quarta-feira, 15 de abril de 2015

The Return, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Estava um pouco incerta do que esperar deste livro. É um spin-off duma série anterior da autora, a série Covenant (que já terminou), e cheguei à conclusão que gostei muito de a seguir. O que resulta em recear esta nova série, porque o foco é ligeiramente diferente, sendo que personagens adorados não voltam ou não fazem uma aparição no livro.

Também há o facto de o Seth ser o protagonista, o que é algo estranho porque eu sempre estive dividida quanto ao que pensar dele. E depois, tinha as minhas dúvidas quanto a haver história ou mitologia para explorar neste mundo. (Para não falar de que detestei, com a fúria de mil sóis, um dos últimos livros que li da autora, quando costumo gostar bastante do que ela escreve.)

Quanto ao (pen)último aspecto, não precisava de recear. Há algumas lacunas na mitologia explorada na série anterior (uma ou outra já me tinha ocorrido), e são suficientes para criar uma base sólida para esta série/trilogia (acho que está anunciada como trilogia). Gosto mesmo da natureza do que a Josie é, e de que aprendemos sobre ela e outros como ela. Além disso, a questão dos Titãs ficou em suspenso na série Covenant, e por isso é muito bom vê-la aqui explorada, com vista a ser resolvida, suponho (e espero).

Só gostava que houvesse um pouco mais de tempo de antena para esta exploração do mundo e do enredo. Eu sei que os géneros primários do livro são New Adult e Romance Paranormal, ambos com bastante foco no romance, e no geral gostei desse aspecto, mas a verdade é que afasta do worldbuilding e do avançar da narrativa (que se foca mais numa viagem de fuga e chegada a um santuário, com um momento de perigo como clímax, tudo para avançar o romance), e pergunto-me como este vai evoluir nos próximos livros, já que a parte do romance ficou bem encaminhada.

Detestaria ler conflitos românticos desnecessários, criados só para manter a história dos livros seguintes. Além disso, apesar de não ser muito óbvio, parece que o enredo vai evoluir numa direcção com bastante acção, e gostava que o drama amoroso (por favor, um triângulo não!) não afastasse a escrita deste aspecto da narrativa.

Apesar de não termos a presença de dois personagens que eu matava para voltar a ver, ou ler, eles estão muito presentes na narrativa. A Alex, particularmente, pela sua relação com uma boa parte dos personagens que realmente aparecem na história. A sua presença sente-se em muita coisa, especialmente porque as suas acções levaram os acontecimentos até aqui, e porque a sua relação com o Seth é o motor para o estado em que ele está no livro.

De qualquer modo, voltam muitos favoritos. O Apollo, que mostra um lado novo dele, mas continua inconveniente como sempre. O Deacon e o Luke, que são um casal adorável, e que recebem a Josie fabulosamente. (E adorei que fosse o Deacon a contar à Josie da Alex. Claramente o Seth não estava num ponto em que podia deitar aquilo tudo cá para fora, e o Deacon também tem direito à história, por estar relacionado com os envolvidos.) Ah, e o Marcus, de quem - como a Alex - aprendi a gostar, particularmente nos últimos livros, pela relação que desenvolve com a sobrinha. É sempre uma presença sólida, mesmo na face da tragédia.

É algo interessante ler o ponto em que o Seth está. Oh, ele continua a ser um idiota em muitas coisas, e continuo com a vontade ocasional de que lhe caia qualquer coisa em cima, mas depois tem uns momentos adoráveis que são desarmantes. É tão estranho, mas no bom sentido, acho. De qualquer modo, gosto muito da caracterização que a Jennifer lhe dá no livro. Explica bem o estado mental dele depois das suas acções terríveis, e mais ainda, esclarece a sua história e como ele veio a ser a pessoa que é. Sem o desculpar, o que não é nada mau; apenas dá uma ideia clara de como veio parar aqui.

Além disso, é muito divertido vê-lo com a Josie, ver a sua relação evoluir, e vê-lo transformar-se num grande e fofo ursinho de peluche no que toca a ela. Bolas, a certa altura ele até acha que se está a transformar no Aiden, o que me fez morrer a rir, porque eles eram tão antagonísticos um com o outro que a noção de terem algo em comum é demasiado boa.

Gostei da Josie como protagonista. É um bocado difícil vir na esteira de alguém como a Alex, que é tão expansiva e cheia de personalidade, e uma protagonista difícil de esquecer. Alías, dei por mim ocasionalmente a compará-las, ou a lembrar-me da Alex e do que faria nessa ocasião - especialmente pela ligação que ambas partilham (e não é o Seth). Mas a Josie ganhou-me o coração aos poucos, e acabei a gostar bastante dela.

É bastante fácil de perceber o que ela está a passar, e ela reage de forma relativamente credível, e melhor, exige ser treinada para se defender, para nunca mais ficar, ou sentir-se, indefesa numa luta. Só faltou que ela pudesse usar essas capacidades duma forma prática, mas espero que o seu novo estado e o evoluir do enredo que se prevê lhe traga alguns momentos de acção.

Em suma, acabou por ser uma boa leitura, e uma boa e muito bem-vinda surpresa, especialmente depois da minha experiência anterior com a autora. Gostei do que ela está a tentar fazer, apesar do género e do foco da história mudar um bocadinho, e estou intrigada com a exploração de novos aspectos deste mundo. Fico com vontade de seguir a Josie e o Seth na próxima aventura.

Páginas: 352

Editora: Hodder & Stoughton

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