terça-feira, 31 de janeiro de 2012

To Sir Phillip, With Love, Julia Quinn


Opinião: Neste livro é a vez da Eloise conseguir o seu final feliz. Como calculei, o seu comportamento estranho na cena final do livro anterior devia-se a ela estar a preparar alguma, neste caso uma fuga. Pobre rapariga, acho que a Eloise via-se como uma pessoa muito decidida, que já tinha feito a sua escolha de ficar solteirona, e depois ver que afinal não gostava tanto dessa escolha.

Nesse aspecto, ela e o Phiilip são muito parecidos. Tanto como o outro são algo indecisos e mesmo avoiders, no sentido em que fogem de tomar decisões e fazer a coisa certa. Ele evita os filhos e ela foge de casa sem dizer nada a ninguém, e sem o avisar a ele que o vai visitar. Se isto não é o cúmulo do adiamento, não sei que seja. Ao mesmo tempo achei muito engraçado que em termos de falar (ou deitar cá para fora o que lhes vier à cabeça), ambos estão em lados opostos - ela fala, fala, fala (e não diz nada) e ele é tipo homem das cavernas e "deixem-me em paz no meu cantinho". Por outro lado, o facto de o Phillip ter filhos permite-lhes (mais à Eloise) crescer e assumir responsabilidades.

Algo que achei um pouco estranho no livro é o ritmo. Como a Eloise e o Phillip já se conhecem via cartas, a fórmula normal dos livros da Julia perde força e eu acabei o livro a sentir que faltava alguma coisa, sem saber bem o quê. Gostava que a Julia tivesse tido coragem para tornar este livro num romance epistolar, com as cartas trocadas entre a Eloise e o Phillip, e depois com o encontro entre eles. Acho que teria sido um livro muito interessante e permitiria vê-los aproximarem-se aos poucos.

Alguns pontos altos do livro giraram em torno dos dois pequenos benjamins do Phillip, a Amanda e o Oliver. Adorei estes miúdos, e as partidas que eles fizeram à Eloise e ela em troca foram bem giras, fez-me desejar que pudéssemos ver que tipo de partidas os Bridgertons faziam uns aos outros quando tinham a idade dos gémeos. Também gostei muito da intervenção do resto da família Bridgerton neste livro, só a ideia de ter os quatro irmãos rapazes da Eloise a entrar casa adentro do Phillip prontos a derrubar tudo é algo hilariante.

Parto para o próximo livro com algumas expectativas... pela sinopse parece-me o tipo de coisa que eu vou adorar.

Páginas: 384

Editora: Piatkus

domingo, 29 de janeiro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Sherlock Holmes - Jogo de Sombras

Já tinha tido oportunidade de ver este filme no início do mês, mas por uma razão insondável qualquer esqueci-me de comentar, e como fui ver outra vez com a minha mãe, aproveito agora para comentar o filme. Achei que valeu a pena revê-lo. O enredo dá muitas voltas e gostei de ver o filme sabendo o fim, porque me permitiu parar e apreciar certas coisas.

Aquilo que acho piada a esta adaptação é o facto de não ser necessariamente fiel ao material original, mas ao mesmo tempo, em espírito, há lá coisas que eu identifico com aquilo que conheço das histórias do Conan Doyle. O Sherlock de Robert Downey Jr. está distante do Sherlock que conhecemos, mas funciona. Morro a rir com as cenas dele com o Watson. ("Did you kill my wife? Did you just kill my new wife???" *Watson esgana o Holmes*).

Fiquei desapontada com o suposto destino da Irene Adler. Suspeito que é uma maneira de podem ou não recuperarem a personagem em futuros filmes. Mas "uma forma rápida de tuberculose"? Eu sei que os filmes incorporam alguns elementos de retrofuturismo/steampunk (que eu adoro já agora), mas esta coisa foi um pouco exagerada para a época. Nem hoje há coisas destas. Podiam ter dito que ela tinha tomado um químico qualquer de acção rápida que eu acreditava. (E assim também seria mais fácil de ela sobreviver se quisessem recuperar a personagem.)

O elenco de personagens secundários é bastante satisfatório. Gostei muito da Mary Watson. A Kelly Reilly imprime-lhe um certo grau de malícia e esperteza que lhe permite não ser a donzela em apuros num mundo de homens. Gosto da actriz, bem me pareceu que a conhecia depois de ver o filme pela primeira vez - fez de Caroline Bingley na adaptação de Orgulho e Preconceito de 2005.

O Stephen Fry como Mycroft também foi muito interessante, fica com algumas das cenas e tiradas do filme mais divertidas. O professor Moriarty deixou-me dividida na primeira visualização, entre aborrecido e psicopata subtil, mas da segunda vez inclinei-me mais para a segunda hipótese.

A banda sonora é demais. Há um pequeno trecho, que usaram durante os créditos iniciais e finais e noutros momentos cruciais do filme, que ainda agora me está enfiado na cabeça. Não dá para esquecer! Gostei muito daquelas cenas em slow-motion em que vemos o Sherlock a planear o que vai fazer numa luta. Para um pateta como eu em cenas de acção, é refrescante poder perceber o que as pessoas estão a fazer, já que geralmente está tudo rápido demais para eu perceber alguma coisa. (O que posso fazer? Tenho uns olhos preguiçosos.)

Por falar nessas cenas, a minha preferida é a cena final entre o Sherlock e o Moriarty. Entre a cena de slow-motion que eles protagonizam, mais a cena em que se intercala a acção em dois locais diferentes (o filme fá-lo mais vezes, mas o combinar do jogo de xadrez com o revelar do end-game funciona muito bem), gostei. Ah, e sou parcial à cena em que eles fogem da fábrica... mais uma vez em slow-motion.

O enredo, já mencionei, é algo enrolado, e obriga a seguir com atenção. Há algumas coisas que pressagiam coisas que vão acontecer mais tarde. O uso da tensão na Europa no fim do século XIX para adiantar a 1ª Guerra Mundial não é um enredo novo, mas encaixa bem no confronto Holmes-Moriarty. Acho engraçado que pareça sempre que o Holmes está um passo atrás do Moriarty, mas depois no fim apercebemo-nos que o Sherlock Holmes tinha previsto que muita coisa acontecesse daquela maneira para encaixar no seu plano.

Quanto ao fim... escusava que a piada da camuflagem tive sido utilizada de novo. Teria resultado melhor se não víssemos o Sherlock de todo. Um filme que não trata a audiência como burra durante a maior parte do tempo, mas depois no fim muda de ideias e abana-nos uma coisa óbvia à frente do nariz? Enfim... De resto valeu bem a pena o 1º bilhete e o 2º, por isso decidi ser benevolente e ignorar este faux-pas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bruxa de Elite, Kim Harrison


Opinião: Se o início da série me deixou com algumas dúvidas, posso dizer que, livro a livro, a Rachel Morgan me tem cativado cada vez mais com a sua capacidade de se meter em sarilhos a cada passo que dá. Neste volume, Rachel recebe a notícia de que Nick, o seu ex-namorado humano, se meteu em sarilhos por causa de um artefacto mágico. E, claro, tonta que a Rachel é, vai a correr ajudá-lo.

Ainda bem que finalmente a Rachel abre os olhos em relação ao Nick, o totozinho. Não gostei nada dele, se bem que neste livro dá origem a um enredo bem interessante. O salvamento de Nick rapidamente se torna numa daquelas missões de salvar o mundo como o conhecemos, e gostei muito de vislumbrar um certo artefacto e tentar perceber a sua importância.

Adorei ter o Jenks de volta (nunca mais!), e diverti-me imenso com o que lhe acontece neste livro. De algum modo foi mais fácil levá-lo a sério. Mas também fiquei triste com uma revelação sobre ele. Estou a gostar mais da Ivy, a cada livro se vai descortinando mais um bocadinho da sua complexa personalidade. Fiquei desapontada pela quase-ausência do Kisten (agora que estava a torcer por ele) e pela total ausência do Trent Kalamack (já estava a ficar habituada a tê-lo e à Rachel a lançar dardos um ao outro a certa altura do livro).

A história em si é bem cheia de acção, e um pouco mais coesa do que nalguns volumes. O enredo permite alguns momentos mais contemplativos para, de seguida, nos lançar numa cena completamente doida. Gostei de que a Rachel chegasse à conclusão de que gosta de se meter em sarilhos (até parece que não tínhamos reparado), e que ela e a Ivy chegassem a um novo ponto na sua amizade.

Enfim, esta está a tornar-se numa das minhas séries favoritas de fantasia urbana, é bem divertida, com montes de sarilhos sobrenaturais para a heroína, um mundo bem interessante e personagens secundários muito bons.

Título original: A Fistful of Charms (2006)

Páginas: 496

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Rita Guerra

domingo, 22 de janeiro de 2012

My Soul to Lose, Rachel Vincent

This is a re-read for the Soul Screamers Reading Challenge, hosted by Fiktshun.


Thoughts on the re-read: Well, considering that I've read the first book in the series, I think this is a great way to introduce the series. Kaylee is a girl that has these strange panic attacks, when she sees shadows around someone that she just knows is going to die, and she feels the urge to scream. She has been able to avoid that until now.

Poor Kaylee. She doesn't know what is going on when she ends up on the psych ward over her latest "panic attack". I felt bad for her because her uncle and aunt know what is going on and she still ended up there. I guess they were scared with the way she reacted, but still, no one told her about what she could do, and her father didn't even came home to tell her.

I was intrigued with a few things that happened in the psych ward, specially with Lydia and that guy Tyler. (I wonder if we'll ever know more about them.) I was also sad for Kaylee, because of what took her to the psych ward in the first place. I'm excited to re-read My Soul to Take soon.

Pages: 70

Publisher: Harlequin Teen

sábado, 21 de janeiro de 2012

The Iron Daughter, Julie Kagawa


Opinião: Depois de salvar o seu irmãozinho, Meghan tem de cumprir a sua promessa ao príncipe Ash e acompanhá-lo à corte do Inverno. Prisioneira da rainha Mab, ignorada por Ash, Meghan está sozinha quando antigos inimigos regressam e provocam uma guerra entre as cortes... e é Meghan a única que pode pará-la.

Ao início foi difícil entrar no livro... o ritmo dos acontecimentos estava um pouco lento, sem haver um objectivo principal logo de início (como no outro livro, em que Meghan queria salvar o irmão), e a Meghan estava um bocado tolinha, sem perceber coisas que estavam mesmo à frente do nariz dela.

Aliás essa é a minha única queixa em relação ao livro, que a autora tenha tornado a sua heroína tão fraca sem razão. Primeiro a Meghan é incapaz de perceber porque o Ash está a ignorá-la (para protegê-la), depois os seus poderes féericos foram "bloqueados" (o que é estúpido, porque ela já não sabia usá-los muito bem para começar), depois parece que está sempre a precisar que alguém lute por ela, para além de estar sempre suspirar pelo Ash... grrrrr é bom que este comportamento patetinha não se repita no próximo livro. Ah, e a Julie Kagawa que se livre de enfiar outra cena como a do baile no próximo livro, que eu sou capaz de morrer de toda a cheesiness. (Além de que passei a cena toda a resmungar "WTF eles têm de salvar o mundo féerico e estão a perder tempo num baile?!")

Porque, de resto, aquilo que adorei no primeiro livro mantém-se neste (e muito bem). O worldbuilding e o mundo féerico fantástico. A intriga entre cortes e as guerrinhas em que se afundam. Os personagens espectaculares e divertidos. Adoro o Grimalkin, que é uma homenagem a todos os gatos. E divirto-me imenso com a rivalidade constante entre o Ash e o Puck. E, já agora, ambos têm vindo a revelar-se. Assim como o Ironhorse, inimigo tornado aliado neste livro.

Gosto muito das fadas do Ferro, as ideias por trás da sua concepção são bem fundamentadas, e como no último livro, também neste têm uma mãozinha no enredo. Dadas as revelações sobre elas e a Meghan neste livro, estou muito curiosa para ver onde as coisas vão parar. E quanto ao final, bem... awwwwww.

Páginas: 432

Editora: Mira Ink (Harlequin UK)