domingo, 12 de abril de 2015

O Diário da Princesa VII e VIII, Sweet Sixteen Princess, Valentine Princess, Meg Cabot

Meg Cabot

Título original: Party Princess (2006) / Sweet Sixteen Princess (2006)
/ Valentine Princess (2006) / Princess on the Brink (2006)

Páginas: 308 / 96 / 96 / 256

Editora: Bertrand / HarperCollins / HarperCollins / Bertrand

Tradução: Sandra Esteves / - / - / Andreia Mendonça

Cada vez mais fico contente com a minha decisão de ir relendo os livros da Meg Cabot, já lá vai quase um ano. Esperava totalmente que a releitura me pudesse trazer algum tipo de desilusão ou desencanto, porque já não sou a mesma pessoa que era quando li da primeira vez. O que serviu para mim no passado podia não resultar agora, podia ser demasiado juvenil, ou demasiado irritante, ou pronto, demasiado afastado de mim.

Só que nada disso aconteceu. Quanto mais avanço na série, mais fascinada fico com a maneira como a autora planeou e evoluiu certas coisas. Como os eventos funcionam perfeitamente, como fazem sentido, como pequenos detalhes denotam o que virá a acontecer. Há uma certa caracterização dos personagens e dos acontecimentos que é brilhante, e fico muito impressionada que os livros tenham sobrevivido ao teste do tempo.

Nestes dois livros e duas novelas que os intercalam, seguimos a Mia num ponto crítico da sua história, prestes a chegar à recta final. Em A Princesa Vai à Festa, Mia descobre que a Associação de Estudantes a que preside está falida, quando precisam urgentemente de fundos para os eventos do final do ano lectivo. Além disso, o Michael vai organizar uma festa em casa, o que faz a Mia entrar em pânico, porque não é "uma rapariga de festas".

Em Sweet Sixteen Princess, uma história curta, Mia vai fazer 16 anos, um marco na sua vida, e parece que toda a gente tem uma opinião sobre o assunto, incluindo a Grandmère, que quer fazer da festa uma extravagância como as daquele programa da MTV sobre o 16º aniversário de adolescentes americanos. Já em Valentine Princess, a Mia encontra um diário antigo e somos levados para trás no tempo, até ao primeiro Dia de S. Valentim que ela e o Michael partilham - se ao menos o Michael concordasse em festejar o dia e não ser um completo cínico.

Em A Princesa em Mudança, encontramos o ponto de viragem da série. A Mia está à beira de um ataque de nervos com um novo ano, o comportamento excessivo da Lilly e da Grandmère, e muito, muito mais; e para ajudar à festa, o Michael recebeu um convite para ir viver para o Japão desenvolver uma tecnologia que criou e que pode vir a mudar o mundo - o que quer dizer que ele e a Mia estariam separados e a namorar à distância durante um ano ou mais.

A lição que mais aprecio que a série transmite é a de que é ok fazer asneiras. Passar-se da cabeça, enervar-se com as coisas, não conseguir resolvê-las à primeira. Ter inseguranças, e lidar mal com as circunstâncias. A Mia pode ser uma princesa, mas ainda é como todos nós. É uma adolescente, uma miúda inexperiente e em muitos casos atirada para situações que não está preparada para enfrentar. Através dos seus erros podemos aprender, e podemos aceitar errar.

Gosto muito de ver a evolução dela ao longo da história. Achei que ia achar a Mia irritante com os seus dramas, mas acabei por engraçar com ela, entendê-la, perceber como é que ela funciona, e como é que isso evolui para os dramas que parecem tão exagerados, mas que acabam por se resolver de modo simples. Isso acaba por culminar na "implosão" que ela tem no nono livro, e achei interessante a caracterização de ansiedade crónica que a autora apresenta. Acaba por ser subtil e construída ao longo de tantos livros, mas as acções da Mia acabam por fazer muito sentido.

Adoro o grupo de amigos da Mia, e gosto tanto da ideia de terem vindo a crescer, a juntar-se aos poucos ao grupo. Mostra como uma miúda discreta e introvertida como a Mia acaba por ser o centro da reunião de pessoas tão díspares, e de como ela consegue gerar consenso. Adoro a Tina, e como ela se juntou com o Boris e eles se dão tão bem, e a Shameeka tornada cheerleader que não deixou o seu grupo, e a Ling Su artista e a Perin com a sua ambiguidade.

Desta vez junta-se ao grupo um rapaz que eles conheciam como o rapaz que não gostava de milho no chili, e é curioso ver como alguém sobre quem tinham certas expectativas e preconceitos acaba por se revelar algo diferente e novo. Sei o que acontece com o J.P., e por isso posso apreciar certos pontos do seu comportamento que revelam coisas que viremos a descobrir, mas também é divertido apreciar a sua integração no grupo.

Volto a falar, mais uma vez numa opinião, na Lilly e na amizade com a Mia. Gosto de ver os pequenos detalhes da sua relação, e de como certas coisas demonstram que elas não funcionam bem juntas. A Lilly é muito assertiva, meio mandona, algo manipulativa, e como a Mia ainda está a tentar aprender a ser uma líder, deixa-se muito facilmente arrastar pelos esquemas e manipulações dela. A Lilly tem também um comportamento completamente inadequado e impositivo, e espantoso é como as coisas não haviam explodido antes. Só quando a Mia tem um acumular de problemas, e um momento de fraqueza, é que as coisas descarrilam.

Sobre a Mia e o Michael, oh céus, eu adoro-os, são muito giros, e no seu melhor fazem um bom casal. Gosto de como se aproximaram, de como são diferentes e em posições diferentes da vida, e ainda assim conseguiram encontrar-se e juntar-se. Só que também é óbvio que este não é o momento certo para eles, e portanto a notícia do Michael ir para o Japão é apenas a machadada final.

É que por um lado, a Mia não está preparada para ter a maturidade que uma relação com o Michael, mais velho, pede. E o Michael, bem, não está preparado para fazer concessões. É muito dogmático, recusando-se a fazer coisas contra as quais tem algum problema insignificante, e que podia experimentar fazer porque são importantes para a Mia. No caso do Dia dos Namorados, ele acaba por admitir que é um palerma, mas há muita coisa em que não cede, e há muita coisa a que é alheio, e é claro que assim as coisas não correm bem.

Desta vez, não me posso queixar da tradução, porque comparando a minha experiência com as anteriores, esta foi muito calminha. Gostei da tradutora do sétimo volume, porque fez um bom trabalho, e porque retomou o hábito das notas de tradução, e me lembrou um pouco do Mário Dias Correia, o tradutor dos dois primeiros livros, e que tinha um trabalho fantástico. A tradutora do oitavo livro tentou fazer as notas também, mas é capaz de ter abusado um bocadinho, e também dei por algumas frases mais estranhas.

Enfim, a partir daqui estou com a vontade toda para a leitura dos volumes finais, por trazerem o fim da história, ou pelo menos deste ciclo, e porque sei que gosto de como as coisas terminam, por isso sei que a leitura vai ser um prazer, dramas incluídos.

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