quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Picture Puzzle #38

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue; Viajar pelos livros; A Cup Of Coffee & A Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título já publicado em português, mas aqui o título está em inglês.

Puzzle #2
Pista: título publicado em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

The Lady Most Willing, Julia Quinn, Eloisa James, Connie Brockway


Opinião: A segunda colaboração entre estas três autoras (a primeira chama-se The Lady Most Likely) traz-nos três histórias bem giras, fundidas numa só, numa tentativa mais coesa e um pouco mais satisfatória. A história começa com o laird (é uma coisa assim como lord, mas versão escocesa) de Finovair Castle, Taran Ferguson, viúvo e sem filhos, que decide que está na hora de os seus sobrinhos (um dos quais é seu herdeiro) casarem. Para isso, dirige-se à mansão mais próxima, onde está a decorrer uma festa, e "rapta" três herdeiras, com o intuito de as introduzir aos sobrinhos como noivas.

Só que o plano desvia-se um bocadinho do previsto, e acaba a raptar uma quarta senhora, e também um duque inglês. Presos no castelo de Finovair pela neve, quase a congelar, só resta aos convidados forçados de Taran aproveitarem o melhor que podem...

Gostei mesmo dos casais deste livro. Cada um funcionou, a meus olhos, duma maneira interessante. É difícil, com menos tempo de antena para cada casal, eles soarem-nos credíveis, mas creio que as autoras fizeram um bom trabalho em geral. Continua a ser preciso que eu seja um pouco crédula, e faça de conta que acredito em coisas como amor à primeira vista e whatnot, mas quando embarco no espírito da coisa, até é divertido. Além disso, é uma cena hilariante, aquela em que o Taran volta com a carruagem com as raparigas e revela o que fez aos sobrinhos, saindo aos poucos os "convidados"... incluindo aqueles que ele não previa trazer.

O primeiro casal, e o casal escrito pela Julia Quinn, são o lorde John Shirvington, duke of Bretton, e a Catriona Burns, curiosamente ambos "raptados" por engano. Gostei da Catriona, é uma rapariga desenvolta e que sabe lidar com o velhote malandro do Taran. Achei piada ao modo com ambos pareciam dois adolescentes com as hormonas aos saltos, na beijoquice a cada momento que passavam sozinhos. À semelhança do livro anterior, achei esta a história menos forte... são os personagens que fico a conhecer menos, e aqueles cuja história flui menos bem. O modo como a Julia Quinn escreve não foi feito para coisas do tamanho de uma novela.

O segundo casal, da Eloisa James, são o lorde Byron Wotton, earl of Oakley, e a Fiona Chrisholm. Diverti-me muito com este casal e com as suas idiossincrasias. O Byron, ao contrário do seu homónimo, é muito sério e rígido, mas vê-mo-lo a tentar soltar-se com a Fiona, ao mesmo tempo que vê nela algo de especial. Esta, por sua vez, é a moça com a pior reputação da Escócia, mas quando já se tinha resignado a ficar para tia, eis que o Byron lhe desperta a atenção. Mas com a sua reputação, será que ele pode aceitá-la como futura duquesa de Oakley? Este casal foi desenvolvido de maneira tão satisfatória que a autora até conseguiu introduzir uma cena quente entre os dois.

O último casal, escrito pela Connie Brockway, são o Robert "Robin" Parles, comte de Rochefort, e a Lady Cecily. O meu casal favorito, mais uma vez escrito pela Connie. Gostei imenso do Robin, que apesar do título não é francês, mas o pai é. Isso pô-lo numa situação de desvantagem social (os ingleses adoram ser snobes), e ele em resultado disso empenhou-se em tornar-se na ovelha negra, no rake, naquele que nunca leva nada a sério. E a Cecily, simplesmente adorei-a. Sou muito parcial a histórias em que a senhora pega nas armas que tem para seduzir o seu amado, e aqui deliciei-me com as interacções entre eles. Mesmo o amor à primeira vista não conseguiu estragar a história, aliás, conseguiu dar-lhe mais interesse.

Uma última nota para outros dois personagens, os responsáveis pelos momentos cómicos. O Taran, responsável por esta embrulhada toda, e a Marilla, que faz o papel de oferecida e passa o tempo a atirar-se aos homens solteiros da casa, perdendo-os sempre para as outras senhoras. E, já agora, aquele final foi hilariante. Mais não posso dizer.

Páginas: 384

Editora: Piatkus (Little, Brown Book Group)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

2013 literário

Ena, mais um selinho! :D Obrigada a:

Regras:
  • Indicar um mínimo de dois livros que gostei de ler em 2012 (sem limite máximo);
  • indicar pelo menos três livros que desejo ler em 2013 (sem limite máximo);
  • Indicar o nome e o link de quem ofereceu o selo;
  • Oferecer o selo a mais 10 pessoas para dar sequência a este projeto de incentivo à leitura.

Livros que gostei de ler em 2012:
Muitos. Para ser mais resumida, destaco:
  • A Revolta, Suzanne Collins;
  • If I Die, Rachel Vincent; 
  • Foretold, Jana Oliver; 
  • Grave Mercy, Robin La Fevers;
  • Throne of Glass, Sarah J. Maas; 
  • Code Name Verity, Elizabeth Wein;
  • Anna and the French Kiss, Stephanie Perkins;
    Romancing Mr. Bridgerton, Julia Quinn;
  • A Vida de Pi, Yann Martel;
  • 1984, George Orwell.

Livros para ler em 2013 - gostava mesmo, mesmo de ler, mas para isso as editoras também têm de colaborar:
  • o que me falta da Jacqueline Carey (5º e 6º em português, 3º em inglês)
  • Principe Mecânico/de Corda/whatever, Cassandra Clare
  • um do Guy Gavriel Kay
  • o resto da série Beautiful Darkness em português
  • o último do George R.R. Martin, 9º e 10º em português
  • a segunda trilogia da Robin Hobb publicada em português
  • Gates of Paradise, Melissa de la Cruz
  • Shadows in the Silence, Courtney Allison Moulton
  • Dead Silence, Kimberly Derting
  • Isla and the Happily Ever After, Stephanie Perkins
  • With All My Soul, Rachel Vincent
  • Shades of Earth, Beth Revis
  • Looking for Alaska, John Green
  • Seraphina, Rachel Hartman
  • The Crown of Embers, Rae Carson
  • o segundo da série Glass, Sarah J. Maas
  • Shadow and Bone, Leigh Bardugo
  • Dark Triumph, Robin LaFevers
  • Rivals in the City, Y.S. Lee
  • o terceiro da Veronica Roth

Ora bem, vítimas presenteados com o selo:
  1. Fiacha do Leituras do Corvo Fiacha;
  2. Paty do Chaise Longue;
  3. Adeselna do Illusionary Pleasure;
  4. Nádia do Eu e o Bam;
  5. Ner do A Cup Of Coffee & A Book;
  6. Leitora Compulsiva do confissões de uma leitora compulsiva;
  7. Filipa do O Labirinto dos Livros;
  8. Kel do A Rapariga dos Livros;
  9. Li do Livros & Chá Quente
  10. JK do One Love, a Thousand Books.

Liebster Award


Ena pá, tiro uns dias de férias do blogue e dou por mim rodeada da generosidade da blogosfera... aquece-me o coração. Muito obrigada a:

Regras:
- Lista com 11 factos sobre nós.
- Responder às 11 perguntas que nos atribuíram.
- Nomear 11 bloggers com 200 ou menos seguidores, colocar o link dos respectivos blogs neste post e avisá-la/os sobre o prémio.
- Fazer 11 novas perguntas à/aos bloggers que nomeei para o prémio

11 9 factos:
  • Sou mesmo distraída;
  • Estou a escrever isto e a cantarolar na minha cabeça;
  • Quando me concentro mesmo numa coisa, desligo de tudo à minha volta;
  • Sei de cor a letra de mais canções do que provavelmente seria razoável;
  • Sou tendencialmente noctívaga, mas o mundo insiste em funcionar ao contrário de mim xD;
  • O meu melhor trabalho é feito à pressão;
  • Amo petit gateaux: bolinho de chocolate, com chocolate cremoso lá dentro... yum;
  • Sou mesmo desarrumada... mas sei onde é que tenho tudo, dentro da desarrumação;
  • Tenho livros espalhados por toda a casa (esta e a dos meus pais).

Ora bem, as perguntas... peço desculpa, mas vou pegar em 3 perguntas de cada um e responder... o tempo (o meu e o vosso) é limitado e provavelmente vão-se repetir.

6) Qual o pais que gostavas de viver?
Acho que seria muito interessante viver nas Ilhas Britânicas. Ou talvez em França, Brasil ou EUA.
7) Qual a cidade portuguesa que consideras mais bonita?
Acho que não conheço o suficiente de Portugal para responder a essa pergunta... mas gosto muito de viver em Lisboa.

10) Qual o teu passatempo favorito?
Ler! E blogar, vaguear na net, ouvir música, ver filmes e séries, ... mais ou menos por esta ordem.

Paty do Chaise Longue
4) Já aderiste a era digital?
Estamos a falar de livros, certo? Sim, possuo um e-reader, vou lendo algumas coisas nele, mas não sou uma utilizadora voraz.

9) Editora que mais compras?
*olha em volta para as estantes* Todas as evidências apontam para a Saída de Emergência. Em segundo lugar, Presença, Planeta, e algumas chancelas da Leya e da Porto Editora-Bertrand.

11) Género que não lês nem que te paguem
Não é bem "nem que me paguem", é uma expressão muito forte e não tenho nada contra estes géneros... mas raramente leio, hoje em dia, não-ficção - dantes lia alguma, mas hoje em dia nada me cativa o suficiente para lê-la - e romance contemporâneo adulto - não sei, estou numa fase da vida em que me sinto afastada da realidade daqueles personagens, por isso a não ser que tenha outro factor de interesse, aborreço-me facilmente com o género. Também pode ser porque leio pelo prazer escapista, por isso não me atrai muito ler sobre algo que podia ser real e acontecer mesmo. Por outro lado, combinado com outros géneros (paranormal, YA ou histórico), até gosto bastante de romance e dou por mim a torcer por um casal ou algo do género.

Cláudia do Uma Biblioteca em Construção
3) As pessoas que te são mais próximas sabem que tens um blogue?
A minha irmã, sim, é uma fã aqui do cantinho, e já a tenho convidado para opinar sobre um ou outro livro aqui, mas ela não quer. :P Alguns amigos também, mas calculo que não sejam seguidores tão atentos, não lhes levo a mal, os livros são o meu passatempo, não o deles.

7) Nos livros, a capa importa ou não?
Sim. Eu sei que isto é um tudo nada fútil, mas os olhos também comem, e uma capa bonita ajuda a interessar-me por ler a sinopse, ver opiniões, enfim, perceber se o livro me pode interessar. E o estilo de capa pode dizer algo sobre o género, ou a colecção ou editora que o publica, e assim um certo estilo de capa pode atrair-me mais facilmente por "gritar" que é do género X, que eu até gosto de ler.

9) O que não te podes mesmo esquecer quando sais de casa?
Telemóvel, óculos (de ver), elásticos para o cabelo, relógio, chaves, carteira, um caderno e caneta, e muito importante, um livro.

Adeselna do Illusionary Pleasure
5) A que horas costumam ter mais disposição para escrever críticas/opiniões?
Eu costumo escrever sempre à noite, seja porque é normalmente a parte do dia em que estou disponível, seja porque estou mais inspirada nessa altura.
 
6) Escrevem com ou sem música?
Com música. Geralmente consigo encontrar o balanço entre o apreciar o que estou a ouvir com o ignorar para continuar a escrever. Excepto há uns dias, quando estava a ouvir a banda sonora dos Les Miserables (filme) ao mesmo tempo que opinava sobre o Shadowfell, da Juliet Marillier, e não parava quieta na cadeira. Por culpa de ambos, para ser justa.

10) Situação mais embaraçosa na FNAC/ Bertrand
Se isto é para contar alguma situação em que um funcionário destas cadeias não foi nada prestável, não posso contar nada que tenha ocorrido comigo, geralmente confio mais nas minhas próprias capacidades de pesquisa, e às vezes tenho a sensação que sei melhor como é que eles arrumam os livros que eles próprios. xD Mas isto posso ser eu a armar-me em esperta.
No entanto, no outro dia a minha irmã contou-me a odisseia que foi tentar encontrar o Shadowfell (ela foi uma querida e ofereceu-mo nos anos :D) na Fnac. Foi ver aos expositores, foi ver às estantes. Nada. Foi perguntar a um funcionário, que foi fazer exactamente o que ela tinha feito (expositores, estantes, nada). O funcionário perguntou se queria encomendar, que levava uma semana, uma semana e meia. A minha irmã disse que não. Encomendou na Fnac online. Chegou dois dias depois. Ba dum tss!

Nádia do Eu e o Bam;
1) Gostas de ler em silêncio ou com barulho?
Tanto faz, mas consigo ler com barulho, consigo facilmente ignorar o ruído de fundo.

4) Há algum filme adaptado de um livro que seja melhor do que a obra literária?
Não diria melhor, mas até hoje senti que uma adaptação igualmente boa do livro, que transmite muito bem o espírito e a mensagem do livro, é o filme A Vida de Pi.

10) E-books: sim ou não?
Sim, há coisas que não é possível ou viável editar em papel, e ler num e-reader é bastante confortável.

1) Primeiro livro que te lembras ler?
Uma BD Disney, dos patos, se não me engano, era um Disney Especial Reedição chamado "Os Chatos", em que o Pato Donald está a usar o macaco no carro, o 313, e temos os chatos dos outros personagens Disney a mandar bitaites. Ou então "365 histórias de encantar", com uma capa super cor-de-rosa eléctrico. Sim, a minha memória lembra-se bem destas coisas. xD

2) Primeiro filme que viste no cinema?
Hmmm... Saw 1, acho eu. Comecei a ir ao cinema muito tarde, só quando mudei de casa e de terra é que tinha um cinema à minha disposição.
 
9) Falas mais alguma lingua?! Se sim, qual? Se não, qual gostarias de aprender?
Falo e compreendo bastante bem inglês. Percebo mais ou menos francês e espanhol, mas não o suficiente para falar ou escrever, e percebo vagamente algumas frases de italiano. Gostava de melhorar a minha compreensão destas línguas.

7) Consegues ler mais de um livro em simultâneo?
Prefiro ler um de cada vez, aborrece-me andar a saltar de livro em livro... prefiro concentrar-me numa história de cada vez.

8) Já choraste a ler algum livro?
Sim. A Juliet Marillier é a grande transgressora neste aspecto, qualquer coisa que ela escreva, se tiver partes mesmo deprimentes, é capaz de me pôr a chorar baba e ranho. Podem rir à vontade.

11) Tens "depressão pós-leitura", isto é, sentes-te vazio/a quando acabas de ler um livro que gostaste muito?
Sim! Acabo um livro muito bom, e dou por mim a olhar para a estante feita parvinha a pensar: "e agora vou ler o quê? depois disto, não vai ser tão bom/não vale a pena/...". Depois passa-me.

jen7waters do Cuidado com o Dálmata 
3) É sábado, e acordaste ao meio-dia, tomas o pequeno-almoço, ou almoças?
Tomo um copo de leite e almoço passado uma hora ou duas.
10) Não tens um marcador à mão, nem tens outra opção qualquer, que fazes: dobras um cantinho da página, ou decoras o número?
Não gosto muito de dobrar páginas, prefiro decorar o número.

11) Um guilty pleasure musical que esteja neste momento na tua playlist
Hm... Ouço Kelly Clarkson e Katy Perry, são muito boas para ambientar certas coisas YA que leio.  E Lady Gaga, porque me deixa estranhamente bem disposta (eu que nem gosto muito daquele género de música).

Kel do A Rapariga dos Livros.
1) Gostas de ler com música ou preferes o silêncio?
Gosto muito de ler com música, dá banda sonora a certos livros, e impede os barulhos (ou as pessoas chatas) quando vou no autocarro.

2) Como começou o teu gosto pelos livros?
É difícil de explicar, porque desde que aprendi a ler que me lembro de ter um livro nas mãos... a minha mãe diz que o meu primeiro livro foi ao 10-11 meses, daqueles para brincar no banho, e que aos 4 anos já lia palavras que decorava quando me as liam primeiro... desde que sei ler lembro-me de gostar de ler e de folhear livros.

10) Costumas andar com o livro que estás a ler ou preferes ler em casa?
Ando sempre com o livro atrás, com raríssimas excepções, porque aproveito todos os bocadinhos que posso para avançar mais uma página.


E... acabou! Desculpem, não vou fazer perguntas nem nomear pessoas, porque a esta altura do campeonato já quase toda a gente deve ter respondido a alguns questionários.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Shadowfell, Juliet Marillier


Opinião: Estou com um dilema terrível. Como, exactamente, é que eu vou opinar sobre um livro duma autora favorita, sem dar por mim a dizer que adorei vezes sem conta e sem mais nada para dizer? É tão mais difícil explicar porque é que se gosta duma coisa, do que arranjar defeitos a outra que não se goste. A Juliet Marillier é daquelas autoras que me dá tanta dificuldade neste aspecto. (Er... o primeiro, não o segundo.) *respira fundo* Vamos lá tentar.

Shadowfell é um livro que tem como cenário o, digamos, universo partilhado que a autora usa em muitas das suas histórias - as Ilhas Britânicas. Não quero com isto dizer que todos os livros se passem literalmente no mesmo mundo, mas sim que a cultura, sociedade e mitologia deste espaço a inspira a criar mundos e histórias diferentes que usam o mesmo molde, conseguindo mesmo assim levar-nos a locais tão diferentes como os que povoam os seus livros.

Vê-se que a Juliet adora este ambiente, e que este lhe estimula a imaginação, porque consegue sempre trazer-nos qualquer coisa de novo em cada um dos seus livros, e consegue evocar vividamente estes locais. Não me foi difícil imaginá-los. (Se bem que teria apreciado um mapa como o que está disponibilizado no seu site, já que sou mesmo má a imaginar a geografia de um local.)

Em Shadowfell é-nos apresentada a terra de Alban, em que ser particularmente talentoso pode ser sinal de um Dom Iluminado, herdado das gentes do Outro Mundo, e quem o tem, ou está a trabalhar para o rei tirano Keldec, ou está doido, ou está morto. Não é uma boa capacidade para se ter, ou um mundo em que se queira viver.

A nossa heroína, Neryn, vive como nómada, com o pai, sempre a viajar dum lado para o outro, sempre um passo à frente dos Subjugadores. Mas tudo muda quando perde o pai, o que a leva a encaminhar-se para um local de que apenas ouviu falar em sussurros - Shadowfell. É na sua demanda que se cruza com um estranho misterioso que parece estar empenhado em mantê-la viva e a caminho de Shadowfell... ou será que tem outro propósito?

Gostei da Neryn. É uma miúda esperta e corajosa, e que tem de passar por algumas provas ao longo da história. Uma das quais é deixar de ser tão desconfiada e fugir do Flint a cada oportunidade que se lhe apresente. A sério, eu compreendo as razões porque ela reagiu da maneira que reagiu de cada vez que o fez, mas também me deixou frustrada e à beira de lhe berrar "pára lá de ser parva e deixa a história avançar... não é óbvio que ele não te vai entregar aos Subjugadores? duh".

Para quem parecia ter tão bons instintos, a Neryn é um bocado vesga no que toca ao Flint. (Que nem sequer é mesmo o nome dele, pois não? Os personagens masculinos da Juliet andam sempre a mudar de nome nos livros... o que até faz sentido, simbolicamente.) Vá lá, ele cora quando ela lhe pergunta sobre guardar a mecha de cabelo dela e tudo. Enfim, se há coisa que aprecio na Juliet é o criar personagens reais e humanos, como se fossem meus amigos ou os vizinhos do lado ou algo do género, por isso aceito que estes personagens dêem comigo em doida pelo caminho.

Gosto do que a autora tentou fazer com este livro, em termos de estrutura... nos outros, em geral, a narrativa fecha no fim do livro, o conflito principal é resolvido e o casal tem o seu final feliz. Há fios narrativos que ligam os livros das duologias e trilogias, o que não impede, por exemplo, que se leia cada livro isoladamente. Aqui, este livro é apenas o primeiro acto do grande arco narrativo, por isso a Neryn tem ainda muita coisa que fazer, muitos sítios a que ir, e a história não está nada fechada. A Neryn e o Flint separam-se no fim com um "talvez", o que não é nada satisfatório, mas que faz muito sentido dentro dos acontecimentos. Que eles resolvam isto depressa para eu ter o meu final feliz.

Entretanto a Juliet vai dando um cheirinho do que anda a fazer no seu site: 
I'm still writing Caller, the third book in the Shadowfell series, due to my publisher in March/April 2013. At the same time I am proof-reading Raven Flight, book 2 of the same series, which will be published by Macmillan Australia and Knopf USA next July. Portuguese and Dutch editions will follow. The sweeping epic of Neryn and Flint, the rebels and the beleaguered kingdom of Alban has been a wonderful story to write and I will be sad to say goodbye to it when Caller is completed - there is, of course, always the possibility of more in future. Meanwhile Shadowfell, published in mid-2012, has picked up some great reviews as well as an excellent reception from readers.
Adoro o título do terceiro livro, que deduzo que seja em inglês aquilo que a Neryn é - a Voz. Estou tremendamente curiosa para ver o que significa este Voo do Corvo do segundo livro, e mais, se o livro vai ser publicado mais ou menos nas mesmas datas que o ano passado lá fora, talvez possa acontecer o mesmo cá em Portugal. *crosses fingers*

Uma nota final para a tradução, que me pareceu boa, no geral, mas que tinha uma coisa que me irritou ler, que soa mesmo errada, e que apareceu várias vezes, o que me faz pensar que não é problema de revisão - o uso de vírgula entre a conjunção "mas" e o resto da frase. Não. Simplesmente não.

Título original: Shadowfell (2012)

Páginas: 384

Editora: Planeta

Tradução: Catarina Almeida