domingo, 16 de dezembro de 2012

A Cidade das Almas Perdidas, Cassandra Clare

Sinopse

Opinião: Vou oficialmente ignorar o A Cidade dos Anjos Perdidos. A sério, quando me lembro do livro só me consigo lembrar da grandiosa confusão que aquilo é. Portanto, para salvaguardar a minha sanidade vou fazer por esquecer-me do mesmo. A não ser para lembrar-me que o livro é uma boa, aliás, óptima razão para um autor com uma série adorada NÃO apressar a escrita do próximo livro. Vou tentar lembrar-me disso quando estiver a queixar-me que nunca mais sai um determinado livro.

Porque sim, este livro é muito melhor do que o anterior. As 100 páginas a mais fazem toda a diferença. O modo como o enredo se desenvolve parece-se muito mais com os livros anteriores da Cassandra, no sentido em que temos um crescendo de situações até ao clímax final, e uma resolução. A história flui melhor. Até o Jace volta a ser mais ou menos ele próprio (pelo menos o seu eu sarcástico e desbocado), e as partes em que é menos ele próprio têm uma explicação muito melhor que da outra vez.

Ainda prefiro que a Cassandra não se tivesse aventurado com esta segunda trilogia, porque só está a arranjar sarilhos ao Jace e à Clary, e o Jace e a Clary não precisam mesmo de mais sarilhos. Precisam de um final feliz, mas vai demorar mais um bocadinho. A Clary a certa altura teve uma atitude pavorosa, nada madura, que me fez querer esganá-la, mas enfim. Pelo menos ela percebe que errou.

O melhor deste livro é o desenvolvimento dos outros personagens, especialmente dos casalinhos. Gostei muito de ver a Isabelle e o Simon neste livro, e estou a torcer por eles. Já o Magnus e o Alec fazem uma tolice (bem, a culpa é do Alec, tecnicamente), mas estou com esperanças de eles se resolverem.
 
Outra parte fabulosa foi todo o teasing que a Cassandra passou o tempo a fazer para o final da trilogia Infernal Devices. Ainda não li o segundo livro, Clockwork Prince, mas parece que dividiu mais do que nunca as pessoas pelo triângulo amoroso. Céus, neste livro temos uma menção ao anjo mecânico da Tessa, uma menção ao Magnus compreender bem a ligação de parabatai (porque conheceu o Will e o Jem), uma conversa entre a Clary e o Jace sobre o triângulo amoroso em Um Conto de Duas Cidades (a Clary diz que ela "escolheu o tipo chato"), e uma conversa no final, entre a Clary e o irmão Zachariah, que me fez pensar que ele conhece os eventos descritos na trilogia Infernal Devices melhor do que seria de esperar (eu caio para o lado se ele for o Will ou o Jem... não sei o que ser um Irmão Silencioso envolve, mas seria possivelmente uma boa maneira de fazer o Jem sobreviver à sua maleita).

Bem, apesar de tudo, o fim deixou-me super animada para ler o último livro. Foi bastante excitante e houveram coisas que me deixaram curiosa. E preciso mesmo de ler o Clockwork Prince.

Título original: City of Lost Souls (2012)

Páginas: 384

Editora: Planeta

Tradução: Nuno Daun e Lorena

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Hobbit, J.R.R. Tolkien


Opinião: Peter Jackson, estás tramado comigo. Ter lido o livro em cima de ir ver a primeira parte da tua adaptação vai-me fazer sobre-analisar todas as coisinhas que me aparecerem à frente. Estou tão curiosa para ver por que raios é que decidiram fazer três filmes, o que adicionaram à história, e exactamente como é vão dividi-la. (Tenho uma ideia, pelo que sei deste filme e pelo título do segundo.)

É tão injusto as pessoas julgarem O Hobbit por não ser aquilo que O Senhor dos Anéis é, porque na minha opinião é esse o seu encanto. É uma história mais juvenil, que segue uma estrutura típica de contos de fadas e aventuras épicas, e por isso um bicho diferente de O Senhor dos Anéis. É perfeita para ir lendo aos bocadinhos, noite após noite, e foi isso que me aconteceu, e a razão porque levei tanto tempo a lê-lo. Lia um bocadinho à noite, acabava o capítulo de manhã e ficava satisfeita.

A parte melhor desta narrativa foi descobrir o Bilbo Baggins, a cujos feitos se alude na trilogia, mas só aqui dá para perceber aquilo que ele fez e viu. Basicamente o Bilbo é que faz tudo... 13 anões e passam a vida a ser salvos por um hobbit. A noção é tão divertida e fiquei com um respeito renovado pelo pequeno hobbit, pela sua inteligência e engenho e pela sua integridade. O modo como tenta resolver o impasse com os anões é tão desenrascado. E fica inconsciente na melhor parte, a da batalha!

Conhecemos neste livro muitas lugares, personagens e raças fantásticas novas, mas também é possível vislumbrar alguns bocadinhos de coisas já conhecidas ou mencionadas na trilogia, o que me deu um monte de saudades da mitologia da Terra Média. O Tolkien criou um mundo. Não apenas uma saga, mas um mundo completo e fabuloso, o que me fascina.

Ainda sobre a adaptação, estou curiosa para ver como os anões são retratados. Têm um feitio difícil, chegam a ser bastante forretas e mesquinhos, especialmente no assunto do tesouro, e passam a vida a ser salvos pelo Bilbo. (Características que duvido que fiquem bem em filme.) E ainda estou para ver como é que o Richard Armitage vai ser um Thorin credível. O homem tem demasiada presença para o velhote resmungão que é o Thorin. Os outros anões... bem, vou tentar não confundi-los, lol. Ter actores de carne e osso a representá-los vai definitivamente ajudar a desemaranhar os personagens na minha cabeça.

Título original: The Hobbit (1937)

Páginas: 260

Editora: Europa-América

Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Anna Karenina (2012)

Primeiro que tudo, e porque não consigo deixar de comentar os trailers que vejo antes dos filmes - vi o trailer d'Os Miseráveis! Estou a tentar não ficar com muitas expectativas, mas gosto muito de musicais e o elenco é estelar, o que torna a tarefa difícil.

Sobre o filme objecto do post... bem, que filme difícil. Compreendo que o modo como o filme foi construído possa passar ao lado de alguns espectadores, mas para mim o artifício de usar um teatro como cenário para a história resultou muito bem para mim a transmitir o modo como a sociedade russa funcionava, toda teatralidade e sufoco. Uma opção interessante do realizador Joe Wright.


Um realizador de que fiquei fã, pelo menos a ver os seus filmes de época (e adaptados de livros). Adoro o visual que dá aos filmes, e este não é excepção. Não é só o teatro, é os cenários usados e as transições de cena. (Quase parecia que estava a folhear um livro pop-up.) Os vestidos e adereços fabulosos. Os movimentos coreografados dos actores. (Fez-me sorrir, o vestir e despir de casacos do Oblonsky.)

As próprias coreografias do momento de dança! *baba-se* Já sabia que o Joe Wright é um fã de transmitir momentos-chave da narrativa com uma dança entre os protagonistas, mas esta cena é particularmente intensa e acelerada, conseguindo transmitir com clareza os sentimentos dos três protagonistas. (Pobre Kitty.) A cena da corrida de cavalos é de loucos. (Cavalos! Num teatro!) Toda a tensão, os sons, para acabar num lapso patético da Anna e na morte do pobre do cavalo.

Mas a narrativa abranda, quando nos focamos na Kitty e no Levin. Contraponto à história da Anna e do Vronsky, a cena em que comunicam com os cubos é tão fofinha e tocante. Os momentos em que a Kitty chega à propriedade e ajuda o irmão do Levin também. Acho que o Levin se apaixona por ela outra vez, ao se aperceber duma nova faceta da mulher.


A Anna e o Vronsky? Ah... compará-los-ia à Catherine e ao Heathcliff de O Monte dos Vendavais. É fascinante ler sobre o seu louco, intenso caso, mas não aspiraria a viver a mesma história. Achei a Anna mal ajustada... É corajoso ir contra a sociedade em que se insere para seguir um grande amor, mas ela acaba por não saber lidar ou gerir a situação em que se encontra, levando ao seu fim trágico. Aí, lembrou-me mais de Os Maias. Suspeito que ambos os livros terão muito em comum.

O elenco é delicioso, especialmente por reconhecer muitas caras de outras coisas, o que ajuda a dar um contexto à torrente de princesas e condessas e sei lá mais o quê. (Aquela sociedade russa é mesmo complicada.) Os vislumbres que tive da Ruth Wilson, da Olivia Williams, da Kelly MacDonald, da Emily Watson ou da Michelle Dockery deixaram-me superanimada.

A Keira Knightley, bem, eu vê-la-ia em qualquer coisa de época. O Jude Law é discreto mas intenso no seu Karenin. Não acreditava que ele conseguisse parecer o papel que tem, mas conseguiu. O Matthew Macfadyen é tão divertido como Oblonsky. O papel é a cara dele. É impossível ficar zangada com o personagem, por mais sarilhos em que se meta.


Destacaria mais dois aspectos, a cinematografia - adoro o aspecto do filme em geral -, e a banda sonora. Acho que fiquei fã deste senhor (Dario Marianelli), porque ainda que invisível, o seu trabalho consegue ser muito evocativo. Lembro-me que costumava ouvir as bandas sonoras do Orgulho e Preconceito ou do Irmãos Grimm e recordar-me facilmente de cenas dos filmes. Tenho a certeza que quando ouvir a banda sonora deste filme vai acontecer o mesmo. Ao sair da sala, ouvindo o trecho do genérico, tive o meu primeiro dèjá-vu, e depois de pensar um bocadinho, cheguei à conclusão que a música me lembrava, estranhamente, de Cell Block Tango, do musical Chicago.

Acho que o maior elogio que posso fazer ao filme é penso que consegui apreender os grandes temas do livro, talvez vislumbrar alguns detalhes da história, e perceber as intenções do autor ao desenvolver o enredo geral. (Claro que só vou poder confirmar isto ao ler, de facto, o livro.) É uma abordagem original, a do realizador, mas para mim resultou.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Colecção Heróis Marvel Série II #1-2

X-Men  e Vingadores - Dinastia de M, Brian Michael Bendis, Olivier Coipel
Realidade alternativa, em que os super-heróis vivem uma realidade tirada dos seus sonhos e desejos, e em que os mutantes dominam. Curioso. Gostei. Alguns dos destinos dos personagens são mais óbvios, outros mais subtis, outros ainda são tristes. O Peter Parker tem a sua Gwen viva, é casado com ela e tem um filho. (A Mary Jane é uma superestrela.) O Steve Rogers nunca entrou no programa do supersoldado e agora é um velhote reformado e retirado do exército. Os pequenos pormenores fazem a diferença, e aqui com estes os autores conseguem pintar um quadro maior.

Quanto à Feiticeira Escarlate, bem, nunca li nada com ela, mas quanto eu a odeio... Só de ler um monte de histórias pós-Dinastia de M, com toda a gente a falar da Wanda ser responsável pela diminuição drástica do número de mutantes, bla bla bla. Que família de loucos, mesmo. O Magneto conseguiu dar mesmo cabo dos filhos. Uma virou psicopata, o outro está sempre metido mesmo no meio dos sarilhos que origina.

Apresenta algumas ideias interessantes, particularmente quando os heróis discutem se deviam fazer alguma coisa para reverter esta realidade alternativa. Ou quando estão preparados para fazer tudo contra o Magneto pela extrema manipulação das suas vidas. Vemos um bocadinho dos resultados das acções da Wanda, e algumas repercussões são francamente intimidantes.

X-Men - A Saga da Fénix Negra, Chris Claremont, John Byrne
Sagas controversas e muito (re)conhecidas, as da Fénix e da Fénix Negra. Já tinha podido ler os eventos que levaram a Jean Grey a tornar-se na Fénix; faltava esta segunda parte, da Fénix Negra. Gostava de espreitar as histórias pelo meio, para ver como a Jean lidava com este poder e se havia pistas para os acontecimentos desta saga.

É um pouco assustador, ver aquilo em que a Jean se torna, e o fim que teve é absolutamente justificado pelas acções da entidade Jean/Fénix. Tanto poder pede uma responsabilidade impossível. A Jean acaba por ser uma personagem trágica e sacrificada, sempre dominada pela extensão dos seus poderes. A sua manipulação pelo Mestre Mental, tornando-a numa Rainha do Clube do Inferno, foi um apontamento irónico, tendo em conta que a Rainha Branca, a Emma Front (aqui uma antagonista), acaba por tomar o lugar da Jean à frente dos X-Men e ao lado do Scott Summers/Ciclope.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Picture Puzzle #31

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: A Cup Of Coffee & A Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título adulto em português.

Puzzle #2
Pista: título YA em inglês.


Divirtam-se!