terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: 007 - Skyfall (2012)

... a sorte do James Bond é que é um personagem originalmente literário, o que me dá a oportunidade de opinar o último filme aqui nesta rubrica. Visto com um mês de atraso, mas, ei, ao menos deu-me a oportunidade de ver o segundo trailer do Hobbit no grande ecrã.

Não me lembro muito bem dos actores anteriores que fizeram de Bond (vi muitos dos filmes na televisão quando era miúda), mas tenho a sensação que cada Bond é um produto do seu tempo. Apesar do barulho à volta do casting, achei o Daniel Craig uma escolha interessante, especialmente para um paradigma de Bond mais sério e mais orientado para as cenas de acção.


Skyfall combina as cenas de acção com alguns momentos e revelações mais pessoais para Bond e M, que têm uma relação única. Velhos erros voltam para perseguir M, e um vilão cibernético surge, provavelmente dizendo algo acerca dos tempos que correm. O final é um pouco triste, mas quase inevitável.

O elenco secundário é fabuloso. A Judi Dench destaca-se onde quer que vá. Gostei do personagem do Ralph Fiennes, mostrando um personagem que é capaz de se vir a dar melhor com o James Bond do que se pensaria. O Javier Bardem, bem, reconheço-lhe as capacidades, e fez o melhor com o personagem que lhe deram, mas, bolas, o Silva é um personagem que me pareceu um tudo-nada histérico e teatral a mais para quem é tão calculista. A Naomie Harris tem uma personagem com alguma piada, mas aquela coisa de não conseguir largar do sotaque confunde-me. Em todos os papéis que a conheci tinha o sotaque que assumo que é o dela, mas um actor devia apostar na versatilidade e esforçar-se para variar um bocadinho.


O Ben Whishaw *fangirla* estava tão fofo, o estilo que arranjaram para o Q lembrou-me muito do Freddie em The Hour. (O que me lembra, tenho de ver a segunda temporada.) Um Q muito novo e totalmente nerd é uma ideia bem engraçada. Achei muito divertida a cena em que ele e o James Bond se conhecem, as piadas sobre o Bond estar a ficar velhote têm alguma piada elas próprias, porque o próprio actor reconheceu algures poder estar a ficar velhote para o papel.

A direcção de fotografia está de parabéns, criaram duas cenas que adorei, a da torre em Xangai, e a cena final, com a iluminação à base do fogo. Os responsáveis pelo genérico também fizeram um bom trabalho, gostei do genérico, muito ominoso e cheio de pistas para o fim. Ah, e fiquei viciada na música da Adele. Ouvi-a talvez 3 vezes, e não me consigo esquecer dela.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lips Touch, Three Times, Laini Taylor


Opinião: Ah, estava com tantas, tantas saudades da escrita maravilhosa da Laini Taylor, que quando li este um mês (o que faltava para o Days of Blood and Starlight sair) parecia uma eternidade! E pronto, ler este livro foi o mais próximo que podia estar desse acontecimento. A autora tem uma escrita maravilhosa, poética, imaginativa que nunca deixa de me maravilhar, e este livro confirma que a Laini Taylor consegue escrever uma história espectacular em narrativas mais curtas, subordinadas ao tema "primeiro beijo".

O primeiro conto, Goblin Fruit, foi aquele de que gostei menos. É fantástico a descrever uma faceta adolescente, de desejos e paixões, mas achei a personagem principal uma tolinha, já que depois de todos os avisos, foi cair na armadilha para a qual foi avisada.

O segundo conto, Spicy Little Curses Such as These, é completamente a cara desta escritora. Maldições, magia, e corações partidos. Lembrou-me do Daughter of Smoke and Bone, em certa medida, pelos temas, mas acaba bem melhor. Gostei da concepção da maldição e do que vinculava os personagens a fazer. Muito doce.

O terceiro conto, Hatchling, é fabulosamente soberbo. Com 100 páginas podia saber a pouco, mas é tão completo e tão bonito. Adorei o conceito, a história em torno dos Druj, o modo como a narrativa se tece em torno dos personagens, até a melancolia pelo que os Druj perderam. Também me lembrou do Daughter of Smoke and Bone, mas mais na execução. Não que as histórias sejam parecidas, mas a autora tem uma maneira singular de criar histórias, e isso transparece no que escreve.

Páginas: 288

Editora: Arthur A. Levine Books (Scholastic)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Picture Puzzle #29

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: [a actualizar].

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: já foi adaptado a pelo menos um filme e umas quantas séries.

Puzzle #2
Pista: título em inglês ou em português, as imagens servem para os dois.


Divirtam-se!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lusitânia #1

Esta publicação tem na sua origem uma premissa bem interessante, a de dar destaque à cultura e mitologia portuguesa como ponto de partida para ficção especulativa. Missão cumprida. Os contos apresentados transmitem no geral uma sensação de "portugalidade", que apenas não me foi tão evidente nos últimos dois contos.

O design está relativamente bem trabalhado. Gosto dos fundos usados para contornar o problema do aborrecido que seria a página em branco, e cada conto está acompanhado por uma ou várias ilustrações adequadas. Adoro a ilustração da capa.

O reparo que tenho a fazer prende-se com a revisão e edição, que poderiam ter sido mais cuidadas. Também me confundiu o facto de os autores virem identificados por vezes no início, por vezes no fim do texto. E a paginação é um tudo-nada estranha, já que a segunda página (e aqui não estou a contar com a capa) está numerada como... 3.

Sonhos numa Noite de Natal, Marcelina Leandro - Curto mas eficaz a transmitir a sua ideia, podia ser mais claro em certas passagens. A ideia de "ler" os sonhos é bem gira, e gostei da reviravolta final.

Vinho Fino, Inês Montenegro - Um bom design na primeira página, em forma de garrafa. A ideia é provocadora, a dos parasitas, e o cenário do Douro é perfeito. Acho que acabou por se tornar o meu favorito do conjunto.

Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata, Catarina Lima - Arrasta-se um pouco na primeira parte, levando demasiado a chegar ao clímax (o terramoto). O gag da miúda a ver a bruxa a voar e o namorado não acreditar é divertido. A noção de os pastéis terem salvo Portugal também. É um dos contos que precisava de mais uma revisão, notei algumas trocas de letras.

A Guerra do Fogo, Nuno Almeida - A efabulação em torno da figura histórica cria um conto cativante. Pelo título não estava a ver qual o acontecimento focado, mas a figura histórica em questão foi fácil de adivinhar. Tem um ritmo lento, mas funciona bem com este conto.

A Cidade das Luzes, José Pedro Lopes - Este conto precisava de ser melhor editado, algumas frases soaram-me estranhas, as revelações à volta das luzes tendem para info-dump mal feito, e a relação entre Débora e Ivo podia ser mais trabalhada. Mas a ideia base é fabulosa, aquilo que as luzes significam e como isso foi a base para estabelecer um governo autoritário e uma sociedade apática.

A Passagem Uivante, Pedro Cipriano - Tem um final e uma mensagem fortes, mas é curto, não dá tempo para nos ligarmos ao personagem principal ou para compreendermos este mundo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Uma tarde no Fórum Fantástico...

... ai, ainda hei de conseguir ir a pelo menos dois dias do evento. Ou sendo mesmo optimista, assistir a todo o evento, mas este ainda não foi o ano. É o terceiro ano em que assisti ao FF, e pela terceira vez dei por mim assoberbada pelo trabalho da faculdade e a poder ir só no Sábado à tarde. Mas a parte positiva é que foi uma tarde muito bem passada, com apresentações bem giras e interessantes.

Na primeira parte da tarde foram apresentados três projectos de novas publicações na área do fantástico - a Trëma, a Lusitânia e o Almanaque Steampunk. É engraçado ver que afinal há mais publicações no género do que pensava, ainda a semana passada andei à procura e encontrei mais alguns títulos. Trouxe para casa um exemplar de cada. Hei de ler e opinar nos próximos tempos.


A apresentação seguinte foi subordinada a "Mitos e Fantasmas na Ficção Nacional". A jornalista Vanessa Fidalgo apresentou o seu livro "Histórias de um Portugal Assombrado"; Cláudio Jordão e Nélson Martins apresentaram a sua curta "O Conto do Vento" (bem gira, e a perspectiva do vento dá-lhe uma faceta única); e David Rebordão falou da sua curta, "A Curva", e do mito urbano criado em torno desta (curioso, não conhecia a curta, mas gostava de ver).

A segunda parte da tarde começou com algumas sugestões de livros, BD e jogos por parte de João Barreiros, João Campos e Artur Coelho - divulgadas entretanto por João Campos no seu blogue, Viagem a Andrómeda. Algumas ideias a ter em conta, especialmente a de João Barreiros para nos mantermos afastados do livro 2312, de Kim Stanley Robinson.

A seguir, a apresentação de Dan Wells sobre os seus dois livros publicados em português - Não Sou um Serial Killer e Senhor Monstro. Uma conversa em que o autor falou do que o levou a escrever este série (escrevia livros da fantasia "very, very bad" mas com umas partes negras muito boas), o seu interesse em explorar a dualidade de bom/mau que todos carregamos, e de outros livros que escreveu (entre eles um que me chamou a atenção este ano, shame on me por não fazer a ligação entre o autor desse livro e este autor). Foi um momento bem divertido, o escritor tinha um bom sentido de humor e falou bem sobre os seus livros. Tão bem que me convenceu a trazer para casa o primeiro livro, com rabisco e tudo.

A tarde terminou com o lançamento da antologia Lisboa no ano 2000. Uma premissa engraçada, com uma efabulação giríssima (já a antologia apresentada o ano passado, a da Pulp Fiction, tinha este aspecto). O ponto alto foi estarem presentes uma boa parte dos autores da antologia, tantos que ocupavam a primeira fila do anfiteatro, prontos a rabiscar o livro com um autógrafo.


A tarde começou e terminou com chuva (já parece ser da praxe), mas foi muito bem passada. Para além da antologia, do livro do Dan Wells, e das publicações/revistas que referi acima, trouxe ainda uns livros da banca da Saída de Emergência que estavam a 5€, uma pechincha.