quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

The Assassin's Curse, Cassandra Rose Clarke


Opinião: Assassinos? Com piratas à mistura? Pode ser uma premissa inusitada à primeira vista, mas faz todo o sentido. Era mesmo este o tipo de livro que queria ler quando me propus a explorar um bocadinho a fantasia épica no género YA. Aventura, magia, perigo, dois personagens que não se suportam com uma tarefa impossível entre mãos ... o que não há para gostar?

Agrada-me o que a autora fez aqui em termos de definição de cenário e worldbuilding. Ela descreve o suficiente para nos sugerir que este mundo tem uma base exótica, com desertos e oceanos à mistura, e um pouquinho de cultura árabe, mas descreve apenas o suficiente para conjurar uma imagem, que deixa o leitor preencher o resto com a sua imaginação. O mesmo se passa com o sistema de magia neste mundo. Sabemos que há tipos de magia (de sangue, aquática, por exemplo). Sabemos que que há maldições e todo o tipo de encantamentos. Mas a autora não se perde muito em explicações complexas sobre este aspecto. A magia apenas é. Que refrescante não nos perdermos em divagações.

Os personagens principais, bem, têm tudo para eu gostar deles. Tenho um fraquinho por histórias em que as pessoas começam por não se suportar, mas algo as obriga a lidar uma com a outra, e pelo caminho começam a dar-se bem, e quem sabe algo mais. Neste caso, os dois personagens principais, um assassino e uma pirata, ficam colados um ao outro porque ele tem uma maldição sobre si, que o liga a quem lhe salvar a vida, de modo que essa pessoa não pode morrer sem acontecer o mesmo a ele. Adivinhem quem activa a maldição?

Achei piada à Ananna, a nossa pirata. É um pouco impulsiva - foge de improviso no primeiro capítulo, de um casamento arranjado pelos pais. Simplesmente vê um camelo, e como a direcção das coisas não lhe estava a agradar, pega no camelo e aí vai ela. Não sei como é que não se mete em mais sarilhos com esta atitude, mas suponho que também consegue ser ponderada, e acima de tudo consegue tomar conta de si. Não anda sempre a espadeirar, mas sabe decididamente usar uma espada. Consegue tripular um barco tão bem como qualquer homem (até melhor que alguns marinheiros que encontram pelo caminho). E tem uma boa intuição - a parte em que conhece a Leila tem o seu quê de ciúmes, mas a Ananna consegue ler muito bem a situação e perceber as nuances da relação entre o Naji e a Leila.

O Naji (bem, duvido que ele se chame assim... creio que as palavras dele são "podes chamar-me Naji", o que implica que não seja esse o seu nome) é o assassino. A sua atitude ao longo do livro intrigou-me e fez-me um pouco de comichão, porque passou o tempo a esconder coisas e a não contar outras à Ananna, e era muito calado e sempre a cismar. Mas o ser tão fechado também torna as coisas mais divertidas no sentido em que é recompensador quando o leitor/a Ananna percebe alguma coisa. (Como quando a Ananna percebeu como ele se sentia em relação às cicatrizes ao vê-lo com a Leila.) E suspeito que o tipo de magia que alguém pratica esteja relacionado com o feitio da pessoa. No caso do Naji, magia do sangue (mais negra) leva a um feitio mais fechado. Com a Ananna, magia da água, e um feitio mais volátil mas adaptável.

O que esperar do segundo livro? Para já, que a Ananna e o Naji se empenhem nesta coisa de quebrar a maldição através das tarefas impossíveis. (Para depois se darem conta que afinal, não queriam mesmo separar-se... oh, a minha cabeça encheu-se de possibilidades quanto ao desenrolar do final do livro, cada uma mais dramática e provavelmente ridícula que a outra.) Achei divertido que a Ananna visse o quão facilmente podia resolver uma das tarefas, o que lhe deu esperança para as outras, mas acho que muita tinta ainda há de correr quanto a este assunto. Espero que seja uma boa sequela, com todos os ingredientes que me fizeram adorar este livro.

Páginas: 304

Editora: Strange Chemistry (Angry Robot)

Picture Puzzle #36

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: A Cup Of Coffee & A Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título de ficção científica publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título de suspense/thriller/whatever publicado em português.

Divirtam-se!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Opal, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Bolas, a Jennifer L. Armentrout deve estar decidida a provocar um enfarte do miocárdio aos seus leitores. Não chegava o cliffhanger chatinho no fim do Deity, o terceiro livro da série Covenant, neste apanhei um cliffhanger horrendo, maléfico, traumático... bem, percebe-se a ideia. Não estou realmente zangada, porque o cliffhanger deixa a história (e a protagonista, Katy) num lugar muito interessante. Talvez um pouco arrojado, também. Outras autoras teriam invertido a situação da Katy e do Daemon.

É o que a autora tem feito com esta série. O primeiro livro podia ter uma premissa Twilight-like, mas a Jennifer conseguiu subverter um pouco o protótipo narrativo. A Katy nunca se deixou deslumbrar com o mundo paranormal em que tropeçou, sempre soube pôr o Daemon-armado-em-alfa no seu lugar, e soube distinguir entre atracção e amor.

Disto resulta que ao longo da série a relação entre eles tem evoluído duma forma bastante mais credível, e que me fez apreciar melhor os dois personagens. Sempre gostei imenso da Katy (ei, ela é uma book blogger), mas no início torci o nariz ao comportamento do Daemon (a tal coisa do armado-em-alfa). Fiquei a gostar mais dele ao longo dos livros, ao vê-lo com a Katy, o quanto gosta dela, e muito importante, o não tentar forçá-la a fazer o que ele quer. Eles arriscam as suas vidas durante os livros, e naturalmente ele preferia que ela não se colocasse em situações perigosas. Mas eles falam sobre o assunto, cada um explica as suas razões, e aceitam as posições um do outro. É um comportamento maduro, mas tão raro pelo género (YA paranormal), que eu faço uma festa ao vê-lo num livro. A capa deste livro irrita-me por contrariar este aspecto da relação deles, dá a sensação errada de que a Katy é uma damsel-in-distress e que precisa de ser levada ao colo.

Depois dos acontecimentos do livro anterior, a história começa um pouco sombria, e não perde o tom de que algo terrível vai acontecer até ao final. O grupo decide-se a fazer uma coisa quase impossível, e passa o livro a tentar preparar-se para essa coisa. A sensação que dá é que não acontece nada de monta, quando na verdade não é bem assim. É um livro de transição, daí essa ideia. Agradou-me a evolução das coisas, mas tendo em conta o cliffhanger estou muito animada para pegar no seguinte.

Gosto do cenário e do mundo em que os personagens se movem. O facto de envolver seres extraterrestres e de ter um toque de conspiração governamental para esconder a sua existência, combinando-o com um aspecto paranormal, sem faltar a parte romântica. (A Katy e o Daemon passaram o livro a ser interrompidos num momento interessante, o que gerou alguns momentos divertidos mas também alguma impaciência em mim... e bónus por a autora sugerir ali pelo meio uma cena de sexo um pouco menos convencional em YA.)

Coisas que gostava de ver no próximo livro: como é que a autora descalça a bota depois daquele cliffhanger, a Dee e a Katy a fazerem as pazes, o Dawson e a Beth juntos, a Ash um pouco mais simpática, o Blake a pagar finalmente por todas as coisas que fez.

Páginas: 400

Editora: Entangled Publishing

domingo, 20 de janeiro de 2013

Something Like Normal, Trish Doller


Opinião: Que pequena história tão refrescante. O narrador é um rapaz de 19 anos, Travis, um Marine que volta a casa para uma licença de um mês, vindo do Afeganistão. Só que aquilo a que ele chama casa já não é a mesma coisa: os pais estão em ruptura, o irmão roubou-lhe a namorada e o carro, e o Travis sofre de stress pós-traumático após a morte do melhor amigo, revivendo situações de guerra.

Apesar de tudo, não é um livro muito pesado. O caminho que o Travis tem de fazer para lidar com tudo o que lhe está a acontecer torna-se mais interessante de ler pela sua voz honesta e tipicamente masculina. Frustrado com as expectativas do pai, irritado com a necessidade do irmão de lhe "ficar" com as coisas, dividido entre a ex-namorada manipuladora e uma rapariga por quem ele sempre teve uma paixoneta...

Gostei de ver o Travis com a mãe. A senhora, neste ano em que o Travis tem estado no Afeganistão, tornou-se numa verdadeira Army Mom, inscrevendo-se em grupos de apoio e enviando-lhe encomendas com coisas que ele possa precisar. Mas a sua preocupação com o Travis levou à degeneração da relação com o marido, que se veio a "revelar". O Travis chega a casa num momento de ruptura, em que os pais estão à beira do divórcio, e gostei que ele estivesse lá para a mãe, e que reconhecesse que a adora. (E foi demasiado divertido vê-lo embebedar a mãe.)

Outra personagem que me agradou foi a Harper. Ela sabe lidar com o Travis, e pô-lo no seu lugar se assim for preciso. Mas também é a pessoa certa para ajudar o Travis a lidar com os seus demónios e apoiá-lo neste momento. Acho que eles formam um casal engraçado e com potencial, se bem que na idade deles não há finais felizes, mas gostava de os ver juntos num futuro próximo.

Um aspecto que me interessou na história foi o facto de o Travis servir nos Marines. Deu para ver um bocadinho por trás da coisa, como é que isso afecta a família e a comunidade. Fascina-me o apoio que os americanos dão às suas próprias tropas, e por isso gostei de ver um bocadinho da vida de um membro dos Marines.

Páginas: 224

Editora: Bloomsbury

2013 Don't Let It End Reading Challenge

Don't Let It End

Yes, I know, I fully intended not to enter any challenge this year, other than my own personal challenges. But (there's always a but) this challenge actually fits one of my personal challenges - to finish up a few series. And last year I entered a challenge hosted by the lovely Rachel @ Fiktshun, and it was so much fun. I was actually motivated to accomplish something with that challenge, and Rachel was such an awesome host.

So, I'll make an exception to my rule and join this challenge. There are so many series I follow whose last book will be published this year, and there are a few others that I plan to end this year, so this challenge fits perfectly with my reading plans. Though I anticipate it will be hard to say goodbye to a few series, I am excited and so curious to find out how they will end.

This challenge is hosted by Rachel @ Fiktshun and the sign-up post with the details is here.

These are some final books whose series I might finish:
  • Gates of Paradise, Melissa de la Cruz
  • The Iron Knight, Julie Kagawa
  • Endlessly, Kiersten White
  • Hidden, Sophie Jordan
  • Spell Bound, Rachel Hawkins
  • Sever, Lauren DeStefano
  • Requiem, Lauren Oliver
  • Spellcaster, Cara Lynn Shultz
  • The Elementals, Saundra Mitchell
  • Rapture, Lauren Kate
  • The Lucky Ones, Anna Godbersen
  • Shadows in the Silence, Courtney Allison Moulton
  • Jeff Sampson, Ravage
  • Dead Silence, Kimberly Derting
  • Isla and the Happily Ever After, Stephanie Perkins
  • With All My Soul, Rachel Vincent
  • Shades of Earth, Beth Revis
  • The Sweet Far Thing, Libba Bray
  • Fire Study, Maria V. Snyder

The funny thing is, with some of these series I'll have to read the penultimate book, then the last one. And then there are so many other series I'd like to finish...