sábado, 5 de março de 2016

Oitava Campa ao Anoitecer, Darynda Jones


Opinião: Ah, é um pouco ingrato ler uma série tão longa neste formato, à medida que os volumes vão saindo. É o que pode ser feito, também não conseguiria esperar para acumular alguns volumes para ler de seguida; mas é complexo, cair um pouco de pára-quedas numa história que é obviamente uma continuação e se baseia no nosso suposto conhecimento do que vem de trás. Normalmente não sou assim tão boa a manter-me a par do que já aconteceu.

Acho que a tradução não ajuda. Quero dizer, não me arrependo de ler em português, propriamente, porque gosto destas edições e espero que isto seja um passo na direcção de publicarem mais do género, mas a leitura soa-me a como se estivesse a perder algo por não ler em inglês. Creio que é pelo sentido de humor da autora, e que ela imprime à Charley, que se perde na tradução, por ser muito particular.

Este livro tem um formato algo singular, pois ao contrário dos livros anteriores, a acção está confinada a um sítio. E gostei mesmo que a autora tenha tentado fazê-lo, e na sua maioria conseguiu fazê-lo com sucesso. Não é muito comum como modo de guiar um enredo, mas resulta mesmo, as coisas continuam a acontecer, e a Charley tem o suficiente no prato para não fazer falta vê-la noutros cenários. É claro que convenientemente todos os elementos da narrativa vêm ter com ela, mas ao menos não soa forçado.

Aprecio tanto o avanço enorme que a autora deu à mitologia. Ela acaba por revelar e esclarecer tanta coisa sobre quem é a Charley, a sua natureza, o que é esperado dela e dos seus... fantástico. E acho bastante piada a ver a Charley grávida, com a sua perspectiva peculiar a colorir as coisas. (Mas ainda bem que a autora saltou 8 meses na cronologia. Não me parece que aguentasse assim tanto tempo da Charley grávida.)

Continuo a defender que uma das melhores partes destes livros (sem ser o humor da Charley) são os personagens secundários, o elenco de suporte, porque a Darynda faz um óptimo trabalho a dar-lhes personalidades distintas, a torná-los interessantes (acabo por torcer por toda a gente), e a dar-lhes histórias próprias que se entrelaçam com a da Charley.

E, infelizmente, a relação da Charley e do Reyes continua a não ser das minhas favoritas. Estamos num ponto da relação deles em que já se deviam ter deixado de certas palermices; no entanto, a Charley faz umas coisas nas costas dele, que depois não lhe quer contar porque tem receio da reacção dele - o que já de si não é bom sinal; e ele anda a tramar uma série de planos, que ainda por cima envolvem a vida futura deles, sem confiar nela para os preparar, quando ela devia ter uma palavra a dizer. Se isto é lá atitude de gente casada com um filho em comum...

O final é algo de impressionante, pela aparição de um antagonista, e a reviravolta de algumas coisas que se julgava saber (mas por favor não vamos dar uma de Renesmee e Jacob, sim?); e também pela maneira como se resolve um impasse para a Charley. Estou bem curiosa para ver o que isto vai dar.

Título original: Eighth Grave After Dark (2015)

Páginas: 272

Editora: Círculo de Leitores

Tradução: Ana Lourenço

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