sábado, 7 de setembro de 2013

Rose Under Fire, Elizabeth Wein


Opinião: Este é um livro um pouco diferente do Code Name Verity. Não tem a sua narrativa única, nem a sua capacidade de me deixar num farrapo emocional, mas é igualmente uma boa história e a autora volta a demonstrar a sua capacidade para situar o leitor no meio da 2ª Guerra Mundial e para criar uma personagem feminina que dá gosto seguir.

A Rose é americana, e é uma piloto civil de transporte de aviões para a força aérea britânica. Numa missão normal de transporte de um avião de França de volta para Inglaterra, é interceptada por dois aviões alemães e levada para território alemão, e depois para um campo de concentração. Tive alguma dificuldade com a voz da Rose no início. Por um lado porque a existência de um relato é em si um spoiler que nos diz que a Rose sobreviveu ao campo. E por outro porque a voz dela no início é tão ingénua, e tão privilegiada - até mesmo um bocadinho no começo do relato dela no campo -, que me fez alguma comichão.

Mas depois disso, o relato ganha interesse, à medida que vamos a Rose estabelecer relações com outras prisioneiras do campo, e que vemos aquilo que lhes é feito diariamente. Porque mesmo numa situação tão dura como esta, as pessoas são capazes de criar relações, de cuidar umas das outras, e lutar umas pelas outras. Parece quase do outro mundo, ler sobre aquilo que tinham de fazer. Mas gostei de ler sobre os pequenos actos de desobediência que elas conseguiam fazer, que geravam caos no campo. E sobre as pequenas histórias e poemas que a Rose contava às outras para as distrair.

As personagens secundárias saltam da página, e mesmo com um elenco grande a autora consegue criar pessoas com personalidades próprias. Achei muito interessante o grupo a que a Rose se juntou. E gostei de ler as coisas numa perspectiva um bocadinho diferente - nenhuma das personagens é judia. Por vezes, a grandiosidade do que aconteceu com os judeus durante a 2ª Guerra faz-nos esquecer que havia uma miríade de outras razões para as pessoas irem parar aos campos, e este livro faz bem em lembrar-nos. E em lembrar, ou apresentar, um bocadinho do que aconteceu com a experimentação científica em seres humanos nos campos. A história das Rabbits é chocante, e mais ainda quando vemos que as coisas estavam num ponto tal para as nossas personagens que tudo o que queriam era trazer a história das Rabbits cá para fora, esquecendo que as coisas que lhes aconteciam eram também imperdoáveis.

Gostei de (re)ver duas personagens em particular. Uma vem do livro anterior, Code Name Verity, e torna-se amiga da Rose através das missões de pilotagem. Foi bom revê-la e ver o que lhe aconteceu depois da tragédia grega que foi o Code Name Verity. A outra nem me dei bem conta que já a tinha visto no livro anterior. Quero dizer, reconheci o nome dela, mas não fiz a ligação. Só depois de ler o livro é que me bateu forte, a revelação. Mas gostei de a rever, porque lembra que os cidadãos alemães não devem ser demonizados. Também havia pessoas corajosas o suficiente para expressar o horror com o que estava a acontecer, ou a agir para corrigir um erro, e que iam parar aos campos por isso mesmo.

A parte final é algo recompensadora de ler, mas parece tão incompleta, e por isso o livro fica a saber a pouco. O processo de "cura", se é que lhe posso chamar assim, da Rose está a meio, e as situações em que se envolve ficam como que também a meio. Parece-me que se o objectivo da autora era falar dos tribunais em Nuremberga e em Hamburgo, ou fazia uma coisa completa ou não falava de todo nos mesmos. Porque me parece um pedaço de história que valia a pena abordar em condições.

Páginas: 480

Editora: Egmont

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