quinta-feira, 31 de março de 2011

A Biblioteca de Zoran Živković


Opinião: Penso que soube da existência deste livro ao ler uma crítica no blog Estante de Livros. Um livro com contos sobre livros e bibliotecas? Siiiiiiim! Um livro recomendado para todos os bibliófilos, que possivelmente até se poderão reconhecer nagumas situações descritas.

Noutas, mais tocadas pelo absurdo, nem tanto - mas lá que as acompanhei com um certo humor... Os personagens podem ou não ter consciência da situação curiosa em que estão, mas sem dúvida que os livros são quase sempre o cerne da questão. Algumas coisas poderão soar um pouco datadas, como a referência aos e-books, mas nada de especial.

Alguns contos podem saber a pouco, penso eu, pois a ideia desenvolvida é tão deliciosa que até é pena não a podermos degustar mais um pouco. Um última nota para os finais dos contos, que acabaram por ser aquilo que quanto a mim destacavam ou não um conto.

A biblioteca virtual - em que o protagonista decobre uma página da internet que afirma ter tudo sobre livros e autores, passados e futuros...

A biblioteca particular - que faria qualquer um de nós se decobrisse que, sempre que se abrisse a caixa do correio, se recebia um livro diferente?

A biblioteca nocturna - um bibliófilo, com a perspectiva de passar o fim de semana sem nada para ler, passa pela biblioteca na hora de fecho, e vai encontrar uma biblioteca dos livros das nossas vidas.

A biblioteca infernal - que ideia provocante, esta. Mas duvido que com um Inferno destes eu fosse lá parar. :P

A biblioteca minimal - uma boa ideia também, com uma premissa parecida com a do primeiro conto. Mas gostei do final.

A biblioteca requintada - oh, este também tem uma ideia muito boa, com um final muito à "pescadinha de rabo na boca", giríssimo.

Título original: Biblioteka (2002)

Páginas: 104

Editora: Cavalo de Ferro

Tradutora: Arijana Medvedec

terça-feira, 29 de março de 2011

Firelight, Sophie Jordan

I'm submitting this book to the 2011 Debut Author Challenge, hosted by The Story Siren. This book is also my "Dragons" book for the 2011 Fantasy Reading Challenge.

Description/Sinopse

Review: Jacinda is a draki - she can transform into dragon-like creature, which are almost extinct due to the greedy Hunters, So each draki pride lives by itself, with a set of rules, like just flying at night. Jacinda breaks that rule and almost gets hunted; and as her mother knows what will happen if they remain in the pride, they run away.

The book starts and ends with an action scene, with some explaining later, and it actually works. When Jacinda gets in trouble she and her twin, Tamra, go with their mom to a far deserted place. Which is ok for the latter two (they can't transform into draki), but not for Jacinda, as she loves what she is and loves being a part of the pride.

This was the core of the book for me, that "me vs. the world" feeling. Jacinda is at a crossroads, between the loyalty to her pride, or to her family, and doing what is expected of her. It gets harder to choose when Will, a boy-hunter that spared her as a draki, shows up, as he lives in the city Jacinda ends up.

The romantic developments with Will happen more in the final part of the book, and they bring down the final scene, but in a bigger part of the book this boy is another thing on Jacinda's crossroads. I thought that the romance has as much, or maybe less, importante as Jacinda's conflicts with her mother and sister. There's a lot of misunderstanding and lack of conversation between these three, which leads to many rebellious and indecisive actions by Jacinda.

It's the strong point of the book for me - whoever has been a teen may understand some attitudes and situations Jacinda gets into. Whoever has been beyond their teen years may get annoyed at her. Speaking for myself, I balanced between both.

Opinião: A Jacinda é uma draki - pode-se transformar numa espécie de dragão. Estes seres estão "em vias de extinção", devido à perseguição gananciosa dos caçadores. Então cada pride (a wikipedia diz-me que é como que uma alcateia de leões) vive recluso e com um conjunto de regras que inclui apenas voar à noite. A Jacinda quebra essa regra e é quase apanhada; e como a mãe sabe o que acontecerá se continuarem no pride, elas fogem.

A história começa e acaba com uma cena mais de acção, só depois havendo lugar para explicações, o que até funciona neste livro. A Jacinda mete-se em sarilhos e então a mãe decide levá-la e à irmã gémea, a Tamra, para um lugar longínquo e desértico. O que está bem para ambas, que não podem transformar-se em draki, mas não para a Jacinda, que adora o que é e que adora pertencer ao pride.

Para mim este foi o cerne do livro - aquele sentimento adolescente de "me vs. the world". A Jacinda vê-se numa encruzilhada, entre a lealdade ao pride ou à família, e fazer aquilo que esperam dela. Ainda para mais quando entra em cena o Will, um rapaz-caçador que a salvou enquanto draki, e que coincidentalmente até vive na cidade aonde a Jacinda vai parar.

A relação com o Will propriamente dita só acontece mais para o fim do livro, e acaba por precipitar o final, mas numa boa parte do livro o rapaz acaba por ser mais um dos factores a preocupar a Jacinda. Achei que a relação amorosa acaba por ter tanto ou menos destaque como a relação conflituosa da Jacinda com a mãe e a irmã. Há muito incompreensão e falta de uma boa conversa entre aquelas três, o que leva a muitas atitudes de revolta e indecisão da Jacinda por todo o livro.

É, quanto a mim, o ponto forte do livro - quem já tenha sido adolescente pode rever-se em parte nalgumas situações e atitudes da Jacinda. Quem já ultrapassou essa fase vai com certeza irritar-se com a mesma atitude adolescente. Falando por mim, balancei-me entre ambos.

Pages/Páginas: 336

Publisher/Editora: Harper Teen (HarperCollins)

domingo, 27 de março de 2011

Onde é que eu já vi isto?

Mais trocas e baldrocas. *roll eyes* Sei que provavelmente não são de propósito, mas parece haver um tema em mente quando se está a preparar a capa de um livro, e inevitavelmente há de haver o uso da mesma imagem em livros diferentes, de editores diferentes e países diferentes. (Isto agora fez-me pensar na teoria do caos.)

Primeiro temos a edição portuguesa de Evernight, da Claudia Gray, publicada o ano passado, e Thyla, de Kate Gordon, uma autora australiana, que está prestes a sair. Mudaram a cor dos olhos, mas a modelo é a mesma.


Depois temos As Esquinas do Tempo, da Rosa Lobato de Faria, que partilha a modelo da foto usada com Silk, de Penny Jordan e The Piano Teacher, de Janice Y.K. Lee. Devo dizer que este último tem uma capa no mínimo... estranha. Aquelas florzinhas no friso em baixo não combinam nada com o resto da capa.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Uma Bruxa em Apuros, Kim Harrison

This book is my "Witches/Wizards" book for the 2011 Fantasy Reading Challenge. Looking for the english review? Scroll down, please.

Sinopse/Description

Opinião: Se a Fantasia Urbana fosse definida pela quantidade de sarilhos em que a heroína se mete, a Rachel Morgan era a rainha do género. Caramba, a rapariga mete-se em cada alhada... Não que não tenha sido divertido acompanhar as suas aventuras.

A Rachel é uma bruxa que trabalha na SI, a polícia dos seres sobrenaturais neste mundo, e tem vindo a ser destacada para casos menores. Decide despedir-se, mas consigo despede-se uma das melhores agentes do SI, o que pôe Rachel na lista negra...

Honestamente, no início foi um pouco difícil entrar neste livro, penso que devido à escrita/à maneira como a autora narra as coisas. O primeiro capítulo foi algo confuso, e nos seguintes a autora, através da voz narrativa na 1ª pessoa da Rachel, dá-nos algo entre worldbuilding e info dump (ainda não me decidi). No entanto, a história por trás deste mundo até tem uma vertente muito curiosa e interessante.

Felizmente a partir daí a história apanha o ritmo e melhora muito, e dei por mim a ler vorazmente o livro para ver como acabava. O livro introduz algumas coisas que imagino que só vão ser desenvolvidas no (s) próximo (s) livro (s), mas também resolve os enredos mais prementes mesmo até ao fim. Além de que nos apresenta alguns personagens prometedores - o Jenks, o Trent Kalamack, o Edden da DFI, a própria Rachel.

Destaque para a edição - a capa está tão gira com estes acabamentos brilhantes (eu sou uma perdida por estas coisas); e o design das páginas de rosto também está muito interessante.

Review: If Urban Fantasy were defined by the amount of trouble the heroine gets in, Rachel Morgan would be the queen of it. This girl gets into so much trouble... Although it was certainly fun to follow her adventures.

Rachel is a witch that works in IS, a police agency that patrols the supernatural beings, and she has been doing lesser work. She decides to quit, but one of the top agents at IS quits with her, which puts Rachel on IS's black list…

It was a bit hard to get into this book at first, thanks to the way the author writes. The first chapter was a bit confusing, and in the following chapters she does something between worldbuilding and info dump (I haven't decided which one yet). Though the back story in quite interesting, actually.

Fortunately the story picks up the pace and it gets much better, and I found myself reading voraciously to see how it ended. This book introduces things I'm sure will be developed in the next installments, but it also unravels the pressing plot points. Besides, it introduces some promising characters - Jenks, Trent Kalamack, Edden from FIB, and Rachel herself.

Título original/original title: Dead Witch Walking (2004)

Páginas/Pages: 384

Editora/Publisher: Saída de Emergência

Tradutora/Translator: Rita Guerra

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Promessa de Kushiel


Opinião: Correndo o risco de me repetir, encontrei aqui tudo aquilo que adoro nesta escritora - worldbuilding, os personagens deliciosos, o enredo cheio de intriga e reviravolta, a escrita lírica e a linguagem de outro mundo.

A história começa no momento imediatamente a seguir à história do livro anterior, A Eleita de Kushiel, ou não correspondessem estes dois livros ao original, Kushiel's Chosen. Só digo que a Phèdre se mete em novos sarilhos e explora novos locais que gostei muito de conhecer.

Uma consequência mais chata de conhecermos estes novos locais e novos personagens é que não vemos o suficiente de alguns personagens mais antigos, mas devo dizer que aquilo que de facto vemos é deveras interessante.

O fim foi bastante emocionante e fecha o ciclo, isto é, o livro, mas faz uma pequena referência que permite adivinhar algo sobre o 3º livro da trilogia (o 5º/6º em português), tal como ja havia acontecido antes, no fim do 1º (2º em português).

E bem, esta é a parte da opinião em que eu me queixo do difícil que isto é, dar uma opinião dum livro que adorámos mas do qual não queremos fazer spoilers. Só digo, dêem uma oportunidade a Jacqueline Carey, quem sabe não ficam também encantados por este mundo.

Título original: Kushiel's Chosen [corresponde à 2ª parte do original] (2002)

Páginas: 360

Editora: Saída de Emergência

Tradutora: Teresa Martins de Carvalho