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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 36, 39-41

Deadpool: A Guerra de Wade Wilson, Duane Swierczynski, Jason Pearson
Bem, isto é interessante. E estou a falar a sério, ao contrário do Deadpool. Apreciei bastante o estilo de história, uma narrativa fragmentada com um narrador inconfiável, que nos faz questionar a sua realidade (ou a nossa) - quase ao estilo Inception.

É também refrescante ler uma história tão divertida/com um sentido de humor fantástico, meio retorcido e mórbido; e com violência a rodos, da qual não se desculpa. Além disso, aprecio a história por funcionar como uma espécie de introdução ao personagem, fornecendo uma possível história de origem para ele.

A história extra contida no volume é do mesmo argumentista e é sobre o Deadpool vender a sua história a Hollywood... que, expectavelmente, a retorce toda para a tornar mais vendável/palatável aos espectadores. O protagonista tem duas reacções: uma na cabeça dele (que é surpreendente), e outra na vida real (que é surpreendentemente emocional). Cativante.

Terra das Sombras, Andy Diggle, Billy Tan
Já li, e já opinei aqui. Volto a repetir-me, acho uma premissa francamente interessante. Pela carga religiosa que o personagem tem, é fascinante vê-lo fazer coisas cada vez mais moralmente "más", uma queda de graça profunda que o aterra no fundo do poço.

Contudo, entristece-me pensar que a responsabilidade pessoal do Matt nas suas acções é subvertida pelo facto de estar, essencialmente, a ser controlado por outra entidade. Acharia muito mais interessante tê-lo ver enterrar-se no buraco cada vez mais, justificando coisas cada vez piores, e depois ter uma história em que lida com a sua culpa e tentar perdoar-se pelas suas acções. (Bem, a história existe, mas não é especialmente boa, e é diminuída por este problema.)


Vingadores: A Cruzada das Crianças, Allan Heinberg, Jim Cheung
Esta, por sua vez, foi tão cativante. É uma premissa aparentemente simples: dois dos Young Avengers, Veloz e Wiccano (mais este), querem encontrar a Feiticeira Escarlate. A coisa complica-se quando descobrimos que desconfiam ser os, erm, filhos espirituais da Feiticeira, aqueles que morreram algures e deram cabo da sua mente ao ponto de ela criar a cronologia House of M, e depois destruir a população mutante, retirando os seus poderes a uma larga percentagem deles.

A história intrigou-me e cativou-me por expandir eventos passados que tinha acompanhado com interesse, como a House of M, e toda a coisa de não haver mais mutantes, o que sempre achei preocupante (quer dizer, podemos argumentar que além de matar Vingadores, ela terá matado um sem-número de mutantes que dependia da sua mutação para sobreviver no mundo); isto dá um fecho, uma sensação de resolução à história - sempre achei que a Feiticeira não tinha expiado esse "pecado", e pelo menos essa história corrige isso e coloca-a num ponto em que quer procurar uma espécie de redenção.

Além disso, adoro os Young Avengers e divirto-me sempre a ler uma história deles. Esta não fica atrás - é boa, cativante, com bom ritmo, e cada vez mais complexa. Não me fez odiar ninguém dos envolvidos, o que não seria o caso com outros eventos como House of M, ou AvX. (Gosto contudo de como as coisas estiveram encadeadas nos eventos até AvX - consegue-se ver como umas histórias evoluem para as outras, e a evolução faz sentido. Não sei se é o caso nos "eventos" que a Marvel anda a deitar cá para fora agora.)

Hulk: Destruição Total, Jeff Parker, Gabriel Hardman, Ed McGuinness
Já disse aqui várias vezes que o Hulk é personagem que não me assiste, perdão, que não me cativa, ou que raramente conseguem escrever de forma a cativar-me. Contudo, esta é uma história que eu posso apreciar, nem que seja pela ironia.

Ora o General Ross, que tantos anos perseguiu o Hulk, é ele agora também um Hulk, o Red Hulk. A ideia em si é hilariante, pela forma obsessiva com que ele o fazia. Mas também achei divertida a ideia de como Red Hulk, ele ter feito asneiras desde o início, e neste volume ter de pagar - o Red Hulk é obrigado a cumprir missões nesse sentido, e é emparejado com personagens que sistematicamente querem dar cabo dele, devido a esses eventos. Pronto, e é uma narrativa que permite expandir-lhe um pouco a mitologia, e permite-me gostar do personagem em toda a sua resmunguice.

A história final é tão engraçada (e nada tem a ver com o resto), por obrigar o Hulk e o Red Hulk a trabalharem juntos duma forma inusitada. Hilariante.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Em poucas palavras: BD

Superman: New Krypton vol. 1, Geoff Johns, James Robinson
Creio que é o primeiro livro editado pela DC que tenho nas mãos; o papel usado é mais fino que o normal (ou aquilo a que estou habituada), mas é suficientemente bom e não traz problemas à leitura. A encadernação em capa dura é boa e traz na parte da frente uma gravação do Super-Homem em pose semelhante à da capa. Não sei se é prática comum na DC, mas agrada-me o modo como organizaram as revistas desta "saga": cronologicamente, e não por título, o que permite acompanhar muito melhor a história.

Quanto à história em si, fiquei com a sensação que estamos ainda na introdução dos eventos principais. Não há muita acção, mas por outro lado o enredo é complexo , o que parece raro neste género de banda desenhada. Gostei disso. Estou vagamente familiarizada com o mundo do Super-Homem, mas não tive dificuldade em seguir a história, a maior parte das referências ao passado são auto-explicativas. Em termos de arte há uma variedade de artistas, e por isso de estilos, mas em geral agradaram-me, especialmente algumas ilustrações de duas páginas.

Uncanny X-Men: Fear Itself, Kieron Gillen, Greg Land
As grandes editoras de BD americanas e os seus eventos que abrangem múltiplos títulos. *suspiro* Neste caso, vale a pena ler, porque estou relativamente familiarizada com os X-Men, ainda que não com os acontecimentos que levam a esta história. A sinopse e a própria história dão contextualização suficiente.

O enredo desenvolve-se de modo satisfatório, com os X-Men a lutar para impedir uma ameaça a São Francisco. Tem alguns momentos bem-humorados, como a descrição dos planos para travar a tal ameaça e a classificação "ineficaz" quando não funcionam. (E também a reacção da Emma Frost à Hope Summers.) A história final do volume parece fechar um capítulo dos X-Men, na medida em que aparentam estar a abandonar São Francisco. É interessante pelo ponto de vista que apresenta, e pelo fechar de uma era no título.

Nota à edição, porque o hardcover é lindo. Verde esmeralda, com o símbolo da saga gravado na parte da frente.

Shadowland, Andy Diggle, Billy Tan
Esta saga tem (tinha ?) tudo para ser grandiosa. A queda de graça do Matt Murdock e do seu alter-ego, Daredevil, é um tema já explorado na história do personagem, mas possivelmente não neste sentido, o de o herói perder completamente o seu sentido moral e chegar a fazer coisas terríveis. (Não que eu tenha pena do Bullseye, que me parece um grandessíssimo psicopata.)

Acho apenas que perde um bocadinho por tentar ser uma saga grandiosa e abranger vários títulos da Marvel, quando a história funciona melhor confinada e algo claustrofóbica. O espaço onde a acção acontece é restrito (Hell's Kitchen), e os heróis envolvidos em travar o Demolidor são os "heróis de rua", quase nenhum voa ou trepa paredes, por isso o seu raio de acção é restrito. Não sei se esta ideia faz sentido, mas em suma, creio que a história se dispersa por estar distribuída entre tantos títulos, o que resulta em haverem demasiadas edições que coleccionam os números da saga.

Neste caso fez-me falta ler pelo menos o livro Shadowland: Daredevil, em que possivelmente se verá com mais pormenores a "queda" do Demolidor. Como disse, a ideia é muito boa, e a execução não é má de tudo, mas para ter um impacto emocional precisava de outra abordagem. (Este escritor não é definitivamente o Frank Miller.) Creio que vou apostar no livro mencionado em cima, para ver se tenho outra perspectiva.

Birds of Prey vol. 7: Perfect Pitch, Gail Simone, Paulo Siqueira, Robin Riggs
Nunca tinha ouvido falar deste título. Sei quem é a Oracle, e terei ouvido falar vagamente duma ou outra heroína deste título, mas estou muito menos familiarizada com a DC do que com a Marvel, e por isso conheço menos os seus super-heróis. Gostei de conhecer estas heroínas, pareceu-me um grupo a seguir através de outros livros que compilem as suas aventuras.

Não sei se é por ser escrito por uma mulher, mas tem alguns momentos bem engraçados e totalmente femininos. (Destaque para o momento em que a Black Canary rouba um beijo ao macambúzio Batman - um momento hilariante, mesmo.) O desenvolvimento das personagens parece-me credível e dei por mim cativada pelas suas aventuras. Há algumas menções a acontecimentos do passado e ocorridos fora deste título, mas nada que não fosse explicado ou subentendido. Estou super curiosa para ver mais deste grupo.

Ultimate Comics Iron Man: Armor Wars, Warren Ellis, Steve Kurth
Título da linha Ultimate, que funciona um pouco à parte da principal, é uma história bastante autocontida (à excepção de seguir um acontecimento trágico ocorrido noutro livro e mencionado neste) e fácil de seguir. O Tony Stark vê dados e tecnologia relacionados com a construção da armadura do Iron Man serem roubados e percorre meio mundo para os recuperar.

Não é uma história complexa, pois só se estende por quatro números, mas entretém. Tem algum humor e muita acção, com o Homem de Ferro a tentar ser versátil no modo como usa a armadura e muitas vezes a usá-la até à exaustão. Gostei da arte, mas fiquei a pensar se a coloração às vezes não atrapalha... pelo menos ao observar os esboços passados a tinta no fim deste livro fiquei com essa ideia - houve esboços que apreciei mais que a versão final.