sábado, 15 de julho de 2017

Roar, Cora Carmack


Opinião: Gosto muito da Cora Carmack. Sempre tive a ideia que, mesmo tendo ela começado a sua carreira a escrever romance contemporâneo na categoria New Adult, o seu coração estava na fantasia. (Mais ou menos como o meu. Gosto cada vez mais de contemporâneo, mas fantasia é o meu favorito.) Não tenho a certeza se terei razão quanto ao favoritismo dela pela fantasia, mas estava brutalmente curiosa por lê-la no género, e por isso, este livro era algo muito antecipado.

O veredicto? Passei os dias da leitura completamente obcecada com ele. Nem consigo explicar porquê, exactamente: se pesar bem as coisas, há alguns aspectos que ela podia trabalhar melhor, ou pormenores que se fosse outro autor a fazer, eu já estava a trepar às paredes. (Ou a malhar nele.)

Só que há qualquer coisa na maneira como a Cora escreve. Ela escreve com uma honestidade e realismo emocionais; é possível identificarmo-nos com os seus personagens, com o seu percurso, e a sua caracterização é cativante e fantástica. Simplesmente, faz dos seus livros algo completamente imersivo para mim.

Este livro passa-se num mundo dominado por tempestades elementais; cheias de magia, há pessoas que se dedicam a derrotá-las e coleccionar a sua magia. Quantos mais tipos de tempestades enfrentarem, mais versáteis serão as suas capacidades. E oh, parece tão simples mas adorei este worldbuilding. Não é muito comum vê-lo ser construído desta maneira, e o seu conteúdo é fascinante. Só de imaginar as possibilidades! Estou enamorada.

Aurora é uma princesa de uma cidade-estado regida pela sua família. Só as famílias reais têm poderes mágicos para lidar com as tempestades, que se transmitem hereditariamente. (Ou assim a Aurora pensa.) O problema da Aurora? Ela não mostra ter nenhuma gota de magia. É um facto altamente escondido por ela e pela mãe, a rainha; e um casamento arranjado com um príncipe de outra cidade poderá resolver o problema delas, de quem protegerá a cidade das tempestades no futuro.

O enredo começa a rolar quando a Aurora descobre que as coisas não são bem assim, e que muito do que sabe sobre o mundo é errado ou cheio de lacunas. Isso faz com que ela fuja de casa e se junte a um grupo de caçadores de tempestades, e o mundo abre-se para ela num largo campo de oportunidades.

E aqui é que vem o ponto principal: gostei mesmo, mesmo da Aurora. Ela foi muito protegida toda a vida, e é ingénua e inexperiente nalgumas coisas, mas não é parva nenhuma. Sabe cuidar de si, é decidida, sabe procurar o que quer e precisa, sabe aceitar que não sabe tudo e procura aprender com quem sabe.

Nas mãos doutro autor, a ingénua seria uma parvinha; ou tentaria esconder a inexperiência com arrogância e ser uma personagem irritante. Qualquer destas abordagens é aborrecida para mim porque foi usada até à exaustão. Em face disso, o que a Cora faz é refrescante.

A Aurora pode não saber nem uma fracção do que há para saber sobre tempestades, e pode não ter experiência da vida fora do palácio; mas sabe defender-se, luta bem, tem uma curiosidade natural e educou-se extensivamente. Tem confiança no que sabe fazer, e tem confiança suficiente para aceitar o que não sabe fazer, e deitar-se a tentar corrigir isso. Adoro isso.

Outro aspecto meu favorito do livro é a relação da Roar com um dos caçadores de tempestades, o Locke. Ele é um pouco irritante em certas alturas, todo armadão em alfa, e fico feliz que na maioria do livro não embarque nisso, porque daria comigo em doida...

Oh, mas é tão divertido vê-los juntos. Começam de uma relação de, ermmm, "ódio", sempre a implicar um com o outro e a discutir (ao ponto de os outros caçadores se divertirem a observá-los), e quando damos por nós estão às beijocas a tentar perceber como é que lá foram parar. Este género de relações é tão divertida de acompanhar, e aqui é adoçada por ver que a Roar é incrivelmente capaz e impõe-se, defendendo as suas capacidades, e não deixando que façam gato-sapato dela. A maneira como o desafia é fabulosa e hilariante. (Especialmente pelas discussões deles.)

Em adição, gosto bastante do elenco de personagens secundários. A Nova é uma personagem fantástica, amiga da Aurora, mas que tem os seus próprios problemas, e gosto que a Cora lhe dê tanta densidade de caracterização. E o grupo de caçadores de tempestades é amoroso de seguir, e rico em caracterização e variedade, e adorei segui-los.

Se tivesse que apontar um defeito, apontaria para o desenvolvimento do enredo. A narrativa é muito claramente uma de descoberta e desenvolvimento, e não há nada de errado com isso; mas o arco de história maior da série é abordado muito pela rama: há demasiadas questões que podiam ser apresentadas, como o vilão, e as suas motivações, e o que se passa em Pavan, e as motivações da família real de Locke. Adoro intriga política, e podia tê-la desenvolvido mais, porque a história presta-se a isso.

Faltou-lhe preparar o próximo livro mais claramente; e gostaria que o fim fosse, bem... que não fosse tão aberto. Ou que fosse um cliffhanger, ou que fechasse mais a história. Os personagens ficam a meio duma transição, e é um pouco desconcertante, especialmente porque a Roar ainda não revelou a sua identidade aos outros, mas estão a encaminhar-se para Pavan novamente. (No entanto, estou mesmo curiosa para ver como isso vai decorrer.)

Em suma, passei os dias da leitura totalmente a fangirlar acerca do livro. Tem os seus altos e baixos, mas maioritariamente tem altos muito bons e que me caíram mesmo bem. A Cora escreve duma forma que ressoa comigo, e estou aqui a torturar-me com a ideia de esperar um ano pelo próximo livro. Sei que vai valer a pena.

Páginas: 384

Editora: Tor Teen

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