domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Voz, Anne Bishop


Opinião: É um livro curtinho, e eu já tenho sido muito verbosa acerca dos contos, noveletas e novelas e do quão insuficientes (quase sempre) me parecem. Aqui isso aconteceu - mais ou menos -, mas mais porque estava com saudades do mundo de Efémera do que pela incapacidade da Anne Bishop em escrever uma história curta de modo satisfatório. Porque como história, A Voz funciona muito bem, e consegue inserir-se fantasticamente no mundo da série a que pertence, abordando temas que a autora já tem explorado noutros livros. É uma história que faz jus ao resto da obra de Bishop.

Passando-se no mundo de Efémera, fascinou-me mas não me surpreendeu o modo como aborda sentimentos, maus e bons, e como estes esculpem o mundo em que vivemos. Não há aqui paisagistas ou construtores de pontes, mas a magia das paisagens está lá. É terrível, e triste, saber a história da personagem titular, mas gostei de ir a descobrindo juntamente com a personagem principal, Nalah, de ver como Nalah se debatia com o mundo que conhece, e o que faz para mudar a sua vida.

Achei muito interessante a maneira como "A Voz" funcionava, libertando os aldeões do seu peso emocional, fosse a que custo fosse. A autora liga emoções e magia de um modo muito subtil e aparentemente simples, mas com um mundo de repercussões. E aborda o tratamento e o lugar dado às mulheres no mundo, tema que não lhe é estranho. Espero vir a saber o que acontece à Kobrah... pelas opiniões do terceiro livro de Efémera, Bridge of Dreams, parece que sim. Venha daí esse terceiro livro.

Título original: The Voice (2012)

Páginas: 128

Editora: 11x17 (livro de bolso da Saída de Emergência)

Tradução: Luís Coimbra

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cinder, Marissa Meyer


Opinião: Tive este livro debaixo de olho o ano passado, quando saiu, mas esperei para ler algumas opiniões, a ver se me poderia interessar. Por alguma razão, as opiniões nunca me incitaram a pegar-lhe, o que é uma vergonha, porque eu agora estou a perguntar-me "porquêêêêêê? porquê é que eu nunca li isto?". Se bem que se o tivesse lido mais cedo, estaria cheia de comichão para ler o segundo livro. Este primeiro livro deixa a história não exactamente num cliffhanger, mas num ponto muito "irresolvido", e eu terminei o livro quase a trepar às paredes de curiosidade e impaciência.

Também é um livro um pouco difícil de definir, diria. A autora tece uma história com uma miríade de temas e influências, quase a transbordar, mas acho que consegue criar uma história coesa com elas. Gostei muito de como incorporou elementos da história da Cinderela com alguns pozinhos de Sailor Moon, situando o enredo numa Nova Pequim do futuro, com cyborgs, andróides, e uma ameaça latente dos Lunars (povo da Lua), que não podia ser mais diferente dos Earthens (terrestres). Diverti-me imenso a reconhecer os paralelismos com o conto da Cinderela e com o anime da Sailor Moon, ainda mais porque a autora conseguiu incorporar muito bem o seu mundo futurista com os mesmos. (O "sapato", a abóbora, a fada madrinha, o vestido, o baile, a madrasta e as meias-irmãs... está tudo lá!)

Gostava que a autora tivesse desenvolvido mais o cenário, isto, que nos tivesse fornecido mais dados sobre o passado, o que levou ao presente estado de coisas, quanto tempo passou desde o nosso presente, ... há algumas revelações, mas eu estou esfomeada de conhecimento deste mundo que me pareceu tão potencialmente interessante.

O enredo corre a um ritmo alucinante, dei por mim e pensar que precisava mesmo de virar mais uma página, mais um capítulo, para saber o que ia acontecer a seguir. Adivinhei muito cedo uma certa informação que a autora só revela no fim, mas para ser honesta acho que ela não estava sequer a tentar escondê-la, apenas a atiçar-nos a curiosidade ao percebermos o que se passa - o que resultou, sabendo esta coisa li algumas cenas doutra maneira.

A minha personagem favorita foi a Cinder, por razões óbvias - é a personagem principal e com maior tempo de antena -, e menos óbvias - adorei o ser uma miúda desenrascada, que ganha a vida como mecânica, que é dependente da madrasta mas lhe resiste, que também sonha com coisas mais femininas, mas reconhece a realidade da sua situação. A Iko recebe muito carinho nas opiniões por aí, e justamente, porque aquilo que lhe sai da boca é hilariante. Também achei piada ao Kai e à relação que ele desenvolve com a Cinder, de flirt e amizade, com o potencial de algo mais, mas também a consciência de muito que os separa (a Cinder mais que ele, mas isso já são spoilers). Acho que hoje em dia qualquer autor que NÃO meta instalove nas suas histórias ganha a minha devoção eterna.

Gostei de ver a maior parte dos personagens descritos com alguma nuance (a madrasta não é sempre má, e a Cinder não é uma fonte de bondade eterna), com excepção da rainha Levana. Oh, como eu adorei odiar esta personagem. Ajuda que ela seja uma manipuladora obcecada com a aparência, que mantém o seu povo refém da adoração que lhe prestam. Espero mesmo vir a ver a Cinder a dar-lhe um chuto no real traseiro.

O fim, bem já disse que me deixou pendurada. Foi um bocadinho triste, porque finalmente se revela (quase tudo) o que a Cinder é, especialmente aos olhos do Kai, e a reacção dele podia ser melhor. Compreendo essa reacção (se aturei a Neryn em Shadowfell, que se debateu com uma coisa parecida, tenho que o aturar a ele), mas espero que veja brevemente a luz. Oh, como eu quero ler o Scarlet (o segundo livro).

P.S.: Andei a escavar pelo antigo blogue da autora e descobri que ela anunciou que a venda dos direitos deste livro para Portugal no fim de Janeiro de 2011. O livro só foi publicado nos EUA um ano depois. Huh. Claramente estava a gerar muito interesse ainda antes de ser publicado.

Páginas: 400

Editora: Feiwel & Friends (MacMillan)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Picture Puzzle #39

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Viajar pelos livros - #2, #3.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título fantástico publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título histórico publicado em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Duas Vidas, Jessica Thompson


Opinião: Que tortura, que tortura... ler sobre dois personagens apaixonados um pelo outro, mas convencidos que o outro não sente o mesmo, e que se mantêm amigos como resultado. Durante cinco anos! E no entanto eu devo ter uma costela masoquista, porque adorei cada página. Cada peripécia só me dava mais vontade de continuar a ler, e de perceber até quando a Sienna e o Nick iam continuar a suspirar um pelo outro, sem sonharem que são correspondidos.

Gostei muito de seguir a Sienna e o Nick, porque graças às suas teimosias iniciais, tornam-se amigos primeiro, bons amigos, daqueles que se conhecem muito bem, e daqueles que não precisam de proximidade constante para se manterem amigos. Apesar da tensão permanente de os saber apaixonados um pelo outro, é possível apreciar a sua evolução ao longo da história enquanto têm outros relacionamentos, experimentam coisas novas, fazem novas asneiras (e bolas, que asneira aquela da Chloe...), e se tornam melhores pessoas, antes de ficarem juntos. É claro que as cenas com os dois tinham um gosto especial pelo potencial torturante (aquela cena na cama dele! as cenas das últimas 50 páginas! o final!).

O título original parece prometer uma história de amor romântico (This is a Love Story), mas não faz só isso, porque também nos mostra outros tipos de amor (amizade e amor paternal/filial). Apreciei muito ver a relação da Sienna com o pai, porque ela era muito protectora dele e fazia o que podia para lhe proporcionar uma vida normal, tendo em conta a sua doença. E o George nunca perdeu o espírito sonhador e nunca se deixou afundar em depressão, o que é espantoso.

Sou fã do cenário britânico. Não há muitos livros publicados, pelo menos em Portugal, passados em terras de Sua Majestade, o que é uma pena, porque há qualquer coisa que me agrada na britanicidade? britaneidade? britanismo? britanicismo? - alguém me empreste um dicionário, por favor. Ouvir falar de partes de Londres ou ver a linha do horizonte da cidade a partir do rio na parte de trás do livro (com direito ao Big Ben e ao London Eye) agradou-me e ajudou-me a visualizar o cenário. (E fez-me passar metade da tarde a ler teorias de Sherlock assim que a minha cabeça fez o salto do cenário deste livro para o cenário da série. Mas isso não tem nada a ver com esta opinião.)

A parte final do livro... oh, bolas, quando vi que o Nick tinha descoberto finalmente o que a Sienna sentia por ele, e que faltava tanto para o livro acabar, apercebi-me que só faltava a autora fazer uma coisa, e foi isso que ela fez. Tão, tão triste. Mas mostrou que o Nick e a Sienna merecem ficar juntos, porque se apoiam mutuamente, e foi um final feliz merecido. Se bem que gostava de ter visto mais do final feliz... eles entenderem-se é literalmente a última cena do livro. Recomendo a quem goste e a quem não goste de romance, porque aqui vamos encontrar não só a parte romântica como também a evolução coming of age dos personagens e uma certa sensação de serendipidade e de encontro e desencontro - de pessoas, de momentos, de fases da vida.

Título original: This is a Love Story (2012)

Páginas: 416

Editora: Asa

Tradução: Rui Azeredo

With All My Soul Mini-Reading Challenge

WAMS Mini-Reading Challenge

Just signing up for another challenge, a mini-challenge, since I entered Fiktshun's Soul Screamers Reading Challenge last year and I loved it. It was a great feeling, to read almost all the books in this series back-to-back, because I fell in love with the story and the characters. It's almost too sad to say goodbye, especially because I feel Rachel Vincent has in store so much heartbreak for me, but I'm also excited to read the final chapter of Kaylee's journey.

You can sign-up here (or click the above image) - there's a sign-up giveaway for a copy of With All My Soul, the last book in the series (you can gain extra entries for the sign-up giveaway if you make a participation post such as this).