terça-feira, 8 de julho de 2014

Rosa Selvagem, Patricia Cabot/Meg Cabot


Opinião: O Lorde Edward Rawlings tem um problema: é preciso encontrar o sobrinho, um miúdo de 10 anos filho do irmão mais velho e verdadeiro herdeiro do ducado de Rawlings, e convencê-lo a vir para Rawlings Manor; mas os seus esforços não vêm de um lugar generoso, pois Edward despreza as responsabilidades inerentes ao título. Só que tem uma inimiga nos seus esforços: Pegeen, tia de Jeremy e sua cunhada, que bem se lembra do tratamento que a família lhes deu quando o menino nasceu, por ser originário de um casamento não sancionado pela família Rawlings.

Foi uma boa leitura. Há algum tempo que não lia romance histórico, e por isso foi com prazer que voltei a espreitar o género. A premissa é curiosa, pois coloca um rapaz de 9 ou 10 anos a herdar um ducado, quando anteriormente o avô o tinha mantido afastado, pois o seu pai, John, tinha fugido com uma rapariga para casar com ela, encontrando total oposição por parte da família. E por isso, o pequeno Jeremy foi educado pelo lado materno, pelo avô materno e pela tia Pegeen.

Adorei o pequeno Jeremy, um miúdo completamente reguila, sempre a arranjar sarilhos, que só dá ouvidos à tia Pegeen, e em sério risco de ficar mimado demais por descobrir que é um duque. Achei tanta piada às reacções meio-protectoras dele em relação à tia, e à sua preocupação com ela; e no entanto, ele não deixa de ser um menino pequeno, que se assusta com a sua primeira caçada à raposa e com a aparição de uma pessoa do passado que lhe tiraria tudo o que tem.

Também me diverti bastante com a relação entre a Pegeen e o Edward; as suas cenas eram sempre hilariantes, pelas trocas verbais que continham (adorei a Pegeen a meter-se com ele e a sua masculinidade). Aquela "guerra" entre ambos, por serem pessoas com feitios e vidas tão diferentes, fez uma leitura bem mais deliciosa.

A Pegeen tem um feitio fabuloso, e é uma defensora das classes sociais mais baixas, e de que os aristocratas usem a sua posição para melhorar a hierarquia social; achei que a autora ia fazer mais com este assunto, que acaba por ficar de lado a meio da história. Por outro lado, a primeira cena com ela é tão engraçada, com o vigário armado aos cucos a pedir-lhe em casamento; também é uma bela cena de homenagem a Jane Austen, pelas parecenças com o pedido do Mr. Collins à Lizzie Bennet em Orgulho e Preconceito. Já o Edward tem um feitio de "vou levar tudo à minha frente", um pouco bruto, dando-se com companhias deploráveis, mas a Pegeen é uma adversária à altura para o fazer dar a volta.

Gostei bastante do elenco secundário, especialmente das pessoas em Rawlings Manor, que ficaram rendidas à Pegeen, de modo que se comportavam como se ela fosse a dona da casa; mas também dos Herbert, a única família digna desse nome por ali; e do Alistair, um bom melhor amigo para o Edward. Estava convencida que o comportamento de enamorado dele para com a Pegeen era uma farsa, para obrigar o Edward a confrontar os seus sentimentos, mas a autora chega ao fim e não me confirma essa suspeita, com muita pena minha. Não que o Alistair também não tenha o seu final feliz, bem engraçado por sinal.

Em suma, um bom romance histórico, nada memorável, mas já com as marcas do tipo de narrativa e de personagens que a Meg Cabot favoreceria mais à frente na sua carreira. Estou contente por o ter lido, porque sempre tive muita curiosidade em relação aos romances históricos dela, sem poder adquiri-los, pois estão descontinuados em inglês há muito. Uma bela leitura para entreter e divertir, com um estilo que nada fica nada atrás do típico romance histórico, sendo um exemplo decente do género.

Título original: Where Roses Grow Wild (1998)

Páginas: 368

Editora: Livros d'Hoje

Tradução: Patrícia Oliveira

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Marvel NOW! em Portugal - Vingadores números 1 a 6 (Avengers #1-12; New Avengers #1-6)

Capa tripla do número 01 de Vingadores.
(Contracapa + capa que dobra para dentro.)
Em Fevereiro a Panini começou a lançar em Portugal alguns títulos da Marvel em português de Portugal; anteriormente, a editora de comics americanos era representada por cá por vários títulos importados do Brasil, alguns dos quais eu seguia regularmente, mas que eram distribuídos sem nexo nenhum. Muitas histórias tinham continuação em títulos que não eram distribuídos por cá, e dei por mim várias vezes frustradíssima, sem poder continuar a ler o seguimento natural duma história. Sobrevivi, porque apesar de não ser uma leitora ávida de comics americanos, sou uma leitora regular, e aprendi a viver com os constantes saltos de continuidades, trocas e destrocas, mortes que passado 6 meses são ressureições, e reviravoltas afins.

Capa do número 02 de Vingadores.
Contudo, foi uma boa notícia esta, a de serem lançados alguns títulos específicos para o mercado português, que pelo menos me parecia garantir alguma continuidade e bom senso na escolha das revistas que iam ser incluídas. E não é que me importasse propriamente de ler em português do Brasil, mas era certamente desconcertante tropeçar em algumas palavras desconhecidas ou algo diferentes, ou típicas de um uso coloquial ou de calão que não têm equivalente em português de Portugal.

Em termos de distribuição, no início era bastante complicado encontrar as revistas, porque não havia muitas papelarias/quiosques/livrarias a vendê-las, o que me fazia dar umas voltas enormes para as encontrar (a minha sorte é que uma livraria relativamente perto - e por relativamente perto quero dizer 4 paragens de autocarro via Carris - do meu local de trabalho as tinha). Depois, comecei a encontrar as revistas cada vez mais perto de casa, e agora tenho uma papelaria mesmo à porta de casa que as tem.

Capa do número 03 de Vingadores.
Sei que estão à venda em sítios como a Fnac, mas recuso-me a comprá-las àqueles vândalos, que metem daqueles autocolantes horríveis com alarme nas capas, e que são tão chatinhos de tirar, que se eu os tentasse tirar das capas normais das revistas rasgavam-nas todas. Comprei o primeiro volume/livro/trade paperback que editaram dentro desta iniciativa, o Homem-Aranha Superior #0, na Fnac, e foi um suplício para tirar o autocolante da capa, que era bem mais resistente que as capas das revistas. Acabei por conseguir tirá-lo, mas fiquei com uma parte da capa meio "levantada".

Em termos de qualidade do papel e edição, tenho estado bastante satisfeita, porque o papel é bastante bom, adequado ao tipo de impressão e história, e os livros/volumes com histórias completas têm sido uma boa surpresa, apesar dum preço mais puxado num ou outro. Em termos de edição, não tenho muito a apontar, não tenho notado problemas de tradução; só tenho a apontar pequenos erros que se vão escapando, como confusões entre a Capitã Universo e a Capitã Marvel no número 6, e nos números 1 e 2 a Capitã Marvel aparecer como Capitão.

Capa do número 04 de Vingadores.
A razão pela qual decidi falar um pouco destas revistas foi o facto de estarmos a chegar ao 6º número de cada revista, e em que sou capaz de ter lido o equivalente a uns 3 livros, mais ou menos, que coleccionam os issues originais de cada revista; achei então que seria interessante rever a minha experiência de leitura com cada título, em termos narrativos.

Neste caso, os primeiros seis números de Vingadores contêm os números 1 a 12 de Avengers e 1 a 6 de New Avengers, no original; ambas as revistas contam histórias separadas, com personagens quase completamente diferentes (New Avengers é um caso especial, por razões que mencionarei à frente), mas que é previsível que se venham a encontrar no futuro, pois a narrativa parece ser dois lados da mesma moeda.

O tipo de narrativa que o argumentista está aqui a tentar contar é um não muito comum, no que tenho lido de comics. É um em que ainda não é possível ver o endgame, aonde é que a história vai parar, e aquilo que vai sendo apresentado são pequenas peças do puzzle, mas das quais ainda não é possível fazer completo sentido (e eu gosto muito quando as coisas fazem sentido).

Capa do número 05 de Vingadores.
Não é uma narrativa que se preste muito a fascículos, a ser lida aos bochechos, por esta razão... só quando li as seis revistas de seguida é que algumas coisas fizeram mais sentido para mim, em que pude ver temas e cenas repetidas, coisas que fazem ressonância umas com as outras.

Portanto, é uma narrativa que tem o potencial para ser muito interessante, e que espero vir a continuar a ler... com plena consciência que se o meio fosse outro (um livro, por exemplo), eu já o tinha devorado, e aqui tenho de esperar. O que de certo modo prejudica a apreciação do desenvolvimento da história, mas enfim.

Nos números de Avengers, podemos observar um reformar da equipa com um elenco muito mais alargado que o habitual. Não conhecendo grandemente os Vingadores, parece-me uma bela ideia. Varia o tipo de personagens apresentados e foge à tentação de centrar a equipa nos personagens que o púbico conhece do filme de 2012.

Capa do número 06 de Vingadores.
O tema em si, aparentemente não me soava muito a Vingadores, por uma razão qualquer... mas conquistou-me, como já mencionei. A ideia de que algo está muito errado com o universo, que os sistemas que o fazem funcionar estão a partir-se e prestes a mandar tudo para o Inferno... muito cativante. Gosto de ter vindo a conhecer os vários aspectos da ideia, e de como têm vindo a ser apresentados como mais um sintoma de que o Universo está doente. Acho fascinante a ideia das bombas biológicas, e dos avatares que supostamente devem ir aparecendo num mundo em mudança.

A presença de diversos personagens dá novas perspectivas à coisa, além de que alguns têm experiência directa com a destruição de mundos e universos, parece. Espero ter mais visulmbres de alguns dos personagens, especialmente daqueles menos conhecidos. Por outro lado, passava bem sem o Homem de Ferro, que, caramba, está em todos os títulos e mais alguns, que exagero. Está nos Avengers, nos New Avengers, no seu título próprio, e ainda arranjaram maneira de o enfiar nos Guardians of the Galaxy. Sobre-exposição, já ouviram falar?

Capa variante do #1 de Avengers;
adicionei ao post porque achei

imensa piada ao estilo
chibi dos super-heróis.
Nos números de New Avengers, a narrativa acompanha um grupo de super-heróis que se auto-intitula de os mais poderosos do mundo, e que acompanha as crises que vão acontecendo, usando as suas posições-chave como líderes em várias equipas para, bem, liderar o mundo. São os Illuminati, compostos pelo falecido Professor Xavier, Raio Negro, Doutor Estranho, Reed Richards, Namor, Homem de Ferro, e com uma recente adição do Capitão América.

Já conhecia, mais ou menos, e honestamente, não lhes acho particular piada (quem é que lhes pediu que governassem o mundo? eu não votei neles). Compreendo a ideia que os originou, um grupo secreto que controla os destinos do mundo, dando valor às teorias da conspiração, mas não sou fã.

Contudo, a história contada com estes personagens compensa esse aspecto. O Pantera Negra apercebe-se de um evento que está relacionado com os de Avengers, e que demonstra a pobre saúde do Universo: é testemunha duma incursão, uma iminente colisão entre Terras de universos diferentes, e da consequente destruição da outra Terra por uma personagem misteriosa, a Cisne Negro. O Pantera junta os Illuminati, apesar de não concordar com a existência do grupo (hipócrita), e juntos tentam descobrir uma solução para evitar a destruição da sua Terra em consequentes incursões.

Capa variante do #1 de
New Avengers; adicionei ao post

porque achei imensa piada ao
estilo chibi dos super-heróis.
Tem alguns bons momentos, como quase todos os que envolvem as incursões, ou a presença da Cisne Negro, ou o modo como as Gemas do Infinito não resolvem nada, ou como a abertura de quase todos os elementos do grupo a medidas mais extremas leva a que expulsem o Capitão America do grupo e lhe apaguem as memórias - cena que é reflectida num sonho que ele tem no início de Avengers.

Quanto à arte, não sei se posso fazer destaques, porque em geral tenho gostado dos diferentes estilos dos desenhadores, e não sinto que choquem uns com os outros. Gostei bastante do estilo de Jerome Opeña com as cores de Dean White (Vingadores número 1), que dão um ar "pintado" ao seu trabalho; mas também me agradou o traço de Dustin Weaver (Vingadores números 5 e 6) e de Adam Kubert (Vingadores número 2).

Em suma, ainda acho esta narrativa um pouco confusa, por não a conhecer por completo... mas estou curiosa e com vontade de a continuar a explorar, porque me parece prometedora. A verdade é que andam a acontecer demasiadas coisas que emperigam o Universo Marvel, e gostava de estar lá para ver a inevitável explosão.

sábado, 5 de julho de 2014

A 5ª Vaga, Rick Yancey


Opinião: Este é um daqueles casos em que um livro traz consigo um burburinho tão grande atrás que eu fico desconfiada e fujo a sete pés na direcção contrária. Só muito mais tarde, quando alguém me dá um grande empurrão na direcção certa, é que me arrisco. E depois termino a leitura e fico com vontade de me auto-flagelar e a resmungar para comigo "why? porque é que adiei tanto tempo? why? só que agora tenho de esperar menos tempo pelo próximo livro, yay!".

A 5ª Vaga conta a sua história do ponto de vista dos sobreviventes de uma invasão extraterrestre. Através de várias vagas criadas para eliminar o maior número de humanos possível, os extraterrestres reduziram a humanidade a uma fracção do seu número original.

Cassie Sullivan é uma dessas sobreviventes. O primeiro capítulo/parte é a sua narração, recheada de flashbacks, de como ela e a sua família passaram pelas várias vagas, até dar por si sozinha. É uma parte impressionante do livro, porque a Cassie está completamente desfeita, mentalmente, e apenas pode continuar a dar passo após passo, sem fazer planos, porque tudo o que conhecia lhe foi roubado, e ela luta ainda assim para sobreviver. É dura. Mas os eventos das sucessivas vagas deixaram muitos fantasmas, e uma convicção paranóica que só sozinha vai conseguir continuar, só se não confiar em ninguém vai sobreviver.

Por outro lado, existe um segundo protagonista, que foi uma surpresa porque nem sequer a sinopse da minha cópia do livro fala dele. Caramba, falam-me do Evan Walker, mas não há nem uma palavrinha para o soldado Zombie, que é tão importante para a história como a Cassie? (Chamo-lhe soldado Zombie, uma das suas identidades, porque usar o seu nome é a modos que um spoiler. E é mais divertido descobrir quem ele é lendo o livro.) Bem, o soldado Zombie sobreviveu às várias vagas, e dá por si num local muito diferente da Cassie, rodeado de sobreviventes, e a ser preparado para lutar numa guerra. A sua história é muito interessante, pela incerteza que traz, e pela história que conta, do batalhão deste soldado.

Uma das coisas que me agradou mesmo na narrativa é que as histórias da Cassie e do Zombie são um pouco reflexos uma da outra. Há um par de capítulos com outros POVs, mas a narrativa é essencialmente feita pelos dois, estando intercalada, e quando uma acaba e outra começa há às vezes certos pontos de ligação. Tematicamente, ambas as histórias lidam com o mesmo tipo de coisa, ainda que de modo muito diferente. E depois, há a repetição de frases e ideias em ambas, que acabam por as ligar, e achei uma boa opção do autor. Gostei de encontrá-las.

Outra coisa de que tenho de falar é que este livro me tornou mesmo paranóica. Mesmo, mesmo, paranóica. A certo ponto das narrativas da Cassie e do Zombie acontecem coisas que eu interpreto como tendo origem nos extraterrestres, mas depois o autor faz-me duvidar de mim mesma e fico a pensar "ok, isto até podia ter sido feito pelos humanos" (no caso do Zombie, a coisa parece ter requintes de malvadez suficientes para eu pensar que pode ter origem nos humanos), e depois passei o resto do raio do livro a andar para a frente e para trás entre as duas opções. Mesmo quando as coisas parecem óbvias, e as reviravoltas são algo previsíveis, o Rick Yancey fez-me duvidar de mim mesma, por isso, pontos bónus. Conseguiu conjurar a atmosfera do apocalipse extraterrestre perfeitamente.

No caso da Cassie, acho que a parte dela da história é de partir o coração. Ela estava tão sozinha, tão desesperada por contacto humano e por poder confiar em alguém que os seus instintos ficam confusos quando lhe é dada a oportunidade de o poder fazer. Não desaparecem completamente, porque ela tem consciência das pequenas coisas que podem ou não fazer sentido, mas acho que a "Cassie de antes" prefere aproveitar mais um bocadinho antes de voltar ao "modo apocalipse". Além disso, a sua história tem um certo potencial para quebrar barreiras, apesar de eu não estar completamente convencida quanto à outra parte, pelo seu... comportamento suspeito. Mas as suas cenas são giras, admito.

No caso do Zombie, adorei ler sobre o dia-a-dia do seu batalhão, e de como se esforçavam para melhorar no ranking e poder sair dali. Fiquei fã daqueles miúdos, completamente, tanto que quando o autor sugere que uma certa coisa que acontece lhes possa ter acontecido a eles, fiquei a roer as unhas. A narrativa do Zombie tem mais a ver com a necessidade de se provar, depois do que lhe aconteceu, de mostrar que é capaz e forte. E é, também, de partir o coração, ver estes miúdos a fazer coisas que nunca deviam estar a fazer, em condições nenhumas. É... distorcido. Para além disso, uma certa revelação da narrativa do Zombie (apesar de eu estar a modos que à espera dela) conseguiu ainda assim deixar-me siderada, pelas suas implicações.

Mencionei os dois POVs para além da Cassie e do Zombie. Cada um tem um capítulo/parte. Um é de um Silenciador, como a Cassie lhe chama, e é uma perspectiva muito interessante do outro, daquele que não é bem como os outros personagens. O outro é do Sammy e do seu acolhimento na base militar, e reconhecer as fases por que passou, a partir da narrativa de outro personagem... assutador.

O fim é bastante excitante, por ligar finalmente os dois fios do enredo, e achei bastante divertido ter a Cassie, o Zombie, e outro personagem não nomeado a criar o caos, especialmente porque não sabiam uns dos outros. E apesar de os personagens estarem em perigo de vida e a lutar para se safar dali, tem os seus momentos comoventes, e divertidos também (achei hilariante a cena em que toda a gente se encontra).

Acho que o que eu quero dizer é que, apesar de à superfície esta parecer apenas mais uma história pós-apocalíptica, o seu trunfo está no modo como o autor escreve, imbuindo-a de certos temas que se repetem ao longo da narrativa, dando um fundo psicológico muito interessante aos personagens e às suas circunstâncias, e questionando coisas como o que é afinal ser humano, ou como nos agarramos ao que fomos quando as circunstâncias exigem algo diferente de nós, ou como é possível ter esperança ao enfrentar o impossível. Mal posso esperar para ver aonde irá levar a história no próximo livro.

Título original: The 5th Wave (2013)

Páginas: 400

Editora: Presença

Tradução: Miguel Romeira

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Juro Dizer a Verdade, Toda a Verdade e Nem Sempre a Verdade, Ally Carter


Opinião: Depois dos acontecimentos de Se Disser que Te Amo, Vou Ter de Te Matar, Cameron "Cammie" Morgan está de coração partido, a tentar ignorar o desgosto amoroso que sofreu ao ter de se separar do Josh. A sua actividade no Colégio Gallagher é incompatível com o manter duma relação com um rapaz de fora do mundo da espionagem, especialmente quando esse rapaz faz o que o Josh fez no final do primero livro. Que foi amoroso, mas mostra que o cruzamento entre estes dois mundos é impossível.

Portanto a Cammie está a curar o desgosto, mas não tem tempo para ficar ensimesmada. O Colégio Gallagher vai ser parte de um intercâmbio com outra escola, cujos alunos são... guess what? Rapazes. É bom ver que a autora pega numa fraqueza do mundo que construiu, presente no primeiro livro, e a usa para criar o enredo e o conflito deste livro. Os professores à frente da escola usaram a fragilidade no Colégio que é a falta de contacto com o sexo oposto para dar oportunidade às meninas para evoluir no seu treino de espias.

Além disso, depois de em Se Disser que Te Amo, Vou Ter de Te Matar termos as meninas a tentar perceber como é que o Josh, um rapaz normal, funciona, é bem giro elas terem mais espécimes para espiar (apesar de estes não serem rapazes normais), porque se geram situações caricatas. Passei o tempo todo na risota, divertida com as peripécias suscitadas graças a uma espécie de guerra dos sexos.

A única coisa que me custou nesta guerra dos sexos é que os rapazes parecem estar quase sempre em vantagem. Eles sabem exactamente o que os espera na primeira missão, sabem muito mais sobre o Colégio Gallagher do que as meninas sabem sobre o Instituto Blackthorne, e como não estão em casa, podem esconder muito mais facilmente o que e quem são.

Pronto, isto não é necessariamente um defeito, porque gera um ambiente de aprendizagem interessante para as meninas - elas não nascem ensinadas, e não podem jogar o jogo sem o aprenderem primeiro e perder umas vezes. Teria sido bom vê-las ter uma vitória, mas suspeito que a autora não dá ponto sem nó, e que esta situação é a plataforma para lançar a história de um dos próximos livros, e em que vou de certeza obter aquilo que gostava de ter lido aqui.

Gosto muito da camaradagem entre as jovens do Colégio. A Cammie tem um grupo de amigas mais próximas, a Liz (nerd residente, tão fofa, sempre preocupada com as aulas), a Bex (badass e confiante, não há nada que não saiba fazer), e a Macey (iniciada no mundo da espionagem, mas bem versada em "rapaz"). Contudo, há também um bom ambiente entre todas as jovens, especialmente entre as colegas do mesmo ano, e isso é muito bom de ver. (E talvez a parte final seja um passo na direcção certa no que toca a trabalhar em equipa com os rapazes.)

A Cammie é uma protagonista bem interessante, bastante boa no que faz, mas algo insegura, típico de uma adolescente, o que a torna mais próxima do leitor, e dando-lhe muito espaço para crescer. Estou muito curiosa para ver os segredos em torno da sua família desvendados, porque há de certeza muita coisa sumarenta por ali.

Por outro lado, fiquei dividida em relação ao Zach. Ele e a Cammie têm química, e é engraçado vê-lo dar a volta à Cammie, mas ao mesmo tempo não sabemos nada sobre ele, e é muito difícil acreditar em qualquer coisa que ele lhe diga, porque pode ser algo para lhe dar a volta, ou ganhar um qualquer tipo de vantagem. Ou seja, passei o tempo todo desconfiada dele e dos seus motivos. No entanto, estou com muita vontade de ver como é que isto vai evoluir, porque tem bastante potencial.

Aprecio o mundo que a autora construiu aqui, porque apesar de ser uma premissa um pouco irreal, a Ally Carter consegue torná-la credível, e melhor, fazê-la evoluir e expandi-la dum modo satisfatório. Para além disso, a autora trabalha muito bem o espaço que tem e nada parece desperdiçado na maneira como a narrativa flui, plantando ainda, creio eu, pequenos fios que farão parte da teia dos próximos enredos.

O final, já mencionei, é recompensador pela cooperação que podemos ver. E é uma reviravolta bem engendrada; por momentos, deixei-me enganar, mas depois percebi o que estava a acontecer. Só fico com pena de não poder ver mais intercâmbio entre escolas, por agora.

Uma nota para a tradução, que em geral até me parece bem, com duas excepções. Uma, a tradução daquilo que calculo que é alias em inglês, por lenda em português. Lenda é uma palavra demasiado geral e inespecífica para ser usada neste contexto tão específico, e presta-se a que seja confundida com os outros significados da palavra em português.

Dois, fazem uma série de asneiras a tentar transmitir o sistema escolar e as notas. Estas últimas, um sistema de A a F, são passadas para um sistema de 1 a 20, o que deixa muitas lacunas na escala numérica. E o sistema escolar, em que as meninas estão no equivalente ao décimo ano, mas no livro é mencionado que estão no último ano, quando ainda lhes faltam dois anos. Este até é o último ano deste ciclo de estudos, realmente, sendo que os próximos dois anos são de um ciclo a seguir no Colégio Gallagher, mas como isso não é tornado explicito no texto, o uso de "último ano" é muito enganador.

Título original: Cross My Heart and Hope to Spy (2007)

Páginas: 256

Editora: Booksmile (20|20)

Tradução: Rita Figueiredo

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Picture Puzzle #95


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título YA contemporâneo publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título de autor espanhol publicado em português.

Divirtam-se!