segunda-feira, 13 de julho de 2015

Scorched, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Pronto, estava eu a queixar-me na opinião anterior de um dos últimos livros desta autora, e depois tinha de vir este dar-me a volta e surpreender-me. Scorched é uma espécie de companion de outro livro da autora, Frigid; ambos têm personagens em comum, que são protagonistas num e personagens secundários noutro, e vice-versa, mas podem ser lidos em separado, sem haver propriamente continuação entre os dois.

A razão pela qual este livro é surpreendente é porque, indo numa direcção oposta ao sentido de humor que eu já espero da autora, ela decide falar de temas sérios. A protagonista, Andrea, bebe, e bebe muito, um problema só por si, mas que se revela uma bengala por ela usada para esconder outras coisas mais profundas.

E gostei de ler a caracterização que a autora faz da Andrea. O alcoolismo é uma forma de enterrar coisas para não lidar com elas, e a ansiedade e depressão subjacentes ao comportamento dela parecem tão certeiras, ela que age como uma menina de festas, divertida, cheia de vida, apenas para esconder os seus problemas mais profundos. Mais, ela tem uma família e vida familiar normal, e adora-os, o que foge ao que se vai tornando clichè no género New Adult contemporâneo. Gostei disso.

A única coisa que não gostei tanto no que toca a este detalhe da narrativa é que domina a segunda metade do livro, enquanto o romance e o humor dominam a primeira metade, e tematicamente sinto que ambas as metades podiam ter sido mais harmonizadas. Além disso, a autora tenta encaixar muito em tão pouco na segunda metade, com a recuperação da Andrea, e sei lá, gostava que esta tivesse mais tempo de antena, e que passasse por mais cenas e interacções com outros elementos da narrativa. Não temos uma imagem clara do que ela andou lá a fazer aquele tempo todo, e seria tão interessante de explorar.

Gostei de ver a Andrea e o Tanner juntos, porque personagens que começam como inimigos e acabam em namorados é sempre divertido de ver, e porque as trocas verbais deles eram sempre engraçadas. Mas também gostei de ver como a sua relação evolui, condicionada pela doença da Andrea e o seu caminho para ficar melhor.

Não fui a maior fã do Tanner em partes, porque aconteceu vezes demais ele fazer um comentário desbocado e (ainda que inintencionalmente) maldoso que magoava a Andrea, e nunca se vê ele tentar redimir-se ou melhorar este aspecto. Mas as reacções dele depois de descobrir a extensão dos problemas dela são louváveis, mantendo-se a seu lado, e eles têm tanta química que consigo acreditar neles como casal. Só me faltou um bocadinho de desenvolvimento pessoal do Tanner, mas compreendo que tenha ficado para segundo plano face à história da Andrea.

A Syd e o Kyler (do Frigid) voltam a aparecer, são os melhores amigos destes dois, são o típico casal, tão adorável e fofinho que até dá nojo (ehehe), e são os catalisadores do enredo, sugerindo as férias que juntam a Andrea e o Tanner na mesma casa. Mas custou-me que fossem egoístas num certo ponto. A Andrea tem uma crise e eles decidem simplesmente voltar para casa, sem pôr a decisão à consideração do grupo, obrigando todos a voltar.

Um forçamento de acções que lança a Andrea numa espiral depressiva por se culpabilizar pelo fim abrupto das férias - da qual eles não têm culpa, claro, mas sinto que podiam ter lidado melhor com a situação, especialmente a Syd, que tinha uma ideia, ainda que pequena, dos problemas que a Andrea fazia por esconder.

Em suma, não estava nada à esperar da história que me chegou às mãos, mas estou contente por a ter lido. Os problemas da Andrea soam tão reais, e tão insidiosos, e a sua caracterização é bastante cativante; é quase por acaso que se repara nos seus problemas, porque ela os esconde bem. Torci por ela a cada passo do caminho e o seu fim foi mais que merecido (ainda que não me importasse nada de ver a parte final mais bem desenvolvida).

Páginas: 248

Editora: Spencer Hill Press

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