domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Os Homens que Odeiam as Mulheres (2011)

Confesso que não fiquei muito convencida quando ouvi dizer que ia ser feita uma versão americana deste livro sueco. Pensei "lá está Hollywood a tentar arranjar uma coisa que não está partida..." Parece que não precisava de me preocupar, porque adorei esta versão de David Fincher.


Começando pelo genérico, que é fantástico visualmente, e acompanhado por uma versão da "Immigrant Song" que me ficou na cabeça. Bem, e acho que nunca mais vou ver uma certa música da Enya da mesma maneira. A banda sonora em geral ajuda a conjurar a atmosfera fria e inclemente em que se passa a história. Os cenários também são espectaculares, senti como se estivesse mesmo no meio da Suécia ali a morrer de frio. (Suponho que o frio que se sente nestes dias ajudou.)

O enredo tem umas pequenas adaptações que funcionam muito bem. Dão uma perspectiva diferente de alguns personagens. Para já, achei-os menos idiotas, isto é, o filme complementa bem a sua personalidade e motivações. Acho que percebo melhor porque é que o Henrik estava cego ao que realmente aconteceu com a Harriet. Ele simplesmente não fala com a família, e suspeito que está em negação sobre o assunto porque se sente culpado. O Mikael simplesmente meteu os pés pelas mãos no caso do Wennerström, e no filme vai parar à casa do Martin duma maneira menos estúpida.


A coisa mais diferente na história é o fim, aquilo que aconteceu à Harriet. Confesso que quando lá cheguei foi inesperado (apesar de já ter ouvido dizer que tinham mudado o fim) e fiquei um bocadinho a tentar perceber o que é que tinham mudado - mas num filme que já ia longo, faz sentido resolverem este pedacinho da história mais depressa, e fiquei satisfeita.

A Lisbeth está fantástica. É uma personagem tão complexa, oscilando na história entre os papéis de presa e predadora, sentindo-se tão real em ambos os papéis. Estou muito curiosa para ver (ler) o que aconteceu no seu passado.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um Toque de Sangue, Charlaine Harris


Opinião: É um conjunto de contos muito interessante, que complementam a história principal dos livros da série. Acho que dá para ver que a Charlaine é uma escritora de mistério acima de tudo, porque cria aqui pequenos mistérios muito satisfatórios em que a Sookie se envolve. Deve ter sido das poucas vezes em que os contos de uma antologia não tiveram aquela característica de "soube-me a pouco".

A minha queixa principal é que esta é uma edição curtinha, com apenas 5 contos. Com tantos contos que a Charlaine já escreveu no mundo da Sookie Stackhouse, isso sim soube-me a pouco e foi desapontante.

Pó de Fada passa-se entre o quarto e quinto livros, Sangue Oculto e Sangue Furtivo, e segue a Sookie na resolução de um mistério com as fadas Claudine e Claude. Descobrimos o que aconteceu à terceira irmã deles, Claudette, e vemos a Sookie a fazer de detective.

Noite de Drácula fala-nos duma noite muito importante para os vampiros, a do aniversário do Drácula. Também acontece entre o quarto e quinto livros. Foi muito divertido ver o Eric tão excitado com a possibilidade de o Drácula vir em pessoa visitar o seu bar durante a festa.

Resposta de Uma Palavra Só deve ser o meu favorito do conjunto. Passa-se entre o quinto e o sexto (Traição de Sangue) livros, e nele o advogado da rainha do Louisiana traz más notícias à Sookie sobre a prima Hadley. Gostei porque vemos um lado malicioso da Sookie que não se vê muito frequentemente, ao forçar uma situação a seu favor, combinado com o seu discernimento ao aperceber-se do que realmente aconteceu à Hadley.

Sorte acontece a seguir ao sétimo livro, Sangue Felino, e põe a Sookie novamente no papel de detective, desta vez com a ajuda da Amelia Broadway. Achei interessante o conceito de sorte e azar explorado, até porque está relacionado neste conto com os poderes de bruxas, que é uma espécie sobrenatural que gostava de ver mais focada nos livros principais.

Presente Embrulhado desenrola-se depois do oitavo livro, Laços de Sangue, seguindo um Natal solitário da Sookie. Tive pena de a ver passar uma festa tipicamente familiar sozinha, ainda mais demonstrando ela ser uma boa samaritana durante o conto. O avô Niall traz-lhe um presente inesperado, mas não sei se sou fã do engano que permitiu a entrega desse presente.

Título original: A Touch of Dead (2009)

Páginas: 224

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Renato Carreira

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Isto explicaria muita coisa...

... ou na verdade, apenas uma coisa em que estava a matutar hoje à tarde. Na semana passada, li um artigo sobre como a entrega do correio estava a ser atrasada. Nomeadamente, foi desta parte do artigo que me lembrei hoje, sobre o novo modelo de distribuição:

Mas afinal o que é a distribuição segmentada? Um carteiro tem determinada área e essa área, segundo este modelo, passou a ser dividida ao meio. Ou seja, num dia, o carteiro leva todo o correio (normal e prioritário) só à primeira parte da área e na outra metade entrega apenas o correio prioritário. 

No dia seguinte, na primeira metade entrega apenas a correspondência prioritária; e na segunda, todo o tipo de correio. E assim sucessivamente. Ou seja, o que podia ser entregue num só dia, acaba por chegar ao destinatário dois ou três dias depois, na melhor das hipóteses.

Basicamente, recebe-se correio prioritário todos os dias, e correio normal dia sim, dia não. Pois bem, tenho estado à espera duma encomenda grande vinda do Book Depository, e achei curioso ter recebido dois livros na 2ª feira, e um na 4ª feira - o que encaixaria com o tal esquema de receber correio dia sim, dia não. Por esta linha de raciocínio amanhã de manhã devo receber mais qualquer coisa.

O que me preocupa, além da irritação óbvia de o meu correio ser deliberadamente atrasado um dia graças a este novo modelo de distribuição, é o facto de recear também que os livros vão sendo, digamos, "detidos" e entregues aos bocadinhos. Dantes, pela minha experiência, livros enviados pelo BD no mesmo dia chegavam cá a casa mais ou menos no mesmo dia, o que originava por vezes receber três ou quatro livros ao mesmo tempo; desta vez, recebi no máximo dois (e é porque vinham dentro do mesmo envelope). Será que vou receber os livros ao longo de duas ou três longas semanas, um envelope de cada vez?

Enfim... sei que a vida está difícil, as pessoas andam pessimistas e sem vontade de prestar um bom serviço, mas a credibilidade de uma empresa está no tal bom serviço que presta às pessoas e na satisfação das mesmas. Com coisas destas, qualquer dia voltamos ao século XIX no que toca a entregas de correio.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os Homens que Odeiam as Mulheres, Stieg Larsson


Opinião: Bem, a minha irmã anda há uns tempos a querer ir ver a adaptação cinematográfica deste livro que acabou de estrear, por isso cedi à minha relutância em ler o livro e lá o devorei em menos de nada. Número um: já não me lembro porque é que estava tão relutante. Número dois: já percebo o buzz em torno desta saga. Número três: parafraseando o Obélix, estes suecos estão doidos!

A escrita é despretensiosa e simples, mas cativante o suficiente para embalar o leitor. A história leva um bocadinho a arrancar (é preciso chegarmos a meio do livro para haver a primeira evolução no caso da Harriet), mas a partir daí flui muito bem, tornando a leitura compulsiva.

E é bem interessante ver um ponto de vista pouco comum em livros: a história é escrita por um autor nórdico, que aproveita para nos apresentar o seu país como o vê. A verdade é que por vezes escorrega um pouco para o tom doutrinário, mas também ajuda a criar o cenário.

Os dois enigmas que são desenvolvidos no livro, bem, tenho a dizer...


E lá está, é um momento histórico, é o primeiro gif (EDIT: não estou a conseguir fazer o gif funcionar na página, só carregando na imagem é que está a funcionar... mas perceberam a ideia) do blog - por isso posso garantir que a situação que o motivou é séria. Quanto ao primeiro enigma (não sei se lhe hei de chamar mesmo enigma), o porquê do Mikael Blomkvist não ter contestado a sua sentença em tribunal - foi revelado demasiado tarde. Passei o livro a pensar que o Blomkvist era um idiota, por se ter deixado cair na situação em que caiu, e a explicação não ajudou a dissipar essa impressão.

Quanto ao segundo enigma, sobre o que aconteceu à Harriet - logo no momento em que o Henrik Vanger estava a contar a sua história, a dar as várias hipóteses do que lhe podia ter acontecido e a eliminá-las - logo aí percebi o que tinha acontecido, e achei-o idiota por ter excluído essa hipótese. Não percebi logo o motivo do que lhe aconteceu, porque aí não havia pistas para isso, mas sim o como. Se bem que descobrir o motivo foi bastante estimulante e macabro ao mesmo tempo.

A Lisbeth Salander é o verdadeiro atractivo do livro, por ser uma personagem tão diferente e contraditória. É engraçado, a humanidade é geralmente uma trampa a lidar com estas pessoas na vida real (como o demonstra a história da Lisbeth), mas adora um inadaptado alienado na ficção.

Título original: Män som hatar kvinnor (2005)

Páginas: 544

Editora: Oceanos

Tradução: Mário Dias Correia (a partir do inglês)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

E um ciclo termina

Isto não tem directamente a ver com leituras, mas de certo modo até tem. Acabei hoje (finalmente) a última avaliação formal do meu curso superior no que toca às tradicionais cadeiras; agora só falta o estágio (e respectivas avaliações). Digo que tem a ver com as leituras porque me tenho sentido algo frustrada nas últimas semanas (aliás, quase o semestre todo): as avaliações e o trabalho que elas me deram têm-se arrastado duma maneira completamente ridícula, deixando-me bastante cansada, e claro, isso tem afectado por vezes as minhas leituras e até a vontade com que posto por aqui. Claro que tenho a noção que quando entrar em estágio o tempo ainda será mais escasso, mas por ora tenciono aproveitar o pouco tempo livre que tenho e descansar e ler muito.