domingo, 4 de janeiro de 2015

2014: os livros do ano

Todos os anos destaco alguns livros como aqueles de que mais gostei no ano, e este ano que passou não é excepção: vou listar favoritos e menos favoritos. No primeiro caso vou dividi-los provavelmente por género, e forma literária num par de casos, e sou bem capaz de listar menções honrosas, porque sou incapaz de fazer listas pequenas. São os livros que mais me agradaram durante o ano e que mais marcaram, ao ponto de me recordar muito bem deles, e de a leitura da respectiva opinião evocar aquilo que senti na leitura do livro.

Já no caso dos menos favoritos, vou listar uns poucos títulos, não muitos, porque sei escolher o que leio ao ponto de ter uma ideia sobre se me vai agradar, mas por vezes o meu radar falha, e escapam-se uns poucos que dão comigo em doida. Serão portanto aqueles livros que me desiludiram, por me terem dado uma ideia e expectativas diferentes do que veio a ser a realidade, ou aqueles livros que foram tão mauzinhos que me enervaram durante a leitura. A lista pode ser um pouco longa, especialmente por causa das imagens.

Os Favoritos de 2014

Autora Revelação
Vou fazer um destaque à Rainbow Rowell porque a) ela merece, b) li os livros todos dela este ano, c) "cada tiro cada melro", ela conseguiu com que eu adorasse todos os seus livros e d) são enganadoramente simples mas muito bons.

Ficção Contemporânea
O género mais lido, algo que nunca teria sonhado há alguns anos, e que me trouxe muito boas surpresas.

Uma verdadeira caixinha de surpresas, que é melhor apreciada se nada soubermos sobre ela. Mas vale a pena desembrulhar as suas várias camadas.

Uma história algo diferente das anteriores da autora, mas igualmente deliciosa, gostei muito da sua mensagem, e dos protagonistas.

Every Breath, Ellie Marney
Não quero ser injusta para com todos os outros livros, mas este quase que é O Livro, porque meses depois, ainda estou meio obcecada com ele. É enganadoramente simples, mas a Ellie Marney consegue escrever duma maneira realista, subtil, e que me foi ao coração e mo roubou.

Entre o Agora e o Nunca, J.A. Redmerski
Este foi nomeado pelo factor viciante. Li-o duma assentada, e houve algo fascinante naquela road trip e na maneira como a autora a escreveu e aos personagens, e em como fez desenrolar a história.

Um Caso Perdido, Colleen Hoover
Outro bastante viciante, mas está aqui pelo modo emocional e intenso como a autora escreve, e em como conseguiu escrever uma história com duas fases tão diferentes, e que se interligam tão bem.

Menções Honrosas: Quando Aqui Estavas, Daisy Whitney; Looking for Alaska + The Fault in Our Stars, John Green; O Projeto Rosie, Graeme Simsion; O Espetacular Momento Presente, Tim Tharp; Poisoned Apples, Christine Heppermann; Unteachable, Leah Raeder; A Todos os Rapazes que Amei, Jenny Han; All Broke Down, Cora Carmack

Ficção Histórica
Um género que me encanta explorar, e que considerei englobar todas as histórias com um fundo histórico vívido e realista.

Scarlet, Lady Thief, A.C. Gaughen
Este é O Destaque no género, porque é uma outra série em que estou mesmo investida, e porque ao escrever a opinião do Lady Thief há uns dias, qualquer coisa como 10 meses depois da leitura, ainda assim consegui evocar tudo o que o livro me fez sentir, e renovou o amor que eu tenho a estes personagens e a esta história.

Menções Honrosas: Sonhos de Papel, Ruta Sepetys; Prisoner of Night and Fog, Anne Blankman; Transformar-se em Maria Antonieta, Juliet Grey

Ficção Científica
Aqui englobo tanto os melhores da distopia/pós-apocalípticos, como de ficção científica mais tradicional, e um que vou considerar FC por apresentar acontecimentos que ainda não são da nossa realidade científica.

These Broken Stars, Amie Kaufman e Meagan Spooner
Combina uma série de coisas diferentes num todo fabuloso, cativante, e que nos faz estar com aqueles personagens naquele momento, a passar por aqueles eventos.

Vou ficar tão feliz quando a sequela e livro final desta série sair este ano, porque a autora conseguiu que eu ficasse tão investida na história dos protagonistas, e tenho mesmo de saber o que vai acontecer-lhes.

Cress, Marissa Meyer
A Marissa Meyer é a minha rainha, porque escreveu três livros na série com três protagonistas diferentes, e fez-me adorar todas; para além de conseguir gerir brilhantemente neste volume uma série de POVs crescentes, e ainda me fazer torcer por toda a gente - menos a vilã, claro.

A 5ª Vaga, Rick Yancey
Esta história é um pouco louca, mas viciante, e foi tão bom acompanhar os vários protagonistas, e ver como as suas histórias se entrelaçavam e encontravam; e melhor, ver a humanidade nas últimas, e como isso a condiciona.

O Marciano, Andy Weir
Quem diria que ler sobre um tipo a falar sozinho, preso em Marte, sem hipótese de salvamento, fosse tão divertido? Foi um livro que puxou por mim nas explicações científicas, o que eu gostei de ver, e o protagonista tem uma atitude tão fantástica durante toda a sua história que é uma delícia ler o livro.

Menções Honrosas: Pivot Point, Kasie West; Prodigy, Champion, Marie Lu; A Long, Long Sleep, Anna Sheehan

Fantástico
O género do meu coração, e aquele em que me foi mais difícil fazer uma lista curta, em virtude de tantos finais e inícios de séries tão bons.


Acho que o que mais me fascinou na história é o modo como reflecte no facto das pessoas classificarem tão facilmente em "bom" e "mau", sem nuances, sem tentar compreender e conhecer, sem se tentarem livrar dos preconceitos.

Esta é a série que me tem deixado com o coração nas mãos nos últimos anos, no bom sentido. The Assassin's Blade é uma colecção de novelas que encaixam tão bem umas com as outras que quase parece um livro, e Heir of Fire foi o livro mais duro, mais emocional e mais belo da série até agora, se bem que imagino que não vá aquecer o lugar por muito tempo, afinal o quarto livro da saga sai já em Setembro (previsivelmente).

The Winner's Curse, Marie Rutkoski
Viciante no modo como os acontecimentos se sucedem, torturante pelas escolhas que impõe aos protagonistas, emocional pelo equilíbrio precário que os opõe, e uma reflexão bastante interessante sobre povos invasores e invadidos, e o que acontece quando chocam.

Empower, Jessica Shirvington
Uma autora que escreve de modo bastante emocional, que me atrai, e que tem torturado tanto a sua protagonista que passei o tempo todo com um sorriso nos lábios por este ser o livro final e previsivelmente dar à pobre Violet um muito merecido final feliz.

City of Heavenly Fire, Cassandra Clare
Outro final, só para me torturar mais um pouco, com tanto drama e tragédia à mistura, mas que fecha a série bastante bem e abre as portas para o próximo capítulo neste mundo... foi excitante ver os personagens principais lutar mesmo quando a derrota era certa, e esforçar-se para fazerem do seu um mundo melhor.

Ruin and Rising, Leigh Bardugo
Ainda mais outro final torturante, colocou os personagens em lugares muito difíceis, duríssimos mesmo, e ainda conseguiu surpreender-me com o final que a autora escolheu.

Esperem aí, a Laini Taylor é que é a minha rainha, porque escreve tão bem que até os anjos choram (heh), e porque não acredita em facilitar as coisas para os seus personagens, e reservou ainda na manga uma série de surpresas e belos momentos para o livro final da trilogia.

Winterspell, Claire Legrand
Gostei tanto da maneira como a autora desenvolveu este mundo, da evolução que deu à protagonista, e do que isso significa. Uma adaptação dum conto/ballet/filme/sei lá mais o quê sombria e surpreendente, mas encantadora.

Menções Honrosas: O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman; A Voz, Juliet Marillier; Mortal Heart, Robin LaFevers

Ficção Curta (contos, novelas e antologias)
Nesta parte vou limitar-me a destacar algumas das narrativas que mais me agradaram neste formato.

Banda Desenhada
Aqui também vou limitar-me a destacar alguns dos livros que mais apreciei durante o ano.

As Desilusões de 2014

Alienated, Melissa Landers
Achei que ia gostar muito mais do que o que correspondeu à verdade - foi uma leitura morna, nem me aqueceu, nem me arrefeceu.

Trilogia Birthmarked da Caragh M. O'Brien - aqui, aqui, aqui e aqui
Aqui considero uma desilusão no sentido em que para uma autora e uma história com tanto a dizer sobre os temas que aborda, e com boas ideias, acaba por ser relativamente fraquinha no desenvolvimento do enredo, de certas partes da história, e dos personagens.

Este não é uma desilusão na história, no tema abordado, ou no todo do livro em si, mas mais pela sensação que ou eu beneficiaria mais dele como leitora se o tivesse lido quando era mais nova, ou o livro devia ser para uma faixa etária mais velha e abordar os seus temas de forma mais aprofundada.

Os Pilares do Mundo, Anne Bishop
Eu sei que és capaz de melhor, Anne. Eu sei. E nem sequer tens a desculpa de ser o teu primeiro livro, porque não é.

Uma Semana para Te Amar, Monica Murphy
Este livro é tão curtinho, mas com uma premissa tão boa, que eu tenho a certeza que seria um livro fabuloso, com uma melhor escritora.

Os Ódios de 2014

Eu costumo dizer que ódio é uma palavra muito forte, mas estes livros realmente incitam uma reacção muito forte em mim, e positiva não é.

White Hot Kiss, Stone Cold Touch, Jennifer L. Armentrout
Eu gosto bastante desta autora, e divirto-me imenso a ler os livros dela, mas o segundo livro desta trilogia foi tão mau, tão horrível, que contagiu o primeiro. Porque se a trilogia tivesse sido melhor planeada, se o segundo livro não se tivesse enterrado no triângulo amoroso do demo, e a heroína não virasse burra, e o livro tivesse de facto algum enredo de jeito, esta era uma história bem melhor no todo, tenho a certeza.

Aqui é mais amor-ódio. Eu abomino a maneira como o James Dashner escreve e detesto grande parte dos livros - mas preciso, preciso mesmo, de saber como acaba. E também preciso de ganhar coragem para pegar no terceiro e último livro, por essa mesma razão.

A Revelação, Lissa Price
Achei o primeiro livro muito morno, mas este, céus, que desastre. A heroína emburrece, o desenvolvimento de enredo sofrível do primeiro livro desaparece por completo, e se há alguma coisa neste acidente de percurso que faça sentido, não a encontrei.

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E pronto, acho que é tudo. (E já é muito, ehehe.) Espero que 2015 me traga mais dos favoritos, e menos das desilusões e ódios - é tudo o que peço, boas leituras e um tempo bem passado.

sábado, 3 de janeiro de 2015

2014 em retrospectiva...

2014 foi um ano curioso, no que toca a leituras e aqui ao blogue. Nas leituras porque li muita coisa e muita coisa diferente, e porque pela primeira vez (se não contar com a BD nem lhe atribir género), o género fantástico não foi o mais lido por mim. Para quem é muito fã do género nas suas várias vertentes, isto acaba por ser mais ou menos uma surpresa. A tendência para a diminuição da sua predominância era visível, mas não achei que fosse ser ultrapassado, ainda mais por um outro género que há cinco anos eu não pensaria que fosse ler tanto.

No blogue porque perdi um pouco a vontade de fazer rubricas, e cingi-me mais às opiniões. O objectivo deste espaço era esse, registar as minhas opiniões, mas sempre gostei de complementar com um ou outro tipo de post, os quais até gostava de fazer. Mas este ano, quando não tinha nada para postar em termos de opiniões, também não me surgia a paciência ou a inspiração para outro tipo de coisa.

Mantive apenas duas rubricas, o espaço dedicado a filmes/séries que são adaptações de livros, Uma imagem vale mil palavras, e o Picture Puzzle, que consistia em apresentar conjuntos de imagens que sugeriam um título. E esta última, coitada, morreu. Parei de a fazer no número 100, por ser um número redondo, e por a inspiração e vontade de a fazer já não ser a mesma, além de a participação também não o ser, infelizmente.

Portanto, não sei se voltarei a pegar nalgumas rubricas que tenho por aqui, que não sei quando é que a inspiração voltará a bater à porta, mas sei que estão lá, se as quiser usar, e tenho saudades de algumas, por isso logo se verá, não prometo nada, que sou péssima a cumprir.

Nem tudo é mau, no entanto: eu e a Patrícia do blogue Chaise Longue começámos a nossa própria rubrica, A rainha manda..., que passa por pegarmos na lista de livros que a outra tem por ler, e escolher-lhe um para ler mensalmente, e tenho-me divertido bastante, porque me pôs a ler coisas bem giras, e que se calhar ainda esperariam mais um pouco antes de lhes pegar. É para continuar em 2015.

Quanto ao Diário de Leituras, continuei a usar o da Bertrand, com esse mesmo nome. Ainda o usei menos que, e não tão bem como, no ano anterior, na parte das leituras, e ainda assim gastei todas as páginas reservadas para opinar sobre os livros. Às páginas em branco dei muito bom uso, gastei-as quase todas, apesar de não haver uma organização muito concreta.

O resultado é que não estou com muita vontade de voltar a usá-lo, porque apesar de ser aquele mais próximo do que necessito, falta-lhe um bocadinho para ser perfeito. Estou a trabalhar num sistema para este ano que me sirva ainda melhor, vamos ver se consigo organizar uma coisa que me agrade.

Quanto a estatísticas, como nos anos anteriores, vale a pena destacar alguns pontos.
  • Li 192 livros, ligeirmente mais do que no ano passado, um número igualmente recheado de banda desenhada, mas talvez com um pouco mais de contos, novelas, e outros tipos de narrativas curtas;
  • Isto é uma média de 16 livros por mês (número redondo!), 3,69 livros por semana ou 0,53 livros por dia. Um valor ligeiramente mais alto que no ano anterior, e que corresponde a ter lido mais livros;
  • Li 50838 páginas, algo como aproximadamente 4237 páginas por mês, 978 por semana ou 139 por dia. Também um pouco mais alto que o ano anterior, e pela mesma razão;
  • Estou um pouco mais rápida a ler um livro, pois cada livro levou-me em média 1,90 dias, mas a média de páginas por livro mantém-se na mesma ordem de grandeza, à volta das 265 páginas;
  • O livro mais longo foi City of Heavenly Fire, da Cassandra Clare, com 752 páginas, seguido de perto por A Noite de Todas as Almas, da Deborah Harkness, com 704 páginas, e Dreams of Gods and Monsters, da Laini Taylor, com 624 páginas;
  • O livro mais curto foi o conto The Tailor, da Leigh Bardugo, com 20 páginas, seguido dos contos Tortured e Ruled, da Caragh M. O'Brien e dos contos The Too-Clever Fox e Little Knife, da Leigh Bardugo, todos com 32 páginas, e em terceiro, o conto The Witch of Duva, da Leigh Bardugo, com 48 páginas;
  • Ao contrário do ano passado, desta vez li bastante mais no segundo semestre que no primeiro, mas não tenho propriamente uma boa explicação para isso - talvez a maior disponibilidade de BD neste período me tenha facilitado o ter lido mais este tipo de narrativa, e talvez isso explique o aumento;
  • Quanto ao género mais lido, e se pusermos de parte a BD, sem lhe atribuir géneros, foi o contemporâneo, Young Adult, New Adult e até adulto, com 40 livros, e isso foi uma surpresa para mim, porque não me tinha dado conta que eram tantos;
  • O segundo género mais lido foi o fantástico, com cerca de 37 livros de vários sub-géneros, seguido da Distopia/Pós-Apocalíptico, com 19 livros, e da Ficção HIstórica, com 13 livros;
  • Quanto aos livros lidos serem pertencentes de séries ou não, as percentagens não se alteram muito em relação ao ano passado, apesar de ter lido mais primeiros livros de séries e menos livros sequelas/continuação - contudo li mais livros que não pertecem a séries, por isso nem tudo é mau;
  • Consegui portar-me um bocadinho melhor e ler bastante mais livros antigos e livros emprestados, e por isso ataquei a pilha TBR - foi um ataque suave, mas foi um ataque;
  • As editoras mais lidas foram a Levoir (25 livros), por causa das colecções de BD que edita para jornais, a Marvel (14 livros), os grupos da HarperCollins (18 livros) e da Macmillan (12 livros), por ler muito em inglês destas editoras, a Bertrand (11 livros), e que só está neste top porque 10 desses livros são do meu desafio de reler a Meg Cabot, e por fim a Presença e o grupo 20|20 (chancelas Booksmile, Topseller, Vogais, etc.), com 8 livros cada - foram duas editoras portuguesas que me foram surpreendendo com algumas escolhas durante o ano, e bastantes delas acabaram por ser favoritas;
  • A autora mais lida foi a Meg Cabot, com 19 livros, graças ao meu desafio de (re)leitura dos livros dela, seguida da Jennifer L. Armentrout, com 7 livros (quem mais? esta mulher é uma máquina a escrever, mal posso acompanhá-la), e de Ed Brubaker, com 6 livros, que calhou ser argumentista de alguns livros de BD que li este ano;
  • Houveram vários autores com 5 livros lidos, mas vou destacar a Rainbow Rowell, porque li toda a sua obra publicada este ano, e ela merece;
  • Outra coisa interessante de que me apercebi ao contabilizar os autores lidos (e em livros com autores múltiplos, contei cada autor como uma entidade separada) - entre a BD lida, 89% dos autores lidos são homens, e 11% mulheres, enquanto que entre a ficção lida, os homens são apenas 20% dos autores lidos, e as mulheres 80%.

No que toca a este último, não são números que me espantem, eu tenho noção de que leio na grande maioria mulheres, pelo menos no que toca à ficção e prosa; mas são números chocantes, na parte da BD, pois isto não acontece por eu escolher ler mais BD com autores masculinos, acontece por grande parte dos artistas da indústria de BD ser do sexo masculino, e cada vez fico mais com a ideia que é uma área pouco aberta às mulheres, infelizmente.

Tenho vontade de apostar mais em BD com autoras mulheres, porque alguns dos meus favoritos do ano no que toca a BD foram produzidos por elas, mas não quero tornar isto numa batalha dos sexos, pois nunca o fiz na ficção, e não quero desistir já de ler coisas consideradas seminais ou clássicos ou simplesmente interessantes, quando ainda só agora comecei a explorar esta forma de contar histórias.

Bem, aqui fica o ano em números. Algumas coisas são giras de observar, e é por isso que continuo a contabilizar as coisas desta maneira, algumas dão-me vontade para ir trabalhando nos meus desafios e objectivos literários de 2015, e algumas dão que pensar, como este último ponto. Que 2015 só possa ser ainda melhor.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Curtas BD: Infinity, Captain Marvel, Ms. Marvel

Infinity, Jonathan Hickman, Jim Cheung, Jerome Opeña, Dustin Weaver, Mike Deodato, Stefano Caselli, Leinil Francis Yu
Ao longo da leitura das revistas de Avengers e New Avengers desta nova fase da Marvel NOW!, achei que o desenvolver da história estava um pouco lento, que fazia parte tudo duma coisa maior, e que isso dificultava perceber o significado de cada acontecimento a cada revista. E ao ler o evento Infinity, por mais longo que seja, as peças finalmente encaixaram, e só isso vale muito a pena a leitura.

Acaba por ser um pouco impressionante o planeamento do trabalho do argumentista, Jonathan Hickman. A grande história que está a ser desenvolvida nestas revistas dos Vingadores tem vários fios de enredo, e parecendo que não acabam todos por se entrelaçar. O primeiro é apresentado em New Avengers, é a questão das incursões e o que isso significa para os múltiplos universos, e a promessa de que os mundos ainda hão de colapsar.

Outro que é apresentado e desenvolvido em Avengers, é a parte dos Construtores e o seu lugar no Universo, que é mais ou menos terminado em Infinity, e que está relacionado com o primeiro, pois os Construtores afastaram-se do seu papel e querem destruir a Terra por ser o foco das incursões.

E um terceiro, que é introduzido neste evento, a aparição de Thanos, que procura as jóias do Infinito e alguém muito específico na Terra, o que o leva a aproveitar a ausência dos Vingadores para a invadir. Enquanto que uma parte da sua demanda é resolvida, a outra não, e imagino que venha a ser desenvolvida ou volte a aparecer no futuro.

Portanto, pode-se dizer que acabei por ficar fascinada com a programação do desenvolver duma coisa tão grandiosa. Custa-me um bocadinho que leve tanto a desenvolver, mas agora que dá para ver melhor a imagem geral, parece-me bem mais interessante.

Para um evento tão grande, até acaba por ter um bom ritmo e explicar razoavelmente bem as coisas, e ser bom de acompanhar. Há pequenos àpartes que se nota que são desenvolvidos melhor noutras revistas, e não sou a maior fã, mas no geral não tive dificuldade em acompanhar, e isso é o mais importante.

Captain Marvel vol. 1: In Pursuit of Flight, Kelly Sue DeConnick, Dexter Soy, Emma Rios
Não posso dizer que tenha lido a Carol Danvers/Ms. Marvel em muita coisa, mas o burburinho em torno deste título deixou-me curiosa, e ainda bem que aproveitei para espreitar. A história começa no momento em que a protagonista passa a usar um novo uniforme, e o primeiro número é sobre aceitar passar a usar um novo nome que o acompanhe. De certo modo, é o ponto perfeito para começar a ler para alguém como eu, que não conhece bem a personagem.

Gostei bastante da história, que é compartimentalizada e não necessita propriamente do conhecimento prévio de personagens ou acontecimentos passados, mas ainda assim é uma narrativa cativante; a Carol viaja no tempo e acaba por se encontrar com várias mulheres em duas épocas, nos anos 40, na 2ª Guerra Mundial, e nos anos 70, durante os programas espaciais, e que tentam marcar a diferença.

Parte do interesse foi o explorar do que cada época e cada grupo de mulheres podia apresentar, e como a Carol se relacionou com elas e com o que aprendeu com elas. Essencialmente, um voltar a aceitar os seus poderes e responsabilidades, mesmo quando tem a oportunidade de escolher diferentemente. As relações entre as várias mulheres na narrativa foram fascinantes de acompanhar, e o aspecto de viagem no tempo pareceu-me razoavelmente bem explorado.

Adorei a arte de Dexter Soy, tão suave, lembrando uma pintura, foi mesmo atractiva para os meus olhos. Os últimos dois números são desenhados por Emma Rios, possivelmente uma mudança propositada, já que é acompanhada pela mudança de época, e achei a sua arte adequada e desadequada ao mesmo tempo.

Gostei bastante dela, e de certo modo é adequada para desenhar os anos 70 e certos aspectos deles (os aviões e outras máquinas, ou os cenários, pareceram-me bem), mas depois havia qualquer coisa que me afastava de apreciar completamente o desenho. Por um lado por perder na comparação com Dexter Soy; por outro porque não sou completamente fã daquela maneira de desenhar caras e expressões, o que me distraía um pouco da acção principal.

Ms. Marvel vol. 1: No Normal, G. Willow Wilson, Adrian Alphona
A Kamala Khan é a miúda mais adorável de sempre. Tenho dito. Outro comic que tem reunido bastante ruído à volta dele, e totalmente merecido. A Kamala é uma jovem normal, paquistanesa, habitante de New Jersey, e nerd e enorme fã de super-heróis.

O que quer dizer que é uma surpresa, boa e agradável, mas também confusa e preocupante, quando as Brumas Terrígenas libertadas no evento Infinity promovem uma transformação na Kamala que lhe conferem superpoderes, e ela poder-se-ia assim tornar num dos super-heróis que tanto admira.

Acho que parte do encanto da história tem a ver com a narração da vida normal da Kamala, com problemas como todos os outros jovens da sua idade, com pais, amigos, ou escola... e depois a questão da origem da família é tratada de maneira satisfatória, não como um artifício ou algo extraordinário, mas apenas como o cenário em que Kamala se move, e como isso condiciona ou move a sua vida neste e naquele sentidos.

Achei bastante piada ao processo de descoberta dos poderes por parte da Kamala, um processo de tentativa e erro, que tem resultados por vezes caricatos, mas bastante realistas. Esse processo acaba por estar entrelaçado e ser análogo ao crescimento e tentativa de emancipação da Kamala em relação à educação um pouco mais estrita por parte dos pais, e é bem interessante de acompanhar.

Curiosamente, gostei mesmo da arte de Adrian Alphona. É meio cartoonesca, mas depois tem um modo de desenhar a cara e as expressões da Kamala que é absolutamente fantástico, de tão expressivo. É uma coisa bastante importante para mim, e foi isso que me cativou e me fez apreciar o seu trabalho no seu todo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz Ano Novo!

Fonte

Que o novo ano seja ainda melhor que o anterior, que vos traga o que desejam, e que possam levar a bom cabo os vossos projectos. E sobretudo, que cheguem às vossas mãos boas e fantásticas leituras.

Livros Lidos em 2014

Livros lidos durante o ano de 2014 e respectivas opiniões...