sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Uma imagem vale mil palavras: Kingsman - The Secret Service (2014)

Há uns tempos eu andava a queixar-me que tudo o que eu vou ver ao cinema é de um modo ou outro baseado ou inspirado num livro, e que não havia muito que me chamasse a atenção fora disso. Pois bem, ainda não foi desta. Mal vi o trailer deste filme pensei "isto é capaz de ser giro", e fui pesquisar mais um bocadinho... e tem um livro de banda desenhada no qual se inspirou. *facedesk* Apesar de, pelo que estive a ver, as histórias até divergirem um bocado, mantendo apenas alguns pontos-chave em comum.

Mesmo assim, o trailer não dá bem ideia do que temos à frente - uma surpresa, mas no bom sentido. Porque em muitos aspectos, Kingsman é uma paródia aos filmes de espiões do tipo 007, e é tão divertido por isso. Combinado com um certo tipo de humor que me agradou bastante - e o sentido de humor é sempre importante para mim e para eu gostar de uma história -, e com um certo grau de loucura e de autoconsciência no desenvolvimento do enredo, acabou por se revelar uma boa história, que conseguiu cativar-me.

Parte disso tem a ver, lá está, com o gozo que se tira dos filmes clássicos de espiões. Tanto no sentido em que o vilão e um dos "bons" falam sobre os filmes de Bond, e em como o conhecimento do cliché dos filmes condiciona o seu comportamento e o altera, como no sentido em que certas situações são criadas para gozar com, e ao mesmo tempo homenagear, esses filmes.

O humor também é muito bom, mesmo o meu tipo de coisa. É difícil de explicar, porque muito depende da situação que está a decorrer, mas é um humor frequentemente inteligente, e gostei disso. Posso falar de como achei tão engraçado o vilão interpretado pelo Samuel L. Jackson, primeiro porque é uma coisa tão diferente dos papéis em que o tenho visto, e depois porque é um vilão nerd, totó, com medo de sangue, que deixa o trabalho difícil para os seus capangas.

Apreciei o decorrer da narrativa, dividida em duas frentes, porque achei que até foram ambas bem desenvolvidas. Por um lado tínhamos o Harry Hart/Galahad a continuar a investigar a trama do vilão, e por outro o treino do Eggsy para se juntar aos Kingsman, e ambos foram bastante interessantes de acompanhar.

O elenco traz algumas surpresas, porque vemos actores em papéis que não seriam de esperar: já mencionei o Samuel L. Jackson, mas o Mark Strong, por uma vez, não é o vilão, e o Colin Firth faz com o seu espião cavalheiro umas boas cenas de acção que não seriam de esperar tendo em conta o seu perfil de actor.

O filme tem algumas cenas de acção impressionante e feitas de modo pouco convencional: temos a cena da igreja, com uma explosão de violência com dezenas de intervenientes e filmada sem cortes, coreografada duma maneira impressionante, pelo que vemos o protagonista (o personagem do Colin Firth) fazer, e pelo que vai acontecendo no fundo da cena; e pelo que percebi o Colin Firth ensaiou e fez boa parte da cena, o que em si também é de nota.

As cenas em que a capanga do vilão principal, a Gazelle, entra também são fascinantes de acompanhar, porque a maneira como luta é condicionada pelas próteses dela, que têm uns efeitos loucos, sangrentos, mas visualmente impressionantes. A luta final com ela - e ela acaba por ser a modos que o boss final, o mais forte, porque o vilão Valentine é um totó - torna-se mais interessante por causa dela.

Além disso, ali para o final há uns "fogos de artifício" que são quase desconcertantes, porque na prática está a acontecer uma coisa tremendamente violenta, mas no ecrã são umas coisas tão bonitas, e a conciliação dos dois é uma coisa fantástica de se fazer.

Como pontos fracos, destacaria a falta de personagens femininas, porque tenham paciência, a Roxy tinha potencial, mas não chega. Com toda a coisa de alcunhas do mito arturiano que os Kingsman tinham estava à espera duma Guinevere ou duma Morgana por ali, mas nada.

A outra coisa menos boa foi uma certa piada no final que se tem revelado como infame. O meu problema com ela não é necessariamente pela sua presença, porque faz sentido dentro da coisa da paródia aos filmes do James Bond. Foi mais a maneira como foi apresentada, como se estivessem a troçar da moça, e do inglês não ser a primeira língua dela... não sei. Intelectualmente eu sei que devia ter piada, mas a execução falhou ali nalguma coisa e soou-me estranha. As situações que a cena pretende parodiar são mais discretas e menos óbvias nos filmes originais, talvez seja isso.

De qualquer modo, considerando o todo, saí bem animada da sala de cinema, com o misto de humor irreverente e meio doido, acção sem limites, e história surpreendente e com piada que o filme me apresentou. Não posso pedir mais.

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