domingo, 28 de abril de 2013

Primeira Campa à Direita, Darynda Jones


Opinião: Fiquei bastante animada com este livro e com esta edição. A ideia de poder ler os livros (quase) todos da série num curto espaço de tempo é muito animadora, tendo em conta que em Portugal às vezes as editoras deixam os leitores mais dum ano, quiçá mesmo dois, à espera da continuação duma série. Para além disso, a edição é boa, em capa dura, e com um tamanho singular.

A história foca-se foca-se em Charley Davidson, detective privada e ceifeira negra (=grim reaper), capaz de ver aqueles que morreram e ficaram na Terra, e de os encaminhar para a luz. Gostei da Charley como protagonista. As dificuldades que teve durante a vida com a sua capacidade deram-lhe uma saudável falta de paciência para ligar ao que os outros pensam, e por isso o seu comportamento é muito divertido e refrescante. As coisas que lhe saem da boca são de partir o coco a rir. Por outro lado, é atrevida, corajosa, e aguenta-se bem num mundo de homens sem precisar de abafar a sua feminilidade. Adorei as suas trocas com o Garrett, e espero ver mais faíscas ao longo dos livros.

O worldbuilding desta fantasia urbana pareceu-me interessante, não totalmente original (a Charley é assim como que uma Melinda de Ghost Whisperer, mas menos doce e mais sarcástica), mas com alguns toques que destacam a história. Achei a Charley um pouco tapada por não ter percebido logo que duas certas entidades eram a mesma, tendo em conta que me pareceu óbvio desde o início. Mas de resto, fiquei curiosa por conhecer melhor este mundo. O Reyes intrigou-me, e deixou-me curiosa em relação ao seu papel nos livros.

Foi uma leitura compulsiva, cujo enredo se foca num mistério policial em que a Charley tropeça ao conhecer os, er, fantasmas de três advogados que acabaram de morrer, o que a leva em última análise a descobrir uma operação de tráfico humano. Gostava de perceber melhor como é que funciona a colaboração da Charley com a polícia, porque ela parece ter bastante liberdade de movimentos dentro do sistema, mas apesar da posição do tio como detective, os outros polícias olham-na de lado por não compreenderem o que ela é capaz de fazer.

Achei curioso o facto de a autora contar em flashbacks partes significativas de história da Charley, e ao mesmo tempo um pouco torturante, porque ela foi revelando aos poucos esses momentos, mas fazia menções misteriosas aos mesmos anteriormente... o que só me fazia virar as páginas mais depressa. (Já agora uma tangente - o momento em que ela tinha 5 anos deixou-me perplexa... bem sei que era uma situação séria, mas achei ridículo ela ter um enxame de adultos aos berros com ela - pondo a capacidade dela de parte, uma criança de 5 anos não tem consciência que um comentário daqueles pode ser cruel na situação em questão - portanto, que sentido teve aquele espectáculo? E o comportamento da madrasta e do pai foi execrável, nada justificava a reacção da madrasta, e o pai, em vez de apoiar a filha de 5 anos, vai mas é cuidar da esposa, uma mulher adulta. Quase que fiquei com a ideia que a situação ficou mal contada, e de qualquer modo gostava de ver a Charley e o pai a falar do assunto e a fazer as pazes, porque claramente não ficou resolvido.)

Bem, em suma, diria que foi uma boa aposta assinar a colecção, porque me parece que vou gostar bastante dos livros, especialmente graças à Charley, à sua personalidade e à sua voz sarcástica.

Título original: First Grave on the Right (2011)

Páginas: 272

Editora: Círculo de Leitores

Tradução: Graça Margarido

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