How to Tell If Your Cat is Plotting to Kill You, Matthew Inman
A leitura deste livro (no qual estava interessada por causa de... gatos, what else?) levou a que fosse espreitar a página da Internet do autor, The Oatmeal, e fiquei fascinada a pesquisar alguns dos seus comics antigos. A verdade é que me parece que parte do seu trabalho é divertido, parte é sarcástico, e parte é informativo, o que faz um belo conjunto. Fiquei muito curiosa com o seu trabalho.
How to Tell If Your Cat is Plotting to Kill You é uma colecção de alguns dos seus comics sobre gatos. Quem tem ou já teve um destes animais é capaz de se rever nalgumas das imagens ou histórias retratadas sobre estes seres maléficos que um dia irão tomar o mundo. (Ou não.) Achei a maior parte (aqueles que vão no sentido do comic titular) bem engraçados; alguns outros usam gatos para comentar uma situação qualquer não directamente relacionada - esses são mais interessantes no modo como exploram a situação.
O desenho é simples, mas funcional, capaz de passar a mensagem, e as cores são bem interessantes, com uma paleta reduzida, mas bem usada, com o uso de fundos para as vinhetas que não o branco. Em termos de design e edição, é um livro muito bom, à semelhança de Cat vs. Human, publicado pela mesma editora. O espaço é usado a favor da arte e do comic, umas vezes mais longo e espalhado ao longo de várias páginas, outras vezes curto e ocupando uma página.
Quando é necessário, temos mesmo vinhetas a ocupar uma única página, o que pode parecer exagerado, mas resulta. O formato pouco usual das sequências às vezes assim o exige, e assim podemos apreciar o desenho em condições. Tentar apertar várias vinhetas numa página só resultaria em tornar tudo demasiado sobreposto visualmente. O meio em que são publicados permite uma maior versatilidade na sequência, mas é difícil passar isto para o meio impresso. Creio que fizeram um bom trabalho neste aspecto.
O Tigre Assassino Ataca de Novo, Bill Watterson
A certa altura durante a publicação das compilações de tiras de Calvin & Hobbes, os álbuns mais curtos, de formato quadrado, deram lugar a álbuns deste formato rectangular e horizontal, e maiorzito. Calculo que a quantidade de material seja mais ou menos a mesma, pois se este formato tem mais páginas e é maior, tem menos tiras por página (duas em vez de três; as tiras de Domingo, normalmente maiores, continuam a ocupar uma página).
Até é um formato que me agrada, porque permite ver as tiras em maior tamanho sem perder qualidade; particularmente as tiras de Domingo e a cores. Gosto imenso quando o autor se põe a desenhar cenários super-complexos, é um bom balanço para a natureza mais simples da maior parte das tiras, e acho que ele se devia divertir a desenhá-los. Além disso, gosto tanto das cores nas tiras de Domingo.
É interessante ver a evolução do traço do autor, comparando os volumes que li este ano, cronologicamente anteriores, com este - dá para ver ligeiras diferenças na maneira como desenha certas coisas, especialmente os personagens.
Quanto ao conteúdo, continua a ser delicioso. Adoro a maneira como o Calvin se relaciona com o mundo, com os pais e com o Hobbes, os sarilhos em que se mete, e a sua perspectiva do mundo. Gosto de poder apreciar as tiras duma maneira diferente de como apreciava há uns 15 anos, quando lia os livros por cortesia da biblioteca municipal local. Calvin & Hobbes é capaz de nos dizer coisas diferentes conforme a nossa idade; e não é essa a marca de uma obra intemporal?
Contos dos Subúrbios, Shaun Tan
Um livro curto que reúne alguns contos, ilustrados pelo autor, com um pendor ligeiramente fantástico ou mágico. Os contos em si são engraçaditos, mas não resultavam tão bem se não fosse a arte e o design do livro, que é simplesmente fabuloso.
As imagens que o autor desenha para acompanhar alguns contos são bem bonitas e bem enquadradas, e denotam um estilo do autor que me agrada muito. Mas as páginas mais lindas, mesmo, são a de dois dos contos. Primeiro, Máquina da Amnésia, que usa o design de um jornal para contar a história. Depois Chuva Distante, porque aquele ar de pedaços de folhas rasgadas e coladas para formar um texto é lindíssimo. (E o texto tem uma pinta poética muito gira.)
Quanto aos contos, são satisfatórios, mas especialmente com a subtileza do fantástico que denotam, a apresentação do dia-a-dia com um toque de mágico, e de como isso afecta os narradores. É fascinante ler este livro e recomendaria a todos, nem que seja pelo aspecto visual. Vale mesmo a pena.


