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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Curtas BD: Revistas Marvel, Homem-Aranha e Vingadores, volumes 3 e 4

Homem-Aranha vol. 3: O Reino das Trevas / Miles Morales, Dan Slott, Matteo Buffagni, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
Homem-Aranha vol. 4: A Ascensão do Escorpião / Miles Morales, Dan Slott, Giuseppe Camuncoli, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli
A primeira história do volume 3 foca-se no Peter Parker e no retorno do Sr. Negativo, um personagem que altera as personalidades dos que o rodeiam... e que conseguiu fazê-lo com Cloak e Dagger, um par de super-heróis secundários (mas que sempre me deixou curiosa). A inversão destes dois heróis é interessante, pois os seus poderes complementam-se. A história é excitante porque o Peter descobre um espião na empresa, e achei interessante a relação dele e do Aranha com a policia chinesa, que é mais aberta e respeitosa do que esperaria. Gostei de ver.

A primeira história do volume 4 também é do Peter, e foca-se no término do enredo do Escorpião. O início passa pelo Peter como Aranha e o Nick Fury irem para o espaço, e é tão divertido ver o Peter tentar quebrar o exterior sério do Nick. O Aranha faz uma reentrada na atmosfera assustadora e excitante e lança-se em perseguição do Escorpião com a ajuda da Anna Marie Marconi, que foi a melhor coisa a sair do Homem-Aranha Superior. Os comentários dela para o Peter são amorosamente sarcásticos. O objectivo final do Escorpião era descobrir os eventos do próximo ano, e as menções que faz são curiosas.

Por fim, o Miles Morales, que tem história nos dois volumes, mas prefiro comentar tudo em conjunto. Pontos bónus já de entrada para a arte super-realista, que me encantou deveras, e dá um sentido terra-a-terra à história do Miles. Que é tão interessante e fofo e sei lá o quê. De certo modo é como se estivéssemos a rever alguns dilemas do Peter sob uma nova lente.

O Miles é alguém diferente, com um percurso de vida diferente e um objectivo diferente, mas encontra os mesmos problemas. As dificuldades na escola por causa da sua vida dupla, o resistir a correr para a refrega assim que ouve sirenes a passar, os conflitos com a família (só o pai sabe que ele é o Aranha) - que têm uma evolução hilariante, já que a avó materna é uma abuelita latina duríssima que está pronta a saltar para conclusões e achar que ele está metido com raparigas. Ou com drogas.

Outra coisa interessante que notei nestes poucos números é a reflexão de alguns parâmetros que podem fazer alguém ser considerado, hmm, "diferente", e como isso condiciona a sua experiência. O Miles fica frustrado quando o seu fato é rasgado e as pessoas percebem que ele não é branco, porque não quer ser conhecido como o "Aranha negro". O seu companheiro de quarto, o Ganke, discute com ele o que é ser gordo e como isso o marginaliza a ele.

E o Ganke faz o Miles "sair do armário" superheróico à frente de outra pessoa, um mutante que vai para a escola deles, o que é compreensivelmente frustrante para o Miles. Na comunidade super-heróica só a Kamala sabe, creio eu. (Nota tangente para rapazes adolescentes e a sua necessidade de se revelarem à Kamala. O Nova fez o mesmo. Ai, essas hormonas adolescentes...)

O que quero destacar com isto é que estas questões são apresentadas sob vários prismas, debatidas, mas tal como estes jovens ainda estão a formar opiniões sobre o mundo, também não nos é apresentada nenhuma verdade universal sobre elas, o que gosto de ver.

Pequenos destaques: o pai do Miles costumava ser um agente SHIELD; o comentário sobre ter superpoderes e existir num mundo onde têm de ser usados (apropriado ao espírito dos tempos que passamos); a questão da fangirl deste Aranha, que é gira mas podia ser menos irritante; e a "bênção" do Peter como Aranha a este Aranha, depois do Miles ter derrotado um demónio que deu água pela barba ao resto dos Vingadores.

Vingadores vol. 3: Ataque a Pleasant Hill, Gerry Duggan, Carlos Pacheco, Nick Spencer, Jesús Saiz, Mark Bagley
Vingadores vol. 4: Ataque a Pleasant Hill: Omega, Gerry Duggan, Ryan Stegman, Mark Waid, Adam Kubert, Nick Spencer, Daniel Acuña
O enredo de Pleasant Hill converge à medida que as duas equipas se dirigem para a cidade; a acção e a sequência de eventos podia ser mais clara, no entanto (imagino se reorganizar a ordem das revistas não ajudaria). O conceito de Pleasant Hill é aterrorizador, porque conquanto está a tentar lidar com vilões e criminosos perigosos, é algo que mexe com liberdades individuais e com as personalidades das pessoas envolvidas, e nunca uma história distópica começou com tão boas intenções, pois não? Heh. É algo a pedir para dar asneira.

A situação dos Inumanos está no centro das atenções no mundo Marvel (algo que não é inocente, pois o outro grupo de ostracizados - os X-Men - está, no mundo cinemático, nas mãos de outro estúdio que não a Marvel... então para serem vendáveis como um grupo alternativo, a Marvel tem destacado mais os Inumanos nos comics - para além de integrarem conceitos e personagens originais do MCU), e pronto, é coisa que eu gostava de saber mais sobre, ver como se deu.

A coisa interessante de Pleasant Hill é que os vilões são incorporados, mas começam a despertar e a quebrar as barreiras da realidade em que estão; e depois o mesmo acontece com os heróis. No caso destes, começa com a Rogue, que tinha uma programação mental instalada pelo Professor Xavier exactamente para este tipo de situações e para a ajudar a sair da "realidade imaginada".

Outro ponto interessante sobre esta história é a questão de Kobik, um cubo cósmico que aqui assume uma forma sentiente, e julgo que isso altera um pouco a perspectiva das coisas. Em adição é muito interessante ver o Deadpool lidar com ela. Por muito palhacito que o Deadpool seja, fizeram-lhe coisas horríveis e traz uma espécie de sobriedade ao personagem ver os momentos em que ele partilha essas coisas. Há um mar profundo sob a fachada e tudo o mais... as pessoas são bem mais que as máscaras que usam e outros lugares-comuns.

Há pequenos momentos divertidos que eu adorei ver: a Kamala ao "acordar" esmurra a Rogue porque "magoou a Carol" (a anterior Ms. Marvel), ou a piada do Deadpool sobre o Wolverine morrer - só ele iria a esse ponto.

Outros momentos de destaque: um com o Bucky e o Steve a relembrar os velhos tempos, e a questão em cima da mesa; o Visão a permitir à Kamala ver os "Greatest Hits" dos Vingadores para se sentir integrada, o que é amoroso porque ela é tremendamente fã de todos os envolvidos; o destacamento de uma nova Quasar, o que pode ser interessante, e gostava de saber porquê esta pessoa; o pessoal da Marvel fartou-se do Steve Rogers velhote e por isso meteram a Kobik a mudar a sua realidade e fazê-lo voltar a uma versão anterior, mais nova; e fico curiosa por saber se outros(as) Kobiks já aconteceram, como fica implícito.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 42-45

Venom, Rick Remender, Tony Moore
Este é o primeiro volume de uma série de histórias focadas no Flash Thompson - antigo rufia perseguidor do Peter Parker, maior fã do Homem-Aranha, alcóolico, filho de pai abusador e alcóolico, antigo soldado que voltou do Médio Oriente sem as duas pernas.

O Flash é escolhido pelo Venom/emparejado pelo governo com ele; deve manter as suas emoções sob controlo, ou o simbionte toma o controlo; deve manter a ligação apenas 48 horas no máximo, ou o simbionte toma o controlo; se o simbionte toma o controlo, kabum! o governo explode-os aos dois.

E no entanto, não achei a história muito interessante. O enredo não tem um rumo definido, a acção é por vezes confusa, e quem me dera que me tivessem feito empatizar com os problemas do Flash. Adoro boa caracterização, e manter controlo do Venom é uma ideia gira - ambos têm tanto potencial, que não é nada aproveitado.

Ultimate Homem-Aranha: A Morte do Homem-Aranha, Brian Michael Bendis, David LaFuente, Mark Bagley
Ah... esta, no entanto, é tão triste. Tenho vontade de me enroscar numa bola e fazer o luto. É um título exemplar naquilo que apontei ao anterior: boa caracterização, emocional, boa escrita e arte, que cativam e fazem-nos empatizar com o portagonista.

Como o título indica, isto é sobre a morte do Homem-Aranha. Não o do universo primário (aí é que eu quinava do susto), mas do universo Ultimate, que existiu até há bem pouco tempo no mundo Marvel, e que servia para recontar histórias, e contar novas também, de personagens bem conhecidos, sob o prisma do século XXI.

Só li os primeiros 20-e-qualquer-coisa números da revista, mas gostei deste Homem-Aranha por ser um retorno às origens: um Peter Parker na escola, com os problemas que um adolescente dos dias de hoje teria. Vendo o final, sei que gostaria de ter lido o que aconteceu pelo meio: a tia May sabe que o Peter é o Aranha, o Johnny Storm e o Bobby Drake vivem com eles, a Mary Jane e a Gwen Stacy são duas pessoas diferentes mas ainda assim fascinantes... e o J. Jonah Jameson descobriu o segredo, e apoia o Peter, o que me deixou tão contente, pelo contraste da sua versão original.

O enredo desta história passa pelo Norman Osborn, o Duende Verde, estar sob a tutela da SHIELD, mas soltar-se, e levar cinco supervilões do Aranha com ele. O Duende está enlouquecido, superpoderoso e mudado, assustador e intenso e vingativo, e sabe quem é o Peter. Não vai deixar que ninguém se interponha à sua vingança. (O Doc Ock que o diga. É assustador ver os extremos a que o Norman vai.)

O Peter, como Aranha, está a ajudar os Vingadores no seu próprio problema quando leva um tiro pelo Capitão América, e acorda sozinho e abandonado. (Já fui ler e perceber porque assim aconteceu... e há uma explicação decente, mas ainda assim me revolta ver que ficou sozinho e daqui para a frente não tem qualquer apoio, apesar das promessas repetidas de vários Vingadores de manterem um olho nele.)

E pronto. O Peter recebe uma chamada a avisar que o Sexteto Quinteto está à porta de casa a destruir a vizinhança até ele aparecer, e ele aparece, sem máscara, perdida na luta anterior. É de partir o coração, o Aranha a levar murros e a levantar-se a continuar a distribuir porrada, e todos na vizinhança se compadecem ao reconhecer o rapaz que vive naquela casa como o Aranha, e aqueles mais próximos do Peter tentam ajudá-lo. Mas é um fim brutal, pois com um inimigo imparável e destrutivo, só podia terminar assim. Tudo o que podia correr mal, correu mal. (E numa menção a um outro livro deste post, é exactamente por isto que identidades secretas - para o público - são essenciais.)

X-Men: Cisma, Jason Aaron, Kieron Gillen, Carlos Pacheco, Frank Cho
Tenho seguido com algum interesse os últimos anos dos mutantes, ainda que com interrupções e em fragmentos; mas são dos meus superheróis favoritos, e aprecio as tentativas de mudar o status quo para eles, ainda que nem sempre corram bem.

O conceito de ter os X-Men a separarem-se, ainda mais quando são tão poucos, fascina-me, ainda que não seja executado brilhantemente - quero dizer, putos psicopatas a liderar o Hellfire Club e a enganar os X-Men? Hmmm.

De qualquer modo, julgo que faz sentido uma quebra entre o Ciclope e o Wolverine. Eles até trabalham bem juntos, complementam-se, mas também são pessoas tão diferentes, com filosofias de vida diferentes. Num momento em que o resto dos X-Men está em perigo, a jovem Idie (que aprendeu pela sua cultura que ser mutante é ser um monstro e tem uma boa dose de autodepreciação por isso) vê-se na posição de poder destruir os captores; o Wolverine quer que ela espere, e o Ciclope pede-lhe que faça o que achar melhor - (não tão) secretamente esperando que ela aja.

Num segundo momento, Utopia está sob ataque de um Sentinela, e o Wolverine que se evacue e que os jovens deixem a ilha, mas o Ciclope está disposto a deixá-los lutar pela sua "casa", se assim o desejarem. As suas posições fazem sentido, na maior parte: o Wolverine está dessensitizado pela violência na sua vida, e não quer que os miúdos fiquem assim, tendo o exemplo da Idie (se bem que no passado não teve tais reservas); o Ciclope foi ele próprio um miúdo soldado instruído pelo Charles Xavier (se bem que o Professor X não é o melhor exemplo de pessoa), e à beira da extinção compreende que o pacifismo não os leva lá.

No meio disto tudo, o que é hilariante é que o Sentinela está a caminho de Utopia, mas é um comentário parvo sobre a Jean Grey que faz com que o Scott e o Logan se ponham à porrada... homens. *facepalm* No fim do livro temos uma história, que já tinha lido, Regenesis; é sobre os vários X-Men e as razões para ficarem com o Ciclope ou partirem com o Wolverine. Acima de tudo, está bem escrito e faz sentido nas motivações de todos, mesmo nas pequenas surpresas. A arte é um pouco pateta, na comparação da separação a uma luta primitiva, mas pronto, faz algum sentido.

Guerra Civil, Mark Millar, Steve McNiven
A este ponto, já li isto umas 3 vezes. Só espero que não hajam mais colecções que sejam de "essenciais" da Marvel e que o incluam, porque raios, eu sou uma completista e vou ter de ter o livro na mesma.

De qualquer modo, já opinei aqui. Posso acrescentar que uma razão para ser incluído em duas das colecções que fiz é que é bastante bom, apesar das suas falhas. O conflito é credível o suficiente, é-nos mostrado o lado de ambas as partes de forma bastante justa e que justifique porque cada defende o que defende, e honestamente, parte-se-nos o coração ao ver heróis lutar contra heróis, mas também adoramos isso, não adoramos?

É verdadeiramente uma guerra civil - todos os lados perdem porque todos eram o mesmo lado até há bem pouco tempo, e o resultado é desastroso e sem vencedor. É triste ver os extremos a que se vai em cada lado; mas ainda acho que sofre da dor de todos os "eventos" e que ganhava muito se fosse fácil aceder a todas as revistas que compõem o evento.

domingo, 6 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 1 a 4

Vingadores: A Era de Ultron 1, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch
Vingadores: A Era de Ultron 2, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch, Brandon Peterson, Carlos Pacheco
Isto teria corrido melhor se não tivessem tentado vender este crossover event com o mesmo título do segundo filme dos Vingadores. Pelo que me é dado a entender pelas opiniões no Goodreads, toda a gente se pôs a ler isto pensando que os prepararia para o filme, e é claro que foi um tiro no pé. O livro pede que se conheça relativamente bem o universo Marvel e alguns dos seus personagens mais (e menos) proeminentes, e não é nada introdutório no que toca ao Ultron, por isso...

Portanto, o Ultron no início da história volta à Terra (os vilões voltam sempre, por mais que os eliminemos), tem um confronto com os Vingadores, e desaparece, para se vir a revelar que tinha um plano que envolvia destruir a humanidade e os super-heróis (what else?), e que foi bem sucedido, resultando num presente pós-apocalíptico.

Acho que preferia ter visto a evolução do ponto A para o ponto B, isto é, como o Ultron fez uma razia ao planeta, como o seu plano se desenrolou. Assim só vemos o resultado, e apesar de ser assustador, ver a destruição e quão poucos sobreviveram, seria mais impressionante ainda ver a coisa em acção.

Portanto, os super-heróis estão destruídos, desmotivados (até o Capitão América está para ali encostado a um canto, deprimido), em números muito reduzidos, mas tentam desenvolver um plano para descobrir o que se passa e como derrotar o Ultron, e uma coisa leva a outra, et voilá, temos direito a viagens no tempo.

Estou curiosa para saber o que teria acontecido com a Equipa Futuro (devem ter morrido todos), mas gostei de acompanhar o Wolverine e a Sue Storm ao viajarem para o passado e tentarem impedir a criação do Ultron, ainda que discordem no método. O Wolverine é a pessoa que gosta de ser criativo com as garras, como é habitual, e ooops, nova timeline/universo paralelo criados.

Achei esta timeline bastante interessante, e gostei de a explorar; contudo, ainda mais interessante e importante foi o Wolverine voltar ao momento crucial antes da criação do Ultron e essencialmente resolver as coisas falando, com o Hank Pym e com o seu outro eu, em vez de resolver à pancada. Uma vez na vida o homem aprende.

Além disso, a noção de dois Wolverines no mesmo espaço e a quantidade de pancada que isso dá no contínuo espaço-tempo, bem, é fantástica de considerar. O final é relativamente interessante, mas considerando que já percebi há que tempos que este pessoal anda a dar cabo do universo aos poucos, e que isto vai rebentar não tarda nada, bem, não há nada de novo. A não ser ali quando o Hank pensa numa solução melhor, e eu temer que isto vá descarrilar novamente.

Gostei mais da segunda parte da história, visualmente, porque o primeiro artista, Bryan Hitch, tem uma forma estranha de planear o layout das pranchas, e muitas são uma dupla página que não tem pistas visuais suficientes que avisam que é uma dupla página, e vá de a ler três ou quatro vezes até acertar com a coisa. A segunda parte, como mete viagens no tempo, usa dois artistas para separar o passado do presente, e torna-se muito mais interessante de observar, pelos estilos díspares.

Homem de Ferro: A Semente de Dragão, John Byrne, Paul Ryan, Mark Bright
Eu provavelmente apreciaria mais isto se fosse realmente fã do Homem de Ferro, o que não é exactamente o caso. Oh, os filmes foram divertidos, muito graças à interpretação do Robert Downey Jr., mas ainda não me consegui decidir sobre o personagem. Há alguns personagens da Marvel que eu gosto à partida, porque cresci com eles ou já os conheço há muito tempo, ou porque são apresentados de maneira cativante, mas o Homem de Ferro? Nunca li uma coisa que me fizesse realmente gostar dele, ou percebê-lo, sei lá, ter uma boa imagem dele.

De qualquer modo, aprecio esta história por explorar e esclarecer vários pontos da mitologia do personagem e dos seus inimigos. Descobrimos de onde vêm os dez anéis do Mandarim, e parece que a história é uma reinvenção do seu papel como vilão do Homem de Ferro, o que é interessante de ler. Também aparece um vilão, o Fin Fang Foom, que tinha visto algures, e descobri agora que é suposto ser um vilão do Homem de Ferro. A sua história de origem é fascinante, porque dragões. Dragões a sério, na China. Dragões alienígenas. Está tudo dito.

E pronto, o enredo pode fazer um bom trabalho a correr o conflito, a estabelecer os avanços e recuos nele, mas noutro ponto é péssimo: então o Tony Stark e a doutora Su Yin saem um par de vezes, convivem para resolver o problema dele, e de repente já estão apaixonados? Sendo ela casada, o que pressupõe que não está livre emocionalmente para este tipo de coisa, ainda mais porque parece que há qualquer coisa com o marido, que nem sabemos o que é, porque nunca é devidamente explorada. Ugh. Da próxima vez que alguém se vier queixar de YA e os seus tropes, incluindo insta-love, como se os outros livros não os tivessem, leva nas trombas com este volume. Que forma de escrever um aspecto emocional tão preguiçosa.

E agora que me lembro, a Viúva Negra aparece, anda à procura de ajuda para qualquer coisa. Só que é uma storyline meio abandonada a meio deste volume. Calculo que fosse o arco de história seguinte ao deste volume, mas não gosto que tenha sido desenvolvida tão cedo (devia ter aparecido na segunda metade do volume), e que seja assim abandonada, como se deixasse de ter interesse. Apenas diminui a sua importância para o que iria acontecer de seguida, que nem sabemos o que é, em vez de a aumentar, e de aumentar o interesse.

Viúva Negra: O Manto da Viúva, Greg Rucka, Igor Kordey, Devin Grayson, J.G. Jones
Este volume reúne duas histórias da Viúva Negra, e em ambas o foco é dividido com (ou até somente de) uma segunda Viúva Negra, activada quando a Natasha desertou e deixou de ser espia ao serviço da Rússia. Essa segunda personagem é Yelena Belova, que se debate com a herança deixada pela Natasha Romanov.

A primeira história, apesar de ter sido publicada depois, acontece antes, cronologicamente falando. Segue a Yelena nos seus tempos de preparação para ser a Viúva Negra, e os acontecimentos que precipitam o seu assumir do manto. Yelena investiga a morte do seu supervisor, um homem que se vem a revelar ter frequentado um clube S&M, tendo contratado uma sósia da Yelena como parte das suas fantasias.

O interessante aqui é a realidade construída para activar a Yelena, que me fez questionar tudo, toda a narrativa passada e presente que condiciona o evoluir do enredo; e ao mesmo tempo, como os sentimentos da Yelena a levam a tornar-se na Viúva, e como tem de os enterrar para assumir esse papel.

A segunda história apresenta uma espécie de competição entre as duas Viúvas. Um cientista criou um soro que torna soldados em berserkers, essencialmente, e os governos russo e americano mandam as Viúvas numa corrida contra o tempo para impedir um general de um país fictício do Médio Oriente de usar o soro, e recuperá-lo.

Aqui o interesse prende-se com a "competição" entre as duas, que nunca chega a sê-lo, propriamente. A Yelena tem o mesmo treino e capacidades que a Natasha, mas não tem a sua experiência; e por isso, a Natasha está sempre dois passos à frente dela. (Melhor, está dois passos à frente dos dois governos que têm interesse no soro, como a melhor das espias.) É uma relação curiosa de explorar, a das duas, especialmente com a posição de mentora a cair nos braços da Natasha.

É a minha história favorita das duas. (A outra exige que se conheça e goste da personagem para se preocupar com o que lhe acontece. Aqui no livro devia vir depois, tal como a ordem em que foram publicadas.)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Colecção Universo Marvel #10, #11 e #12: Vingadores, Dr. Estranho e Dr. Destino

Vingadores: Para Sempre Parte 1, Vingadores: Para Sempre Parte 2, Kurt Busiek, Roger Stern, Carlos Pacheco
Geralmente, e este caso em particular não fugiu à regra, tenho dificuldades em gostar destas "sagas" alargadas. 12 revistas dá para muita história, e do que tenho visto, nestas sagas isso corresponde a imensa palha, em que o grupo de heróis anda dum lado para o outro, a distribuir porrada mas sem propriamente rumo certo. Narrativamente, é muito difícil manter os olhos na bola numa coisa deste tamanho, e o resultado é ter engonhanço e imensas tangentes, que não contribuem para um todo mais coeso.

A minha falta de entusiasmo por esta história também pode passar por eu conhecer menos bem os Vingadores e as suas histórias. A premissa é que são reunidos Vingadores de várias épocas, o que é uma ideia intrigante, mas depois é difícil acompanhar os personagens, de onde vêm e para onde vão, quando não os conhecemos assim tão bem. A história pede que se conheça alguma backstory dos Vingadores, e se normalmente até lido bem com isso nos comics em geral, e não tenho dificuldade em acompanhar... aqui, o livro está tão cheio de referências, que ler com a consciência de que nos estão a passar ao lado não é propriamente animador.

Por outro lado, reconheço o esforço tremendo que terá sido incluir estas referências todas. Suponho que não é por acaso que os livros nesta colecção do Universo Marvel que têm pequenas notas a explicar as referências todas... são livros cujo argumento é do Kurt Busiek. Não sei se isto é uma "coisa" em mais livros dele, mas gabo-lhe a minuciosidade necessária para incluir tantos pequenos detalhes. Ignorando a parte em que é irritante ter tantos pormenores que desconheço, também é fascinante ver como ele os incorporou dedicadamente na história. (Sou capaz de ter morrido a rir, no entanto, quando reconheci no Rick Jones mais velho dois pormenores de fatos de heróis da rival DC:)

Creio que posso dizer que, apesar de tudo, a escolha dos personagens, os Vingadores que vêm de vários pontos do tempo, é interessante, ou pelo menos a lógica por trás dela (que, sim, nos é explicada mais no fim, quando um personagem discorre sobre o papel de cada Vingador na trama). É bastante divertida a dualidade Vespão/Gigante do Hank Pym, curioso ver o Capitão América mais inseguro (e no entanto, é a segunda vez que o vejo destruir uma pedra de poder imenso... bolas, ele tem mesmo queda para a coisa), e refrescante ver a Vespa tomar as rédeas e liderar a equipa. A Rouxinol e o Capitão Marvel não posso comentar, que não conheço, nem o Rick Jones (e por isso é difícil preocupar-me quando o objectivo do vilão é matá-lo); já o Gavião Arqueiro, encaixa com a ideia que tenho dele, apesar do uniforme dele ser a coisa mais ridícula que há.

Em termos de arte, são dois volumes visualmente impressionantes. Vejo porque é que o desenhador Carlos Pacheco é tão conhecido. Um traço detalhado, as vinhetas sempre cheias de pormenores. É qualquer coisa de se ver. O trabalho de cor é mais dinâmico que nas décadas anteriores, há mais nuance,o que me agrada, mas ainda temos chachadas como trocar a cor do cabelo a personagens. (Ou então, o Gavião levou uns pacotes de tinta para cabelo para o contínuo espaço-tempo, para poder mudar entre louro e moreno conforme estivesse para aí virado.)

Dr. Estranho e Dr. Destino: Triunfo e Tormento, Roger Stern, Gerry Conway, Bill Mantlo, Mike Mignola, Kevin Nowlan, Gene Colan
Este volume é singular, no sentido em que é um mix de várias histórias, sem uma ligação muito forte. Algumas têm em comum serem do Dr. Estranho, algumas têm em comum serem do Dr. Destino, algumas têm em comum serem desenhadas pelo Mike Mignola... mas isso não quer dizer que, à semelhança de um diagrama de Venn, haja sobreposição total entre todas.

A história titular, Triunfo e Tormento, é definitivamente a mais interessante. O início é um pouco fraco, porque é uma tangente que explica como o Dr. Destino consegue que o Dr. Estranho o ajude... e que podia ter sido resumida em poucas vinhetas, começando antes a história in media res. Mas assim que se vai desvendando para que é que o Dr. Destino precisa de ajuda, e porquê, a narrativa torna-se mais imediata e cativante.

Quem leva a narrativa aos ombros é mesmo o próprio Dr. Destino, uma narrativa trágica, que envolve uma tentativa de salvar a alma da mãe do Inferno uma vez por ano. Dá-lhe uma perspectiva diferente, que não a de vilão, e é uma boa ideia para explorar, porque o resultado é muito interessante. A personalidade do Dr. Destino ainda está lá, e a sua dualidade mantém-se ao longo da narrativa, mas é engraçado ver o Dr. Estranho confrontar-se com as ideias que tinha acerca dele.

A arte é muito boa, porque não só temos o Mike Mignola a desenhar, que nos traz umas cenas brutais no inferno; como o trabalho de cores é algo diferente, mais em estilo aguarela, e aprecio um tipo de trabalho diferente e bem executado quando o vejo.

As duas histórias seguintes têm como protagonistas o Dr. Estranho e o Dr. Destino, respectivamente. A primeira não tem muita consequência para Triunfo e Tormento, por isso a sua presença aqui é questionável, mas a segunda mostra uma das tentativas falhadas do Dr. Destino para salvar a mãe. Creio que até fazia mais sentido vir antes de Triunfo e Tormento, porque depois já não tem sentido vermos uma dessas tentativas falhadas.

As últimas duas histórias têm como protagonista o Namor e são desenhadas pelo Mike Mignola. Começo a achar que o Namor é mais interessante sozinho e em nome próprio, porque quando aparece noutras coisas, parece que é só para arranjar sarilhos a outros personagens, por isso mais valia estar quietinho. Mas são duas histórias curtas bem montadas, que exploram bem a premissa no pouco espaço que têm. Quanto ao Mike Mignola, estes não são bem os cenários que tenho visto dele, mas trabalha bem o mar e as ondas, gostei de ver.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 9 e 10

Gavião: Aliados e Inimigos, Geoff Johns, Rags Morales, José Luis Gárcia-López
Ok, estou oficialmente intrigada. A história do Gavião parece muito interessante. Adoro este conceito de reencarnações, almas gémeas a reencontrarem-se vida após vida, e uma maldição através dos tempos... parece um conceito demasiado romântico para o típico comic americano, mas foi por isso que fiquei curiosa. Gostava de perceber como é que os autores têm explorado este conceito ao longo dos anos. (Uma breve espreitadela à Wikipedia faz-me pensar "não muito bem", porque aquilo parece-me uma salganhada, mas enfim.)

Dito isto, não sei se esta é a melhor história, ou conjunto de histórias, para apresentar o personagem. Fazem um trabalho decente a mostrar partes da mitologia do personagem, mas gostava de ter lido algo mais coeso. O segmento apresentado dá-me demasiado a sensação de que comecei a ler um livro a meio, li-o por um bocadinho, e depois pousei-o sem acabar. A história final é mais satisfatória nesse aspecto, mostrando a melancolia decorrente daquilo que o Gavião é.

Quanto à arte, gostei bastante do trabalho do desenhador principal, Rags Morales, mas achei o trabalho de cor demasiado simples - faltou-me alguma garra nas cores. Quanto à história final, com outro desenhador, tem umas sequências interessantes, como a sequência de luta; além do enquadramento das vinhetas, que também me agradou visualmente.

Super-Homem e Batman: Poder Absoluto, Jeph Loeb, Carlos Pacheco, Mark Verheiden, Kevin Maguire
O conceito da história tem tanto potencial... mas a maneira como a ideia dos mundos paralelos está explorada é tão, tão, tão confusa. Não me pareceu haver uma lógica interna no porquê destes mundos existirem, ou o que determinava as mudanças e os saltos de um para o outro. E eu queria tanto gostar da história! Mas não posso, com esta péssima execução. Uma história destas tem que ser muito bem construída para fazer sentido, e aqui não faz, ponto.

Há uma série de incoerências, de coisas que não fazem sentido, e de personagens que aparecem sem ser explicado o porquê de estarem ali. Exemplos: para que é que foram buscar o Tio Sam, dando-se ao trabalho de mostrar em pormenor o seu reaparecimento, se depois ele não tem consequência na história? Acho ridículo que o Batman, um tipo tão analítico, que me parece que mal dá um passo sem avaliar bem as consequências de pôr um pé à frente do outro, tenha decidido desfazer aquilo que é o cerne da existência dele sem piscar os olhos ou pensar duas vezes. E não acho que faça sentido nenhum o Bruce não-Batman lembrar-se "magicamente" das outras vidas paralelas. Etc., etc., etc.. Em suma, nada faz sentido. *resmunga frustrada*

Quanto à história final, tem uma premissa bem engraçada. A Caçadora e a Poderosa são "invadidas" pelas mentes do Batman e do Super-Homem devido à intervenção de um vilão, e gera umas situações engraçadas. Em termos de arte, não gostei, mete as heroínas numas poses do género "deixa-me lá mostrar o máximo de mamas e rabo que possa, mesmo que esta posição corporal seja absolutamente ridícula e impraticável". *facepalm* Um bocadinho menos de tempo dedicado ao peito das raparigas e mais a desenhar caras em condições tinha tornado o desenho mais agradável.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 6, 7 e 8

Liga da Justiça e Sociedade da Justiça: Virtude e Vício, Geoff Johns, Stephen Sadowski, David Goyer, Carlos Pacheco, Don Kramer
Este volume reúne um conjunto de três histórias que aborda a reunião de duas equipas de super-heróis da DC, a Liga da Justiça (JLA) e a Sociedade da Justiça (JSA). A primeira história funciona como uma espécie de prequela à história principal, Virtude e Vício, estabelecendo o conflito nessa história, mas acaba por não ser muito necessária para o efeito, na minha opinião. Talvez fosse mais útil para quem segue frequentemente os comics e os personagens. Apesar disso, tem alguns momentos giros, como o jogo de hóquei, em que o Homem-Hora estraga o final aos companheiros, ou a conversa entre a Poderosa, a Sideral e a Mulher-Maravilha sobre o Super-Homem.

A segunda história, Virtude e Vício, tem uma premissa muito engraçada. Os heróis das duas equipas estão reunidos para o dia de Acção de Graças, quando um ataque à Casa Branca e ao presidente (Lex Luthor, o que é uma ideia interessante) leva a que sete dos heróis sejam possuídos pelos demónios dos sete pecados mortais. Gostei da premissa, mas gostaria ainda mais se as características dos demónios e dos pecados fossem mais e melhor exploradas. Teria sido divertido ver os heróis dominados pelos pecados e a encarná-los verdadeiramente. O modo como se mostra quais são os pecados que eles representam é mais show que tell. Ainda assim, é uma história divertida, que como bónus permite ver mais um bocadinho de alguns personagens que já conhecia.

A terceira história, Virtude, Vício e Tarte de Abóbora, pega na mesma premissa (heróis reunidos durante a Acção de Graças), e sendo mais curtinha, explora adequadamente aquilo a que se propõe: sarilhos quando os heróis se reúnem (o Batman é que tinha razão). Foi divertido ver os vilões irromper no meio do jantar e ficarem surpreendidos com a quantidade de gente que afinal tinham de enfrentar. Além disso, as rivalidades e piadinhas trocadas entre heróis também são engraçadas de ler.

Super-Homem: Herança Vermelha, Mark Millar, Dave Johnson
Esta história é qualquer coisa de genial. Adoro a premissa de o Super-Homem aterrar na meio da URSS, em vez de nos EUA. (Não é coisa que não me tivesse passado já pela cabeça, o Super-Homem ter crescido e sido educado noutro local que não os EUA.)

E a execução é muitíssimo interessante. Gostei imenso de ver como a historia ao longo do século XX acabou por evoluir com esta pequena alteração, como uma coisa tão simples tem um impacto tão grande. Acho interessantíssima a inversão de papéis entre o Kennedy e o Nixon, e como os autores usaram a situação em Roswell para criar a história de origem de outro herói da DC. (O Hal Jordan é um pouco assustador aqui, depois do que sabemos que lhe aconteceu para o tornar merecedor do anel do Lanterna Verde.)

Há coisas que não mudam, no entanto. O Super-Homem continua a tentar fazer o bem, e ajudar quem pode, e os seus motivos são relativamente bons. (Não quer ganhar o mundo pela força, por exemplo.) Mas acaba por deixar-se ser um pouco uma marioneta do mundo em que se insere, deixar-se corromper absolutamente pelo poder absoluto que lhe é colocado nas mãos. É um ponto de vista interessante sobre o personagem.

Há outros personagens que têm uma vida completamente diferente, graças a esta mudança de eventos. A Lois está casada com o Lex Luthor. O Jimmy Olsen é um agente ao serviço da CIA que acaba a trabalhar com o Lex. E o próprio é um cientista obcecado com as suas invenções e com derrotar o Super-Homem (bem, aqui, nada de novo).

Adorei o fim da história. Acaba por ter uma qualidade cíclica intrigante, e fiquei fascinada com a evolução do planeta após a saída de cena do Super-Homem.

Batman: Contos do Batman, Tim Sale, James Robinson, Alan Grant, Darwyn Cooke
Li este volume com uma certa sensação de cansaço. A este ponto da colecção, já se torna aborrecido ler o milionésimo volume do Batman. Parece hilariante, mas sim, as escolhas dos responsáveis da colecção tornaram-me o Batman aborrecido. O Batman! *facepalm*

Continuo a queixar-me da falta da variedade da colecção, parece que quase metade dos livros é só Batman e Super-Homem, e valha-me Deus, estou a ficar enjoada dos dois. Acho que não precisávamos duma extensão da colecção se era só para enfiar mais Batman e Super-Homem. A Mulher-Maravilha, supostamente a terceira figura mais destacada da DC, a seguir a estes dois, só tem direito a um livro, o que na minha opinião é injusto. Por favor, quando até o Joker teve direito a um volume!

Muitos poucos heróis da DC, fora o núcleo/duo central, têm destaque e direito a volume próprio, e gostava de ter lido qualquer coisa com o Aquaman, porque nada sei dele a não ser o que vi no Justiça. Talvez também o Martian Manhunter. Ou a Catwoman, também acho que merecia um volume, já que o Joker mereceu, porque tem tanto ou mais protagonismo que ele. E também gostava muito de ver o Capitão Marvel e a sua, hã, família esclarecidos num volume próprio, porque a dinâmica daquela equipa é um pouco confusa para mim. E gostava que a Canário Negro, ou talvez as Birds of Prey, tivessem tido direito a um volume, acho que teria sido interessante de ler.

Bem, vou parar de me queixar. Mas lá que não li este volume com a mesma vontade, não li, que tanta repetição (até já tivemos um volume com "contos" do Batman na série I desta colecção, o Outros Mundos) já chega.

A primeira história, Lâminas, conta duas histórias em paralelo. O que narrativamente não faz muito sentido, porque acaba por desviar a atenção do Batman do que realmente importa, e os dois enredos nem sequer estão ligados, a não ser pelo próprio Batman. Mas se pensar nas duas histórias em separado, encontro bastantes coisas que me agradam. A obsessão do Batman pelo criminoso Sr. Lime, e de como ela quase o impede de descobrir quem anda a cometer os crimes. A teatralidade do Cavaleiro e as referências a filmes, o seu cavalheirismo e a sua necessidade de proteger uma jovem desesperada. (Fez-me lamentar o final, apresar de compreender a opção tomada.)

A segunda história, Os Marginais, é aquela que me deixou mais indiferente. Os vilões são de segunda categoria, pouco reconhecíveis. (Acho que não conhecia nenhum.) O que mais me interessou aqui na história foi o rapto do Bruce, com o Gordon e o Mayor, que o impediu de vestir o manto do Batman, e foi a história do Nimrod, que estava apenas à procura de justiça.

A terceira história, aMor Cego é muito curta mas muito satisfatória, e bem divertida. (Pontos bónus para o título, que consegue exprimir um trocadilho tão bem como o título original, apesar de não ser uma tradução literal ou fiel do título.) O Batman e a Catwoman enfrentam-se, mas em certos momentos parece mais um encontro que outra coisa. E acho piada ao modo como a Catwoman lida com o Batman, especialmente no final. Muito engraçada.