante bem-vindo.

O primeiro livro é a história do Chase e da Madison, uma jovem que cresceu como vizinha dos Gamble. Estes passaram grande parte da vida com a família da Madison, tendo em conta os problemas familiares; a Madison passou a vida a seguir os três rapazes e o irmão dela, não conseguindo esquecer a paixoneta pelo Chase.

A relação deles é interessante pelo componente de negação de sentimentos por parte de ambos, e pela dança um à volta do outro. Tenho pena que o primeiro instinto deles seja desconfiar um do outro a certo ponto, especialmente porque exageraram no "filme" que fizeram na cabeça deles, mas enfim, resolveu-se

O segundo livro mete o Chad, que é jogador de baseball, e um jogador fora de campo também, frequentemente metido com festas e mulheres, o que lhe dá uma "reputação". Conhece a Bridget (que eu levei um bocado a identificar como colega de trabalho e amiga da Madison, sou mesmo totó), uma bomba ruiva pouco convencional (mas que eu adorei, é uma totó cá das minhas). No meio da tentativa de limpar a imagem do Chad, a Bridget vê-se no meio e obrigada a fingir de namorada dele por uns tempos.

A parte divertida aqui foi ver como o par tem a sua química, e como ficam rapidamente vidrados um no outro; e como a questão do falso namoro condiciona o seu relacionamento. Sou capaz de querer bater no Chad por desconfiar dela tão facilmente num certo ponto; mas acho piada que eles acabam por se adiantar e se os primeiros a casar, dos três casais. Não fazem nada pela metade.

O terceiro livro mete o irmão mais velho, o Chandler (oh céus, alguém andou a ver demasiado Friends... ou é suposto eu levar este tipo a sério?), que é guarda-costas; e a Alana, que no livro anterior foi a relações públicas do Chad, e que fez uma coisinha desprezível à Bridget (até eu estou zangada, consigo perdoar-lhe quase tudo menos uma certa parte).

Neste livro, a Alana desconfia que tem um stalker, e pede ajuda ao Chandler, que é a única pessoa que conhece e remotamente poderá ajudá-la. Não gostei que o Chandler fosse tão desconsiderado no início, como se a Alana não tivesse razão para ficar preocupada, porque ela estava vulnerável, e o palerma só estava a pensar em tirar as calças. Ugh.

Enfim, a Alana é a pessoa ideal para lidar com ele, aliás, isso aplica-se aos dois, porque são ambos tão mulas teimosas e têm uma personalidade tão difícil que são perfeitos um para o outro.  (Até dela eu acabei a gostar, ao revelar-se na narrativa.) Também achei interessante que ele não tivesse macaquinhos nenhuns em relação a assumir uma relação, e fosse ela a ter problemas de compromisso. É refrescante, a inversão de papéis..

Em suma, foi uma série divertida de acompanhar, girinha, nada que eu morra se não lesse, mas também entreteve e teve os seus momentos bem altos. Fico contente por ter lido, por ter continuado a acompanhar esta autora, porque ela tem sempre umas ideias giras para dar a volta aos seus enredos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Scorched, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Pronto, estava eu a queixar-me na opinião anterior de um dos últimos livros desta autora, e depois tinha de vir este dar-me a volta e surpreender-me. Scorched é uma espécie de companion de outro livro da autora, Frigid; ambos têm personagens em comum, que são protagonistas num e personagens secundários noutro, e vice-versa, mas podem ser lidos em separado, sem haver propriamente continuação entre os dois.

A razão pela qual este livro é surpreendente é porque, indo numa direcção oposta ao sentido de humor que eu já espero da autora, ela decide falar de temas sérios. A protagonista, Andrea, bebe, e bebe muito, um problema só por si, mas que se revela uma bengala por ela usada para esconder outras coisas mais profundas.

E gostei de ler a caracterização que a autora faz da Andrea. O alcoolismo é uma forma de enterrar coisas para não lidar com elas, e a ansiedade e depressão subjacentes ao comportamento dela parecem tão certeiras, ela que age como uma menina de festas, divertida, cheia de vida, apenas para esconder os seus problemas mais profundos. Mais, ela tem uma família e vida familiar normal, e adora-os, o que foge ao que se vai tornando clichè no género New Adult contemporâneo. Gostei disso.

A única coisa que não gostei tanto no que toca a este detalhe da narrativa é que domina a segunda metade do livro, enquanto o romance e o humor dominam a primeira metade, e tematicamente sinto que ambas as metades podiam ter sido mais harmonizadas. Além disso, a autora tenta encaixar muito em tão pouco na segunda metade, com a recuperação da Andrea, e sei lá, gostava que esta tivesse mais tempo de antena, e que passasse por mais cenas e interacções com outros elementos da narrativa. Não temos uma imagem clara do que ela andou lá a fazer aquele tempo todo, e seria tão interessante de explorar.

Gostei de ver a Andrea e o Tanner juntos, porque personagens que começam como inimigos e acabam em namorados é sempre divertido de ver, e porque as trocas verbais deles eram sempre engraçadas. Mas também gostei de ver como a sua relação evolui, condicionada pela doença da Andrea e o seu caminho para ficar melhor.

Não fui a maior fã do Tanner em partes, porque aconteceu vezes demais ele fazer um comentário desbocado e (ainda que inintencionalmente) maldoso que magoava a Andrea, e nunca se vê ele tentar redimir-se ou melhorar este aspecto. Mas as reacções dele depois de descobrir a extensão dos problemas dela são louváveis, mantendo-se a seu lado, e eles têm tanta química que consigo acreditar neles como casal. Só me faltou um bocadinho de desenvolvimento pessoal do Tanner, mas compreendo que tenha ficado para segundo plano face à história da Andrea.

A Syd e o Kyler (do Frigid) voltam a aparecer, são os melhores amigos destes dois, são o típico casal, tão adorável e fofinho que até dá nojo (ehehe), e são os catalisadores do enredo, sugerindo as férias que juntam a Andrea e o Tanner na mesma casa. Mas custou-me que fossem egoístas num certo ponto. A Andrea tem uma crise e eles decidem simplesmente voltar para casa, sem pôr a decisão à consideração do grupo, obrigando todos a voltar.

Um forçamento de acções que lança a Andrea numa espiral depressiva por se culpabilizar pelo fim abrupto das férias - da qual eles não têm culpa, claro, mas sinto que podiam ter lidado melhor com a situação, especialmente a Syd, que tinha uma ideia, ainda que pequena, dos problemas que a Andrea fazia por esconder.

Em suma, não estava nada à esperar da história que me chegou às mãos, mas estou contente por a ter lido. Os problemas da Andrea soam tão reais, e tão insidiosos, e a sua caracterização é bastante cativante; é quase por acaso que se repara nos seus problemas, porque ela os esconde bem. Torci por ela a cada passo do caminho e o seu fim foi mais que merecido (ainda que não me importasse nada de ver a parte final mais bem desenvolvida).

Páginas: 248

Editora: Spencer Hill Press

quarta-feira, 15 de abril de 2015

The Return, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Estava um pouco incerta do que esperar deste livro. É um spin-off duma série anterior da autora, a série Covenant (que já terminou), e cheguei à conclusão que gostei muito de a seguir. O que resulta em recear esta nova série, porque o foco é ligeiramente diferente, sendo que personagens adorados não voltam ou não fazem uma aparição no livro.

Também há o facto de o Seth ser o protagonista, o que é algo estranho porque eu sempre estive dividida quanto ao que pensar dele. E depois, tinha as minhas dúvidas quanto a haver história ou mitologia para explorar neste mundo. (Para não falar de que detestei, com a fúria de mil sóis, um dos últimos livros que li da autora, quando costumo gostar bastante do que ela escreve.)

Quanto ao (pen)último aspecto, não precisava de recear. Há algumas lacunas na mitologia explorada na série anterior (uma ou outra já me tinha ocorrido), e são suficientes para criar uma base sólida para esta série/trilogia (acho que está anunciada como trilogia). Gosto mesmo da natureza do que a Josie é, e de que aprendemos sobre ela e outros como ela. Além disso, a questão dos Titãs ficou em suspenso na série Covenant, e por isso é muito bom vê-la aqui explorada, com vista a ser resolvida, suponho (e espero).

Só gostava que houvesse um pouco mais de tempo de antena para esta exploração do mundo e do enredo. Eu sei que os géneros primários do livro são New Adult e Romance Paranormal, ambos com bastante foco no romance, e no geral gostei desse aspecto, mas a verdade é que afasta do worldbuilding e do avançar da narrativa (que se foca mais numa viagem de fuga e chegada a um santuário, com um momento de perigo como clímax, tudo para avançar o romance), e pergunto-me como este vai evoluir nos próximos livros, já que a parte do romance ficou bem encaminhada.

Detestaria ler conflitos românticos desnecessários, criados só para manter a história dos livros seguintes. Além disso, apesar de não ser muito óbvio, parece que o enredo vai evoluir numa direcção com bastante acção, e gostava que o drama amoroso (por favor, um triângulo não!) não afastasse a escrita deste aspecto da narrativa.

Apesar de não termos a presença de dois personagens que eu matava para voltar a ver, ou ler, eles estão muito presentes na narrativa. A Alex, particularmente, pela sua relação com uma boa parte dos personagens que realmente aparecem na história. A sua presença sente-se em muita coisa, especialmente porque as suas acções levaram os acontecimentos até aqui, e porque a sua relação com o Seth é o motor para o estado em que ele está no livro.

De qualquer modo, voltam muitos favoritos. O Apollo, que mostra um lado novo dele, mas continua inconveniente como sempre. O Deacon e o Luke, que são um casal adorável, e que recebem a Josie fabulosamente. (E adorei que fosse o Deacon a contar à Josie da Alex. Claramente o Seth não estava num ponto em que podia deitar aquilo tudo cá para fora, e o Deacon também tem direito à história, por estar relacionado com os envolvidos.) Ah, e o Marcus, de quem - como a Alex - aprendi a gostar, particularmente nos últimos livros, pela relação que desenvolve com a sobrinha. É sempre uma presença sólida, mesmo na face da tragédia.

É algo interessante ler o ponto em que o Seth está. Oh, ele continua a ser um idiota em muitas coisas, e continuo com a vontade ocasional de que lhe caia qualquer coisa em cima, mas depois tem uns momentos adoráveis que são desarmantes. É tão estranho, mas no bom sentido, acho. De qualquer modo, gosto muito da caracterização que a Jennifer lhe dá no livro. Explica bem o estado mental dele depois das suas acções terríveis, e mais ainda, esclarece a sua história e como ele veio a ser a pessoa que é. Sem o desculpar, o que não é nada mau; apenas dá uma ideia clara de como veio parar aqui.

Além disso, é muito divertido vê-lo com a Josie, ver a sua relação evoluir, e vê-lo transformar-se num grande e fofo ursinho de peluche no que toca a ela. Bolas, a certa altura ele até acha que se está a transformar no Aiden, o que me fez morrer a rir, porque eles eram tão antagonísticos um com o outro que a noção de terem algo em comum é demasiado boa.

Gostei da Josie como protagonista. É um bocado difícil vir na esteira de alguém como a Alex, que é tão expansiva e cheia de personalidade, e uma protagonista difícil de esquecer. Alías, dei por mim ocasionalmente a compará-las, ou a lembrar-me da Alex e do que faria nessa ocasião - especialmente pela ligação que ambas partilham (e não é o Seth). Mas a Josie ganhou-me o coração aos poucos, e acabei a gostar bastante dela.

É bastante fácil de perceber o que ela está a passar, e ela reage de forma relativamente credível, e melhor, exige ser treinada para se defender, para nunca mais ficar, ou sentir-se, indefesa numa luta. Só faltou que ela pudesse usar essas capacidades duma forma prática, mas espero que o seu novo estado e o evoluir do enredo que se prevê lhe traga alguns momentos de acção.

Em suma, acabou por ser uma boa leitura, e uma boa e muito bem-vinda surpresa, especialmente depois da minha experiência anterior com a autora. Gostei do que ela está a tentar fazer, apesar do género e do foco da história mudar um bocadinho, e estou intrigada com a exploração de novos aspectos deste mundo. Fico com vontade de seguir a Josie e o Seth na próxima aventura.

Páginas: 352

Editora: Hodder & Stoughton

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Stay With Me, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout


Opinião: Stay With Me é o terceiro livro desta série da autora Jennifer L. Armentrout (pseudónimo J. Lynn), uma série cujos livros podem ser lidos independentemente e por uma ordem qualquer, já que as respectivas histórias são autocontidas; o que têm em comum são os personagens, que se movem nos mesmos espaços e círculos, mas não é propriamente essencial ler por ordem, já que as referências de uns livros para os outros são relativamente breves.

Neste volume, seguimos a história de Calla, uma jovem que teve um passado duro, mas que evita lembrá-lo ou falar dele ao grupo de amigos, pois não é uma história bonita, nem deixou para trás grandes coisas a recordar. No entanto, o passado volta para a assombrar, obrigando-a a retornar à cidade onde cresceu. E aquilo que queria esquecer, a vida que deixou para trás, parece impor-se, não a deixando escapar assim com tanta facilidade.

Curiosamente, gostei bastante da personalidade da Calla. As tragédias passadas marcam o presente dela, pois as marcas físicas que lhe ficaram condicionam a sua interacção com as pessoas... e ao mesmo tempo, nunca a Calla age como coitadinha; mais como resignada. Ela sabe que a cicatriz que tem na cara vai fazer com que algumas pessoas pensem nela de certa maneira, e como protecção para não se envolver e magoar é muito reservada, mas nunca se queixa dos problemas que tem, tentando procurar uma maneira de os resolver.

Além disso, a falta de intimidade com outrém também se estende ao plano físico, mas não é por isso que ela deixa de ter desejos e anseios, o que é refrescante de ver. Noutro ponto, gostei de ver como voltar à cidade onde cresceu a afecta, e de certo modo liberta. Apesar de toda a dor, a Calla sentia saudades de lá estar e do que deixou para trás, e vê-la reconciliar-se com as coisas é muito satisfatório.

Parte dessa viagem tem a ver com o Jax, um pedaço de mau caminho que na verdade até é bom rapaz. Está bastante bem resolvido, tem a vida encaminhada, e toma uma posição de apoio e de protecção em relação à Calla, o que é sempre giro de ver. Também a acompanha por muitas mudanças, e é bastante carinhoso e apaixonado.

Contudo, não sou totalmente fã de algumas atitudes dele. Ele sabia no que se estava a meter com a Calla, a maturidade emocional dela não dá para tudo, especialmente quando nunca teve uma relação séria, por isso é excessivo pedir-lhe algumas atitudes à partida. Uma certa discussão que eles têm a meio da história faz perfeitamente sentido (felizmente não é daquelas discussões estúpidas entre o casal que as autoras às vezes metem na história), e o Jax até parece mais o infantil no meio daquilo, porque é idiota o suficiente para continuar a ser apanhado em situações meio comprometedoras, mas enfim.

E depois não sou fã de ele ter escondido certas e determinadas informações. Uma então, perfeitamente inócua, devia ter saído cá para fora logo no início, não havia razão para se manter no escuro - e pior, as pessoas à volta da Calla não a corrigem quando ela faz comentários baseados no não saber essa informação... é simplesmente muito estranho - apenas uma desculpa para a autora os pôr a discutir uma última vez, antes da reunião final do livro.

Também não sou fã da outra coisa que ele escondeu, porque é um pouco desconcertante saber disso, e porque não acredito que a situação se desenvolvesse dessa maneira sem a Calla estar envolvida. Toda a coisa parece como se a autora lhe quisesse dar uma pinta de "estava destinado", mas só faz o Jax parecer um bocado stalker, portanto não sou mesmo nada fã.

Tenho algumas dúvidas sobre eles como casal, pois se é óbvio que têm química e pontos de entendimento, também desenvolvem alguns "vícios" da relação - a Calla tem dificuldade em confiar, o Jax dificuldade em dizer a verdade -, e não parecem melhorar quanto a eles até ao final, que se baseia precisamente num desentendimento que envolve estes problemas que eles têm. Gostaria mais de os ter visto a ultrapassá-los.

No meio disto tudo, os personagens secundários revelaram-se boas caixinhas de surpresas, como a Katie, a stripper vidente, e a Roxy e o Nick, que prometem vir a ter uma relação... conturbada no próximo livro. E amei ver os casais dos livros anteriores aparecerem, porque as suas presenças trouxeram cenas bem divertidas, e uma percepção muito necessária para a Calla de que ninguém é perfeito, e todos temos esqueletos no armário.

Quanto ao enredo, ao "obstáculo" principal da história, acaba por ser o elo mais fraco. As ameaças e o perigo em que a Calla se vê são algo cliché e pouco desenvolvidos, é o tipo de enredo que já se viu num rol de thrillers ou mistérios, e como o objectivo da narrativa nem é esse, acaba por desenvolver menos esta sua componente. Apesar disso, gostei de alguns pontos dela, como uma determinada cena de perigo que envolve a Calla mais para o fim.

Uma boa leitura, no sentido em que permite passar um bom bocado, e diverte bastante, algo que associo a esta autora, e nesse sentido raramente me desaponta. É só o que peço, especialmente depois do último livro dela que li, Stone Cold Touch, me ter deixado um amargo na boca.

Páginas: 496

Editora: HarperCollins

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Stone Cold Touch, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Li quase tudo o que está publicado da Jennifer L. Armentrout, e isso acaba por merecer algumas considerações quando leio um novo livro dela, especialmente este. Primeiro, não continuaria a lê-la se não encontrasse conforto e algo novo sempre que abro um livro seu. Depois, já estou habituada à sua escrita e ao modo como cria a sua história. E por fim, consigo apreciar aquilo que tenta fazer em cada livro, especialmente porque é impressionante a produção anual dela em termos de escrita.

Com isso dito… Este livro foi uma desgraça. Houve nele tantas coisas que me desagradaram que eu me arrastei pela leitura. Pela minha experiência, um livro desta autora, deste tamanho e com a disponibilidade que tenho tido, levar-me-ia uns dois ou três dias a ler. Nunca os seis dias que levou de facto.

Primeiro problema: o triângulo amoroso. Tornei-me mais leniente com este tipo de coisa, porque senão não conseguia ler nada, e de qualquer modo, 3/4 das vezes os supostos triângulos amorosos são uma chachada a fingir que são triângulos amorosos. Bem, de qualquer modo, o problema aqui é que ao fim deste segundo livro é suposto os fãs escolherem com quem querem que a heroína fique.

Daqui podemos concluir que o triângulo amoroso ou a relação que a heroína tem com qualquer dos rapazes não seja realmente essencial para a história. E em resultado, este livro perde taaaanto tempo com ela a oscilar entre os dois, e a lamuriar-se por causa disso que eu quase morri de aborrecimento. Cliché, cliché, cliché. Ugh.

Porque o problema é que enquanto estivemos a perder tempo com o triângulo amoroso, a história não avançou nadinha de nada. O enredo é sobre um ser maléfico que foi criado pelos eventos do final do primeiro livro, e que os Wardens têm de travar, mas não há ninguém que o encontre. Os Wardens andam no fundo do cenário, e seria de esperar que descobrissem alguma coisa, mas porque o enredo assim o exige, são tão úteis como se não existissem. E quanto aos nossos protagonistas, andam demasiado preocupados com a beijoquice e quem anda a beijar quem para fazerem realmente alguma coisa de jeito.

Também há a considerar a protagonista, Layla, que conseguiu o feito que mais nenhum personagem tinha conseguido até agora, que era encarnar a qualidade TSTL (too stupid to live, demasiado estúpida para viver), e que eu nunca tinha encontrado em nenhum personagem, pelo menos não de modo a dar comigo em doida. Quero dizer, é um milagre como é que ela se mantém viva depois de tantos sarilhos.

Gostava que a Layla ganhasse um bocadinho de juízo, que deixasse de mentir e escapulir-se e esconder coisas, porque nada de bom vem daí, e porque geralmente isso ajuda-a é a enterrar-se mais. Também gostava que ela mudasse de atitude. Fechou-se aos outros na casa dos clã Warden a que pertence. Compreendo que seja porque não se sente tão à vontade com eles depois de tudo o que aconteceu, mas o esconder-se também ajuda a que a desconfiança deles para com ela aumente. E a verdade é que ainda tem aliados em casa.

Ainda tenho de mencionar o Roth, que era um pouco o bad boy a tender para o cliché, mas com potencial para evoluir, no primeiro livro. Aqui, ele envereda por uma série de comportamentos ainda mais bad-boy-cliché, mas não é no bom sentido. Começa o livro sendo o maior idiota para a Layla, e depois ainda tem o desplante de dar em stalker, aparecendo inoportunamente, impondo a sua presença quando ela lhe pede para ir embora, e metendo o nariz onde não é chamado. (E não, a "boa" razão que ele dá no final não justifica tal comportamento.)

Bem. Que charme, não é? Pior ainda, a Layla mais para a frente na história ainda tem uma travadinha e mesmo com este comportamento execrável dá-lhe para o acompanhar a certo sítio. Oh, e fica toda contente porque o Roth mostra-lhe a verdade, e trata-a como uma igual, e blá blá blá. Oh, minha inocente criança, a) o Roth mente-te tanto como os outros, com os dentes todos que tem na boca e mais alguns e b) que raio de valor é que tem o Roth dizer-te a verdade quando te leva a sítios em que sabe que te vais meter em sarilhos? Ah, e c) se queres a verdade, impõe-te e começa a agir como uma adulta.

No meio disto tudo, há personagens decentes? Bem, suponho que sim. Temos a Danika, que eu começo a desejar que fosse a protagonista disto tudo, já que pelo menos tem espinha. Acho que se perfila para executar as mudanças que eu desejava ver na sociedade Warden, e espero que consiga fazê-lo. É uma jovem inteligente, discreta e merece coisas boas.

Quanto ao Zayne, até tenho pena dele. É geralmente boa pessoa e parece-me merecer coisas boas também, mas se o primeiro livro era supostamente para o Roth, e este para ele, não vi assim tanto destaque para o Zayne como isso. Gostava de tê-lo conhecido melhor, mas o drama e inseguranças da Layla assumiram o controlo.

Primeiro porque passa o tempo a duvidar dele, quando o Zayne já deu uma série de provas de que está na Equipa Layla, e quando é suposto tê-lo conhecido grande parte da sua vida, e serem os melhores amigos. Depois, porque passa o tempo a duvidar que consiga ter algo com o Zayne, porque blá blá blá, blá blá blá, blá blá blá *desfia o rosário*. Minha querida, when there's a will, there's a way.

Já disse que enredo nem vê-lo, e parece que a 100 páginas do fim a autora se lembra disso. E portanto toda a gente fica estúpida e começa a desconfiar duma certa pessoa. Mesmo quando não faz sentido nenhum que seja essa pessoa a culpada... basicamente, a lógica causa-efeito saltou pela janela no início do livro e não se deu ao trabalho de voltar a aparecer.

Pois é, se passássemos menos tempo na beijoquice e no triângulozinho, tínhamos tido mais tempo para, sei lá, procurar o vilão, e aprender mais coisas sobre ele, e encontrá-lo? Porque até nem era muito difícil descobrir quem era. Tenho a sensação que devia haver alguém no meio desta coisada toda que soubesse mais sobre os Lilin. Se isto fosse um livro a sério, isto é.

Enfim... eu estou disposta a deixar passar esta, e a sujeitar-me à leitura do terceiro livro, porque: a) esta é das minhas autoras favoritas; b) ela costuma ser bastante boa a dar uma volta aos clichés, apesar de aqui nunca chegar a fazê-lo; c) ela costuma ser boa a planear um livro, por isso não sei que pancada lhe deu aqui; d) ela não costuma embarcar em triângulos amorosos parvos, por isso vou dar um desconto; e e) ainda estou com esperança que o terceiro livro seja melhor, apesar da patetice de termos de escolher o parzinho para a Layla. Essencialmente, vou considerar este uma excepção à regra, e fingir que não existe. Para bem da minha sanidade mental.
Páginas: 464

Editora: Harlequin Teen

sábado, 30 de agosto de 2014

Opposition, Jennifer L. Armentrout


Opinião: É engraçado pensar nesta série e na história que foi sendo contada ao longo dela, e em como as coisas mudaram entre o primeiro e o último volume, como aquilo que conhecia sobre o mundo e os personagens foi evoluindo, e em como os livros nunca deixaram de manter o meu interesse. Opposition é um final meritório e capaz de deixar esta fã satisfeita.

Seguindo o final de Origin, Opposition começa uns dias depois. A chegada de visitantes à Terra desencadeou uma revolução no planeta, mas a Katy, o Archer, a Bethany e o Luc mantêm-se escondidos, à espera de saber notícias do Daemon, da Dee e do Dawson. A incerteza domina-os, e numa saída para comprar mantimentos, tudo muda, lançando-os num confronto constante com os invasores que será apenas resolvido na recta final da história.

Apreciei seguir os eventos relacionados com os invasores e como o grupo de personagens principais lida com a situação, e como a tenta resolver. Tempos desesperados, e assustadores, que põem novos desafios aos personagens, e que convertem inimigos em aliados e reviravoltas em todos os cantos. Uma das ideias apresentadas para a resolução do conflito é assustadora, pelo que envolve no retrocesso da civilização; a outra é intrigante, pelas alianças que exige que sejam feitas, e por virar completamente uma certa que pensávamos que era verdade no fim do primeiro livro, mas que neste já não é bem assim. Só peca por tardia, porque teria sido tremendamente interessante explorar este ângulo. (Ou talvez a autora já o tenha feito com o Obsession, um livro que se passa neste mundo, mas não é essencial para a série. Agora estou curiosa.)

Comecei por torcer o nariz ao par Katy-Daemon, porque ele, pelo menos nos dois primeiros livros, era tão irritante que só dava vontade que fosse atropelado por um camião - não que lhe fosse acontecer nada de mal, com o raio dos poderes mágicos, er, extraterrestres dele. Mas este par percorreu um longo caminho desde então, e tornaram-se parceiros no verdadeiro sentido da palavra. Iguais. A Katy parte para a acção, recusa-se a ficar parada em casa a limar as unhas, e o Daemon, apesar de lhe ser difícil vê-la em perigo, consegue não dar uma de troglodita, e aceita que ela é capaz de cuidar de si. É uma grande evolução desde o parvalhão do primeiro livro. Além disso, é totalmente adorável na sua devoção à Katy, um pouco cheesy, mas tão intenso.

A Katy, por sua vez, está fantástica. Continua a fazer parvoíces de vez em quando (aquilo que ela faz no início, e como a põe em perigo!), mas luta com garras e dentes pelos seus e pelo futuro a que sabe que têm direito. Tornou-se numa jovem espectacular, com uma força interior e capacidade para o sacrifício quando é necessário. Passou por alguns momentos muito complicados no fim do livro, que sei que vão deixar marca nela (um deles foi mesmo chocante, nunca pensei que acontecesse), mas também conseguiu manter o seu sentido de humor, a sua queda para ser uma totó dos livros (adoro as referências que ela faz, especialmente a da "Nessie"), e o seu amor pelos livros e por blogar.

Entre os personagens secundários, destaco o Archer, a Dee e o Luc. O Archer porque tem uma relação super engraçada com a Katy e o Daemon, conseguindo lidar com eles com uma certa estoicidade; mas também porque apesar de também ele ter razões para se preocupar com outra pessoa, não se dá ares de dramatismo, e mantém-se discreto ao longo da história. A Dee porque sei que foi complicado lidar com a sua mudança de comportamento forçada durante parte do livro, e tive saudades da Dee alegre e atrevida que conheço. E o Luc porque parece um mafioso, sempre com montes de ligações e conhecimentos e pessoas que lhe devem favores e assim. O miúdo é deveras divertido.

Gostei de saber um pouco mais sobre as duas espécies de extraterrestres deste mundo, Luxen e Arum, e de como o seu feudo tem definido os acontecimentos. De conhecer mais Origins, e perceber mais sobre a sua ligação às outras espécies. E também gostei de rever alguns aspectos da Daedalus, e em como a extensão dos feitos deles não era propriamente conhecida. E de ver um pouco como o mundo foi afectado pela invasão e como as coisas nunca mais vão ser as mesmas para a Terra. A sugestão desta última ideia quase que dava para escrever uma nova série de livros, só a lidar com as consequências do que aconteceu neste último livro.

A parte final fez-me roer as unhas, mas achei que podia ter sido mais grandiosa, mais climática. Compreendo porque não o seja, e até faz sentido com o que está contado para trás, mas estranhei. O que importa é que apesar dos sacrifícios, temos um final muito bom, que me deixou mesmo contente, especialmente ao ver toda a gente junta novamente. Vou ter saudades destes personagens.

Uma nota positiva para esta edição, que contém a novela Shadows, uma prequela para a série. (Já bem tarde, se bem que vê-la em papel é bem-vindo. Gostava era que fosse um livro à parte, tendo em conta que ainda é uma novela grandita - 180 páginas!) Uma nota menos positiva para a capa, que tem uns brilhos tão estranhos em cima dela toda e que parece que o Edward lhe vomitou em cima. Eu não mereço ter isto na estante, bolas.

Páginas: 544 (edição especial que contém a novela Shadows; o Opposition ocupa 364 páginas deste volume)

Editora: Entangled Teen

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Don't Look Back, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Sigo esta autora desde quase que começou a lançar livros como se não houvesse amanhã, e li quase todos os seus livros publicados... o que quer dizer que conheço o seu estilo e me sinto confortável com ele, ou não leria tantos livros dela. Por outro lado, conhecendo o seu estilo, é difícil surpreender-me. O que até posso dizer que aconteceu aqui. Don't Look Back é um livro um pouco diferente daquilo a que Jennifer L. Armentrout me habituou, mas que continua a ter a marca da autora e que conseguiu igualmente cativar-me.

Don't Look Back é um thriller/mistério que conta a história de Samantha, uma jovem que aparece a caminhar sozinha, numa estrada, sem memória de quem é ou o que fez. Reintegrada na sua vida, descobre que a Sam antes-da-amnésia era uma rapariga jovem, bonita, rica, a caminho duma faculdade prestigiada e com um namorado de sonho, mas também que era a menina-má-mor da escola, odiada por todos e desafiada por ninguém. Bem, talvez por Cassie, a sua (aparentemente) melhor amiga, mas também rival, que desapareceu na mesma noite que Sam.

Gostei muito do modo como a autora apresentou a questão da amnésia e de como a Sam lidou com ela. Sem os filtros que a antiga Sam tinha, criados por anos de emoções e memórias e o peso que trazem, a nova Sam permite-se ser mais genuína, quase como se tivesse nascido de novo. É uma coisa muito interessante de ver, porque toda a gente espera que ela volte a ser a miúda mesquinha que era, e ficam surpresos cada vez que ela faz algo simpático.

A Sam, por sua vez, não consegue compreender como se tinha tornado nesta pessoa horrível, e tenta regenerar as pontes que tinha queimado, e opor-se às injustiças que anteriormente tinha praticado. Morri a rir na primeira cena dela com o Carson, um rapaz que a velha Sam tinha tratado mal, mas que a nova Sam achava giro, e ao qual perguntou se era ele o seu namorado.

Por falar nisso, achei curioso (mas plausível) como, na ausência da lembrança de emoções e das memórias que as suportam, a nova Sam não sentia nada por aquele que era de facto o seu namorado, o Del. Acaba por ser um pormenor que sugere que por vezes nos agarramos demasiado às coisas, instigados pelo passado e pelo que nos recordamos, mas que no presente podem já não ser as mesmas que nos recordamos.

Uma parte importante da amnésia é conhecer e compreender as relações da Sam com os que a rodeiam. A relação com a mãe é a mais complicada, porque a velha Sam parecia comportar-se muito de acordo com os seus valores, mas sempre a causar sarilhos e a revoltar-se contra isso. A relação com a Cassie também era complicada, pela amizade/rivalidade que partilhavam. Com o Del, o namorado de antes, era bastante turbulenta e cheia de altos e baixos.

Com outras pessoas que tinha afastado acabou por conseguir reaproximar-se delas, como o Scott, o irmão gémeo, que no início está céptico sobre a amnésia mas acaba por protegê-la e defendê-la; ou a Julie, uma ex-amiga com quem partilhava interesses. Outras afasta da sua vida, por serem demasiado tóxicas.

Com outras ainda, é mais complicado. O Carson é um amigo de infância, um jovem pelo qual a pré-adolescente Sam se permitiu ter uma paixoneta, mas que a Sam adolescente reduzia ao filho do jardineiro, insultando-o. Tinham os seus momentos, mas geralmente evitavam-se. Por isso é uma reviravolta gira a Sam permitir-se sentir-se atraída por ele e permitir-se algo que sempre se recusara. O Carson é um bom rapaz, e gentil e paciente, mas que vê através das parvoíces dela, e isso faz dele um bom par para ela.

Outro aspecto da narrativa que achei fascinante é a exploração do stress pós-traumático da Sam. Com amnésia, e em paranóia pelo que passou, a Samantha tem dificuldade, em certos momentos, em destrinçar o que é verdadeiro e o que é ilusão ou memória. O modo como ela começa a duvidar do seu instinto é preocupante, assim como a maneira que o seu subconsciente arranja para a avisar. Mas, por outro lado, esta situação mostra o uso de um medicamento psiquiátrico de forma positiva. Gosto que se tenha fugido ao cliché de um personagem precisar de acompanhamento terapêutico e se fazer disso um bicho de sete cabeças.

Quanto ao objectivo do mistério, que é descobrir quem fez.. passei o livro todo a analisar possíveis suspeitos e suas motivações, e o motivo da pessoa que o fez até me passou pela cabeça, mas não o levei a sério como suspeito porque representava uma quebra de confiança tão grande... pontos bónus para isso. Além de que me manteve a tentar adivinhar até ao último segundo.

Em suma, esta foi uma boa leitura, que conseguiu manter o suspense e reter a minha atenção durante todo o livro. A Samantha foi uma boa protagonista, determinada em mudar, em ser melhor do que era, e acompanhei com gosto o seu percurso. Soube-me bem, a leitura.

Páginas: 384

Editora: Disney Hyperion

quinta-feira, 27 de março de 2014

White Hot Kiss, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Mais um bom livro, muito ao estilo da autora, no género paranormal. Em White Hot Kiss, a protagonista é Layla, uma jovem entre dois mundos, metade demónio, metade Warden. Escusado será dizer que ambas as raças são inimigas, o que a coloca numa posição única. Não pertencendo exactamente a nenhum deles, Layla foi educada pelos Warden, tentando sempre negar a sua outra metade, pois a sua herança demoníaca é uma abominação para a maioria destes.

É um mundo interessante, aquele apresentado neste livro. Os Warden são essencialmente gárgulas, um pouco ao estilo dos desenhos animados da nossa infância. Seres com aparência humana mas com capacidade de se transformar em gárgulas, trabalham para o lado do Bem os anjos, aqui apresentados como Alphas, a caçar demónios e enviá-los de volta ao Inferno. Apenas peca por não explorar melhor estes aspectos.

Diria que é um típico "primeiro livro da série" da autora. Não é muito forte, é algo formulaico, tem muita coisa por explorar e apresentar, e só nos livros seguintes vamos ver a força deste mundo e desta história - mas as fundações estão lá, e a escrita da autora corre muito bem, o suficiente para virar páginas vorazmente.

A Layla é uma protagonista pouco destacada, de início, muito ratinho e cheia de medo de se impor e de conseguir o que quer, mas creio que evolui ao longo da história, e acredito que é uma heroína mais capaz no fim da narrativa. Acho que a sua história perde um pouco o pulso ali a meio, mas ganha vigor de novo mais no fim. A revelação sobre a sua parentalidade e o seu papel nos acontecimentos torna as coisas interessantes.

Tenho que comentar o "triângulo"... ou "não-triângulo"... da história. Não fiquei convencida. Passei demasiado tempo desconfiada do Roth, e irritada com a Layla por estar a confiar num tipo que conhecia há meia-dúzia de dias em detrimento de com quem convivia há anos. Mesmo com as coisas interessantes que ele lhe apresentou, achei tudo demasiado precipitado. Como personagem, o Roth até acaba por se tornar interessante, especialmente por fugir ao típico nos demónios... mas gostava de o conhecer não definido pela Layla. Quanto ao Zayne, ainda está indefinido. Suspeito que está em negação no que toca à Layla, e demasiado preso ao que sabe e conhece para sair do padrão. Mas vai ser divertido vê-lo perder a cabeça, se tal vier a acontecer.

Quanto à história, perde-se um bocadinho no drama adolescente da Layla, mas o worldbuilding e a escrita da autora impede que perca o interesse. Como disse, as revelações sobre o passado da Layla e sobre a sua natureza deram um novo ritmo à história. E e introdução da Lesser Key of Solomon foi algo tardia, mas resultou num enriquecimento da narrativa, e espero que da série.

O fim deixa algumas questões em suspenso (e que suspenso), o que me deixa animada para ler o próximo livro, a sair em Outubro. Tenho boas expectativas. A partir daqui só pode melhorar.

Páginas: 400

Editora: Harlequin Teen