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domingo, 6 de setembro de 2015

Curtas: Poderosos Heróis Marvel, volumes 1 a 4

Vingadores: A Era de Ultron 1, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch
Vingadores: A Era de Ultron 2, Brian Michael Bendis, Bryan Hitch, Brandon Peterson, Carlos Pacheco
Isto teria corrido melhor se não tivessem tentado vender este crossover event com o mesmo título do segundo filme dos Vingadores. Pelo que me é dado a entender pelas opiniões no Goodreads, toda a gente se pôs a ler isto pensando que os prepararia para o filme, e é claro que foi um tiro no pé. O livro pede que se conheça relativamente bem o universo Marvel e alguns dos seus personagens mais (e menos) proeminentes, e não é nada introdutório no que toca ao Ultron, por isso...

Portanto, o Ultron no início da história volta à Terra (os vilões voltam sempre, por mais que os eliminemos), tem um confronto com os Vingadores, e desaparece, para se vir a revelar que tinha um plano que envolvia destruir a humanidade e os super-heróis (what else?), e que foi bem sucedido, resultando num presente pós-apocalíptico.

Acho que preferia ter visto a evolução do ponto A para o ponto B, isto é, como o Ultron fez uma razia ao planeta, como o seu plano se desenrolou. Assim só vemos o resultado, e apesar de ser assustador, ver a destruição e quão poucos sobreviveram, seria mais impressionante ainda ver a coisa em acção.

Portanto, os super-heróis estão destruídos, desmotivados (até o Capitão América está para ali encostado a um canto, deprimido), em números muito reduzidos, mas tentam desenvolver um plano para descobrir o que se passa e como derrotar o Ultron, e uma coisa leva a outra, et voilá, temos direito a viagens no tempo.

Estou curiosa para saber o que teria acontecido com a Equipa Futuro (devem ter morrido todos), mas gostei de acompanhar o Wolverine e a Sue Storm ao viajarem para o passado e tentarem impedir a criação do Ultron, ainda que discordem no método. O Wolverine é a pessoa que gosta de ser criativo com as garras, como é habitual, e ooops, nova timeline/universo paralelo criados.

Achei esta timeline bastante interessante, e gostei de a explorar; contudo, ainda mais interessante e importante foi o Wolverine voltar ao momento crucial antes da criação do Ultron e essencialmente resolver as coisas falando, com o Hank Pym e com o seu outro eu, em vez de resolver à pancada. Uma vez na vida o homem aprende.

Além disso, a noção de dois Wolverines no mesmo espaço e a quantidade de pancada que isso dá no contínuo espaço-tempo, bem, é fantástica de considerar. O final é relativamente interessante, mas considerando que já percebi há que tempos que este pessoal anda a dar cabo do universo aos poucos, e que isto vai rebentar não tarda nada, bem, não há nada de novo. A não ser ali quando o Hank pensa numa solução melhor, e eu temer que isto vá descarrilar novamente.

Gostei mais da segunda parte da história, visualmente, porque o primeiro artista, Bryan Hitch, tem uma forma estranha de planear o layout das pranchas, e muitas são uma dupla página que não tem pistas visuais suficientes que avisam que é uma dupla página, e vá de a ler três ou quatro vezes até acertar com a coisa. A segunda parte, como mete viagens no tempo, usa dois artistas para separar o passado do presente, e torna-se muito mais interessante de observar, pelos estilos díspares.

Homem de Ferro: A Semente de Dragão, John Byrne, Paul Ryan, Mark Bright
Eu provavelmente apreciaria mais isto se fosse realmente fã do Homem de Ferro, o que não é exactamente o caso. Oh, os filmes foram divertidos, muito graças à interpretação do Robert Downey Jr., mas ainda não me consegui decidir sobre o personagem. Há alguns personagens da Marvel que eu gosto à partida, porque cresci com eles ou já os conheço há muito tempo, ou porque são apresentados de maneira cativante, mas o Homem de Ferro? Nunca li uma coisa que me fizesse realmente gostar dele, ou percebê-lo, sei lá, ter uma boa imagem dele.

De qualquer modo, aprecio esta história por explorar e esclarecer vários pontos da mitologia do personagem e dos seus inimigos. Descobrimos de onde vêm os dez anéis do Mandarim, e parece que a história é uma reinvenção do seu papel como vilão do Homem de Ferro, o que é interessante de ler. Também aparece um vilão, o Fin Fang Foom, que tinha visto algures, e descobri agora que é suposto ser um vilão do Homem de Ferro. A sua história de origem é fascinante, porque dragões. Dragões a sério, na China. Dragões alienígenas. Está tudo dito.

E pronto, o enredo pode fazer um bom trabalho a correr o conflito, a estabelecer os avanços e recuos nele, mas noutro ponto é péssimo: então o Tony Stark e a doutora Su Yin saem um par de vezes, convivem para resolver o problema dele, e de repente já estão apaixonados? Sendo ela casada, o que pressupõe que não está livre emocionalmente para este tipo de coisa, ainda mais porque parece que há qualquer coisa com o marido, que nem sabemos o que é, porque nunca é devidamente explorada. Ugh. Da próxima vez que alguém se vier queixar de YA e os seus tropes, incluindo insta-love, como se os outros livros não os tivessem, leva nas trombas com este volume. Que forma de escrever um aspecto emocional tão preguiçosa.

E agora que me lembro, a Viúva Negra aparece, anda à procura de ajuda para qualquer coisa. Só que é uma storyline meio abandonada a meio deste volume. Calculo que fosse o arco de história seguinte ao deste volume, mas não gosto que tenha sido desenvolvida tão cedo (devia ter aparecido na segunda metade do volume), e que seja assim abandonada, como se deixasse de ter interesse. Apenas diminui a sua importância para o que iria acontecer de seguida, que nem sabemos o que é, em vez de a aumentar, e de aumentar o interesse.

Viúva Negra: O Manto da Viúva, Greg Rucka, Igor Kordey, Devin Grayson, J.G. Jones
Este volume reúne duas histórias da Viúva Negra, e em ambas o foco é dividido com (ou até somente de) uma segunda Viúva Negra, activada quando a Natasha desertou e deixou de ser espia ao serviço da Rússia. Essa segunda personagem é Yelena Belova, que se debate com a herança deixada pela Natasha Romanov.

A primeira história, apesar de ter sido publicada depois, acontece antes, cronologicamente falando. Segue a Yelena nos seus tempos de preparação para ser a Viúva Negra, e os acontecimentos que precipitam o seu assumir do manto. Yelena investiga a morte do seu supervisor, um homem que se vem a revelar ter frequentado um clube S&M, tendo contratado uma sósia da Yelena como parte das suas fantasias.

O interessante aqui é a realidade construída para activar a Yelena, que me fez questionar tudo, toda a narrativa passada e presente que condiciona o evoluir do enredo; e ao mesmo tempo, como os sentimentos da Yelena a levam a tornar-se na Viúva, e como tem de os enterrar para assumir esse papel.

A segunda história apresenta uma espécie de competição entre as duas Viúvas. Um cientista criou um soro que torna soldados em berserkers, essencialmente, e os governos russo e americano mandam as Viúvas numa corrida contra o tempo para impedir um general de um país fictício do Médio Oriente de usar o soro, e recuperá-lo.

Aqui o interesse prende-se com a "competição" entre as duas, que nunca chega a sê-lo, propriamente. A Yelena tem o mesmo treino e capacidades que a Natasha, mas não tem a sua experiência; e por isso, a Natasha está sempre dois passos à frente dela. (Melhor, está dois passos à frente dos dois governos que têm interesse no soro, como a melhor das espias.) É uma relação curiosa de explorar, a das duas, especialmente com a posição de mentora a cair nos braços da Natasha.

É a minha história favorita das duas. (A outra exige que se conheça e goste da personagem para se preocupar com o que lhe acontece. Aqui no livro devia vir depois, tal como a ordem em que foram publicadas.)

sábado, 29 de agosto de 2015

Curtas: BD

All New X-Men vol. 4: All Different, Brian Michael Bendis, Stuart Immonen, Brandon Peterson, Mahmud Asrar
Uncanny X-Men vol. 3: The Good, The Bad, and The Inhuman, Brian Michael Bendis, Chris Bachalo, Kris Anka, Marco Rudy
Guardians of the Galaxy/All-New X-Men: The Trial of Jean Grey, Brian Michael Bendis, Sara Pichelli, Stuart Immonen, David Marquez 
All-New X-Men vol. 5: One Down, Brian Michael Bendis, Stuart Immonen, David Marquez, Sara Pichelli

Tive a oportunidade de ter acesso ao Marvel Unlimited este mês, e então aproveitei para avançar um bocadinho na leitura dos títulos dos X-Men, e este foi o resultado. É interessante observar como os títulos dos X-Men têm sido usados ultimamente, e que partes do mundo dos mutantes são mostradas em que títulos.

Por exemplo: o All-New X-Men segue impreterivelmente os X-Men Originais, seja como for. Seguia-os quando estavam na escola Jean Grey, e segue-os agora que estão na escola Charles Xavier. O X-Men segue as mulheres na escola Jean Grey, até onde li; o Uncanny X-Men segue o pessoal na escola Xavier, e o o Wolverine and the X-Men segue, bem, o Wolverine e os alunos na escola Jean Grey. E é tudo o que sei dos títulos do universo X-Men. (Nunca me tinha dado conta duma divisão tão clara.)

Ora bem, apontamentos e destaques de cada parte/fase destes livros: no Uncanny X-Men, temos um par de histórias com os métodos menos ortodoxos de treinar alunos que os professores da escola Charles Xavier têm; é interessante e importante notar as diferenças ideológicas com a escola Jean Grey, e como os métodos e pontos de vista se mantêm afastados entre ambas.

Outra história envolve as mulheres da escola saírem para uma noite só de mulheres e acabarem a tropeçar no evento Inhumanity; o que me lembra, este título é escrito assim com um humor mais retorcido e sarcástico, o que me agrada.

E ainda outra história lida com o desaparecimento dos X-Men Originais no evento The Trial of Jean Grey, e como isso afecta as pessoas da escola. Esta história presenta ainda uma exploração do estado mental e da noção das coisas que o Scott Summers/Ciclope tem, o que era algo que queria ler há um bom bocado, por isso aprecio que finalmente o tenham feito. Normalmente é um personagem demasiado impenetrável.

O All-New X-Men segue os X-Men Originais (XMO) antes, durante e depois do evento The Trial of Jean Grey - este último passa pelos Shiar, povo extraterrestre nada fã da Fénix, raptar a Jean Grey mais nova, a dos XMO, e pô-la em julgamento pelos crimes da Fénix, que ela a este ponto ainda não cometeu - foi uma Jean mais velha -, e de qualquer modo, já não estabelecemos que a influência desta entidade é tão forte que ninguém lhe resiste e os seus hospedeiros fazem coisas que doutro modo não fariam? Só para vermos a extensão do ressentimento dos Shiar, céus. Acalmem-se lá um bocado.

De qualquer modo, aqui nestes livros destaca-se um sentido de humor mais leve, mais divertido, e que muitas vezes deriva das situações caricatas que se geram pela presença dos XMO no presente e seu cruzamento com os seus respectivos eus do presente, e com as pessoas que lhes são mais próximas.

Estes livros marcam a introdução da Laura Kinney, a X-23, na team XMO, o que eu gostei muito, porque sou fã da Laura e gosto de segui-la e à sua awkwardness a conviver socialmente, derivada da sua história de vida e das suas capacidades. Acho que a Laura pode mexer um pouco com a equipa e dar-lhes um bom balanço.

O evento The Trial of Jean Grey destaca-se pelo crossover com os Guardiões da Galáxia, o que também apreciei, pois é um título e uma equipa divertidos, e a sua perspectiva sobre os XMO foi interessante de acompanhar, para além de vermos como se enturmam com os X-Men.

Muito gira também é uma cena no início do evento, com o Scott e a Jean mais novos, porque é tão estranha a situação deles, ao ver o seu futuro, e as coisas rebentam numa cena tão deliciosa de ler, pelo drama adolescente bastante credível, e pela presença do Anjo, que no fim comenta: "Bem, isto foi desconfortável. O Bobby teria adorado." - e teria, mesmo. O Bobby teria metido uma série de comentários bem colocados e hilariantes de ler.

O volume após este evento faz retornar os X-Men/Irmandade de Mutantes do futuro, e fecha a sua história. Esta coisa de viagens no tempo e dos paradoxos que cria é fascinante, e um bocado assustadora também. Qualquer dia isto vai explodir na cara de alguém. É curioso o que descobrimos sobre o estado de muitos membros da Irmandade, porque explica as suas acções, mas ao mesmo tempo é curiosamente conveniente.

E pronto, consegui avançar mais um pouco no que queria ler destes títulos, mas ainda assim não tudo. O mês é demasiado curto, raios.