terça-feira, 6 de outubro de 2015

Meg Cabot: Boy Meets Girl, Every Boy's Got One


Páginas: 400 / 352

Editora: Avon (HarperCollins)

Ah, gosto mesmo do formato dos livros desta série. A ideia de livros epistolares nesta época da internet é brutal. Os personagens contam a história por e-mails, entradas de diário, conversas escritas pelo meio de memorandos e folhetos; podia descambar, mas a Meg Cabot consegue fazê-lo funcionar muito bem. Acho que li algures que ela planeava mais um livro nesta série, e seria muito bem vindo.

Boy Meets Girl tem como protagonistas Kate Mackenzie e Mitch Hertzog. A Kate trabalha para o mesmo jornal que era o foco no primeiro livro - trabalha nos Recursos Humanos, para a afamada Amy Jenkins. Os personagens principais e secundários do jornal que aparecem no primeiro livro conhecem-na bem.

O incidente incitador do enredo é uma senhora do catering, Ida Lopez, que recusa servir um advogado que trabalha para o jornal. A situação intensifica-se, ela é despedida, e um processo cai em cima do jornal. O Mitch Hertzog é o advogado escolhido pelo jornal para mediar o processo, só que as suas acções levam ao despedimento da Kate, e vai tudo para o inferno.

Oh, céus, adorei encontrar as ligações entre este livro e o anterior... a Mel, a protagonista de O Rapaz da Porta ao Lado, aparece, assim como os seus colegas, para defender a Kate e a sra. Lopez. (AMel engravidou, já agora. Ela e o John eram adoráveis.) A Stacy Trent, a cunhada do John, o protagonista do primeiro livro, é irmã do Mitch Hertzog. E a Amy Jenkins está noiva do irmão do Mitch e da Stacy, o Stuart.

O melhor disto tudo? A família Hertzog. Enquanto que o primeiro livro mostra uma família rica e de sociedade de Nova Iorque, os Trent, que é bem melhor e mais sã do que se lhes daria crédito... aqui, os Hertzog são (em parte) podres em primeiro plano. A Stacy e o Mitch são boas pessoas, mas o resto? Doidos.

O Stuart e a noivinha Amy cometem um crime para tapar uma asneirada (merecem-se), a mãe Hertzog passa a vida a desculpabilizar o Stuzinho quando fala com os outros filhos, e vive na idade da pedra no que toca a homossexualidade; ambos ficam chocadíssimos (mais a Amy) quando descobrem que a família tem ascendência judaica... safa-se a irmã mais nova, o Mitch e a Stacy. E o pai, que está sossegado a gozar as férias. Só aparece no fim para meter juízo em todos, mandar toda a gente dar uma volta e deixá-lo em paz.

A história de amor, curiosamente, é a coisa que me interessou menos. Acho-a muito precipitada. O drama dos despedimentos e das tramóias da Amy é divertido, mas tapa e ocupa o espaço que devia ser usado para desenvolver a relação da Kate e do Mitch. Com tanto drama, não há encontros entre eles, momentos partilhados que nos façam acreditar que se estão a apaixonar. Num momento conhecem-se, e depois parece que já estão nos braços um do outro.

Every Boy's Got One é tão mais divertido. Muito mais sólido e consistente como história. Os protagonistas, Jane e Cal, são os melhores amigos de Holly e Mark, respectivamente; estes últimos dois são um casal apaixonado que decidiu fugir e casar em Itália, pois a oposição das suas famílias está a dar com eles em doidos.

A piada da coisa é que o Cal é todo sério e estóico, sem grande sentido de humor, e pouco à vontade com relações, por uma relação passada falhada. É um bicho do mato; passou os últimos anos a trabalhar fora e não sabe nada de cultura popular. A Jane, pelo contrário, é grande devota de cultura popular, é uma romântica, uma mulher independente e dedicada ao seu trabalho.

Ambos implicam um com o outro à primeira vista, e passam o livro todo simultaneamente às turras e a apaixonar-se. É totalmente um Orgulho e Preconceito moderno. A Jane fica ofendida com algo que ele diz no início e passa o resto do tempo a arranjar desculpas para não gostar dele; ele começa por não a achar interessante, mas depois começa a arranjar pequenos detalhes que gosta nela.

Adorei o enquadramento da narrativa, a tentativa de fuga da Holly e do Mark para casar em Itália. Há tanta peripécia que os pobres têm de enfrentar... um verdadeiro teste à sua determinação. Mas o cenário é lindo, as pessoas são hospitaleiras, e estas férias que os personagens passam são de sonho. Gostei muito da dedicação que a Jane tinha ao seu gato e como isso a inspirou para criar uma tira de BD distribuída em todo o país, tornando-a muito popular.

Aprecio como as famílias são representadas nos três livros; já falei dos Trent do primeiro livro e dos Hertzog do segundo - mas são as famílias deste terceiro é que são uma boa peça. A Holly é duma família italiana católica, e o Mark é judeu - dá para ver o resultado, não é? Ambas as famílias parecem agir como se fosse o fim do mundo ter um genro judeu/uma nora católica.

A mãe da Holly é assustadora, age como se fosse uma tragédia ter um filho gay até descobrir que poderá ter um genro judeu - oh, céus, de puxar os cabelos. Falham em reconhecer o que faz os filhos felizes; e só quando não há volta a dar é que engolem o sapo e parecem acostumar-se à ideia. Na era em que vivemos, é chocante ver este tipo de atitude.

Gosto ainda mais do enquadramento narrativo deste livro. Além dos e-mails, que a Jane e a Holly, e o Mark e o Cal trocam mesmo estando ao lado uns dos outro, há os "diários" da Jane e do Cal (muito divertidos), e pequenos gráficos/imagens que complementam a história. Gosto ainda de como ambos os protagonistas se sentem em relação aos eventos do livro e ao outro, e como isso condiciona as suas atitudes no livro. Está bem melhor construído do que se lhe daria crédito.

Em suma, uma série que me agrada bastante, e que recomendo. Tanto por ser um romance contemporâneo como pelo formato único, usando primariamente e-mails, que funciona extraordinariamente bem e cria umas histórias deliciosas.

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