quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 18 a 21

Eternos, Neil Gaiman, John Romita Jr.
Isto provavelmente foi uma melhor ideia do que me porem a ler a série original, criada pelo Jack Kirby. Consigo perceber a importância dele, mas li um volume do Quarto Mundo, e francamente achei aborrecido, e este tem todo o ar de ser o mesmo estilo e de nas mãos dele ter ido pelo mesmo caminho. Boas ideias, execução nem por isso.

Felizmente, aqui o escritor é o Neil Gaiman, que é, no que me diz respeito, um escritor mais talentoso, e a coisa muda de figura, porque ele consegue escrever de modo a apresentar os personagens e o mundo e envolver o leitor no enredo. Os protagonistas titulares, os Eternos, estiveram adormecidos, sem saber quem eram, e voltam a redescobri-lo ao mesmo tempo que o leitor.

Pelo menos consegui achar a história muito mais interessante e cativante, e queria descobrir o mistério, e senti os altos e baixos da narrativa. Também achei curioso ver o livro inserido nos acontecimentos que à data eram os do presente no Universo Marvel, e ver alguns heróis conhecidos entrarem na narrativa, mas serem facilmente postos em sentido pelos Eternos.

Pantera Negra: Quem é o Pantera Negra?, Reginald Hudlin, John Romita Jr.
Hmm. Acabei a gostar do Pantera Negra. Era-me mais ou menos indiferente porque nunca li nada centrado nele, mas estou familiarizada com as suas características.

Este livro essencialmente é uma exploração de "o que é que faz o PN e Wakanda os melhores dos melhores". É uma abordagem ainda muito pela rama, muito em aberto, mas com potencial, traços interessantes para explorar no futuro.

Achei interessante a apresentação de como Wakanda sempre teve alguém a tentar invadi-los, mas sempre conseguiram repeli-los, e manter-se orgulhosamente independentes, e capazes, e tecnologicamente avançados.

Também gosto de ver como o autor apresenta algumas questões muito próprias do espaço onde a narrativa se passa: Africa. A colonização. O ser negro. A atitude de colonizadores de alguns países, ainda no século XXI, em relação a Wakanda, por ser diferente deles e diferente do que esperavam.

Até a premissa da narrativa, da cabala de vilões contra o Pantera, tem o seu interesse. Mas aqui, a história perde algum vigor na segunda parte e acabei mais desinteressada na resolução do conflito.

Capitão América: O Escolhido, David Morrell, Mitch Breitweiser
Isto é... curioso. Primeiro porque foi publicado mais ou menos ao mesmo tempo de todo o drama da Guerra Civil, e da morte do Capitão, mas não se passa na linha temporal normal dos mesmos. Deve ter sido estranho ver o Cap morrer duas vezes de formas tão distintas e tão perto umas das outras.

Depois... a premissa. O Capitão está definhar. O soro está a esgotar-se, e o ícone vai desaparecer. Então acaba a ajudar de outra forma, com o poder da mente. Consegue trabalhar com uns cientistas e visualizar (com uma máquina toda XPTO) alvos importantes para o esforço de guerra americano no pós-11 de Setembro. Descobre que com a sua visualização consegue ser visto por alguém no local onde está a visualizar, e interagir com essa pessoa. E é assim que o Cap acaba a inspirar um soldado americano a superar-se.

A premissa toda da visualização e do Capitão a definhar e tudo o mais é algo bizarra, mas assim que se passa isso e se ignora, a história até acaba a ser interessante. Um marine no Afeganistão à beira da exaustão já não sabe o que está certo e errado, quem é inimigo, quem deve proteger. Ele e o grupo de soldados em que se insere ficam numa situação complicada, e as suas conversas com o Cap inspiram-no, e ajudam-no a sobreviver e superar-se.

O forte da história é mesmo esse. O que o Capitão significa como pessoa e como ícone, como forma de inspirar as massas. Como cada um pode ser um herói e representar aquilo que o Capitão América representa.

Os Surpreendentes X-Men: Perigosa, Joss Whedon, John Cassaday
Ah, já me tinha esquecido que era aqui que acontecia aquela coisa com a sala do perigo! E eu adoro esse conceito, não sei como me esqueci. Da primeira vez que li adorei cada passo.

Depois dos acontecimentos do livro anterior, os X-Men mal têm tempo para respirar antes de se verem frente a um inimigo inesperado, um que os conhece como ninguém, e que está à procura de sangue pela forma como foi tratado todo este tempo. Brilhante a forma como lida com eles, e como volta e volta e volta para distribuir mais sarilhos. Mesmo quando tudo parece terminado, sei que não está.

Uma coisa que gosto que o Joss Whedon faça com estes livros? Fazer parecer que escrever e ler os X-Men não tem esforço nenhum. Tudo parece fluir tão bem, acertar nas notas todas. Há espaço para boa caracterização, momentos emocionais, momentos políticos, acção, drama, humor. (Melhor momento: a Kitty e o Peter estão a pensar um no outro no meio duma luta; o Logan... está a pensar em como adora cerveja. Nunca mudes, Wolverine, sua coisa rezingona e adorável.)

E pronto, quando isto me soa tudo tão bem, até tenho pena que acabe. Sei que já vou a meio dos livros escritos pelo Joss e já estou a ficar aborrecida só de pensar em terminar. De qualquer modo, está recomendadíssimo a toda a gente.

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