terça-feira, 12 de maio de 2015

Uma imagem vale mil palavras: Avengers - Age of Ultron (2015)

Tenho andado com um bocado de preguiça, ou relutância, ou qualquer coisa parecida, para comentar este filme. Gosto muito da ideia do Marvel Cinematic Universe, e tenho acompanhado a narrativa presente nos vários filmes com bastante interesse, e estou curiosa por ver como vai evoluir a partir daqui. Gostei muito do primeiro filme dos Vingadores, que tinha um equilíbrio fantástico da narrativa, e era tão divertido, ao juntar vários egos bastante grandes, e ao pô-los a trabalhar juntos.

Tendo dito isso, este filme é um herdeiro tanto adequado como difícil. Tem muitas das coisas que eu gostei no primeiro filme, mas por outro lado tenta ser mais ambicioso, e se em partes isso resulta, noutras nem tanto. O filme já é um pouco longo, mas por mim podia ser bastante mais longo ainda, porque parece-me que o trabalho de edição e "corte e costura" das cenas "matou" certos momentos e conceitos, não permitindo explorá-los de acordo com a sua potencialidade.

Vou começar pelas coisas que gostei. O modo como a equipa trabalha como uma máquina bem oleada é bastante giro de ver, em contraponto às rivalidades do primeiro filme, e totalmente adorável. Vê-se pela primeira cena, uma cena de acção, algo que também me agradou; a equipa leva tudo à frente sem hesitar. Aliás, as partes de acção do filme são bastante excitantes e no geral deu-me gozo acompanhar, destacando esta primeira cena e a do Hulk e do Hulkbuster.

Adorei as pequenas aparições de personagens secundários dos outros filmes. A cena na Torre dos Vingadores, com o pessoal a descontrair, foi tão fixe, por permitir (re)ver toda a gente. Aliás, a cena final promete uma maior relevância para alguns dos personagens secundários, e espero mesmo que isso aconteça. (Muitos têm uma participação na luta final, mas onde é que meteram o Falcão?)

Também gostei dos pequenos momentos de humor, apesar de ser mais escasso, devido ao tom do filme. O gag recorrente relativo ao Mjolnir, o martelo do Thor, é engraçado, ainda mais quando alguém inesperadamente lhe consegue pegar. A piada recorrente com uma tirada do Capitão no início do filme. Uma cena com o Hawkeye e a sua reacção ao Mercúrio. E também gostei duma cena, que não sendo humorística, teve alguma piada, por ser tão fofa: quando o Thor e o Tony Stark se põem a comparar as conquistas e sucessos das namoradas, todos orgulhosos.

Mais um ponto interessante: os temas e questões explorados - paternidade e herança (ambos não no sentido tradicional), criação e responsabilidade pelo que se criou, o que faz de alguém merecedor, ou um herói, um vilão ou um monstro, a extensão a que se está preparado para ir para proteger outros e cumprir a sua missão. Muitas delas questões fundamentais para o papel de um Vingador, e aprecio que os tenham feito confrontar alguns demónios e esclarecer porque é que estão a fazer isto.

Oh, e ainda queria destacar um desenvolvimento sobre o Hawkeye que é tão giro, totalmente adorável, dando uma nova dimensão ao personagem e de certo modo encaixando com ele. E numa consequência directa dessa revelação, a Viúva Negra fala dele como o melhor amigo, o que é um pormenor simpático de ver. Raramente se vêem relações de amizade fortes no ecrã.

Agora os problemas, e suspeito - pelo que tenho lido - que uma parte se deva a interferências do estúdio, combinados com um trabalho de edição que podia ser melhor, resultando em partes da história mal exploradas, e outras que se prestam a francamente más interpretações.

Gostava que o Ultron tivesse sido mais explorado. O que vemos é fascinante, e o James Spader faz um bom trabalho, porque se vêem mesmo os maneirismos dele no personagem, mas faltou-lhe um pouco de... perigo? Não é claro o porquê de ser uma ameaça ao início, se bem que depois a sua evolução é bem curiosa; o modo como executa o seu plano, com um misto de inocência e malvadez.

Acho que preferia que a Feiticeira Escarlate e o Mercúrio tivessem tido mais um pouco de tempo, porque faltou assim um bocadito de desenvolvimento para os personagens, algum contexto, algum tempo para nos apegarmos a eles e torná-los significativos, por razões que se tornam mais óbvias para o fim.

O enredo também precisava de ser um tudo nada mais extenso, acho que toma atalhos em partes que não devia tomar, e o resultado é que bocadinhos da história precisam de mais desenvolvimento e explicação. Um exemplo é a coisa da caverna e o lago mágico e de como o Thor ganha miraculosamente o conhecimento para resolverem a questão do Visão. Foi tudo muito apressado e nada explicado.

E chego à parte que está mal, mesmo mal. Não consigo compreender de onde é que vem esta coisa da Natasha e do Bruce Banner, porque eles não mostraram química nenhuma no passado, e as duas vezes que interagiram mais no primeiro filme metiam um confronto verbal ou físico. E depois este filme faz uma coisa que abomino, faz tell e não show. Atira-nos para cima comentários de como supostamente estes dois são um item, cenas que vêm do nada... mas falha em mostrar porque é que podem ser um casal, e em convencer-nos disso.

Além disso, toda a situação é problemática. Temos a Viúva a forçá-lo a transformar-se no fim, quando ele não queria. Temos uns ligeiros tons de um paradigma de violência doméstica, que é o "ele é mau, mas o amor de uma mulher vai mudá-lo".

E temos a famosa cena do diálogo sobre serem monstros. Que eu acredito que esteja mal montada, e que não fosse aquele o objectivo final. Mas da maneira como decorre, quando a Viúva fala de não poder ter filhos, não parece estar a tentar animar o Bruce por estarem no mesmo barco. Parece estar a equiparar isso com ser um monstro, o tema principal da conversa. O que soa, e é, tão mal. Em contraponto à Viúva, uma das outras mulheres da narrativa está grávida e é quase o cliché da esposa que fica em casa a criar os filhos enquanto o marido vai trabalhar; é mesmo isso que querem transmitir, que só há estas duas hipóteses para uma mulher?

Além disso, a personagem da Viúva merecia mais bom desenvolvimento. Começo a achar que não sabiam o que fazer com ela com a Scarlett grávida, e então mataram-lhe completamente o espírito. Não faz sentido ela ser raptada, nem esperar calmamente que um dos homens da equipa a venha salvar. É bizarro que estejam desesperados para juntar a única mulher da equipa com um homem ao ponto de meter água.

Passando à frente. Gostava que parassem de fazer com as histórias do Tony Stark passassem por meter-se com tecnologia que não percebe e isso explodir-lhe na cara, ou a tecnologia dele ser-lhe apropriada e usada com fins que não os originalmente pretendidos. O homem não aprende?

Mais coisas que gostei: o Visão e a sua criação, o modo como vê o mundo. As aparições de toda a gente e mais alguma (Peggy Carter! Maria Hill! Heimdall! o Dr. Selvig! *cof*faltou a Darcy*cof*). A maneira com o Nick Fury parece meter o dedo em tudo e mais alguma coisa. As cenas dos sonhos. A cena final, com os seus altos e baixos.

Coisa que esperava ver: uma segunda cena pós-créditos! Então, eu finalmente aprendo a manter o traseiro firmemente sentado até ao fim dos créditos, depois de perder tantas cenas pós-créditos e segundas cenas pós-créditos, e eles vão e dão-me a volta novamente, e agora já não há segunda cena pós-créditos. Do not like.

Coisas que espero ver no futuro: uma introdução ao Pantera Negra, desperdiçada na breve menção a Wakanda. E à Capitã Marvel, por favor. Quero ver como os acontecimentos deste filme se envolvem com os acontecimentos em Agents of S.H.I.E.L.D., que tenho estado a ver, mas estou atrasada. Quero ver como é que esta tralha vai parar à Civil War, e quero ver mais do endgame do Thanos e das jóias que faltam.

Enfim. Foi certamente uma boa experiência, uma experiência satisfatória, mas também foi um bocadito uma confusão. Uma confusão acima da média, muito boa, mesmo assim, mas ainda assim uma confusão. Com um pouco de trabalho podia ser ainda melhor.

Sem comentários:

Publicar um comentário