quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma imagem vale mil palavras: Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. Temporada 1 (2013-2014)

Quando comecei a ver esta série, não parecia necessariamente vir a merecer uma menção nesta rubrica. Costumo falar de filmes de super-heróis na rubrica, porque também são adaptações de livros, mais ou menos. Mas o meu problema inicial com Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. não era esse; era mais porque o início da primeira temporada da série é enganador, não mostrando completamente o seu potencial e como viria a melhorar ao longo dos episódios.

Porque o início da temporada é mais fraquinho, sim. Acho que todos os criadores envolvidos, actores, realizadores, escritores e por aí fora, ainda estavam a testar as águas, a habituar-se ao material, e as coisas não fluíam duma maneira a cativar-me. Era possível ver que o conceito tinha potencial, e foi por isso que fiquei, e ainda bem que o fiz.

O início da série mostra a formação de uma nova equipa de agentes da S.H.I.E.L.D. (já agora, graças aos céus pelo Copy+Paste, ou ia fartar-me de escrever S.H.I.E.L.D. rapidamente, podia lá ser um nome mais complicadinho de escrever?), na direcção da qual está o Agente Coulson, que, ei, surpresa!, depois do que aconteceu nos filme dos Vingadores, sobreviveu de algum modo.

Suponho que de certo modo, é adequado: uma nova equipa de criadores junta-se para fazer uma nova série, enquanto que no ecrã vemos uma nova equipa de agentes a trabalhar juntos pela primeira vez, a criar empatia e métodos de trabalho. No início os actores ainda não têm bem aquela química, os escritores e realizadores ainda estão a trabalhar as histórias que querem contar... assim como os personagens que vemos.

Portanto, esta dualidade deixou-me na dúvida, mas com vontade de continuar a ver. Como disse, achei que tinha potencial. E com um pouco de paciência, acabei por vê-la recompensada: à medida que os episódios foram avançando, a voracidade com que os via aumentou.

Gosto bastante do rumo que tomaram, em que a série faz parte do Marvel Cinematic Universe, tal como o resto dos filmes produzidos em nome próprio pela Marvel (X-Men, Homem Aranha e Quarteto Fantástico não entram, por pertencerem a outros estúdios de cinema); mas ao mesmo tempo, a série não cola aos filmes e isso dá uma liberdade para explorar este mundo à sua maneira, com a devida cedência para com o estabelecido para o universo pelos filmes ou pelo que ainda há de vir a ser contado nos mesmos.

Isto significa que não há superpessoas em abundância, porque isso elevaria a fasquia a um nível difícil para o resto dos nossos personagens muito, er, humanos (heh), e permite focar mais nos seus casos e no desenvolvimento dos personagens. Os casos inicialmente parecem ser mais auto-contidos, divididos entre o que parece ser trabalho típico para a S.H.I.E.L.D. (trabalho de inteligência, isto é), e alguns casos com elementos que apresentam algum tipo de artefacto ou pessoa com poderes.

A piada disto tudo é que alguns fios do enredo começam a ser tecidos, e ainda bem cedo, para fazer da segunda parte da temporada aquilo que ela é. Conjuntamente a isto, uma mão-cheia de episódios faz a ligação com os filmes que estavam a passar durante a primeira temporada: e enquanto que os episódios que lidam com o Thor: The Dark World são bastante directos, o par de episódios que lidam com o Captain America: The Winter Soldier são de cair o queixo e roer as unhas até ao sabugo.

É que no filme do Capitão América acontece uma coisa que vai mudar a S.H.I.E.L.D. para sempre, e bem, ver os personagens lidar com isso é bastante excitante. Toda aquela rede de traições e de não saber em quem confiar acabam atingir até a própria equipa, e foi tão enervante passar os dois episódios a pensar que ia acontecer uma desgraça, e ao mesmo tempo tão divertido passar o tempo a desconfiar deles todos, pensando que alguém tinha de estar em conluio com os maus. (A verdade é bastante surpreendente.)

Em termos de mitologia, há uma série de aspectos a explorar, mas gostava de destacar dois: um, o que aconteceu com o Agente Coulson depois de aparentemente ter morrido, que acaba por ter uns contornos fascinantes e algo macabros, mas ricos no que toca a explorar o personagem.

Dois, o mistério da Skye, que está relacionado com o esquema geral duma maneira que ainda não foi revelada mas que pelas pistas (um ser humanóide não terrestre azul, e o facto de que a Skye e o Agente Coulson reagiram de maneira diferente a um certo composto) que são dadas tenho quase a certeza de qual é. (Pista: tem a ver com o próximo grupo de personagens que a Marvel deve querer desenvolver cinematograficamente.)

De qualquer modo, adorei perceber como vários pormenores da narrativa aparentemente não relacionados acabam por encaixar uns nos outros e no arco geral da história contada nesta temporada.

Quando a equipa de personagens começa a trabalhar com química, acaba por se tornar bastante cativante segui-los, porque a narrativa é escrita duma maneira que consegue mesmo explorar a relação entre eles, e está imbuída de um certo humor que me agrada. Fiquei a gostar muito deles (FitzSimmons são totalmente adoráveis, e a agente May é fantabulástica), e por isso é que custou bastante uma certa reviravolta na composição da equipa.

Entre as participações especiais, tenho a destacar primeiro o Stan Lee. Não estava à espera que o seu cameo habitual nos filmes Marvel se estendesse à série, e por isso o seu aparecimento foi surpreendente, mas também bastante divertido, como tem sido habitual nas últimas aparições.

Depois há o Samuel L. Jackson, que tinha mesmo de aparecer como Nick Fury, e bem, a sua participação no último episódio é fantástica. Por um lado por ajudar alguns dos nossos protagonistas num momento complicado; depois porque ele e o Agente Coulson têm uma cena hilariante ao enfrentar um dos vilões. Eles quase que nem têm de mexer um dedo para ele ser derrotado, e a conversa deles na cena é bem divertida.

Posso dizer que fico mesmo contente por me ter decidido a ver a série, porque valeu tanto a pena. Aquilo que não parecia nada de especial assim à primeira vista acabou por se revelar de visualização viciante, fez-me torcer pelos personagens, ficar investida no decorrer dos acontecimentos, e ainda suspirar por mais quando a primeira temporada chegou ao fim.

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