sábado, 20 de agosto de 2016

The New Guy (And Other Senior Distractions), Amy Spalding


Opinião: Este é um livrinho fofito, contemporâneo, mas a longo prazo suponho que não me vá ficar na memória. Sinto-me grata pelo Book Mail YA o ter escolhido, e me ter mandado este livro na sua caixa; conheci uma nova autora, e a Amy Spalding faz algumas coisas giras na sua história. Por outro lado, não foi um livro que me deu vontade de ir a correr explorar o resto dos livros da autora. Uma pena. Tenho saudades de ler uma boa autora contemporânea com um tom tão divertido.

O livro foca-se em Jules, uma jovem que está a começar o seu último ano da escola secundária. Jules é uma aluna top, está sempre em cima do acontecimento, e tem um plano para este ano correr no seu melhor.

Só que tudo descarrila mal o ano começa: Jules é encarregada de mostrar a escola ao aluno novo, Alex Powell. O mesmo Alex que há um par de anos era superfamoso e pertencente a uma boyband. Relutantemente, Jules aceita a atracção que tem pelo Alex, que é genuinamente uma boa pessoa, simpático, interessado, e nada cheio de tiques. A Jules é nova nesta coisa de ter um namorado e passa-lhe um pouco ao lado toda a coisa.

Por outro lado, cartazes a anunciar algo chamado Talon são espalhados pela escola, e quando Jules descobre o que é, parece que os seus planos cuidadosamente elaborados vão todos para o lixo. Tencionava liderar o jornal da escola e deixá-lo no melhor estado possível para os alunos que ficarão à frente dele no ano seguinte; mas o Talon é um canal de TV multimédia que passa durante alguns minutos na escola, dando-lhes efectivamente concorrência no que toca a jornalismo escolar, e Jules teme que o Crest (o jornal escolar) perca com a comparação.

E pronto, este é o centro da história. Creio que é necessário explicar isto porque a sinopse é muito vaga, sem dar ideia do que vai acontecer no livro, e fala de uma traição do Alex sem explicar porque é ele tão importante, e sem dar a entender que isso tem a ver com esta rivalidade jornalística.

É muito divertido seguir a Jules nos seus dramas pessoais, à medida que a rivalidade com o Talon cresce e a sua ansiedade para com o Crest e a sua continuidade cresce também. E também é interessante ver como ela lida com ter um namorado, quando isso nunca tinha acontecido; e ver como se afasta dos amigos e fica enredada no drama com o Talon e esquece um bocadinho tudo à sua volta.

Contudo, o meu problema com a história é que a autora talvez tenha exagerado um bocadinho demais no drama, na maneira como a Jules sente as coisas: fica tão indignada com o aparecimento do Talon, e mete logo na cabeça que isso vai ser o fim do Crest, o jornal, e... sei lá, pareceu-me que era tudo muito a peito; a vontade que me dava era de puxar as orelhas à rapariga e dizer-lhe para se acalmar. Tanta intensidade na maneira como ela levou as coisas soou-me a... falsa, talvez? Nada credível, pelo menos.

E pronto, como isto é o centro da história, pareceu tudo um pouco... demais. Porque de resto a história é amorosa. Os personagens secundários são fantásticos; a Sadie com os seus dramas maternos (a mãe é uma superestrela de cinema e a Sadie tem dificuldade em posicionar-se para além disso), o professor de jornalismo, e o Alex, que é tão fofo e terra-a-terra.

Ah, e as mães da Jules, um casal lésbico que foi introduzido duma forma fantástica. Gostei muito de ler como a Jules cresceu com elas e cresceu com a situação e se sente acerca disso (perfeitamente normal, I mean) e lida com cada uma de forma diferente. As três são adoráveis juntas; as mães da Jules, como ela é tão caseira, encorajam-na a viver um pouco antes de entrar para a faculdade.

Até gostei da Jules, apesar da intensidade com que encara a situação central ao livro. Acho-a engraçada, na maneira como parece ter tudo resolvido e decidido, mas quando encontra um obstáculo, passa-se um bocadinho. E gostei da a acompanhar enquanto descobre algumas coisas que não tinha experimentado, o que a coloca fora da sua zona de conforto, algo divertido de acompanhar.

E pronto, foi um livro bem giro, diverti-me bastante a lê-lo, mas tem as suas falhas, e apesar de não me terem incomodado, propriamente, também não consigo deixar de as apontar. Aprecio definitivamente que a YA Book Mail box me tenha apresentado uma nova autora. Recomendaria para uma leitura mais rápida e divertida, mas há definitivamente coisas que me tenham preenchido mais.

Páginas: 320

Editora: Poppy (Little, Brown)

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