sábado, 23 de janeiro de 2016

Harry Potter e a Ordem da Fénix, J.K. Rowling


Opinião: Ah, às vezes esqueço-me que este livro é tão tremendamente dramático e terrivelmente divertido, à sua maneira. O Harry está com um feitiozinho de cão, a gritar com toda a gente, em parte devido às hormonas e à frustração da sua situação, em parte devido a, hmmm, uma influência indevida. Rapazes adolescentes de 15 anos, que saudades... nem por isso, ehehe.

Acho que é por isso que vejo tanta gente a queixar-se que este é o seu livro menos favorito da série, mas acho que é por isso que gosto tanto dele. Há uma honestidade emocional na descrição de todo este drama, e gosto que a autora não se tenha esquecido do crescimento dos seus personagens e de nos mostrar esta parte dele.

Diria que o livro é frustrante e divertido por causa da Umbridge. Oh, odeio-a, e todas as coisas horrendas que ela inventa para fazer em Hogwarts, mas o estado de guerra em que coloca as pessoas na escola, a resistência passiva que todos vão oferecendo conforme a situação escala... é lindo de ver a Professora McGonagall chamá-la para resolver uma situação simples só para gozar com a cara dela. Além disso, dá aos gémeos Weasley oportunidade de protagonizar uma das cenas mais épicas de toda a série. Suponho que podemos dizer que temos algo que agradecer à Umbridge. Que ideia perturbadora.

Como disse, adoro a resistência que se gera em Hogwarts à Umbridge, e uma das minhas partes favoritas é a criação da Escola de Defesa/Exército de Dumbledore. Gosto tanto destes miúdos por terem metido mãos à obra e tentado aprender sozinhos aquilo que não lhes era ensinado.

Gosto dos dramas adolescentes, e gosto ainda mais de quando a Hermone, pobrezinha, tem de interpretar a Cho para o Harry, ou interpretar as raparigas em geral para as mentes inexperientes do Ron e do Harry. A minha querida Hermione está tão madura, e as cenas em que ela tem de explicar aquilo que parece óbvio são tão giras.

Não gosto que o Harry arranje maneira de ser expulso da equipa de Quidditch. Essencialmente ele só esteve presente uma vez, de todas as que os Gryffindor ganharam a taça, o que me entristece. Aqui nem sequer vemos o jogo, porque a Jo é má o suficiente para nos distrair com outra coisa. Nunca vi o Ron ter o seu momento de glória! Sinto-me defraudada. Contudo, gosto da ideia da Ginny estar na equipa, e se revelar mais madura. A minha Ginny está tão crescida!

Há uma série de pequenas coisas que descobrimos, como o hospital de S. Mungo, que eu aprecio descobrir. Os pais do Neville, o professor Lockhart. A história do Sirius e a família que teve. É perturbador lembrar que é primo da Bellatrix Lestrange e da Narcissa Malfoy.

A cena que é descrita como a pior memória do Snape é-nos revelada, dando uma imagem nada boa do pai de Harry, James. É interessante ver como isto também é uma perda de inocência. Temos os pais num pedestal, uns mais que outros (o Harry mais, porque nunca os conheceu), e é revelador perceber que são humanos como todos nós, falíveis e com defeitos e feitios que podem não ser abonatórios em todos os momentos.

Além disso, é uma cena interessante sobre o que diz sobre os Salteadores. O Peter Pettigrew era uma ovelha, a seguir os outros sem opinião própria; o Lupin demasiado metido consigo próprio, demasiado contido e com os seus problemas, para se impor. O Sirius tinha uma situação familiar problemática, e talvez por isso o James faz o que faz - ainda que pouco assisado, e terrivelmente estúpido, é a maneira que encontra de puxar pelo amigo. Acredito que tenha crescido e ganho juízo, mas espero que se arrependesse das suas acções.

Falando no Sirius, acho que nunca fiquei sentida ou impressionada pelo que lhe acontece no fim. Vemos como as circunstâncias dele são complicadas e as perspectivas nada melhores. Vemos como tudo na parte final descarrila tão perfeitamente. Um final trágico era a conclusão óbvia, e acho que sempre estive à espera que acontecesse o livro todo. Por isso, não me chocou, propriamente, mais como que... entorpeceu.

O seguimento natural disto é eu lamuriar-me de quão estúpida a parte final é. Uma grande parte dos livros desta série envolvem os miúdos meterem a mão na massa e entrar em acção, porque não confiam nos adultos que os rodeiam. Por várias razões, não se mostram merecedores de confiança, e isso leva o grupo de jovens a agir.

É claro que aqui, numa situação tão urgente, e estando o Harry com dificuldade em tomar decisões razoáveis, é asneirada atrás de asneirada. Dá-me vontade de partir qualquer coisa, pensar que em vez de meter a cabeça na lareira, o Harry podia ter viajado mesmo com ela, e percebido o que realmente havia em Grimmauld Place.

Ou quando são apanhados, podiam ter dito toda a verdade, aquilo que acreditavam, que o Sirius estava no Ministério, à Umbridge. Seria a melhor maneira de o ajudar, na verdade, porque todos os recursos do Ministério iam para lá, viam o Voldemort, acreditavam nele, e ainda safava-se o Sirius, porque a razão pela qual foi preso se revelaria falsa. MAS NINGUÉM PENSOU NISSO, RAIOS??? Não, tínhamos de inventar uma ida à floresta que só perdeu tempo. Grrrrrr.

Acho fascinante a parte do Ministério, apesar do contexto, a exploração das salas do Departamento dos Mistérios. Gostava tanto de saber mais sobre o que fazem lá. Em adição, a cena tem uma boa dinâmica, muita acção, e quase temi pelo grupo de jovens, esperando que algo mau lhes acontecesse. O Neville porta-se de maneira brilhante, dá vontade de lhe dar um abraço, e acho que depois disto não dúvidas sobre porque é que está nos Gryffindor.

O último par de capítulos envolvem uma confissão do Dumbledore, para juntar a uma situação já de si pesada. Também é triste, porque esteve ausente durante tanto do livro, a achar que estava a fazer bem, mas esse afastamento foi responsável pelo curso dos acontecimentos. Se o menos o Harry soubesse o significado dos sonhos que tinha... são os erros de um homem falível, e é uma descida do pedestal para o Dumbledore também. Gosto muito do personagem, mas é bom saber que também pode enganar-se. Humaniza-o.

Não estou expectante para ler o próximo livro, apesar de ter coisas muito fixes, porque tem outro fim triste e pesado, e porque fui tão spoilada para aquilo que mo estragaram. Ugh. Não foi a mesma coisa ler pela primeira vez, sabendo o que me esperava. E eu até me dei ao trabalho de ler em inglês quando saiu, para não ter de esperar pela tradução.

Título original: Harry Potter and the Order of the Phoenix (2003)

Páginas: 756

Editora: Presença

Tradução: Isabel Fraga, Manuela Madureira, Isabel Nunes, Alice Rocha

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