segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Verão em Que Me Apaixonei, Jenny Han


Opinião: Este é o tipo de livro que eu ando para ler há tanto, tanto tempo. Às vezes as estrelas não se alinham a nosso favor ou assim e a coisa tem-se atrasado tanto que as nossas editoras tiveram tempo de se pôr a par de mim e das minhas leituras. Ehehehe.

Este é o tipo de livro que evoca perfeitamente a sensação de Verão. Aquele tempo de férias, etéreo, que se parece esticar para todo o sempre, mas que acaba sempre demasiado depressa. Belly é uma jovem de 15 que passa o Verão, desde que se lembra, com a mãe e a amiga desta, Susannah "Beck", e os filhos dela, ambos rapazes, Jeremiah e Conrad, em Cousins Beach, na casa de família de Beck.

A acção principal decorre no Verão em que Belly tem 15 anos. (Intercalando com capítulos que contêm flashbacks para Verões anteriores, introduzidos quando o acontecimento é mencionado no tempo presente.) A Belly "turned pretty", como o título original implica, ou seja, passou aquele limite entre criança e adolescente. Já não é uma menina, mas ainda não é bem uma mulher; o seu corpo cresceu e revelou-se, mas ainda não é madura e experiente no que toca a emoções.

E creio que é por isso que gostei tanto dele. Sim, A Belly é uma totó ingénua e inconstante; mas esse é precisamente o objectivo. O livro é fantástico a criar uma atmosfera de Verão, mas também a sugerir uma atmosfera de uma época da vida - primeiros amores e paixonetas, primeiras experiências a lidar com emoções por vezes confusas e complexas e difíceis de gerir, aprendizagem de todo o tipo de limites próprios e dos outros no que toca a sentimentos e relações.

Ou seja, parece um livro simples e fresco, mas achei que a Jenny Han o escreve de forma mais inteligente do que lhe daria crédito; achei a sua descrição do mundo interior duma miúda de 15 anos inexperiente bastante credível. Sim, é tudo tão dramático; mas não o fomos todos nós com aquela idade? O tempo pode ter sido generoso connosco e permitir-nos esquecer isso, mas duvido que haja muita gente que possa dizer que não o foi.

Os dois rapazes no centro de todo o drama são Jeremiah, o mais novo, gentil e simpático e melhor amigo da Belly, super aberto - mas ela, claro, supercentrada na sua paixoneta, não se apercebe de que ele está a desenvolver sentimentos por ela. O Conrad é o mais velho, o arquétipo do bad boy misterioso e taciturno; é também o alvo da paixoneta da Belly desde sempre. É fácil ter uma paixoneta por ele, pelo tipo de personalidade que tem e aparenta ter; mas também tem os seus problemas e desvantagens, e parece-me precisar de crescer um pouco para se revelar um par à altura. As coisas tornam-se excitantes para a Belly porque ele parece aperceber-se que tem sentimentos por ela também, mas bem, ele também é adolescente e um rapaz na idade do armário.

Fora o trio, as minhas personagens preferidas passam pela mãe da Belly, Laurel, que a Belly ainda não aprecia completamente - mas acredito que com a idade venha a fazê-lo; e pela Beck, que é a cola que junta toda esta gente. Adorei como ela representa o Verão para estas pessoas, como é uma espécie de tia carinhosa para a Belly e está a torcer por ela. Entristece-me a perspectiva de ela desaparecer e perder o papel crucial que tem nesta grande família misturada.

Por fim: há algum tempo atrás, quando achei que nunca ia acabar por ler a série, acabei por ser spoilada para a evolução das coisas. Em teoria consigo ver como as coisas vão lá parar, mas quero mesmo ver como são escritas até lá. Ambos os rapazes vão ter de dar umas reviravoltas e crescer um bocadinho (ou não) para achar credível que o que quer que venha aí. De qualquer modo, acredito que a Jenny Han é capaz de fazê-lo. Ela escreve duma forma enganadoramente simples, mas que acaba por ter uma boa compreensão e discernimento do tema a que se dedica. Gosto disso.

Título original: The Summer I Turned Pretty (2009)

Páginas: 256

Editora: Topseller

Tradução: Rui Azeredo

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