quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

2015 em retrospectiva...

E vira o disco e toca o mesmo. Em 2013 queixei-me de alguma irregularidade nas opiniões e leituras, que coincidiu na altura com um início num novo emprego, e de certo modo aconteceu o mesmo este ano, se bem que não exactamente pelas mesmas razões. Sei que em 2013 tive de readaptar a minha rotina ao meu horário, e eventualmente a coisa foi ao lugar, porque não tenho memória de isto me dar tanta água pela barba como este ano.

Neste ano que passou realmente comecei a trabalhar num sítio novo, mas já estava mentalizada, adaptei-me lindamente à nova rotina. Nos primeiros meses nunca tive problemas em conciliar o blogue e as leituras com isso. Só quando houve algumas mudanças no trabalho, com uma pessoa a menos na equipa, horários meio doidos, horas a mais, ter de esperar para ter uma miséria de férias e outros que tais, é que isso deu cabo de mim.

Adoro o que faço, e não me arrependo de lá estar, mas gostava mesmo que as circunstâncias não tivessem sido as que tive durante a segunda metade do ano. O cansaço acumulado é muito, e é claro que isso me mata a vontade de postar aqui. Há semanas em que corre tudo bem, com 3 ou 4 posts, que era o ideal para mim, mas depois vem uma daquelas complicadas e estraga tudo, e sou capaz de passar a semana sem postar, por falta de vontade. Tenho horários diferentes todas as semanas, mas sei que conseguiria gerir isso bem melhor, se tudo estivesse normalizado.

Enfim. Parece que me queixei muito, mas é mais porque me frustra não conseguir fazer o que tenho planeado para aqui. De qualquer modo, as coisas parecem ter estabilizado, voltado ao normal, o que espero que me traga alguma paz de espírito para 2016. Quero recaptar o gosto e "pica" que me dá opinar, porque quando estou para aí virada, saem-me coisas que me deixam bastante contente por as ter escrito. Quando andei a rever algumas opiniões para escolher os favoritos do ano, fiquei mesmo animada, porque ainda me saíram boas opiniões, apesar de tudo, sejam mais positivas ou mais negativas. (Aliás, suspeito que sou mais coerente a explicar porque não gostei, do que o contrário.)

Quanto a rubricas, não consegui retornar a nenhuma, e acho que ainda me portei mais mal. Quase que abandonei Uma imagem vale mil palavras, sobre filmes e séries baseados em livros - vi muita coisa na segunda parte do ano que nunca cheguei a opinar, e gostava mesmo de ter opinado. O A rainha manda... morreu um bocado, mas aqui como depende de duas pessoas, quando ambas têm horários doidos, é mais difícil coordenarem-se. Gostava de voltar a ele, mas não depende só de mim.

Quanto a ter uma coisa que me sirva de diário de leituras, debati-me este ano muito com o que serviria melhor para mim. Como as coisas feitas por outros não têm resultado, desenhei em Janeiro de 2015 o meu próprio diário de leituras/blogger (imagem A), como se pode ver em cima, com todo o tipo de páginas que achei que poderia precisar para registar as coisas que habitualmente registo, e imprimi e mandei encadernar com arame em espiral.

O problema? A coisa não correu tão bem como esperava. Houve secções que ficaram largamente em branco, como os calendários mensais que tencionava usar para gerir lançamentos de livros e/ou posts no blog. Outras usei muito bem, e foram tremendamente úteis, o que me permitiu aprender muito para o que criei este ano.

Entre as coisas que achei úteis, contam-se a tabela para registar lançamentos em Portugal (B) e internacionais (C) de livros em que estivesse interessada ou de autores que sigo; uma tabela específica só para a Jennifer L. Armentrout (D), pela mesma razão, e porque ela lança livros como se não houvesse amanhã; uma série de páginas para acompanhar o desafio Meg Cabot (E), permitindo-me saber se já tenho o livro, se já li, e quando foi.

Em adição, nas páginas de listas (F) aproveitei para fazer wishlists e coisas parecidas, e nas páginas em branco fiz montes de notas aleatórias, testes das canetas que possuo (G), e ocasionalmente notas para opiniões e as opiniões em si (H). [Acabei por me deixar de tentar fazer notas e/ou opiniões para tudo à medida que leio. Não consigo funcionar assim.]

É claro que entretanto descobri a pólvora. Desenvolvi um amor desenfreado por papelaria e canetas, e agendas e planners (em parte já havia pesquisado algumas coisa sobre os últimos no início do ano, foi por isso que quis fazer o meu próprio diário), e foi a loucura. Bem, o interesse já existia lá no fundo, mas diria que acordei para as milhentas hipóteses por esse mundo fora.

Adquiri uma espécie de dossier-tipo-planner da Filofax, o Clipbook, neste modelo naquele verde lindo, que estava a um preço bastante atraente, e caiu-me a ficha: gosto mesmo é da customização, da adaptabilidade. Normalmente as agendas e diários de leitura não funcionam tão bem comigo porque são encadernados e têm um limite de páginas, e têm páginas pré-determinadas que muitas vezes não vão de encontro às minhas necessidades, e acabo por desistir a meio.

A solução passa mesmo por planners-dossier, porque posso adicionar coisas e tirá-las conforme o que me é mais útil. O pobrezinho do Clipbook acabou por ter de precisar de um descanso; queria meter mais páginas do que dava para colocar no bicho, e uns trambolhões na mochila mereceram-lhe um ligeiro entortamento da espinha com argolas.

Acabei por comprar outro produto da Filofax (A). É uma marca que até tem alguma representação em Portugal nas lojas, é bastante antiga e conhecida (ou pelo menos eu lembro-me de ouvir falar desde miúda), e parece ter produtos bastante resistentes e robustos, na sua maioria. Acabei por me interessar por um modelo destes, com capa em PVC, porque tenho muito medo de usar um modelo em pele e dar cabo daquilo tudo em três tempos.

Arrisquei-me. Tinha um vale de desconto da Staples, o que ajudou, e não me arrependo nada. Gosto do design, e da robustez da capa. Do elástico, da capacidade para muitas e poucas folhas, e do tamanho das folhas, A5, que me permitem escrevinhar muito mais. Sei que é o tipo de coisa que vou usar durante muito tempo, e melhor de tudo, consigo meter-lhe tudo e mais alguma coisa que precise de levar comigo.

De momento, tenho no planner o equivalente a um mês duma agenda para apontar os gastos e o balanço das contas, e doutra para apontar os meus horários e notar alguns acontecimentos da vida pessoal, a qual me entretenho a decorar (B). Com a pancada que tenho por coisas de papelaria, o que não me falta são autocolantes ou carimbos ou fita cola colorida (que é em si um mundo, basta pesquisar por washi tape ou masking tape no Google para perceber); no caso da altura do Natal parecia que a caixa onde guardo estas coisas tinha vomitado para ali. Agora tenho sido mais contida, e a página mostrada é um exemplo.

As páginas de lançamentos da Jennifer L. Armentrout (C) mantêm-se, mas como é possível ver arrisquei-me a adaptar as páginas que tinha criado no ano anterior e dar-lhes uma corzita para animar. Mantenho as páginas de lançamentos em Portugal (E) e Internacionais (F), que actualizo mês a mês, mas acrescentei uma página mais geral de lançamentos internacionais de autores/séries que sigo (D), e que transcrevo para (F) quando for oportuno.

As páginas da Meg Cabot (G) mantêm-se, só mais coloridas, assim como as páginas para listas (H). Tenho pelo meio bastante páginas em branco, ou pautadas (I), para notas rápidas; e uso um par de micas da marca para guardar post-its e alguns clips. Fora isso, a customização revelou-se também nos separadores (I) que vinham no Filofax, que eu revesti com papel de cores e padrões variados; e depois disso, laminei/plastifiquei e cortei à medida.

É engraçado, há tanto tempo que tenho um interesse por, e que vou juntando coisas de, trabalhos manuais e papelaria, mas com o gosto por arranjar um planner bonitinho que juntasse uma agenda normal e um diário de leituras que encaixe comigo, o interesse por este tipo de coisa explodiu. Já tinha guilhotina e laminadora, mas agora é que lhes estou a dar uso como nunca, e não resisto a um bom conjunto de canetas coloridas que possa vir a usar. A minha paixão por boas canetas neste momento é lendária.

E pronto, já discorri o suficiente sobre a minha nova pancada. Também é responsável por eu dedicar menos tempo a ler e opinar, de certo modo. No meio disto tudo, só me falta apontar algumas estatísticas:

  • Li 172 livros, um bocadinho menos que nos anos anteriores, mas em linha com o ano mais complicado que tive;
  • Acho que é desnecessário discorrer sobre todos os cálculos de médias de livros e páginas por mês, ano e dia que costumo fazer (por ser uma totó e adorar programar estas coisas no Excel), e outros que tais, o que interessa é que são provavelmente todas mais baixas, mas não faz mal e não me preocupo muito com isso, todos os anos têm um ritmo diferente;
  • Livro mais longo: fácil, Winter da Marissa Meyer com 832 páginas, seguido muito lá atrás pelo Queen of Shadows (656 pág.) da Sarah J. Maas;
  • Livro mais curto: o das Short Stories da Meg Cabot (39 pág.), seguido de Project Princess (Diário da Princesa 4,5), com 64 páginas;
  • Os melhores meses de leituras, em quantidade, foram os de Verão, altura de menos movimento no trabalho, e os piores foram os meses agora mais para o fim do ano, já a acusar o cansaço;
  • Géneros mais lidos: o contemporâneo, sem dúvida, com 47 livros, seguido muito lá atrás pela Fantasia, mais representada pelo Paranormal/Urbano (17 livros);
  • Claramente tive um aumento nos livros que são continuações de séries e uma diminuição nas novas séries, o que para mim é muito bom, é um passo no bom caminho para diminuir a TBR (To Be Read) List;
  • No entanto, continuo a dar igual preferência aos novos livros adquiridos e a deixar para trás alguns outros do ano anterior - havia alguma melhoria de 2013 para 2014, que estabilizou -, só estou melhor a ler livros por outras vias, como emprestados ou via serviços como o Marvel Unlimited;
  • Editoras mais lidas: os culpados óbvios - editoras de BD como a Marvel (26), DC (11), Image (10), e a Levoir (21) em Português, e grandes grupos editoriais internacionais como a HarperCollins (16) e a MacMillan (11);
  • No entanto, há boas surpresas no caso de editoras portuguesas como a Presença (13) e o grupo 20|20 (9), que inclui a Topseller, a Booksmile e a Elsinore - destaque pelo segundo ano consecutivo, isto para mim quer dizer que estas editoras estão a fazer um bom trabalho nas suas publicações, e a ir de encontro aos meus gostos cada vez mais;
  • Autor mais lido: bem, essa é fácil, Meg Cabot (28 livros!), com o desafio de leitura dos livros dela não admira;
  • Fora isso, a minha querida Jennifer L. Armentrout (6), e dois argumentistas de banda desenhada que estão em todas, Brian Michael Bendis (7 livros), e Matt Fraction (6);
  • Por falar em banda desenhada... não fiz as contas como no ano passado, mas sei que na prosa as mulheres continuam a dominar, como acontece há anos, enquanto que na BD são os homens - apesar de também estar ciente que este ano tentei apostar em mais coisas escritas e desenhadas por mulheres.

E aqui está, o meu ano de 2015 no que se relaciona com as leituras. Já pusemos as culpas na vida profissional turbulenta, já discorri sobre a minha paixão por canetas, washi tape e planners, e já vimos alguns números no que toca às leituras do ano, como é habitual fazer. Resta-me terminar, esperando que 2016 traga só coisas boas, em todos os campos. Para mim e para todos os que estão a ler isto, e que, god bless you, sobreviveram ao testamento que para aqui vai. Boas leituras.

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