sábado, 6 de maio de 2017

Black Widow - Forever Red, Margaret Stohl


Opinião: Hmmm. Dou por mim a pensar no que escrever sobre este livro, e honestamente não há muito a destacar. Podia ser um tão melhor livro. Mas acaba por não ser uma leitora particularmente impressionante. Sim, é um bom passa-tempo, mas não é a invenção da roda - e no que toca a uma personagem tão subutilizada e mal utilizada como a Black Widow, ela merecia uma reinvenção da roda.

A história começa oito anos atrás. Natasha Romanoff salva uma rapariguinha de 9 anos, Ava Orlova, e frustra os planos de Ivan Somodorov, um inimigo que conhece bem. Ivan parece derrotado, mas no presente surge uma reactivação das experiências que fazia. Natasha e Ava reencontram-se ao fim de oito anos, e com a ajuda de um rapaz ligado de forma misteriosa a elas, vão investigar.

Bem, a ideia base por trás da história é bastante interessante. Mete o passado da Natasha no Red Room, e ligações humanas quando ela tenta muito não as ter. E tem um elemento científico que envolve desenvolver capacidades que não se tinha e é fascinante pelo uso dado ao mesmo.

O meu problema é... sim, é uma história que tem muita acção e é excitante. Mas não tem muito mais para além disso. O enredo e o seu ritmo não são fortes, a caracterização de personagens é mínima, tem um romance instalove desenvolvido de maneira fraca.

Pergunto-me se o problema não estará na concepção. As pessoas na Marvel talvez tenham pensado: "ei, YA é popular... a Natasha também... vamos juntá-los" - o que é, já agora, a pior razão de todas para fazer coisas.

De qualquer modo, o que quero dizer com isto é: o tipo de história que isto podia ser, mais intensa, mais realística, mais violenta, mais digna duma história da Viúva - bem, creio que isto devia ser uma história adulta. Não que não hajam autores YA capazes de coisas intensas e pesadas. Mas não me parece que esta autora seja uma delas. E duvido que os editores responsáveis sejam o tipo de editor que abraçaria o tipo de história necessário para contar algo do passado da Viúva Negra.

Além disso, a Natasha devia ser a protagonista, não devia dividir esse posto. Podia ser a badass que sabemos que ela é, levar tudo à frente e tudo o mais. A introdução dos dois protagonistas adolescentes só deixa o enredo mais burro do que precisava ser. E ei, eu adoro YA. Sei que YA é capaz de ser muito inteligente.

Só que isto parece em partes a ideia preconceituosa de alguém que não conhece YA, de como acha que YA é. E a Margaret Stohl é escritora de YA, ela devia saber fazer melhor. Provavelmente até sabe. Possivelmente isto deve-se ao controlo editorial da Marvel. Eu sei lá. Mas é definitivamente a ideia com que fiquei.

Mais uma queixa: a cronologia disto não me parece muito certa. Tendo em conta o momento que a Natasha encontra a Ava em criança, mais a sua relação com outro personagem da narrativa, mais a idade que é suposto ela ter, calculada a partir desse relação... sei lá, há qualquer coisa que não faz sentido, especialmente quando sabemos que na cronologia tem de haver espaço para ela ir parar ao Red Room e depois desertar de lá. Detesto quando os livros não são consistentes neste aspecto.

Destaque de coisas giras: as menções de outros personagens da Marvel. Este é um mundo em que os personagens "normais"/"zés-ninguéns" estão cientes dos superheróis e são fãs deles, e por isso há menções a eles ou a ter posters e T-shirts alusivas a eles. Esse tipo de coisa. É giro pensar nisso.

Outra coisa gira: aparições de personagens Marvel. Particularmente o agente Coulson, que é o agente responsável pela Natasha na SHIELD, e as interacções deles são engraçadas; e o Tony Stark, bastante divertido e descomplicado, com umas respostas à altura quando a Natasha está a ser totó.

Gostava que tornassem mais claro em que universo esta história se passa - comics ou MCU. Parece-me que é no espaço-tempo dos comics: a relação da Natasha com o Coulson ou com o Tony não parece nada aquela que vemos nos filmes, e há uma menção a um gato que a Tasha tem que parece uma referência às histórias da Viúva criadas por Phil Noto e Nathan Edmondson. O único argumento a favor de isto ser do MCU é a personalidade do Tony, que parece mais Robert Downey Jr.-like, mas parece-me esticar a corda considerar que isso é um argumento de peso a favor do MCU.

Em suma: isto podia ser tão melhor do que é, se ao menos deixassem. Acho que a Marvel deu um tiro no pé e podia ter feito algo que fosse bem mais satisfatório para os fãs, em vez de produzir o livro só para dizer que o fizeram. Preocupa-me um pouco no sentido em que brevemente vamos ter em grande destaque mais livros YA com superheróis, agora da DC.

Contudo, a primeira autora é a Leigh Bardugo (a escrever Wonder Woman), e tenho sérias dúvidas que a Leigh seja capaz de lixar alguma coisa, portanto...só se tentasse com muito esforço. E o conjunto de autores que escolheram para a série agrada-me. Portanto, pontos para vocês, DC. Não lixem isto.

Páginas: 416

Editora: Marvel Press

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