terça-feira, 9 de maio de 2017

Meg Cabot: Allie Finkle, volumes 1 a 3


Páginas: 256 / 240 / 256

Editora: Scholastic

Oh raios, estes livros são amorosos. A sério, achei que me podia aborrecer um bocadinho, não costumo ler muito MG (Middle Grade, ou infanto-juvenil), e por isso a minha cabeça não está habituada ao tipo de voz e narrativa típica da faixa etária...

... contudo, a Meg Cabot faz um trabalho excelente nesse aspecto. Adoro a voz que ela dá à Allie. Não passo muito tempo a conviver com miúdos de 9 anos, propriamente, mas pareceu-me credível, a maneira como ela a escreve.

Ora vejamos: a Allie é esperta, mas ingénua, engenhosa, mas insegura, com um fundo curioso e que questiona as coisas, mas também um nadinha crédula. Boa filha, boa irmã, bom sentido do que está certo e errado. Tem as preocupações e os dramas e o discernimento que esperaria que uma rapariga de 9 anos tivesse. Os livros são divertidos e encontram desafios curiosos, adequados à idade. E por isso, soou-me realista.

O primeiro volume, Moving Day, como o título indica, é sobre a família Finkle ir mudar-se. Diverti-me imenso principalmente pela reacção da Allie - que inventa uma série de "esquemas" ineficazes mas engraçados para travar a mudança. Mas também achei um piadão à amiguinha da Allie que chorava o tempo todo, e à peripécia da tartaruga.

O segundo volume, The New Girl, é sobre a Allie começar as aulas na nova escola. Faz amigas, e debate-se com alguma insegurança sobre o seu lugar na turma e o estabelecimento duma relação com a professora. Enfrenta uma moça armada em rufia, que goza com ela e lhe diz que lhe vai bater. Pontos bónus por a Allie ter empatia e discernimento sobre o que realmente se passava com a Rosemary, e gostei mesmo de como lidou com ela. Não é a solução para todos os casos, mas este resultou mesmo bem.

O terceiro volume, Best Friends and Drama Queens, apresenta uma nova "miúda nova", Cheyenne, do Canada, totalmente sofisticada, e que traz novos modos que quer impor à turma. E é aqui que a genialidade da Meg se revela. A Cheyenne quer fazer com que toda a gente faça par e diga que "goes with" pessoa X. Os miúdos não sabem o que isto quer dizer, e ficam adoravelmente perdidos e confusos, mas quase toda a gente cede à pressão dos pares e arranja um rapaz ou rapariga com que emparejar.

Achei muito interessante como ela explorou a pressão social para toda a gente ceder aos desejos da Cheyenne, e como explora um pouco de política sexual sem os miúdos saberem o que isso é. A dinâmica de quem convida quem, o drama entre amigos sobre quem "anda com" quem, o modo como este movimento é quase todo centrado nas raparigas, a pressão social para avançar antes de alguém se sentir preparado, ou para avançar apesar de alguém não se sentir inclinado de todo nesse sentido.

Adorei a reacção da Allie à rapariga, e como entendeu que não era boa ideia fazer aquilo só porque a outra queria. (E como lidou com o rapaz que as outras queriam que fosse o seu par. Apesar de ele ser também amoroso no modo como não queria ficar de fora, e se sentia triste por ainda não ter sido escolhido como par.) E diverti-me imenso com a reacção dos pais da turma, que rapidamente toparam o drama e puseram um travão à coisa, com uma intervenção da professora.

Em suma, histórias bem giras e bastante inteligentes, parecendo-me bastante adequadas à idade. Estou intrigada e quero continuar a ler para ver o que vem a seguir.

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