quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Uma imagem vale mil palavras: Suicide Squad (2016)

Bem, isto foi certamente uma excelente oportunidade de aprendizagem.

E tenho positivamente montes de pensamentos acerca disto, mas está difícil escolher um e começar. Por onde é que começo? Bem, vamos pegar numa coisa simples, bonita e positiva:

A banda sonora é excelente. Não dou por mim a dizer muitas vezes isto acerca de filmes, porque ou não reparo (normalmente a parte sonora passa-me um pouco ao lado), ou o estilo musical não é a minha onda... mas neste caso, nada disso pesou.

Praticamente todas as músicas com letra usadas chamaram-me a atenção, destacaram-se de algum modo. (Estive tão perto de me abanar na cadeira quando o Without Me começou a passar. Eh.) Uma sensibilidade muito hip-hop, com algumas coisas mais "clássicas", mas funciona muito bem com o tom do filme. E sei lá, estou a ouvir agora as músicas duma ponta à outra e não há uma que eu deteste. Muito bem escolhidas. Apetece-me dar um abraço à pessoa responsável por elas e por ser o ponto alto do filme.

E pronto. Acho que diz alguma coisa quando a coisa a destacar dum filme é a banda sonora, não? Eu queria muito gostar disto. E há partes que gosto. O problema é que, yep, infelizmente toda a gente tinha razão. It's a bit of a mess. Gosto muito de ver estas coisas por mim própria, porque nem sempre concordo com a opinião geral... mas eu dei nas orelhas ao Batman v. Superman (BvS) por ser uma confusão pegada. Este também é uma confusão pegada, ainda que noutro calibre.

Aqui a diferença prende-se com o realizador, creio eu. Não consigo respeitar o Zack Snyder, apesar de ter gostado de filmes dele no passado, porque vi fazer as mesmas asneiras no Man of Steel e no BvS, e tenho a sensação que devia haver alguém por trás a controlar o storytelling dos filmes dele que não ele. Ou um devia ter um melhor editor. Qualquer coisa serve, desde que as suas histórias sejam melhor contadas.

Quanto ao David Ayer, eu vi o Fury. Eu gostei do Fury. Eu gostei do que ele fez com o filme e os personagens. O retrato de um grupo de pessoas completamente destruída pelas circunstâncias (guerra)? Muito bom. Acho que ele seria capaz de dar uma sensibilidade semelhante a este filme. Pegar num grupo de vilões, mostrar como as suas acções os separaram da sociedade dita "normal", mantendo o tom ligeiramente divertido e sarcástico? Suspeito que ele era capaz de o fazer. Matava por ver um director's cut em que ele tinha completo controlo criativo.

Porque suspeito que o problema aqui foi... demasiados cozinheiros a meter o bedelho, e com demasiada pressa para terminar o bolo. Li demasiadas notícias do meio a falar das restrições temporais para a produção do filme, e de como os executivos da DC andavam stressadinhos para que isto tivesse sucesso, para não achar que foi precisamente isso que deu cabo do filme.

Porque convenhamos, onde o filme falha, é precisamente na montagem da história. As transições entre cenas são más, saltam de forma abrupta... parece que ninguém se decidia quanto ao tom do filme, porque as "piadas" acabam por estar mal montadas e cair de pára-quedas nas cenas onde estão inseridas... a caracterização de personagens não é muito boa na maioria dos casos, porque a introdução deles é feita muito à pressa e saltamos logo para a acção...

É-me difícil não relacionar isto com os rumores de que a cadeira do editor foi ocupada por uma série de gente, e com a preocupação dos "executivos" em aumentar o tom divertido do filme porque as pessoas não tinham gostado do tom "escuro" do BvS. Gente, aprendam uma coisa. O problema não era o "tom escuro". Era mesmo a maneira como a história estava montada. E começo a achar que foram pegar numa coisa que estava perfeitamente boa (ou pelo menos melhor que o que vimos), e foram estragá-la. Credo. A incompetência de todo este processo deixa-me boquiaberta.

E o problema é mesmo esse, o pessoal da DC cinematográfica está demasiado desesperado para estabelecer um "universo cinemático" como o da Marvel para apreender e entender as lições que o percurso da Marvel oferece. E se fossem espertos, aprendiam com o que os outros foram descobrindo por tentativa e erro, e faziam melhor.

Lição número um: escolham realizadores adequados para o trabalho. Conheçam o seu perfil. O Thor teve o Kenneth Branagh, o Capitão America o Joe Johnston, os Guardiões da Galáxia o James Gunn, os Vingadores o Joss Whedon. Cada tipo de herói tem o seu perfil mais e menos destacado, cada filme pede um tom diferente. Obviamente que cada uma destas pessoas teria feito um trabalho muito diferente nos filmes uns dos outros.

Lição número dois: saibam o que querem da história. Planeiem a longo prazo. Andamos há tanto tempo a ouvir falar das várias "fases" do MCU, e até acredito que não esteja tudo planeado ao milímetro. Mas os executivos da Marvel sabem para onde vão, por mais vago que isso seja, e dirigem-se para lá, e constroem as sucessivas histórias para lá chegar. É como escrever um livro. Ou uma trilogia. Ou uma longa série de livros.

Lição número três: uma vez escolhido o realizador, dêem-lhe espaço e tempo para trabalhar. E POR AMOR DA SANTA NÃO METAM O BEDELHO. Credo. Parece que cada vez que um filme foi mais fraquinho ultimamente, acabo sempre a ouvir falar de executivos do estúdio a interferir demasiado com a história. E ninguém aprende esta, raios. Se acham que vocês fariam um melhor filme, porque diabos é que são dão ao trabalho de contratar um realizador, hã? Até poupavam dinheiro.

Ok, vamos sair da tangente "porque é que a Marvel está a fazer um melhor trabalho, IMO". Vamos tentar destacar coisas que eu gostei no filme.

Se eu franzir os olhos e fizer um ligeiro esforço de imaginação, eu até gosto do tom do filme e do que estava a tentar passar. Acho que se as circunstâncias fossem ideais teríamos aqui um novo Guardiães da Galáxia. Gosto da ideia dos vilões virarem heróis (era preciso desenvolver melhor as motivações deles para se envolverem), gosto da ideia de só eles serem capazes de o fazer.

Gosto da ideia de haver alguém implacável o suficiente para se lembrar de juntar uma equipa de vilões. Gosto do tom auto-depreciativo e sarcástico e da ideia de todos trabalharem mal uns com os outro até aprenderem a trabalhar bem uns com os outros.

O design tem francamente momentos muito bons no filme. Os símbolos estilizados que representam cada personagem (esta galeria is just lovely), as cenas de apresentação dos personagens (apesar de eu desejar um botão de pausa, porque não deu para ler aquilo tudo, nem de perto), a maior parte dos fatos de cada personagem (o unicórnio do Boomerang! o fato da Harley era divertido, e as tatuagens do Diablo bastante impressionantes), o design da Enchantress e do cúmplice dela, o design do Killer Croc.

Onde o design falha é no Joker. Oh, gente. O Joker tem uma aparência tão icónica e um estilo tão clássico. Era preciso mesmo "datar" o Joker desta versão fazendo-o parecer um gangsta? Ugh, aquelas correntes de ouro e as tatuagens. *facepalm* Onde é que aquilo grita Joker? Não grita. Podia viver com os dentes metálicos, que dão um ar assustador à boca dele sem ter de ir para o sempre presente sorriso desviado. Algumas das tatuagens podem ficar (o sorriso na mão sim; o "damaged" na testa não). O resto? Nop, nop, nop. O resto da roupa já faz um bom trabalho a apresentar e homenagear o Joker.

Em termos de elenco, não tenho queixas. Acho que tentaram fazer o melhor que podiam com o material que tinham. Muitos não têm espaço para respirar (o Slipknot é um desperdício de espaço, só aparece, sem ser apresentado, para lhe acontecer... aquilo). Alguns têm pequenos momentos engraçados ou giros que gostava de ver expandidos (o Killer Croc, o Boomerang, a Katana), e que provavelmente os actores mereciam mais cenas para evoluir o personagem.

Quem tem mais momentos para evoluir e apresentar o personagem, e bastante merecidamente (mas ainda assim partes da caracterização podiam estar melhores), são a Harley Quinn (gostei da personalidade dela, e gostava que a Margot tivesse mais tempo de antena com ela...), o Deadshot (o pessoal não leva o Will Smith a sério, mas o homem dedica-se de corpo e alma aos personagens dele, e não precisa de mandar coisas estranhas aos colegas para fazê-lo), o Diablo (história pessoal bastante interessante, e o que descobrimos dele no clímax da acção é superintrigante), e a Amanda Waller (vá, toda a gente em coro, a Viola Davis é a nossa rainha, seja o que for que ela faça).

Não tenho realmente comentários a fazer para a Enchantress e o Rick Flag, curiosamente. A história deles acaba por ser central à narrativa, mas não gostei de como foi apresentada nos flashbacks, não há peso emocional, e tendo em conta os seus contornos, eles (o pessoal que fez o filme) deviam ter feito a sua história mais detalhada, deviam ter-nos feito preocupar com o que lhes acontecia.

Tenho a certeza que tenho mais pensamentos acerca disto, mas agora não me ocorre mais nada (aposto que cinco minutos depois de clicar em "publicar" me vou arrepender de não ter falado de A, B, ou C), e isto já vai suficientemente longo, por isso vou ficar por aqui.

O que fica deste filme é isto: eu gosto, em teoria, do que podia ter sido, mas não consigo ignorar o que é, e tenho as minhas críticas ao que é. Diverti-me em partes, mas estive sempre ciente das suas falhas, o que não devia acontecer com um filme. E espero sinceramente que a DC aprenda com os erros e melhore, porque tem uma série de personagens fixes à espera do seu lugar no grande ecrã, e seria triste deitar tudo a perder. E por amor da santa, não me lixem a Mulher Maravilha. Nunca mais vão conseguir fazer nada se lixarem a WW.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

The Rose Society, Marie Lu


Opinião: Oh caramba, e eu que não dava nada pela Marie há três livros atrás dela! E no entanto li tudo o que já publicou, e tem vindo a melhorar francamente no que toca à sua escrita e à maneira como cria um mundo, um enredo, e umas personagens.

Creio que o primeiro livro dela que verdadeiramente me encheu as medidas foi o terceiro da sua primeira trilogia, Champion, pelo final agridoce e a forma inesperada como a história avançou. Depois, veio o The Young Elites, e conheci uma personagem que caminha no fio da navalha no que toca ao bem e ao mal, à luz e à escuridão. E agora este livro, torturador e que me pôs vidrada, e melhor, completamente enredada nas escolhas da Adelina.

The Rose Society segue com as consequências do final do livro anterior. A Adelina (juntamente com a irmã) fugiu de Kenettra e está separada da Dagger Society depois de uma situação trágica pela qual ela é tecnicamente responsável, mas... bem, há uma série de atenuantes. (E é nos atenuantes que a Marie é excelente.)

A Adelina tem a ideia de criar a sua própria society de Young Elites, jovens poderosos, e quando percebe o que os Daggers estão a tramar, volta a Kenettra para travá-los, e, err, fazer a sua própria coisa.

A parte brilhante na maneira como a Marie escreve a Adelina é que, ela pode fazer todo o tipo de asneiras, e meter os pés pelas mãos, e matar a torto e a direito, mas... não consigo deixar de sentir que a Adelina está justificada em grande parte do que faz. Pode não ser grande justificação, mas compadeço-me dela. Mesmo quando me dá vontade de abanar a cabeça em jeito de desaprovação, ou quando sei que não é o que faria, ou quando sei a priori que aquilo vai dar asneira.

Porque a verdade é que esta é uma pessoa que foi tão maltratada e destruída pelas circunstâncias... que ela não sabe como ser uma boa pessoa. Tem momentos. Tem alguns repentes de bondade, amor. É capaz disso. Mas é claro que é muito mais fácil ceder à escuridão e enviar para o mundo aquilo que sempre se recebeu dele.

Em adição, não há uma única pessoa boa, um modelo de bondade em toda esta história. O que é refrescante. Eu não preciso de gente tão boa que até dá nojo. Ninguém é perfeito. E a escrita desta história como uma sucessão de intriga e interesses é até bastante realista. Mas o que quero dizer realmente em relação a isto é, é por isso que eu não posso defender os Daggers.

Vejamos... Agem por interesse próprio, tomam decisões questionáveis (a Maeve? e o que ela lhes diz que pode fazer? a sério, pessoal? não podiam ver que essa vos ia rebentar na cara nem nada?), e até podem dizer que são pelos malfettos e pelos Young Elites... mas não defendem os primeiros e afastam os segundos quando lhes é conveniente. Pior, são tão capazes de assassinato como a Adelina.

Tivessem tratado a Adelina desde o início como uma pessoa, e não com desconfiança, atrevo-me a dizer que as coisas teriam sido diferentes. Teria sido também corajoso deles tentar reabilitá-la depois dos acontecimentos do primeiro livro, que era quando ela precisava disso, e não de cair na espiral descendente em que acabou por cair. Acusarem-na de coisas que ela não fez, ou empolarem outras coisas, também não ajuda à festa.

São tão responsáveis como a Adelina pela confusão em que estamos. Agem como polícias dos Young Elites, mas são incapazes de reconhecer quando alguém é tão perigoso como a Adelina, e pior, incapazes de entender a melhor maneira de lidar com uma arma tão poderosa. (Pista: não é assim. E deviam tê-lo feito por interesse próprio, nem era preciso ser pelo bem dos vossos corações.)

Ah... acho que prefiro o Teren. Ao menos esse sabemos à partida que é mau, perigoso, e janado da cabeça, que é o tipo mais perigoso de mau. Aquele que sabemos que é imprevisível na sua dedicação. E depois do que a Adelina o pôs a fazer... bem, tenho a certeza que o Teren vai ser um mimo, no terceiro livro. E vai delicioso de ver isso desenrolar-se.

No entanto, continuo a achar o Raffaele muitíssimo interessante. Tem todas as características dúbias dos Daggers, aliás, ele é o responsável por muito do que eles fazem; mas tem uma delicadeza e uma inteligência e uma maneira de ver a vida que é muito cativante. Aliás, tenho a certeza que se a Marie escrevesse os livros do ponto de vista dele seria igualmente fácil de torcer por ele como é pela Adelina. (Agora adorava mesmo que a Marie o fizesse.)

Este segundo livro traz algumas coisinhas novas engraçadas, como a Maeve e o que ela anda a tramar, por exemplo. A shitstorm que a Adelina cria em Merroutas. O Sergio, que já lidou com os Daggers, e agora a modos que está na equipa Adelina.

Oh, e o Magiano, que é simplesmente adorável. O epítome de bad boy, sempre com esquemas e a tramar alguma coisa; e ainda assim, é capaz de ser a pessoa mais pura nas suas intenções para com a Adelina. Achei tão interessante ver o que a Adelina pensa sobre ele, porque é um reconhecimento do oposto de si própria que ele é, e implicitamente sabe que o Magiano seria uma motivação para sair do buraco e desenterrar-se a si própria de toda a porcaria que fez. Mas não está propriamente ainda pronta para fazê-lo, e por isso continua a enterrar-se em escuridão. Raios.

O fim, oh céus, o fim é glorioso. Vai tudo para o inferno, não literalmente, mas como se as coisas já não estivessem suficientemente más e estragadas para toda a gente (tenho pena do zé ninguém comum que vive em Kenettra), a Marie certifica-se que vamos do 8 ao 80 e que fica tudo certificadamente estragado e mau e errado. E delicioso. De seguir, quero dizer. Não tão delicioso para as pessoas envolvidas.

E pronto, ficamos num ponto interessante. Tenho a dizer que achei a Violetta mais madura do que lhe dava crédito. Ela claramente tornou-se numa pessoa que está à vontade na sua pele, sendo discreta, inteligente, e preocupada com a irmã, mas não se impondo. E ocorreu-me um paralelo interessante entre este livro e...

... o Frozen. A sério. Pensemos nisso, se a Elsa, com grandes e assustadores poderes, tivesse tido uma infância e uma personalidade como a Adelina, achamos mesmo que não teria ido parar ao mesmo lugar? Capacidades extraordinárias são altamente corruptíveis. As circunstâncias é que mudam o cenário. E a Violetta tentou, pobrezinha, mas não havia nada a fazer.

No fim disto tudo fico a desejar algum tipo de redenção para a Adelina, alguma forma de regressar à luz que lhe permita viver a vida como nunca a conheceu: mais feliz. Também consigo ver as coisas evoluírem ao ponto de ela morrer como forma de redenção, mas sinto que isso é demasiado fácil, demasiado preto-e-branco numa história em que a Marie conseguiu apresentar todos os tons de cinzento pelo meio. Venha o próximo. Que até nem falta muito.

Páginas: 416

Editora: Putnam (Penguin)

domingo, 14 de agosto de 2016

Book Mail YA, mais uma caixa recheada de livros

Tenho suspirado imenso pelas caixas de livros tipo subscrição que o site Book Riot faz (só que as deles não são de subscrição). No meu caso, estava particularmente interessada na caixa dedicada a literatura YA que produzem. Só que a faziam em conjunto com o site Quarterly, que apoia a criação de caixas-subscrição com produtos de um certo tipo. (Outros curadores do site tinham caixas dedicadas a outros tipos de produtos.) A parte chata da parceria eram os portes... uma caixa que custava 50 dólares, levava com 30 dólares em cima. E os produtos, que valeriam a pena por 50 dólares, por 80... nem por isso.

Entretanto aparentemente zangaram-se as comadres, ou aconteceu algo e o Book Riot saiu da Quarterly. Esta última continua a ter uma caixa de literatura YA, só que já não com o trabalho dos editores do Book Riot por trás. (É claro que me levou séculos a perceber isso... estava convencidíssima que a parceria continuava, porque nem é claro que a caixa da Quarterly já não é do BR, nem vi menção em lado algum do BR que tinham saído da Quarterly, o que teria dado jeito porque eu podia ter ido comprar a outra ao engano.)

Entretanto, vi os anúncios do BR sobre as caixas novas que iam lançar, o Book Mail e o Book Mail YA, e fiquei super-interessada. Eles não funcionam como subscrição, como o Owlcrate, ou seja não somos obrigados a comprar todas as que saírem. E têm, creio eu, algo como uma frequência de lançamento de 3 em 3 meses, o que não é nada mau. Dá para ir fazendo o investimento de vez em quando.

O melhor de tudo, no entanto... a caixa custa 60 dólares e não cobram portes. Brilhante, para mim. Não hesitei em experimentar mandar vir a Book Mail YA, para ver se valia a pena. A caixa foi enviada em meados de Julho e chegou-me no início de Agosto, o que é muito bom, cerca de duas semanas... especialmente porque agora em Agosto tem sido uma tortura para receber encomendas a tempo e horas.

Bem, seguem então algumas fotos do conteúdo do livro.

O livro If I Was Your Girl, de Meredith Russo, e um autocolante para colocar no livro com autógrafo.

O livro The New Guy (And Other Senior Year Distractions), de Amy Spalding, e um marcador do livro, também com direito a autógrafo.

Um conjunto de pins livrescos, com um cartão de apresentação da loja que os produz; o cartão grande é a apresentação da caixa e dos produtos que contém; e ali em baixo, uma vela bem cheirosa.

Um tote bag, alusivo ao livro The Walls Around Us, de Nova Ren Suma.

Creio que posso dizer que o veredicto é muito positivo. Sem portes, chega depressa, e o melhor? Vale o dinheiro que gastei. Pode parecer que não tem muitos produtos em quantidade, mas aqui diria que se inclina mais para a qualidade. Dois livros numa caixa de subscrição não é muito comum, e gostei de ambos, um mais fofinho, um mais desafiador (um bom equilíbrio). Os pins e a vela são adoráveis, mas o que fez a caixa para mim? O tote bag.

Costumo usar este género de sacos no dia-a-dia, para transportar coisas que não posso levar na mala, e geralmente o que uso são uns da Primark. Costumam ter padrões giros e tudo, mas o tecido com o uso vai-se estragar, ficar mais fino, quando já de si é bastante fino... Este saco é feito dum tecido bem grosso, resistente, com a consistência de serapilheira, só que mais bonitinho.

Este género de coisa custa à vontade 20 dólares ou mais, o que normalmente me custa dar por um saco, e por isso fiquei muito agradecida para oportunidade de pôr as mãos num. Raios, se os sacos da loja do Book Riot forem todos assim, estou pronta para dar lá um salto e perder a cabeça com uns quantos. Só por isto, a caixa já valeria a pena.

E pronto, definitivamente vou mandar vir a próxima caixa, porque se os produtos são assim desta qualidade, e se os livros são assim bem escolhidos, vai valer muito a pena. Além disso, vai servir perfeitamente para me encher as medidas no que toca a receber uma caixa de livros (já tenho saudades dos tempos do Owlcrate), e como é só de três em três meses estarei mais à vontade em termos monetários. É só vantagens.

Um aparte para as outras duas caixas que mencionei no post, e no porquê de não ir apostar nelas. A da Quarterly... bem, fiquei muito interessada quando soube que a Beth Revis ia ser a curadora da caixa, e que ia ter o novo livro dela (gosto muito da Beth); mas vi um unboxing da caixa e tendo três livros, só o da Beth me interessaria. Além de que tem mais dois items, apenas, e nada que me tente.

Além disso, acabei de verificar no site da Quarterly que o preço e portes se mantêm. Não vale a pena. (Desculpa, Beth!) Por outro lado, a Book Mail generalista... bem, também vi um unboxing, e a sensação que tenho é que será mais "literária" do que as minhas leituras costumam ser. Duvido que fosse de encontro aos meus gostos, e o conteúdo da caixa actual não é muito excitante. Portanto, vai ser mesmo a Book Mail YA a minha aposta de futuro.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Curtas BD: Esquadrão da Luz, Eu Mato Gigantes, Umbrella Academy, Sorri

Esquadrão da Luz, Peter J. Tomasi, Peter Snejberg, Bjarne Hansen
Este livro tem uma premissa muito fixe. Metam-me mitologia judaico-cristã, anjos e demónios e gente à porrada por causa de algum objectivo apocalíptico, num livro, e fico feliz da vida. Neste caso, um conjunto de soldados americanos em plena Europa durante a 2ª Guerra Mundial fica responsável por enfrentar e deter um conjunto de Grigori e Nephilim que procura uma espada celestial que os levará de novo ao Céu. (E à vingança.)

Também gosto bastante do elemento da Guerra. É tão popular meter-se todo o tipo de conceitos na mesma, talvez por em si ter englobado coisas tão extraordinárias (não no bom sentido, óbvio), que acaba por ser meio credível ter cenários fantásticos ali pelo meio.

Os contras da história prendem-se com o facto de termos a mitologia e a base para o enredo muito boas, mas depois a evolução do enredo e a caracterização dos personagens serem mais fracas. Oh, alguns detalhes dos personagens são giros (o taradinho da BD, o Centurião, por exemplo), mas isso não chega para personagens que parecem pessoas (era muito difícil distingui-los). É suposto torcermos para o Chris mudar a sua atitude e virar o jogo, mas a sua história não é explorada ao ponto de isso se tornar importante. (O fim, no entanto, é bonito.)

Eu Mato Gigantes, Joe Kelly, J.M. Ken Niimura
Que história tão gira. Tão fofa. Tão adorável e triste. Provavelmente teria mais impacto se eu não tivesse já lido o Sete Minutos Depois da Meia-Noite - é que ambas as histórias têm premissas muito parecidas, e a maneira como os protagonistas lidam com os seus problemas é bem semelhante.

Ainda assim, dei por mim completamente enredada na história da Barbara. Foi fácil de perceber o que se passava, é verdade, mas é fascinante ver as reacções dela ao que a rodeia. A maneira como a história se desenrola é mesmo cativante; e adorei acompanhar o imaginário que rodeava a Barbara, que é lindo.

Também gostei imenso da arte, é muito um estilo cheio de traços, tem uma pinta de estilo manga, mas senti-o bastante expressivo, mesmo a preto e branco, o que é fabuloso.

Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse, Gerard Way, Gabriel Bá
Este livro é muito estranho. Digo-o no bom sentido, claro, mas é tão estranho que quando uma pessoa se está a habituar, o raio do livro acaba e é mesmo no ponto em que estamos preparados para saber mais. Queremos saber mais. Raios.

É sobre um conjunto de miúdos que nasceu com super-poderes; foram reunidos à nascença por um homem (eh) que os criou... bem, não foi como uma família, certamente. Isso implicaria carinho e sentimentos fraternais e parentais que não existem. Mais como um negócio. Isso cria personalidades fascinantes.

O cenário/worldbuilding tem tantos pormenores deliciosos, pequenas coisas que vamos apanhando daqui e dali, muitas que nem têm a ver com o enredo, ou que talvez voltarão mais tarde. O importante é saber que os miúdos são hoje adultos e já não existem como equipa. Até que um velho inimigo e uma nova ameaça surgem...

Adorei o tom do livro, ominoso e danificado e desencantado, cheio de coisas maravilhosas e fantásticas e estranhas. É capaz de precisar de mais umas leituras para ser inteiramente apreendido.

Acho que o único defeito que lhe posso apontar é que põe tantas perguntas, mas não me dá respostas nenhumas, caramba. Isso dá comigo em doida. No bom sentido. Mas ninguém tem pena de mim? Eu preciso de saber o que se passa! Como é que estes miúdos ganharam poderes? O que aconteceu com o miúdo desaparecido? E a Número Sete? Porque é que a tratam como pária? De onde é que vêm os macacos falantes? Como é que este mundo ficou assim? Arghhhh I must know.

Sorri, Raina Telgemeier
Este livro é tão enganador. Porque parece tão simples, mas acaba por ser tão bom e tão rico. Acho que já percebo porque é que a Raina Telgemeier é tão popular.

A história é, pelo que percebo, autobiográfica. Raina começa pelo momento em que descobre que vai ter de pôr aparelho só para, cúmulo dos cúmulos, cair ao chão e espatifar os dois incisivos centrais de cima. O livro segue as suas aventuras (ou desventuras?) dentárias para voltar a ter um sorriso, no meio de aparelhos e retentores e outras coisas parecidas (ou não). Senhores, aprendi mais sobre problemas dentários num livro mais que em toda a minha vida.

E é essa a simplicidade do livro: conta-nos os dramas dentários da protagonista. Mas também é essa a sua complexidade. Com uma clareza de espírito que só vem com a idade, a autora reconta a sua evolução ao longo daqueles anos, amigos, paixonetas e desencontros, novas escolas, dores de crescimento.

Pode parecer apenas um livro sobre a vida banal de uma miúda adolescente, mas é feito com um elaborado fundo emocional, e é possível o leitor compreender a evolução da vida da Raina e compreender como ela se sente ao longo do tempo. É simultaneamente mais fácil e difícil escrever sobre nós próprios, ainda mais com tanta clareza e imparcialidade, e por isso direi que é um livro impressionante, sendo enganadoramente simples.

domingo, 7 de agosto de 2016

Os 100 - Regresso a Casa, Kass Morgan


Opinião: Ler esta série tem sido um desafio memorável. Não é nada de especial, a autora não escreve brilhantemente, mas eu continuo interessada o suficiente para continuar a ler. É claro que recomendo muito mais pegar na série televisiva, é tão doida e fixe que vale muito a pena, mas suponho que os livros também têm o seu nicho e podem preencher um bom bocado.

Desta vez, o desafio prende-se com a vinda de uma enchente de pessoas da colónia espacial, que se estava a deteriorar para além do suportável. Isso traz os seus desafios, pois os 100 estiveram na Terra este tempo todo, a conhecê-la e a enfrentar os seus desafios, e a sua experiência, e aquilo que conseguiram até agora, pode não ser reconhecida pelos que acabaram de chegar.

E pronto, é esse o conflito da história. Repete-se um bocadinho o que eu já disse dos outros livros: a ideia é interessante, os conceitos são interessantes, os vislumbres do worldbuilding são interessantes. O que não é interessante, no entanto, é a escrita da autora, que tem pouca queda para a coisa.

É que ela até sabe escrever com alguma tensão, e fazer evoluir o enredo de forma marginalmente excitante. Contudo, a maneira como escreve... parece tão cliché, tão pouco inventiva. Escreve como se estivesse a colorir um desenho já feito. Nada de errado com isso, mas a base da história é tão fixe que sei que autores mais talentosos fariam coisas imensamente mais fantásticas com ela.

O resultado é que certas coisas sabem a pouco, infelizmente. O fim da tensão entre os 100 e as pessoas da colónia morre sem fanfarra, apesar de ter o seu peso ao longo de quase toda a narrativa. Fico contente por as coisas se resolverem sem violência, pela escolha de viver pacificamente, mas soube mesmo a pouco.

O que me aborrece imenso, porque depois por outro lado a autora toma decisões muito boas para a história. Aquilo que acontece com o Wells e a Sasha, por exemplo, que é uma opção corajosa para se tomar. E gosto que ela de facto faça acontecer o par Clarke e Bellamy. Quero dizer, eu conheci esta história primeiro por ouvir falar na série de TV, e por toda a gente que me falava de torcer pelo par...

E depois eu vi a série, e não aconteceu nada entre eles! (Nas primeiras duas temporadas, pelo menos, que foi o que vi.) Senti-me enganada, porque afinal ainda é tudo no reino do desejar que aconteça. Raios. Parecendo que não, este género de coisa condiciona que tipo de expectativas temos acerca de uma história.

Enfim, chegámos ao fim da trilogia. Felizmente, que eu agora quero voltar à serie de TV e não misturar as duas. Não posso dizer que me arrependa de ter lido os livros, porque na maioria passei um bom bocado e consigo ver o bom e o mau de forma equilibrada, tendo coisas que me agradam e coisas que gostava de ver melhoradas. Mas também não é o género de coisa que eu recomende de todo o coração, porque há coisas definitivamente mais interessantes para fazer. Como ver a série. *hinthint* É completamente doida e intensa, mas adoro tantas das coisas que fazem com ela.

Título original: Homecoming (2015)

Páginas: 288

Editora: Topseller

Tradução: Renato Carreira