terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ladrão de Corações de Shannon Drake

Sinopse: O sonho de Ally Grayson era escrever grandes histórias, não viver um conto de fadas. Contudo quando foi raptada por um malfeitor encantador, que parecia saído de um romance. Ally sentiu-se completamente fascinada. Não importava que estivesse comprometida com outro... um homem com que, de todos os modos, não tinha a menor intenção de se unir num casamento por conveniência.

No entanto, quando descobriu que Mark, o seu incomodado noivo, era o homem dos seus sonhos. Ally teve de tomar uma decisão: envolver-se num mundo de engano e assassinato sem ninguém para a proteger ou confiar num homem que mentia, mas que fazia o seu coração vibrar.

Opinião: Bem, há livros que perdem muito com a tradução do título ou com a sinopse. Este é um deles. Não se reduz apenas à descrição ou ao título. Alexandra "Ally" Grayson é uma jovem que sonha em escrever. Foi muito protegida e cresceu com as tias no bosque. Os seus padrinhos (3 casais que pelo que percebi se juntaram em livros anteriores da escritora) reponsabilizaram-se pela sua educação. E combinaram-lhe um casamento em criança, e ela só soube na festa de noivado quando se fez o anúncio (eu sei - desgraçados! estamos na época vitoriana, no virar de século, bolas). E o noivo nem aparece na festa.

Mark Farrow é filho de um lorde e mascara-se de bandido nas horas vagas para assaltar pessoas (parecendo que não, ele tem mesmo uma boa razão para tal). Assalta a carruagem em que Ally vai e cedo percebe que é a futura noiva. Continua a visitá-la para a conhecer melhor. Mas a rapariga não é parva, logo percebe que o bandido = noivo por conveniência e ainda consegue torturá-lo um bocadinho antes de se encaminharem para o final feliz.

O parzinho é bastante carismático mas o bom do livro é que não se resume ao romance. Há uma intriga bastante importante no livro (e na aproximação do casalinho), em que antimonárquicos andam a ser assassinados - os dois personagens estão envolvidos de maneiras diferentes mas interessantes nesta intriga -, há perigo e resolução dos crimes, há menções ao Jack o Estripador, o Arthur Conan Doyle aparece, e a rainha Victória também faz uma breve aparição no final.

Muito giro e um óptimo romance vitoriano com uma pitada de história de detectives.

Título original: Beguiled (2006)

Páginas: 320

Editora: Harlequin

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Duna de Frank Herbert

Sinopse: Tem nas suas mãos aquele que é considerado o melhor romance de ficção científica de sempre. Uma obra que arrebatou a crítica com o estilo poderoso de Frank Herbert e conquistou milhões de leitores com a sua imaginação prodigiosa. Prepare-se para uma viagem que nunca irá esquecer, até um longínquo planeta chamado Arrakis...
O Duque Atreides é enviado para governar o planeta Arrakis, mais conhecido como Duna. Coberto por areia e montanhas, parece o local mais miserável do Império. Mas as aparências enganam: apenas em Arrakis se encontra a especiaria, uma droga imensamente valiosa e sem a qual o Império se desmoronará.

O Duque sabe que a sua posição em Duna é invejada pelos seus inimigos, mas nem a cautela o salvará. E quando o pior acontece caberá ao seu filho, Paul Atreides, vingar-se da conspiração contra a sua família e refugiar-se no deserto para se tornar no misterioso homem de nome Muad'Dib.

Mas Paul é muito mais do que o herdeiro da Casa Atreides. Ao viver no deserto entre o povo Fremen, ele tornar-se-á não apenas no líder, mas num messias, libertando o imenso poder que Duna abriga numa guerra que irá ter repercussões em todo o Império...

Opinião: Nem sei bem o que dizer. Este é um livro que eu estou há uns bons 5 ou 6 anos para ler, mas que por não haver edição decente nem eu estar disponível para o ler em inglês, tem ficado em stand-by. É um livro épico, mas emocionante, científico mas com uma reflexão sobre o papel das profecias e misticismo, passando-se no futuro mas reflectindo alguns aspectos do passado.

O planeta que dá nome ao livro, Arrakis, conhecido como Duna, é também um personagem principal do livro. Coberto de desertos inclementes, é descrito pelo autor com atenção a pormenores incríveis, a ecologia, o clima, os animais e plantas que nele habitam, ... Acaba por ser muito importante na acção e na definição de muitos personagens. É também onde se produz a especiaria melange (cuja produção está devidamente integrada no ecossistema de Arrakis), muito importante na economia do universo de Duna.

O livro começa com a mudança da família Atreides para o planeta para tomar o feudo anteriormente detido pela família Harkonnen. Mas quando está em jogo um produto muito valioso, a intriga desenvolve-se de modo a que o que puder correr mal, vai correr mal. Paul e a sua mãe Jessica são forçados a refugiarem-se junto dum povo nómada que vive nos desertos, os fremen, com uma espantosa adaptação à vida no deserto. Paul acaba por ser identificado pelos fremen com um messias há muito esperado, integrando-se na sua sociedade completamente. Por outro lado, Paul é produto de um projecto de engenharia e selecção genética que visava criar um ser presciente, e as suas capacidades desenvolvem-se em completo durante a sua estada no deserto. Paul debater-se-à com aquilo que é capaz de fazer e com o que vê no futuro para si.

Muitas personagens destacam-se no enredo (Paul, o Duque Leto, a Dama Jessica, Alia, Chani, Stilgar, ...) mas para mim o que se destacou mais foi a complexidade do mundo criado e do enredo. Não deve ser fácil controlar tantos factores numa história destas, mas Herbert fá-lo muito bem. O universo de Duna contém aspectos futuristas, como viagens interplanetárias, naves espaciais e fatos destilatórios (usados no deserto para reaproveitar a humidade perdida pelo corpo); e aspectos do passado, como lutas de espadas e uma sociedade feudal hierarquizada. Um factor importante é a atenção que o escritor chama para coisas que nos parecem triviais e sempre presentes, como a água - a descrição da sua importância entre o povo do deserto, os fremen, é espectacular.

Sendo descrito como ficção científica, não é recomendado apenas aos fãs da mesma. Recomendo a qualquer pessoa que tenha a oportunidade de ler, porque é uma leitura muito boa e interessante.

Título original: Dune (1965)

Páginas: 576

Editora: Saída de Emergência

Tradutor: Jorge Candeias

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Epidemia de Sebastian Rook

Sinopse: Londres está livre dos medonhos lampiros, mas estes deixaram um terrível legado. E Jack e Emily têm apenas três semanas para salvar Ben de um destino terrível...

Os três amigos embarcam numa viagem deseparada rumo a Varsóvia, onde Roman Cinska está a desenvolver uma cura para a praga dos lampiros. Mas a missão deles é perigosa, pois a cidade está cheia de mortos-vivos. Será que Jack, Ben e Emily vão sobreviver à epidemia?

Opinião: A sinopse já diz quase tudo. O livro resolve algumas situações do livro anterior (se bem que há uma em particular que estou à espera que explorem, porque é demasiado boa para não aproveitar), e deixa outras para o livro final. Bom para distrair.

Título original: Epidemic (2005)

Páginas: 160

Editora: Quidnovi (livros disponíveis com o Correio da Manhã)

Tradutora: Idalina Morgado

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um Prazer Inesperado de Candace Camp

Sinopse: Megan Mulcahey tinha de descobrir se Theo Moreland, marquês de Raine, matara o seu irmão. A jornalista estava habituada a conseguir o que queria, embora Theo talvez fosse o maior desafio que alguma vez enfrentara. Para além de extremamente poderoso, o marquês era incrivelmente bonito e inteligente.

Contudo Megan ia descobrir o que existia por detrás da misteriosa morte do seu irmão... e o que acontecera ao tesouro que ambos tinham estado à procura na selva sul-americana, embora primeiro tivesse de atravessar o Atlântico e infiltrar-se em casa dele de alguma forma...

A nova tutora dos seus irmãos não era o que Theo esperava.

O corajoso explorador só vira uma vez na sua vida uma mulher como aquela, num sonho febril do qual desejara não acordar. Todavia... o que fazia aquela deliciosa visão a vasculhar todos os cantos da sua casa como uma ladra?

Opinião: Bem, estou a achar piada a ler romances históricos... Como são pequenitos e não exigem muita concentração para ler são excelentes para descansar de leituras mais pesadas, e além disso são bons para satisfazer a minha ocasional fome de romance sem serem excessivamente lamechas.

Os dois personagens principais torturam-se acerca de um acontecimento de há 10 anos, em que o irmão de Megan aparentemente morreu numa expedição em que o personagem masculino, Theo, estava presente. Megan trabalha como jornalista investigadora e infliltra-se na casa dele como perceptora para descobrir a verdade sobre o assassinato do seu irmão. Mas claro que se vai apaixonar por Theo (pelo qual se tortura, pois crê que este é o assassino do irmão) e pela sua família, os Moreland - uma família conhecida como excêntrica nesta Londres vitoriana, mas que me deu vontade de ler os outros livros da série para os conhecer - são tantos que alguns têm apenas um pequeno destaque.

A parte do romance não é exageradamente lamechas e está ligada ao enredo do assassínio. O final tem uma reviravolta interessante, mas que já estava mais ou menos à espera - só foi inesperado no sentido em que parecia que o enredo estava a ir por um lado e foi por outro - acaba por tornar um bocado supérfluo as situações embaraçosas em que Megan se mete, mas ao menos servem para aproximar o casalinho, que até tem uma ligação... sobrenatural.

Em resumo, bastante bom para distrair e passar um bom bocado.

Título Original: An Unexpected Pleasure (2005)

Páginas: 352

Editora: Harlequin

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Belladonna de Anne Bishop

Sinopse: Há muito tempo, Efémera foi dividida em inúmeras paisagens mágicas ligadas somente por pontes. Pontes que podem levar quem as atravessa para onde realmente pertence e não ao local onde pretende chegar.

Uma a uma, as paisagens de Efémera estão a cair na sombra. O Devorador do Mundo está a espalhar a sua influência, manchando as almas das pessoas com dúvida e medo, alimentando-se das suas emoções mais negras. A cada vitória o Devorador aproxima-se da conquista final.

Apenas Glorianna Belladonna possui a habilidade de frustrar os planos do Devorador. Mas os seus poderes foram mal interpretados e incompreendidos. Determinada a proteger as terras sob o seu domínio, Glorianna defrontará o Devorador sozinha se assim estiver no seu destino.

Opinião: Neste livro da série o foco vira-se para Belladonna (como o título indica), mas apesar de tudo (tal como no livro anterior) têm sempre algum destaque mais personagens, tanto novas como já apresentadas no livro anterior. Os personagens do Antro da Devassidão ou das Paisagens da mãe de Belladonna aparecem um pouco menos porque a acção não passa tanto por estes espaços. O Provocador serve de providenciador de momentos cómicos quando é preciso; a Lynnea, apesar de ser tímida até há pouco tempo, continua a conseguir "dar a volta" a demónios-touro e machos em geral; o Sebastian aparece para intimidar o pretendente da prima mas também um papel mais importante no desenrolar do final. O Lee é irmão da Belladonna, e gosto muito das "discussões de irmãos" com ela, mas é também um apoio para ela. Este personagem também dá alguns momentos cómicos muito bons com algumas saídas dele... Fico à espera do livro seguinte da série que a autora diz no seu site ser dedicado a ele.

Os novos personagens introduzidos vivem originalmente numa parte de Efémera mais... coesa geograficamente, o que leva a que as Paisagens e conceitos associados sejam desconhecidos neste espaço. Isto leva a um desacelerar da narrativa em certas cenas, pois é preciso explicar-lhes tais conceitos - pessoalmente até agradeço porque este mundo é bastante complexo; no entanto isto pode não agradar a todos. Destes personagens destacam-se Caitlin Marie, uma jovem Paisagista que nunca soube o que era e que foi rejeitada por todos na sua aldeia como uma "feiticeira"; isto leva a que a Belladonna se identifique com ela, por ter passado por algo parecido devido ao que é capaz de fazer.

O outro novo personagem chama-se Michael, "portador de boa-sorte e causador de infortúnios", que a seu modo é uma espécie de Paisagista, pois pode influenciar Efémera. Mas a sua importância reside em que ele e a Belladonna parecem destinados, pois sonham um com o outro ainda antes de se conhecerem. Bolas, devorei o livro até conseguir ler quando é que eles se conheciam! Este personagem não é tão apreciado como outros da Anne Bishop por ser considerado "lamechas", mas eu gostei deste casal pela inversão de papéis - a Belladonna tenta manter-se mais afastada emocionalmente por saber que terá de enfrentar o Devorador do Mundo, e é o Michael que tem de andar atrás dela e é mais honesto sobre o que sente por ela. Outro ponto a destacar neste personagem é que sabe a maneira de enfrentar o Devorador do Mundo, mas tem a coragem de contar a Belladonna, mesmo sabendo o que lhe poderá custar. Sei que a Anne Bishop tem criado personagens masculinos todos "big bad boy", e são fixes, mas um personagem fofinho tem algo que se lhe diga.

O Devorador do Mundo, o antagonista principal, continua a semear o mal entre as pessoas para aumentar a Escuridão em Efémera. A maneira como pode ser derrotado é bastante à Anne Bishop, porque envolve um sacrifício que me partiu o coração, mas também achei uma ideia bastante original, incluindo aquilo que acontece após ser travado. Só posso dizer que a Escuridão, para ser definida como tal, precisa do seu antónimo, a Luz, pois estes dois conceitos balançam-se e equilibram-se. Depois disto, o fim já se estava a ver (senão acontecesse assim eu ficava seriamente zangada com a Anne Bishop), mas deixa algo em suspenso para nos atiçar a curiosidade e que espero que seja tratado no próximo livro.

Este livro tem sido considerado menos bom que o anterior, mas pessoalmente não posso concordar, porque vibrei muito mais com a história e tive menos dificuldade em ligar-me aos personagens, aliás, adorei-os! Para mim, este livro justificou o meu investimento neste mundo de Efémera e gostei muito.
 
Título Original: Belladonna (2007)

Páginas: 384

Editora: Saída de Emergência

Tradutora: Cristina Correia