quinta-feira, 30 de junho de 2016

Este mês em leituras: Junho 2016

O Verão chegou! Tem estado tanto calor e tudo, já parece que estamos em Agosto... um bom mês com duas leituras muito esperadas; gostava de ter escrito mais no blogue, mas enfim, quando estou a fazer um certo horário no trabalho é-me muito difícil dedicar tempo a este meu passatempo, e daí que tenha passado uma semana sem postar. Gostava de melhorar isso, mas ainda não descortinei como vou fazê-lo.

Livros lidos


Opiniões no blogue

  • Lewis Carroll: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas; Alice do Outro Lado do Espelho;
  • Curtas: Graphic Novels da Marvel, vols. 5, 9 e 10: O Incrível Hulk: Planeta Hulk Parte 1, O Incrível Hulk: Planeta Hulk Parte 2, Greg Pak, Carlo Pagulayan, Aaron Lopresti; Motoqueiro Fantasma: A Caminho do Inferno, Garth Ennis, Clayton Crain;
  • A Court of Mist and Fury, Sarah J. Maas;
  • Curtas BD: Super-Heróis DC, vols. 13 a 15: Novos Titãs: O Contrato de Judas, Marv Wolfman, George Pérez; Super-Homem & Mulher Maravilha: Par Perfeito, Charles Soule, Tony S. Daniel; Esquadrão Suicida: Nós Que Vamos Morrer, John Ostrander, Luke McDonnell, Bob Lewis, Karl Kesel, Dave Hunt;
  • The Problem With Forever, Jennifer L. Armentrout;
  • Curtas: Kindred Spirits, Rainbow Rowell; Por Sorte, o Leite, Neil Gaiman, Skottie Young.

Os livros que marcaram o mês

  • A Court of Mist and Fury, Sarah J. Maas - como é que não podia ser um dos livros marcantes do mês, esta mulher um dia vai matar-me com a maneira como escreve as histórias dela, com voltas e reviravoltas e coisas excitantes sempre a acontecer, começo a duvidar que alguma vez ela escreva algo que me desaponte;
  • The Winner's Kiss, Marie Rutkoski - no caso da Marie, ela só com o primeiro livro da trilogia conseguiu pôr-me só um bocadinho, ligeiramente, nada mesmo, ansiosa para ler os seguintes, e digo-o no sentido em que até adio a coisa para não stressar por antecipação; mas depois é claro que lá ganho coragem e ponho-me a ler a coisa e embalo e adoro tudo até à exaustão, graças à sua maneira única de criar a sua história.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Parte das minhas aquisições foram na Feira do Livro, e já aparecem aqui. O restante do mês corresponde a esta foto; os livros da colecção Graphic Novels Marvel do mês, mais os primeiros duma colecção nova, a Novela Gráfica 2, com os já expectáveis tamanhos diferentes. *suspiro*

Fora isso, comprei somente um livro, com dinheiro em cartão, por isso não me custou nada. O livro da Juliet, que estava em dúvida se compraria de todo. Estou a ficar um bocadinho cansada de estar tanto tempo à espera por um livro, e acho que a próxima série da Juliet já vou comprar em inglês, porque me aborreço de morte de tanto esperar. A editora já tem trabalhado melhor do que agora em termos de celeridade a traduzir e editar um livro. Só me contive porque já tenho o primeiro em português, e bem, faz-me mesmo comichão ter séries em formatos diferentes, se o puder evitar.

A ler brevemente

Uso a mesma foto das aquisições, pois tenciono começar/continuar a ler as minhas colecções de banda desenhada; e quero ler também o livro da Juliet brevemente. Fora isso, está em aberto. Darei continuidade ao meu desafio da Meg Cabot, mas como ainda não decidi o que vou ler dela, fica assim.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Curtas: Kindred Spirits; Por Sorte, o Leite

Kindred Spirits, Rainbow Rowell
Céus, este conto é adorável. A Elena é uma fã dos filmes Star Wars por influência do pai, e previamente ao lançamento de The Force Awakens, o filme mais recente, decide juntar-se à fila para o cinema antes de o filme estrear. Só que a celebração de fãs que a Elena esperava não é bem o que acontece...

O que eu gosto no conto e até noutras histórias da Rainbow é que ela reflecte no que é ser fã de algo, que não há certos ou errados quanto a ser fã de uma coisa. Todos gostamos de alguma coisa, todos gostamos de exprimir apaixonadamente esse gosto. Simplesmente encontramos formas diferentes de o fazer.

A Elena exprime o seu gosto por, e tem uma relação com Star Wars diferente da que os outros fãs da fila têm, e isso está bem. É divertido conhecer estas pessoas e ver o que fazem nos dias anteriores à estreia, por poucas que sejam.

O fim do conto é tão, tão bom. Super adequado. De certo modo já estava à espera, depois de tanta antecipação, mas foi muito bem vindo, e muito bem pensado.

Por Sorte, o Leite, Neil Gaiman, Skottie Young
Um livro para crianças, para ler aos filhos, claramente, porque tenho a sensação que isto lido em voz alta deve ser altamente hilariante. A história é muito ao género deste tipo de livro, com repetições de temas e acontecimentos, e uma evolução da história com crescentes reviravoltas até ao clímax do final da história.

Onde esta brilha é na fantástica imaginação do autor: esta é uma história que mete extraterrestres, piratas, tribos que fazem sacrifícios a vulcões, e vumpiros. (Sim, vumpiros.) Ah, e mais importante que tudo, viagens no tempo. Adorei esse elemento porque flui mesmo bem e as reviravoltas estão bem montadas.

Adorei acompanhar a história que o pai contou das suas aventuras e crescentes desventuras; e adorei os filhos, sempre a tentar apanhá-lo em falso. O final tem uma piada especial que é revelada na última imagem. E por falar na arte, tão gira. O Skottie Young tem este estilo meio doido mas tão apelativo.

A única coisa de que me queixo é a alergia que os editores portugueses em geral têm a meter um advérbio nos títulos dos livros, porque realmente "Felizmente, o Leite" soa-me melhor. ("Afortunadamente, o Leite" ainda era mais fixe, mas isso já era demasiado complicado para este pessoal. E não estou a falar dos miúdos.)

A repetição da expressão é feita vezes sem conta na história (afinal no meio de tantas peripécias, o pai esforça-se para regressar aos filhos e levar-lhes o leite), e até lhe é dada uma volta, quando as coisas não correm tão bem - fortunately passa a unfortunately, sorte passa a azar, mas felizmente podia perfeitamente passar a infelizmente.

domingo, 26 de junho de 2016

The Problem With Forever, Jennifer L. Armentrout


Opinião: A este ponto do campeonato, estou muito familiarizada com os livros desta autora. Talvez demasiado familiarizada. Conheço-a e à sua obra de uma ponta à outra. Li quase tudo dela o que havia para ler, excepção feita àquilo que não se proporcionou, por ter saído primeiro em e-book ou algo do género, ou num dos casos, porque me vai deixar tão furiosa, disso tenho a certeza (Every Last Breath; não gostei dos primeiros livros, não vejo como é que este vai mudar o jogo, acho que vai é piorar as coisas... oh bem, não se pode ganhar tudo).

Bem. Ela já tem escrito coisas de todos os tamanhos e feitios, mas este é dos poucos contemporâneos que escreveu na faixa YA. Talvez mesmo o único e primeiro, se excluírmos o Don't Look Back da categoria de contemporâneo por ser mais a tender para o mistério/thriller. Para quem começou a escrever no fantástico/FC YA, até é curioso ver que ela nunca explorou muito este cantinho género.

E o livro é enorme. Não parece nada, contudo. Flui bastante bem. Uma característica da escrita da Jennifer. Mesmo aqui, num livro que não é guiado pelo enredo ou pelo worldbuilding - coisas que facilitam muito o ritmo da leitura. O impressionante deste livro é que não tem nada disso, é guiado pela caracterização dos personagens, e mesmo assim é devorável.

É por isso que eu gostei dele. A caracterização. A Mallory é espectacular, fantástica de ler. As limitações dela são um seguimento lógico do passado dela, e a autora escreve-as com uma verdade emocional que ressoa. É custoso, é doloroso, a Mallory gostava de ser diferente, mas é assim. Vive com isso, e vai evoluindo aos bocadinhos para fora do casulo. Há vários tipos de força, e a Mallory encontra-a no seu interior. Mesmo não tendo passado pelo que ela passou, mesmo que não agisse como ela, posso entender as suas limitações, identificar-me com elas. Senti-as mais profundamente por isso.

Gostei bastante de ver a história desabrochar, de acompanhar o que estes personagens tinham enfrentado. A descrição do sistema de adopção e acolhimento de crianças é assustador. Nem todos têm as mesmas experiências, mas só a noção de que apenas uma criança possa passar algo como o que a Mallory ou o Rider passaram, bem, é aterrador e preocupante.

No caso do Rider (e já agora, que raio de nome é Rider? ninguém se chama assim, a não ser rapazes bonzões nos livros... ups, aí tenho a minha resposta), bem, o Rider pode parecer bastante mais bem resolvido com o seu passado. Palavra-chave: parecer. No caso dele o que me entristece é que é vítima do estereótipo e do que os outros projectam nele. Quantos miúdos não se perdem porque ninguém espera mais deles? Porque não há ninguém a puxar por eles, a incentivá-los a superarem-se e às expectativas?

Gostei bastante de os ver juntos, porque têm uma história tão séria e poderosa para trás que é impossível não gravitarem um para o outro. E são bem giros juntos, ele armado em protector, ela determinada a acreditar nele quando mais ninguém o faz. Achei um pormenor absolutamente adorável, que era o Rider corar por tudo e por nada. Ah, e há uma cena muito interessante, pelo, er, conteúdo, mas também por se manterem responsáveis. Haja alguém que acredite que os adolescentes são capazes disso.

Fiquei fã de alguns pormenores da história. A Ainsley, pela sua personalidade, pelas discussões com o Hector, mas também por a autora colocar um pouco da sua história nela. Ela tem sido vocal no Facebook sobre ter a doença e alguns problemas que lhe traz. O leque de amigos do Rider. Os pedacinhos da vida do Rider. O professor da disciplina de discurso. Os pais adoptivos da Mallory, a dinâmica que ela tem com eles, o modo como formaram uma família.

Tenho de destacar um par de coisas menos positivas. Uma é que o livro às vezes me deu a sensação de não estar... bem revisto? Ocasionalmente uma frase soava-me mal formulada, coisa que se apanhava com uma revisão mais aturada.

Dois, uma personagem identifica que alguém fala "Puerto Rican" por ouvir uma expressão, e eu fiquei... WTF??? Até consigo perceber a lógica de dizer que alguém fala porto-riquenho, apesar de ser impreciso. Poderíamos fazer o mesmo e dizer que alguém fala brasileiro se for óbvio pelo sotaque e expressões que usa que fala português do Brasil. Mas a expressão usada é tão corriqueira, tão pouco específica, que seria preciso poderes de dedução do nível Sherlock Holmes para chegar a isso. E a Jennifer agradece nos Acknowledgements a uma moça latina pela ajuda com o espanhol. Como é que um falante de espanhol deixava passar uma destas?

De qualquer modo, isto não é nada para me afectar o gosto da leitura, apenas são momentos... estranhos. No fim de contas, acho que este acabou por ficar um dos meus livros favoritos dela. Até me deu vontade de ir ler todos os livros dela que ainda me faltam.

Páginas: 480

Editora: Harlequin Teen

domingo, 19 de junho de 2016

Feira do Livro de Lisboa 2016 - E então, já acabou...

Eh. Esta feira foi realmente atípica. Mais ou menos como eu previa. Contas feitas, gastei muito pouco, comparando com os anos anteriores, talvez um quarto ou um sexto do valor que habitualmente e/ou em média gasto.

Não tenho bem ideia de quantas vezes costumo ir à Feira, mas talvez tenha ido menos vezes este ano. Ou talvez fui menos vezes com intenção de comprar livros, e também foram, obviamente, menos as vezes em que de facto comprei livros.

Contas feitas, depois das duas vezes descritas no post anterior, fui mais uma vez a uma hora H, mas em que basicamente fui só lá jantar com uma amiga. Andámos por lá dum lado para o outro, mas o raio das barracas da comida faziam questão, quase todas, de escrever gourmet algures na carripana.

Oh, céus. Acham mesmo que precisam disso para vender comida? O português está perfeitamente familiarizado com street food e roulottes de comida. Tudo o que conseguiram fazer foi pôr-nos a torcer o nariz cada vez que o víamos, e acabámos na roulotte dos hambúrgueres e bifanas. E comemos muito bem, já agora.

Fora isso, comi numa outra vez umas Tripas on Wheels, que eram basicamente uns crepes glorificados. Um bocadinho caros. Valeu terem ovos moles, que eu acho deliciosos. Mas as waffles doutra barraca estavam a bom preço e adorei comê-las com ovos moles, muito boas.

A seguir a ter ido lá com a minha amiga, fui mais uma vez à hora H. Não tinha nada específico em mente, e acabei a comprar o conjunto de livros que estão deitados. Estavam na Porto Editora-Bertrand a 5 euros, portanto na hora H ficaram-me a metade do preço. É um disparate, mas um disparate que me saiu muito barato.

Deu para complementar algumas séries, apesar de ficarem na mesma incompletas porque a editora desistiu desta chancela e de muitas séries que publicava. Mas fiquei com uma cópia de um par de livros que já tinha e de que gostei muito.

Passou uma semana sem eu ir lá, e depois fui a uma hora H para vir de mãos a abanar. As multidões desencorajaram-me e não encontrei nada que me animasse. As duas vezes seguintes que fui à Feira é que valeram. Passei um bom bocado na conversa com pessoal dos livros, o que me soube melhor que tudo o resto da Feira.

Voltei à Feira uma última vez no último dia, por causa da hora H. Excepcionalmente, acabou numa segunda-feira, por ser feriado em Lisboa (dia 13). Comprei os dois livros que estão ao alto na foto. Hei de dar continuidade à Deborah Harkness, e a banda desenhada tinha-me deixado curiosa quando saiu.

E pronto, terminou. Para o ano há mais. Como esperava e previa, gastei muito menos em livros, por ter muito menos que quisesse comprar. Acho que estou um bocadinho cansada da feira, se é que o posso pôr nestes termos. Gosto de livros, gosto de comprar livros, mas a maneira como as coisas funcionam na feira, bem, podiam ser melhores, e isso desanima-me. Portanto, só posso terminar desejando que para o ano seja melhor, e que até lá eu tenha muitas e boas leituras.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Curtas BD: Super-Heróis DC, vols. 13 a 15

Novos Titãs: O Contrato de Judas, Marv Wolfman, George Pérez
Há dois aspectos opostos desta história que fazem um par singular: é uma história típica dos anos 80, com tudo o que isso implica, e ao mesmo tempo tem uma certa profundidade e seriedade, que até nem parece coisa deste género de BD.

A descrição deste grupo de jovens é feita duma maneira a tender para o maduro; tem a sua leveza, também, mas tem momentos sérios e adultos com que têm de lidar. É muito claro que eles são adolescentes, mas não estupidificados, e até é bem interessantes acompanhá-los.

Contudo, a história tem elementos questionáveis - a questão da idade da Terra; tem problemas no enredo e no ritmo; e tem pormenores que são só parvos ou inexplicados - o uniforme do Nightwing dá vontade de rir, para não dizer pior, e a vilã detesta os Titãs só porque sim, porque o enredo o pede.

De qualquer modo, é uma história bastante cativante, a caracterização de alguns personagens deixa-me muito curiosa e com vontade de os voltar a ler e conhecer melhor.

Super-Homem & Mulher Maravilha: Par Perfeito, Charles Soule, Tony S. Daniel
Isto é um conceito estranho. Suponho que é óbvio que dois dos personagens mais populares e poderosos pudessem ser um par, mas nunca aconteceu e daí a estranheza.

Aqui a coisa curiosa é que o conceito resulta e não resulta. Não estou aqui a morrer para continuar a ler os dois personagens ou ver mais deles juntos, portanto não é uma coisa que me consome. Mas por outro lado, a coisa resulta. Resulta mesmo.

Apresenta uma exploração bastante credível do que seria uma relação entre dois personagens tão poderosos. Tem que havia confiança mútua, não pode haver egos. Os personagens estão à vontade nas suas capacidades e nas do outro, respeitam-se mutuamente e aprendem sobre as suas diferenças.

Podiam ser um casal a sério. Até podiam, só que nunca resultaria a longo prazo. A única coisa que os separa é todo este tempo de desenvolvimento individual, porque nunca os vimos juntos, e como são pessoas tão diferentes, desenvolvidos de maneira diferente e com valores diferentes, acabará sempre, imagino, por haver algo que os separa. Mas da maneira como são aqui escritos, podia acreditar.

Gosto bastante de como quando a relação deles é revelada, o mundo perde a cabeça, aterrorizado com a perspectiva de dois seres superpoderosos criarem devastação numa discussão de casal. É hilariante; mesmo zangados, nem o Clark nem a Diana seriam capazes de o fazer. Uma boa exploração da obsessão com a vida alheia nas redes sociais. E pontos bónus para a arte, que é muito cativante.

Esquadrão Suicida: Nós Que Vamos Morrer, John Ostrander, Luke McDonnell, Bob Lewis, Karl Kesel, Dave Hunt
Hmmm. Este é daqueles conceitos que descrito é bizarro e possivelmente parvo, mas funciona bem lido. Um grupo de vilões a quem é prometida liberdade em troca de embarcar numa missão, bem, suicida, pela dificuldade envolvida. Se bem que metade deles acaba por não ser vilão...

Acho que o que gosto mais neste volume é que até desenvolve bem as relações entre os personagens e conseguiu torná-los cativantes de ler; toda a gente tem a sua história e objectivos. Também achei que as sucessivas histórias são dinâmicas; não trazem nada de novo, propriamente, e às vezes são produto do seu tempo, mas mantêm o interesse, o que nem sempre acontece com histórias mais antigas.

É uma boa introdução ao conceito, e depois da publicidade feita ao filme que vem em Agosto (?), estou definitivamente intrigada.