segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sétima Campa... Estava Vazia, Darynda Jones


Opinião: E pronto, este é o sétimo livro da série, e não há muito que acrescentar. É um livro de fantasia urbana, é um pouco formulaico (nada de errado com isso, claro), e as coisas que encontrei nos livros anteriores e que já apreciei no passado, bem, vou continuar a gostar delas.

Entre elas, destaque para o sentido de humor. Um autor e um livro com sentido de humor é meio caminho andado para me ganharem como leitora, e bolas, adoro o humor com que a Darynda escreve, e a maneira sarcástica e depreciativa como escreve a voz da Charley, a protagonista. As situações caricatas em que a Charley se mete também me agradam ler, e divirto-me sempre com um destes livros, por mais situações sérias que também tenha.

Neste livro, começa finalmente a ser desenrolado um novelo que eu esperava ver desenrolado há algum tempo. Desde o início que é claro que vai haver um confronto épico entre, er, forças do mal e do bem, com profecias e drama e quem sabe o fim do mundo à mistura; e este livro dá um passo decisivo nesta direcção.

Estou a gostar de ver, e a única coisa de que me queixo é que avança demasiado devagar; mas lá está, deve-se à "fórmula" como a autora escreve as suas histórias, que só permite um certo avanço do arco de história principal que abrange os vários livros da série. De qualquer modo, as coisas ficaram mais sérias, e estou a gostar de vê-las intercaladas com os mistérios próprios deste livro.

Outra coisa que adoro seguir é o elenco, principalmente os personagens secundários, que são deliciosos. A Cookie é fantástica a lidar com a Charley, a pequena Amber tem uma óptima personalidade, o Garrett é tão mal utilizado, porque atura a Charley com uma tal estoicidade que merecia bem mais... a Gemma merecia mais tempo de antena, e também o Quentin; e este personagem novo, o Dealer, é definitivamente intrigante, porque não sabemos nada dos seus motivos.

Quanto aos protagonistas, bem, eu sempre tive uma relação difícil com o conceito da relação deles. Gosto muito da ideia deles juntos, do passado em comum que tiveram, a série de desencontros, e como estão feitos um para o outro. Contudo, frustram-me um bocadinho, por vezes.

Gostava que o Reyes se tornasse mais permeável ao carinho e compaixão que a Charley sente por ele e pelo seu passado e circunstâncias, porque tem mesmo de aprender a permitir sentir-se vulnerável e amado, e digno de ser amado. Não digo que não é uma caracterização e evolução fascinantes de observar (há pequenos detalhes na personalidade e circunstâncias dele que são muito bem pensados), mas gostava que isto andasse para a frente mais depressa.

A outra coisa que me frustra, bem, é este novo desenvolvimento na relação deles. Ainda não consigo ver bem o endgame da autora, aquilo que ela tenciona fazer com isto, e por isso por enquanto é uma vulnerabilidade, algo que não sei se tem lugar na história. Além disso, detesto como tem condicionado a relação deles.

O Reyes está demasiado protector, a Charley revolta-se e foge e mete-se em sarilhos, dando razão ao Reyes, que fica ainda mais protector... detesto este ciclo auto-alimentado. Ugh. Não gosto de protagonistas masculinos armados em macho alfa, e não gosto de protagonistas femininas que dão em burras só porque sim. Darynda, por favor, tira-nos deste filme, sim?

Enfim. Ainda gosto bastante da série, e claro que vou continuar a ler. Estou pelo menos curiosa e intrigada com o futuro da série e dos personagens. Não vejo como é que o próximo livro pode ser minimamente interessante, porque a decisão que os personagens tomam parece ser um recuo e não um avanço, parece que se estão a acobardar e esconder, mas vou esperar para ver.

Uma última menção para um certo desenvolvimento. Há um personagem, com quem a Charley sempre teve uma relação conturbada, apesar de se amarem. E acontece-lhe neste livro uma... coisa. O meu problema é que não há pistas suficientes para isso, preparação suficiente do leitor para isso. Gostava que ele e a Charley tivessem partilhado mais tempo de antena no livro, para preparar esse desenvolvimento.

Vi logo à distância o que lhe tinha acontecido quando ele aparece, e é devidamente chocante e preocupante, mas também bastante inesperado, e por isso não tem impacto emocional, o que é uma pena. Além disso, com as decisões dos personagens quanto à mudança de cenário, não vejo como é que esta situação pode ser devidamente explorada e investigada. E sei que a Charley quereria fazê-lo, por isso parece-me algo irrealista continuar neste caminho.

Enfim. Estou com pouca confiança na direcção que a Darynda parece ter tomado, mas claro que quero ver onde isto vai dar. Pelo menos sei que vai ser interessante e nada aborrecido.

Título original: Seventh Grave and No Body (2014)

Páginas: 312

Editora: Círculo de Leitores

Tradução: Ana Lourenço

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