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domingo, 15 de janeiro de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 26, 28 e 29

O Poderoso Thor: Em Busca dos Deuses, Dan Jurgens, John Romita Jr.
Ok... não estou a ver porque raios é que o Thor precisava de um reboot, mas eu claramente não andava a ler banda desenhada (não de super-heróis, pelo menos) nos anos 90, e por isso a coisa pode passar-me ao lado. Mas nunca fui muito à bola com esta história de o Thor estar ligado duma forma arcana a um tipo humano chamado Donald Blake.

Quero dizer, como é que isso funciona? Em termos físicos? Logísticos? Eles partilham um corpo? Uma mente? Duas mentes num corpo? São uma e a mesma pessoa ou duas diferentes que existem no mesmo espaço físico? São as perguntas que me mantêm acordada à noite. (Ou não.)

De qualquer modo, a maior parte das histórias com o Thor parece ignorar este pedaço de mitologia (ou então nelas o pessoal, muito avisadamente, fê-la terminar), e gosto mais do Thor em modo deus nórdico mesmo - os problemas domésticos dele parecem-me mesquinhos comparados com o tipo de coisas com que ele costuma lidar nos comics.

E portanto não sou fã de vir a ler um livro que pega na mesma premissa, um tipo que é "fundido" com o Thor. Ainda por cima foi trazido de volta à vida. E isto tudo pela razão mais estranha de sempre, o Thor sente-se culpado por o tipo ter morrido no meio duma batalha em que o Thor intervinha. Mas o Thor não teve intervenção directa na morte do tipo. É, infelizmente, um dano colateral, e seria uma boa forma de reflectir sobre o que acontece às pessoas comuns apanhadas no meio das lutas de super-heróis. Mas para este pessoal o mais importante mesmo é meter ali o Thor a ter de lidar com os dramas comuns da vida enquanto distribui porrada.

Fora isso (os dramas domésticos, quero dizer), a história pode vir a ser interessante, porque parece ter um âmbito mais épico. Peca por o volume terminar num cliffhanger. Mas parece promissor, com os conflitos entre panteões de vários deuses. E tem algum humor e alguns momentos em que revemos coisas da mitologia e história passada do Thor.

A arte do Romita, bem, entranha-se. Começo a conhecê-la, e dá algum conforto, estar familiarizada com ela. É adequada para o tipo de história. Começo a achar que ele não tem variedade nenhuma de expressões e desenhar caras, mas pronto. E acho que já sei de BD o suficiente para dizer que me parece que ele estava a canalizar o Jack Kirby e os seus Novos Deuses, o que é uma homenagem gira e adequada para os personagens que são deuses. (Houve um que me fez pensar duas vezes se não era o Darkseid ou um primo.)

1602, Neil Gaiman, Andy Kubert
Como se já não tivesse lido suficiente BD excelente do Gaiman este ano. (O ano passado, quero dizer.) Já tinha lido, cortesia da Devir há muitos, muitos anos atrás. E devo dizer, aguenta muito bem a passagem dos anos. Ainda é muito bom.

1602 reimagina o Universo Marvel se uma impossibilidade acontecesse e desse início à era dos heróis... centenas de anos antes. Essa presença foi, aparentemente, influenciadora da aparição daqueles que conhecemos como mutantes (conhecemos a versão original da equipa dos X-Men ao estilo século XVII), ou de mágicos e físicos (o Dr. Strange), ou de superespias e cegos com capacidades extraordinárias (a Viúva Negra e o Demolidor, respectivamente).

É tão divertido percorrer estas páginas e reconhecer as referências, por mais óbvias ou obscuras que sejam. (Calculo que algumas me tenham passado ao lado, mas enfim.) E melhor, os personagens que conhecemos estão indelevelmente inseridos no espaço e época em que existem. A descrição e apresentação dos mesmos são genuínas. Isto é mesmo a Inglaterra de Elizabeth I, e a Espanha da Inquisição. (E a Latvéria do Dr. Destino. Ehehe.) Mas é o tipo de trabalho que, depois de Sandman, esperaria do escritor.

O fim deixa-me triste e com vontade de ler mais, porque a premissa é tão boa que merece ser explorada. (Parece que foi.) A arte, por sua vez, é mesmo o tipo de coisa que aprecio. Adoro este estilo desenhado e pintado, e adoro as referências visuais no design dos personagens. Muito bom.

Eu, Wolverine, Chris Claremont, Frank Miller
Ah, estou a ficar um nada cansada de todos os livros em que o Wolverine é mau, mas "bom naquilo que faz". Nada culpa deste livro, que é o original, aquele que dita essa abordagem ao personagem, mas pronto. Não foi o que eu li primeiro, portanto leva com o meu cansaço acerca de tudo isto.

Este é interessante e ao mesmo tempo, não-tão interessante. Gosto da expansão que fazem à história pessoal do personagem, de entender a ligação dele ao Japão e como isso guia a mitologia do personagem. Gosto da ideia de uma história que fala de honra e guia os personagens com um código de comportamentos diferentes do ocidental, criando um choque de culturas.

Não sei se sou tão fã do tratamento de algumas coisas dessa cultura. A Yukio é fixe, mas um pouco cliché quando fica obcecada com o Logan. Acho que a Mariko podia ter mais garra, mais qualquer coisa. A história confina-a ao papel da filha obediente, mas ela podia ser isso e ainda assim ter uma certa personalidade. Algo que a distinguisse daquilo que os outros tendem a fazer dela.

Além disso, o pai dela morre às mãos do Logan, e ela no fim faz um discurso a desculpá-lo, que o pai tinha desonrado a família e merecia. Ideia? Devia ter sido ela a ter direito a essa morte. Seria tão fixe, depois de ser um joguete nas mãos dos outros, ela tomar rédeas do próprio destino. E tornar-se uma companheira à altura do Logan, no que toca a sangue frio.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Curtas BD: Sandman. volumes 9 a 11, e Noites Sem Fim

Sandman v.9: As Benevolentes I, Neil Gaiman, Mark Hempel, D'Israeli, Glyn Dillon, Charles Vess, Dean Ormston
Sandman v.10: As Benevolentes II, Neil Gaiman, Mark Hempel, Richard Case, Teddy Kristiansen
Sandman v.11: A Vigília, Neil Gaiman, Michael Zulli, Jon J. Muth, Charles Vess, Kevin Nowlan
Sandman: Noites Sem Fim, Neil Gaiman, Glenn Fabry, Milo Manara, Miguelanxo Prado, Frank Quitely, P. Craig Russell, Bill Sienkiewicz, Barron Storey
Ah, é triste. Não gosto nada de perspectiva de não ter mais nada desta série por ler. Passei tão bons bocados com ela, diverti-me tanto, maravilhei-me com a quantidade (e qualidade) de coisas que comporta e com todas as ligações que faz... que até vai parecer estranho não ter mais uns livros dela nos próximos meses para ler.

Estes três volumes comportam a evolução natural da série para o seu fim inevitável, aquele que já se anunciava há muitas páginas. Talvez mesmo desde o início, ainda que não o soubesse. É como se o escritor tivesse (quem é que estamos a tentar enganar? de certeza que tinha) este fim em mente, e foi construindo o seu castelo, peça a peça, para cativar o leitor e depois fazer-lhe cair o castelo em cima, e o impacto ser maior. Estou oficialmente em luto desta série. (Bastante adequado, diria.)

A piada da coisa é que o personagem que é a modos que protagonista da série (é o nome dele no título, apesar do foco ir mudando um pouco) é a coisa mais... ingostável de sempre, resmungão, discreto, pouco aberto... e ainda assim, o Morpheus tem uma evolução a nossos olhos, é possível ver como a atitude dele muda ou se adapta à medida que a série avança; e o pensar de forma diferente faz com que haja uma certa inquietude na forma como age e se apresenta: e é isso que o faz tomar uma decisão drástica (ou nem tanto assim) no final. Tudo o que vimos antes contribuiu para isto, ainda que nada tivesse a ver.

As Benevolentes só peca por uma coisa: é um bocadinho longo. 13 números da revista de BD é um algarismo sugestivo, claro, e eu até tive sorte porque como dividiram o volume em dois isso acaba por quebrar a leitura; contudo, pergunto-me se não poderia ter sido contada de forma mais sucinta. (Arrasta um pouco, de vez em quando.)

Só não me queixo mais por uma coisa: porque o Gaiman e os artistas aproveitam para nos proporcionar o melhor volume possível. Do lado da escrita, indo buscar todos os personagens e mais alguns que tenham alguma vez aparecido na série. A sério, tanta gente. Foi bom rever tantos deles. Muitos só têm uma aparição (o Batman, o Clark Kent e o J'onn J'onzz aparecem no A Vigília), outros têm histórias tangenciais (foi muito bom poder rever a Rose Walker e a Nuala, mas até tenho pena de não saber como é que a Barbie está).

Também gostei muito da intervenção de outros personagens como o Matthew (grandessíssimo totó, lia uma série só com as aventuras dele), ou até do Coríntio, que dantes me arrepiava até mais não. A Delírio tem uma história um pouquinho triste, porque não acompanha o enredo principal - o que até pode não ser coisa má para a sua sanidade.

A Larissa - que conhecemos por outro nome -  tem uma intervenção interessante, porque as suas acções são marcadas por um conflito de interesses. É a mulher que anteriormente tinha sido aludida algures no volume 7 como uma paixão que correu mal. E a revelação dá logo uma panóplia de camadas e significados, especialmente às suas interacções ao longo da história... fascinante, especialmente pelo feitio e postura de ambos.

Oh... mas há tanta gente que aparece e que eu de certeza que não vou lembrar de fazer menção. A postura da Morte por toda a coisa é muito interessante. O Hob Gadling, por exemplo, tem direito a uma história extra, depois da vigília, em que se reencontra com a Morte e reflecte no que aconteceu. A reacção de todos os Eternos durante a situação da Vigília também é curiosa de acompanhar... e gostava tanto de ver o que se passou a seguir a isso.

Destaque ainda para os artistas destes volumes: a arte principal de As Benevolentes é enganadoramente simples e colorida, mas muito cativante; e a de A Vigília é aquele estilo desenhado/pintado que eu gosto tanto de ver.

Em Noites Sem Fim, Neil Gaiman escreveu uma história para cada Eterno, com vista a ser ilustrada por um artista diferente. A primeira é para a Morte e é das minhas favoritas, sobre um dia que se repete eternamente, mas como mesmo assim, ninguém escapa à Morte. O segundo conto é para o Desejo, e tem uma perspectiva fascinante de uma mulher que usa o desejo na sua vida... mas é ilustrada pelo Manara, e começo a ficar enjoada dele. É tão omnipresente e o estilo é tão único mas tão imutável... eh.

O terceiro conto é sobre o Sonho, decorrendo muito antes da acção principal da série. É sobre uma espécie de conclave de divindades/seres míticos que guiam o universo, e é sobre uma amante do Morpheus que o abandona, e é sobre o feudo criado entre ele e Desejo. É muito bom. Alguns dos seres são estrelas que iluminam sistemas solares como o nosso, ou o de Krypton.

O quarto, bem, a arte não é bem a minha onda. Muito abstracta para mim. Mas alguns painéis deixaram uma impressão, especialmente depois de ler o texto que acompanha. Até conseguem deixar uma impressão, apesar de tudo. Apreciei-os mais intelectualmente na sua maioria, mas alguns conseguiram dar um bom retrato de Desespero.

E o quinto, bem, é sobre a Delírio. Tão alucinado como ela. Mas isso quer dizer que a arte também é bastante abstracta e me passou largamente ao largo. Dá para entender a história no fim, mas a compreensão foi-me algo dificultada pelo formato er, "estranho" de apresentar a narrativa.

O sexto é sobre o Destruição e é intrigante, mas parece um capítulo duma aventura menor e quase que soube a pouco. Merecia ser alargado e melhor explorado. E o sétimo é sobre o Destino. Sobre o seu papel no grande esquema das coisas. É muito giro pela sua simplicidade.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Curtas BD: Sandman. volumes 5 a 8

Sandman v.5: Um Jogo de Ti, Neil Gaiman, Shaun McManus, Colleen Doran, Bryan Talbot, George Pratt, Stan Woch, Dick Giordano
Sandman v.6: Fábulas e Reflexões, Neil Gaiman, Bryan Talbot, Stan Woch, P. Craig Russell, Shaun McManus, John Watkiss, Jill Thompson, Duncan Eagleson, Kent Williams
Sandman v.7: Vidas Breves, Neil Gaiman, Jill Thompson, Vince Locke
Sandman v.8: A Estalagem no Fim do Mundo, Neil Gaiman, Michael Allred, Gary Amaro, Mark Buckingham, Dick Giordano, Tony Harris, Steve Leialoha, Vince Locke, Shea Anton Pensa, Alec Stevens, Bryan Talbot, John Watkiss, Michael Zulli

Ahhhh e as histórias recheadas de referências e cruzamentos entre pontos deste mundo riquíssimo continuam... a sério, é uma delícia encontrá-las. Ver personagens reaparecer, comentários de passagem explicados, momentos mencionados revisitados em flashbacks. Toda uma panóplia de coisas que faz parecer que estava tudo planeado desde o início. (Mesmo quando não estava.)

Os melhores autores fazem-no. Criam um mundo tão rico e vasto, e começam a criar ligações entre pontos afastados dele, e introduzem à-partes para ser explorados mais tarde. Faz tudo parecer uma tapeçaria gigante que o autor tece, partes diferentes em momentos diferentes. E o todo é fantasticamente coeso.

Além disso, as referências! De babar. O Neil Gaiman mete tanta coisa de mitos e lendas e dá-lhe a sua própria interpretação, e mais importante, estabelece uma ligação íntegra entre elas. Quem nunca tivesse ouvido falar delas acreditaria que isto pertencia tudo ao mundo do Sonho. E a cultura que é preciso para juntar isto tudo e fazer um todo coerente... impressionante.

O quinto volume, Um Jogo de Ti, segue uma personagem que tínhamos conhecido no segundo volume, a Barbie, já sem o seu Ken. (O Ken trocou-a pela... "Sindie". Eh.) Como nesse volume, este foca-se numa protagonista feminina e explora mais aspectos do mundo do Sonho e como ela se relaciona com eles.

E caramba, que história pesada. Fascinante, mas acontece tanta coisa... a relação da Barbara com o mundo do Sonho é bem diferente. Quando era criança habitava esse Mundo, e era princesa de um reino, a escolhida para o salvar. Barbara vai reencontrar-se com ele, mas as coisas não são bem como ela imagina, e um novo conceito do Sonho pode ser a maior ameaça de todas.

Achei fascinante a exploração desta história e dos conceitos que porta, mas também gostei muito das suas personagens. A Barbie, a Wanda (fico com pena de não a vermos mais), a Hazel e Foxglove, a Thessaly (que eu espero ainda vir a ver no futuro nestas histórias)... todas ocupam o seu lugar na narrativa, e curiosamente todas encarnam um aspecto diferente de feminilidade.

Fábulas e Reflexões, o sexto, é mais um volume de contos e histórias curtas que exploram várias facetas do mundo do Sonho. Medo de Cair sobre como um encontro com o Morpheus inspira alguém a sair da sua zona de conforto.

Três Setembros e um Janeiro dá dimensão a uma personagem pouco conhecida, o Imperador Norton dos EUA. Só mesmo o Neil Gaiman para dar um destaque tão giro e respeitoso a tal coisa. Adoro como incorpora a Desespero, e o Sonho, e Desejo, e até a Morte, obviamente, no seu percurso.

Termidor revisita a personagem da Johanna Constantine, que executa uma missão para o Morpheus na França do Reino do Terror de Robespierre. Again, quem é que se lembra destas coisas? Só o Gaiman para melhorar a nossa cultura geral. Gostei de ver a interacção da Johanna com Robespierre e com a França desses tempos, e achei interessante aquilo que lhe é pedido para fazer.

A Caçada: sob o formato de uma história dentro da história, conta com mais algumas aparições de habitantes do Sonho, e conta com uma pequena revelação no fim muito gira. Agosto: sobre o Imperador Augusto, os rumos que tomou (e que o Império Romano tomou), e como um dos Eternos influenciou o seu caminho. De novo, uma pequena parte da História é apresentada de forma tão fascinante que me dá vontade de ir pesquisar sobre ela.

Lugares Instáveis: Morpheus cruza-se com Marco Polo, enquanto este se vê perdido num deserto, no início das suas aventuras. A Canção de Orfeu: sobre o único filho de Morpheus, é o Orfeu da mitologia grega. A sua história decorre mais ou menos como conhecemos, mas com pequenas modificações, derivadas de pertencer à família dos Eternos. Muito interessante, pela relação complicada entre pai e filho. E por ser a base para o que se vai desenrolar no futuro.

O Parlamento das Gralhas: sobre o que acontece quando um bebé adormece (e acabei de perceber que o bebé deve ser o filho duma grávida que o Sonho salvou há uns volumes atrás) e vai parar ao Sonho. Conhece Eva, Caim e Abel, e eles contam-lhe histórias, que são um pouco sobre as suas próprias histórias. Acabo sempre a morrer de pena do Abel quando ele aparece, porque fazendo jus ao nome, acaba sempre perdido na violência às mãos do irmão. Eles parecem amar-se, mas depois o Caim vira psicopata e bem, acaba sempre mal. E recomeça. E pronto, este volume é um excelente exemplo de quanta coisa boa e interessante o Gaiman mete no seu mundo, e quão bem elas soam juntas.

O sétimo volume, Vidas Breves, explora finalmente o irmão desaparecido, Destruição. A Delírio, que o adora, quer encontrá-lo, mas Desespero e Desejo não estão com vontade de ajudar; vai pedir ao Morpheus, que não parece muito inclinado a ajudar, mas acaba por embarcar no esforço.

Coisa fascinante número um: eles estão a fazer caixinha comigo!!! Todas estas referências sobre o Sonho ter o coração partido por causa duma mulher, mas ela ainda não foi apresentada, não sabemos o que aconteceu. E número dois: a maneira como a relação da Delírio e do Sonho evolui. Adoráveis. Aliás, gosto bastante de como alguns dos irmãos se relacionam. Eles e a Morte reagem muito como irmãos uns com os outros. Bem fofo.

Número três: uma alusão à maneira como a Desespero assumiu o lugar. E número quatro: a maneira como esta família é absolutamente disfuncional e lida com os seus "deveres". É sempre uma delícia ver a sua história a decorrer ao longo destes volumes. O fim deste marca uma viragem irreversível na sua história, é bastante fácil de ver, e temo que nada mais será o mesmo, que a tragédia esteja ao virar da esquina (especialmente depois de ler o fim do oitavo volume).

O oitavo volume é A Estalagem no Fim do Mundo. Mais um livro de contos que sobe para o próximo nível, explorando a natureza das histórias, frequentemente introduzindo histórias dentro de histórias, ou histórias contadas em segunda mão, um artifício potencialmente difícil de usar, mas bastante claro no modo como aqui é apresentado. A Estalagem é um local, algures parte do Sonho, onde entram viajantes de todo o tipo, perdidos nas suas viagens; e a premissa do volume é que esses viajantes contam histórias para passar o tempo.

A primeira história é Ramadão, que não é bem parte deste volume, tradicionalmente é do sexto. (Imagino que passou para aqui para equilibrar o tamanho dos volumes.) É tão gira, tão colorida e bem desenhada (adoro o traço), e uma que pertence verdadeiramente ao mundo do Sonho, inspiradora e etérea. Segue Um Conto de Duas Cidades (outra com traço e cores visualmente fantásticos) sobre a natureza das cidades. Assombrosa e claustrofóbica.

Gostei mesmo de O Conto de Cluracan, por explorar um personagem que já conhecemos anteriormente, e porque o local que ele visita dá a sensação de ter uma história riquíssima, da qual só nos é apresentada uma fracção. Senti vontade de a explorar melhor. O Leviatã de Hob também me agradou, pela história pessoal do Jim, mas também pela aparição do Hob Gadling, que já conhecemos doutras andanças. E pela história-dentro-da-história apresentada, e pela reflexão sobre certas coisas extraordinárias.

O Rapaz Dourado: acho que apreciaria mais se conhecesse o personagem doutras andanças. Creio que faz parte do universo DC e foi aproveitado pelo Gaiman para este conto. Gostei de ver como o Sonho e a Morte são desenhados aqui. Mortalhas: cheio de histórias-dentro-de-histórias, apresenta outra cidade que gostava de ver melhor explorada. Parece fascinante. (E o Destruição aparece! E descobrimos com ele mais um pouco da história dos Eternos.)

Ah, este conceito da Estalagem é fascinante. (Já agora, a estalajadeira é alguém que suspeito que já conhecemos [Astarte/Ishtar].) Mas pesada mesmo? É a parte final deste livro. A natureza da tempestade que trouxe estas pessoas à Estalagem é clarificada um pouco, abordando a natureza da realidade... e os visitantes da estalagem vislumbram um velório no céu, e vemos tanta gente conhecida, e é impressionante de ver, e céus, this does not bode well. Até tenho medo de continuar a ler. A expectativa diz-me que coisas boas não vêm nesta direcção.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Curtas BD: Sandman. volumes 1 a 4

Sandman v.1: Prelúdios e Nocturnos, Neil Gaiman, Sam Kieth, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III
Sandman v.2: Casa de Bonecas, Neil Gaiman, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III, Chris Bachalo, Michael Zulli, Steve Parkhouse
Sandman v.3: Terra do Sonho, Neil Gaiman, Kelley Jones, Charles Vess, Colleen Doran, Malcolm Jones III
Sandman v.4: Estação das Brumas, Neil Gaiman,  Kelley Jones, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III, Matt Wagner, Dick Giordano, George Pratt, P. Craig Russell

... pois. Acho que basta ler um par de volumes para perceber porque é que toda a gente é louca por isto. Não diria que basta o primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, porque sei que li o seu conteúdo no passado, e apesar de ser interessante não é memorável por si só.

Não, o que é memorável é continuar a ler e ver o tapete de histórias que está a ser tecido ao longo dos livros. A aparente simplicidade e genialidade da série está em pegar numa miscelânea variada e abundante de lendas e mitos do imaginário popular, jogá-las todas para dentro do mesmo saco, abanar, e sair de lá uma coisa brutalmente coerente e cheia de ligações estranhas e obscuras...

...e que fazem estranhamente sentido. E nem sequer vou fingir que apanhei todas as referências. Quero dizer, considero-me uma pessoa com uma boa cultura geral, mas estes livros estão tão recheados de coisas que não me parece que seja possível. Sobreviverei. Passei a leitura tão fascinada que não posso ficar aborrecida por isso. É simplesmente uma boa desculpa para uma futura releitura.

O primeiro volume, Prelúdios e Nocturnos, conta a história de um ser, Sonho dos Eternos, que é aprisionado durante anos e anos. Mostra-nos as consequências da sua prisão (e aqui começa a genialidade, porque esta aparentemente simples história coloca uma série de elementos que o autor aproveita para expandir mais à frente), como é libertado, a sua "vingança", e como tenta recuperar os seus artefactos de poder.

Algumas das histórias aproveitam para entrelaçar pedacinhos do universo DC entre elas; e o caminho que Morpheus percorre é longo e complexo. As minhas histórias favoritas deste volume incluem a em que Morpheus desce aos infernos para recuperar o seu elmo, e a batalha que trava para esse efeito; a história "24 horas", pelo conceito e pela degeneração entre um grupo de pessoas (assustadora); e a última história, em que o Morpheus está com pena de si próprio e a sua irmãzinha, a Morte, vem dar-lhe nas orelhas para parar de ser parvo (é interessante por mostrar as possibilidades da Morte e as suas várias facetas).

Segundo volume, Casa de Bonecas: é maioritariamente a história de Rose Walker, uma jovem relacionada com uma situação que ocorre devido à prisão do Sonho, e a sua procura pelas suas raízes e pelo seu irmãozinho raptado. Achei que a história tinha algum sentido de humor - afinal, há uma "conferência cereal", que mais não que é uma reunião de... serial killers. Explora algumas potencialidades fascinantes do mundo do Sonho.

O volume tem duas histórias intercaladas. A primeira é sobre uma mulher que amou o Sonho. (E quão bem isso correu. O Morpheus parece um idiota nesta lenda, pelo menos como é contada. Mas é bastante inteligente o modo como é enquadrada.) [Isto vai voltar no quarto volume. É fabuloso pensar nestas ligações todas.] A segunda história é sobre um homem a quem é concedido viver enquanto não desejar morrer, e os seus sucessivos encontros com o Sonho ao longo dos séculos. Muito giro ver como às vezes ele estava em alta, outras em baixa. Destacam-se as aparições de William Shakespeare e de uma antepassada do Constantine. E é engraçado ver o último reencontro deles, pelo que havia acontecido no anterior.

Terra do Sonho, o terceiro volume, reúne quatro histórias soltas com aparições do Sonho (na última, da Morte), explorando o mundo fantástico criado na série. Creio que gostei mais das duas primeiras que das últimas duas. A primeira, Calíope, é sobre uma das musas, aprisionada por homens egoístas e brutais (a sério, que vontade de lhes apertar o pescocinho) para aproveitarem a sua capacidade inspiradora. A segunda, Um Sonho de Mil Gatos, é tão gira pela presença dos nobres felinos, pela sua ligação ao mundo do Sonho, e pela compreensão da natureza felina.

A terceira história, Sonho de Uma Noite de Verão, é sobre William Shakespeare (que já tínhamos visto no volume 2) e a sua trupe de actores, que representa a peça homónima para uma audiência... especial. (As fadas mencionadas na peça.) Acho que apreciaria mais se estivesse familiarizada com a peça. Afinal, isto fez a proeza de ganhar um World Fantasy Award. A última história, Fachada, tem elementos interessantes, mas acho que apreciaria mais se estivesse mais familiarizada com a personagem principal.

O último volume, Estação das Brumas, tem uma premissa brutal: o Sonho percebe que foi um idiota com a Nada, a mulher que amou e que apareceu no segundo volume; e deseja retornar ao Inferno para tentar ajudá-la. De caminho, Lúcifer, para se vingar da fuga do Morpheus no primeiro volume, cria um plano inusitado: esvazia o Inferno e oferece as chaves ao Morpheus. (A vingança serve-se fria.)

É claro que algum caos e hilaridade se seguem. Uma série de deuses, panteões e seres míticos interessam-se pela posse do Inferno, e oferecem e ameaçam o Sonho para lhes dar o dito cujo. É muito engraçado seguir a estrutura da história ao longo de todos oferecerem a sua dádiva. (Ou fazerem a sua ameaça.) Gosto da resolução dada, faz sentido, vai para quem menos irá desviar o curso das coisas. E no início do volume temos uma reunião entre os vários Eternos (menos um), que foi cativante de acompanhar para os conhecer melhor.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Curtas: Kindred Spirits; Por Sorte, o Leite

Kindred Spirits, Rainbow Rowell
Céus, este conto é adorável. A Elena é uma fã dos filmes Star Wars por influência do pai, e previamente ao lançamento de The Force Awakens, o filme mais recente, decide juntar-se à fila para o cinema antes de o filme estrear. Só que a celebração de fãs que a Elena esperava não é bem o que acontece...

O que eu gosto no conto e até noutras histórias da Rainbow é que ela reflecte no que é ser fã de algo, que não há certos ou errados quanto a ser fã de uma coisa. Todos gostamos de alguma coisa, todos gostamos de exprimir apaixonadamente esse gosto. Simplesmente encontramos formas diferentes de o fazer.

A Elena exprime o seu gosto por, e tem uma relação com Star Wars diferente da que os outros fãs da fila têm, e isso está bem. É divertido conhecer estas pessoas e ver o que fazem nos dias anteriores à estreia, por poucas que sejam.

O fim do conto é tão, tão bom. Super adequado. De certo modo já estava à espera, depois de tanta antecipação, mas foi muito bem vindo, e muito bem pensado.

Por Sorte, o Leite, Neil Gaiman, Skottie Young
Um livro para crianças, para ler aos filhos, claramente, porque tenho a sensação que isto lido em voz alta deve ser altamente hilariante. A história é muito ao género deste tipo de livro, com repetições de temas e acontecimentos, e uma evolução da história com crescentes reviravoltas até ao clímax do final da história.

Onde esta brilha é na fantástica imaginação do autor: esta é uma história que mete extraterrestres, piratas, tribos que fazem sacrifícios a vulcões, e vumpiros. (Sim, vumpiros.) Ah, e mais importante que tudo, viagens no tempo. Adorei esse elemento porque flui mesmo bem e as reviravoltas estão bem montadas.

Adorei acompanhar a história que o pai contou das suas aventuras e crescentes desventuras; e adorei os filhos, sempre a tentar apanhá-lo em falso. O final tem uma piada especial que é revelada na última imagem. E por falar na arte, tão gira. O Skottie Young tem este estilo meio doido mas tão apelativo.

A única coisa de que me queixo é a alergia que os editores portugueses em geral têm a meter um advérbio nos títulos dos livros, porque realmente "Felizmente, o Leite" soa-me melhor. ("Afortunadamente, o Leite" ainda era mais fixe, mas isso já era demasiado complicado para este pessoal. E não estou a falar dos miúdos.)

A repetição da expressão é feita vezes sem conta na história (afinal no meio de tantas peripécias, o pai esforça-se para regressar aos filhos e levar-lhes o leite), e até lhe é dada uma volta, quando as coisas não correm tão bem - fortunately passa a unfortunately, sorte passa a azar, mas felizmente podia perfeitamente passar a infelizmente.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


Opinião: O Oceano no Fim do Caminho é um livro encantador e singular sobre a natureza da memória e o mistério da infância. Com uma estrutura original, a de um narrador adulto que navega nas águas da memória para recontar uma história da sua infância, acaba por se destacar por isso mesmo. A minha primeira experiência com o autor em ficção narrativa e a solo deixou por isso boas memórias, e provavelmente não será a última.

O narrador, encontrando-se numa encruzilhada da sua vida, dá por si a encaminhar-se para um local de infância onde tudo mudou, deixando uma marca indelével. E nesse local, o narrador revê um momento da sua infância, terrível e belo, que acabou por definir a sua vida a partir daí. Achei este enquadramento muito interessante, porque permite-nos questionar sobre a qualidade da memória. Sobre aquilo que nos lembramos da nossa infância e quanto dessa lembrança está colorido por uma série de factores.

Gosto do tom subtil de fantástico da história. Não é uma coisa óbvia, e faz parte do quotidiano. Não é alardeada nem nos bate na cara até reparamos nela. Simplesmente é. Apreciei a caracterização das Hempstock como a tríade mística da donzela, da mãe e da velha. E de conhecer coisas mais velhas que a própria terra, coisas que habitam os pesadelos e os recantos mais sombrios.

Outra coisa que apreciei é o retrato da infância. A sensação de liberdade e de impotência. O narrador vê-se numa situação complicada, e o pior é que não pode pedir ajuda aos adultos. Ninguém vai acreditar nele. Esse sentimento de impotência é muito interessante e dá uma maturidade ao rapaz de 7 anos que nos conta a história.

A sensação de nostalgia que a história deixa é significativa, mas também tenho a sensação que a conseguiria apreciar mais se fosse um pouco mais velha, se tivesse um maior distanciamento da minha infância. A história está construída como uma ode à nostalgia da infância, e não tenho ainda a idade suficiente para ter saudades da minha infância. Nesse aspecto, acho que gostaria de reler o livro daqui a uns bons largos anos, para ver se a minha perspectiva muda.

Título original: The Ocean at the End of the Lane (2013)

Páginas: 184

Editora: Presença

Tradução: Rita Graña

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 1 e 2

Desde o ano passado, com a publicação da Colecção Heróis Marvel (Série I e Série II) pela parceria Levoir/Público, que ficou a expectativa de se fazer uma colecção semelhante para a DC. Que chega agora às bancas, à Quinta-feira, para apresentar uma série de histórias seleccionadas de vários personagens da editora. Estou bastante curiosa, conheço muito menos a DC e espero que esta colecção ajude um pouco a preencher essa lacuna.

Em jeito de primeiras impressões, parece-me que a qualidade de edição se mantém. A capa dura, o papel (que é tão bom que me cortei nele, coisa que nunca me acontece), e a impressão parecem-me igualmente bons. Nota-se uma diferença no número de páginas - ambos os livros que já li (e comentarei a seguir) têm talvez umas vinte páginas a menos que a média da colecção da Marvel. Calculo que é uma escolha calculada para manter o preço de capa (8,90€) e não ter de o subir.

Nota-se mais algum trabalho nas capas (algo que já se via na Série II, acho eu), com o uso de imagens "por trás" do fundo a cores e a preto. (Se bem que passava sem esse artifício no fundo preto. Pelo menos na lombada, onde fica estranho.) Tenho é saudades do símbolo do herói que colocavam nas lombadas da colecção da Marvel. Acho que aqui também podiam tê-lo feito. Não sou a maior fã do fundo azul para ambas as capas, pela repetição da cor e pelo símbolo da DC, que já é azul e se "perde" um bocado no meio da capa.

E agora sobre o nome da colecção - para a Marvel o ano passado eram "heróis", este ano para a DC são "super-heróis"? Mas isto  aqui há filhos e enteados ou alguém está aqui a tentar compensar alguma coisa? (LOL) Fora de brincadeiras, isto não me incomoda por aí além, mas fiquei intrigada com a mudança. Talvez tenha algo a ver com exigências da editora? No blogue de um dos organizadores da colecção há uma referência a exigências da DC quanto ao que podia ser abordado nos editoriais, por isso imagino que hajam outras directivas que tenham condicionado a produção da colecção.

Liga da Justiça - Terra Dois, Grant Morrison, Frank Quitely, Ed McGuinness
Gostava que tivesse havido alguma homogeneidade no uso da expressão "Terra Dois/2" ao longo do volume. Compreendo que o original em inglês é "Earth 2", e também compreendo que tenham preferido ter o 2 no título por extenso para evitar confusões com as histórias que estiverem divididas por dois volumes, e que são distinguidos com os numerais. Mas então que ficasse "Terra Dois" pelo livro todo, bolas, que confusão. É que fica a sensação que se está a falar de dois conceitos diferentes.

Gosto muito da premissa desta história, porque apresenta as histórias de super-heróis e as noções duais de bem e mal sob uma nova perspectiva. É muito interessante ver a inversão de papéis e acontecimentos entre as duas Terras, as reviravoltas que ocorrem devido a nesta outra Terra o mal vencer sempre, em vez do bem. Quis ler mais sobre este mundo, soube-me a pouco e acho que seria fascinante conhecê-lo.

Sobre a arte, não sou a maior fã do desenhador. Reconheci-o da série Novos X-Men e não gosto muito da maneira como desenha as caras. Faz os olhos muito pequenos, desproporcionais para o tamanho da cara, e não têm expressividade nenhuma. Os olhos dos personagens parecem-me todos iguais e dão a sensação que estão sempre todos zangados.

Sobre a segunda história, JLA: Classified, não me captou tanto a atenção. Gostei da ideia de conhecer uma equipa de super-heróis que não a JLA, mas senti que estava a começar a história in media res e que não havia suporte suficiente para um leitor ocasional se aperceber de certas coisas. De onde veio esta equipa? De onde veio o vilão? A situação que tem de ser resolvida é apresentada de forma desconexa e não ajuda a perceber as coisas.

Por outro lado, gostei muito da arte, particularmente do dinamismo do desenho e do trabalho com as vinhetas e a sua orientação na página. Lembro-me de uma página em que as vinhetas eram as faces dum cubo em perspectiva isométrica. Ou uma em que as vinhetas eram o símbolo do Batman. Ou umas páginas com 4x4 vinhetas.

Batman - Herança Maldita, Grant Morrison, Neil Gaiman, Andy Kubert
A história titular, Herança Maldita, acaba por ser outra que me deu a sensação de lhe faltar um bocadinho de trabalho expositivo e de começar a história a meio. Achei a história apressada e que podia ser melhor desenvolvida. É uma ideia interessante, a do Batman ter um filho. Mas nem sequer vemos grande reacção do Batman a isto.

A história é só basicamente o puto a arranjar sarilhos, dar cabo do Robin e no fim o Batman aperceber-se dos motivos ulteriores da mãe do miúdo. E fim. Quero dizer, acontece uma coisa séria ao Robin, mas a história rapidamente varre-o para baixo do tapete e não há impacto emocional nenhum. Por outro lado, em termos de arte, gostei do trabalho de sombras e de algumas vinhetas de página inteira.

No entanto, adorei a segunda história, O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?. É uma ideia tão, tão boa - apresentando na mesma história uma reflexão sobre a mortalidade do Batman, a natureza cíclica das histórias de super-heróis, e como a diferente perspectiva das pessoas forma memórias diferentes. As histórias contadas no funeral são fascinantes de seguir (especialmente a do Alfred, o mordomo). Uma história mesmo boa, 5 estrelas.

A arte agradou-me, aqui também pela projecção das vinhetas na página e do uso das silhuetas do Batman. A coloração tem em geral um tom escurecido, mas adequa-se à história.