segunda-feira, 9 de julho de 2012

Once Upon a Read-a-Thon - Starting Post

Once Upon a Read-a-Thon

This is the second read-a-thon I'm entering. The first one was just a couple of weeks ago, and I enjoyed it so much I decided to explore more this read-a-thon thing.

The Once Upon a Read-a-Thon is hosted by Candace @ Candace's Book Blog, Lore @ Pure Imagination and Angela @ Reading Angel, and it runs from July 9th to July 11th. The sign-up posts can be found through each link above.

My goals are:
  • To read every day, and at least an hour;
  • To enter some of the challenges;
  • To update my progress everyday.

I'm planning to read:


- Pure, by Jennifer L. Armentrout
- a comic HC book recently published in my country with some Spider-Man comics by Frank Miller

And maybe some more comic albums, but that is uncertain... a back-up plan of sorts, if I run out of books to read.

domingo, 8 de julho de 2012

Uma imagem vale mil palavras: The Amazing Spider-Man (2012)

Soou bem estranha a decisão de, menos de 10 anos após a estreia do primeiro filme deste franchise cinematográfico, se fazer um reboot, como os produtores lhe têm chamado. Mas até acaba por fazer sentido. É difícil construir sobre o trabalho de outrem, e sem parte do elenco original não teria a mesma piada. A primeira trilogia captou uma parte significativa dos comics, mudando outras coisas, mas deliciou tantos fãs que a única reacção expectável era a de descrença em relação a esta notícia.

Fiquei a achar que foi uma óptima ideia. Esta adaptação explora algumas coisas que fizeram falta na primeira trilogia, e de certo modo está mais em contacto com uma parte da audiência-alvo. Diria que o filme é comparável à revista Ultimate Spider-Man nesse aspecto.

Gostei imenso de ver o Peter como um adolescente do século XXI, fugindo ao estereótipo do nerd. Este miúdo é imensamente esperto, constrói gadgets no tempo livre, usa lentes de contacto, anda de skate, mas ao mesmo tempo tropeça nas palavras, dá com os tios em doidos e leva com o bully da escola. O Andrew Garfield é terrivelmente expressivo e gostei imenso dele como Peter. Vou roubar uma palavra que vi algures e usá-la aqui: adorkable! As cenas dele com os tios eram muito divertidas. E por falar nisso, a Nora Walker Sally Field como tia May? Casting genial, adoro-a!

A Emma Stone como Gwen Stacy é bem gira. Gosto que peguem nela primeiro, já o havia dito algures, mas já que houve algum destaque para a vida na escola secundária, gostava de ter visto o resto do grupo, incluindo a Mary Jane e o Harry, mas até percebo porque ainda não os apresentaram. O Harry há de aparecer quando o Norman Osborn o fizer, e imagino que estivessem com receio de introduzir já a MJ. Ainda tive alguma esperança que a rapariga que estava a pintar o cartaz pudesse ser a Liz Allan, mas o IMDb desenganou-me.

Gosto do destaque dado ao desenvolvimento de personagens. Dá para ver o Peter crescer e aprender com os novos poderes, lidar com o desejo entre a vingança e o resolver uma situação pela qual se sente responsável, com o poder ajudar os outros. Até dá para nos compadecermos, em parte, com o Dr. Connors. E achei o Peter e a Gwen adoráveis juntos.

Não que falte ao filme acção. Há bastantes cenas enquanto o Peter explora os seus poderes (que foram das minhas favoritas, sempre com um certo humor subjacente), e mais tarde no jogo de gato e rato com o Lagarto. A cena nos esgotos com o uso engenhoso das teias foi bem gira. O confronto final com o Lagarto também, se bem que a parte das gruas foi algo silly.

Em suma, gostei muito. É um filme bem divertido, canaliza algumas coisas giras dos comics (a atitude mais atrevida e desbocada do Peter quando veste o fato, a Gwen, o foco no aspecto adolescente da história do Peter), e o final deixou-me curiosa para ver o que vem a seguir.

Vencedoras do giveaway

Agora que já recebi resposta de ambas as vencedoras do pequeno concurso que organizei para festejar o aniversário do blogue, posso divulgar os resultados. De 22 entradas, 21 foram válidas (uma errou a pergunta feita), e de entre essas sorteou-se as vencedoras no site Random.org.


15 - Andreia Serôdio
3 - Angela Guilherme

Parabéns às vencedoras! Os vossos livros seguirão pelos Correios brevemente.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resumidamente: Obsidian, Acácia

Obsidian, Jennifer L. Armentrout
Este livro merecia uma opinião a sério, mas deixei passar demasiado tempo para a fazer, por isso uma opinião curta será. Gosto da maneira como a autora consegue captar a cultura popular e criar um livro cativante e de leitura viciante. Em Obsidian, temos um grupo de seres alienígenas que tomaram forma humana e vivem na Terra escondidos dos seus inimigos (um pouco Roswell, eu sei).

Adorei as interacções da Katy e do Daemon, sempre às turras (é sempre divertido ver um casal a trocar ditos espirituosos até quase se esganarem um ao outro), mas com uma química subjacente. O enredo desenvolve bem, mas sinto que ainda não conhecemos muito deste mundo. Gostei da Katy, por ser teimosa, esperta, corajosa, uma ninja e uma book blogger!

A minha edição tem uns capítulos extra sob o ponto de vista do Daemon, que me pareceram interessantes, dado que dão a perspectiva que ele realmente tem sobre a Katy. Não que ache piada a estes extras, porque parece que há uns milhentos, conforme a versão que se compre. (Enfim...) Também não gostei de terem mudado a capa, porque agora não conseguimos ver a cara da rapariga, e a foto parece pior e mais awkward do que a anterior com aquele abraço estranho. Para não falar que dá a sensação que a Katy é uma damsel in distress a precisar de ajuda, o que não é verdade.

Páginas: 400

Editora: Entangled Publishing

Acácia - Ventos do Norte, David Anthony Durham
Li este livro para uma leitura conjunta no fórum Bang!, e tenho a sensação que se não fosse isso, teria desistido do livro. A primeira parte, O Idílio do Rei, está mal editada e arrasta-se - podia ser mais curta e menos cheia de incongruências. Se bem que nos divertimos muito a sobreanalisar tudo o que nos parecesse que não fazia sentido. (Adorei especialmente a ideia ridícula da "doença", que podia ter sentido científico a muitos níveis, mas falhava nuns tantos. Deu-nos pano para discussão, no entanto.)

A divisão do original em dois livros também pode funcionar contra o mesmo, já que este primeiro livro é composto pela parte mais fraca da narrativa, e pode falhar em captar a atenção do leitor. Eu teria muitas dúvidas em comprar agora o Acácia - Presságios de Inverno se já não o possuísse.

Na primeira parte é-nos apresentado o império acaciano, que domina o Mundo Conhecido, sendo simultaneamente o bastião da civilização e assente em princípios podres. Gostei deste aspecto, mas achei que o worldbuilding foi ao mesmo tempo promissor e frágil, já que senti que não fiquei a conhecer mesmo o império, nem que tinha razões para me importar com ele, quando um certo acontecimento se dá.

A segunda parte, Exílios, é o verdadeiro arranque da história, fazendo-me sentir que a primeira parte é apenas um prólogo demasiado grande. Gostei bastante de ver os vários fios da narrativa e de como as coisas se iam desenvolvendo. É esta parte que salvou o livro a meus olhos, porque consegue finalmente captar a atenção e dar alguma vontade de ler o livro seguinte.

Título original: Acacia - The War with the Mein [1ª parte do original] (2007)

Páginas: 368

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Maria Correia

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fifty Shades of Grey, E.L. James


Opinião: Na minha ingenuidade literária, sempre pensei que eram os bons livros que nos deixavam sem palavras de tão bons que eram. Ah, inocente! Aqui faltam-me as palavras, sim, mas é para descrever o train wreck que isto é. A não ser que me deixem usar palavras e sons menos civilizados. Mas *faz cara muito sofrida* tentarei.

O livro tem ganho popularidade por duas vertentes: a de ser um livro erótico, o que é altamente chocante para a opinião pública americana, e, vá lá, um tudo nada hipócrita, porque podemos fazer filmes (e quando digo filmes incluo outros meios de divulgação) pornográficos para homens, mas quando é um livro erótico para mulheres fica tudo em sentido, porque Deus nos livre de as mulheres terem interesse na sexualidade. Qualquer dia querem votar, ou serem presidentes dos EUA. /fim do sarcasmo

A outra vertente é a de isto ter sido originalmente uma fanfiction do Crepúsculo. O que não me incomoda nada, porque se a história tivesse evoluído e sido trabalhada e editada, afastar-se-ia do material original o suficiente para ser a sua própria história. Mas posso dizer que só as primeiras 50-100 páginas têm tantos momentos que me lembravam o Crepúsculo que a minha vontade era esta:

(A minha reacção também é bem descrita por este trailer do Shrek, nos minutos 0:51 e 1:55.)

... com o livro no lugar da mesa. Algo está mal se eu tenho vontade de atirar um livro ao ar, ou contra uma parede, porque eu nunca tenho vontade de o fazer. Até agora.

Onde ia eu? Ah, sim, creio que a radiografia que tirei à obra (isto é, o que pensei dela) nessas primeiras 50 páginas não mudou depois de ter lido as 500, o que só comprova a minha curiosidade mórbida em continuar a ler, porque mais nada explica eu não ter largado o livro ao fim das tais 50 páginas.

Bem, suponho que a história em si é vagamente viciante (ei, o Crepúsculo também era), e tem um potencial enorme para ser uma história fantástica, com dois personagens que se curam mutuamente, com muito sexo à mistura, mas em vez disso os personagens caem constantemente em comportamentos de vítima/abusador, que se tornam ainda mais graves por a autora tentar explorar o ângulo BDSM. É que ela deixa implícito que quem gosta de BDSM teve uma infância traumatizante e abusiva (como o Christian), o que é tão errado.

Só me falta falar da escrita. Oh, o que dizer? Atroz. Podia ser tão melhor com alguma edição, mas isto foi auto-publicado, por isso é claro que as editoras tradicionais que o compraram não tiveram coragem para o editar. Não senti química nenhuma entre os personagens, e nem percebi porque raios é que a Ana estava a ficar obcecada com o Christian. E há algo como demasiado sexo, porque a certa altura a minha reacção às cenas de sexo era algo como: *bocejo* já acabou? Individualmente até podem ser sexy, mas todas de seguida...

Não sei como é que consegui ler tudo sóbria, porque este é um daqueles livros que se presta tanto, tanto, a drinking games, tendo em conta a repetição de clichés, e frases, e termos, e sei lá mais o quê. Felizmente, estou inspirada, e sinto-me caridosa, por isso deixo-vos aqui com um drinking game, que podem implementar na vossa leitura do livro. Vá lá, vão ver que a leitura vai parecer muito mais divertida. No entanto, se estiverem a pensar em ler o livro e odiarem spoilers não leiam, porque um drinking game vai ter obviamente spoilers para o livro.

O drinking game de Fifty Shades of Grey

Beber um gole quando:
- a Ana faz alguma coisa que lembre a Bella;
- o Christian faz alguma coisa que lembre o Edward;
- a inner goddess da Ana seja mencionada;
- a inner goddess da Ana faça uma dança qualquer;
- o subconscious da Ana seja mencionado;
- a Ana se sinta desconfortável com qualquer coisa que o Christian faça, e ignore esse sentimento;
- o Christian tenha comportamento stalker e/ou manipulador;
- o Christian tenha comportamento inadequado para a relação/conhecimento que tem com a Ana até ao momento;
- o inglês soe a estranho, porque está a ser usado British English em vez de American English;
- qualquer um dos dois, Ana ou Christian, faça qualquer coisa off-character, de acordo com o que conhecemos deles até ao momento;
- apareça a expressão foil packet, down there, ou os músculos da barriga da Ana façam um clenching;
- a Ana diga Holy Shit, Holy Fuck, Holy Moses ou outra qualquer variação da expressão Holy ____;
- o Christian fique obcecado com a quantidade de comida que a Ana está a comer;
- a Ana morda o lábio;
- o Christian lhe diga que isso o deixa louco;
- o Christian faça um smirk ou revire os olhos;
- a Ana ignore qualquer coisa que esteja a acontecer/ser discutida porque o Christian lhe acena com a cenoura do sexo à frente e ela deixa que o desejo físico domine as necessidades mentais;

Beber um shot ou de penalty (dependendo da bebida de escolha) quando:
- há realmente sexo vagamente BDSM;
- há sexo durante a menstruação da Ana, que começa com ele a arrancar-lhe o tampão;
- há sexo seguro (que, graças aos céus, é sempre ou quase sempre, por isso estão lixados com esta);
- a Ana revela que é uma jovem atípica, já que não tem sequer um computador, ou e-mail;
- o Christian oferece um presente caro e inapropriado à Ana;
- é mencionado que fluidos corporais sabem a salty;
- o Christian usa aqueles jeans ou aquela gravata;
- o. Christian. Diga. Uma. Frase. Pontuada. No. Fim. De. Cada. Palavra;

Beber a garrafa (ou o six pack) toda quando:
- a Ana revela que é virgem e o Christian diz que têm de "tratar do assunto";
- a Ana revela que nunca se masturbou;
- aparece um contrato completo no texto do livro que detalha como é que a relação kinky do Christian e da Ana vai ser;
- a Ana quiser ver a extensão do quão danificado o Christian está e depois fugir, como devia ter feito desde o início, e ainda ficar deprimida porque não está com ele.

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Pronto, se ainda tiverem vontade de ler o livro depois deste full disclosure, já têm um jogo para se entreterem durante a leitura. Ufa! Criar o drinking game foi bem mais divertido, relaxante e catártico que estava à espera. É que ler o livro foi acima de tudo frustrante, porque apesar de todos os defeitos que lhe encontrava, a vontade de continuar a observar o desastre de comboio era demasiado grande para parar de ler. E pior, até tenho uma certa curiosidade de ver a extensão do desastre nos livros seguintes, porque se sobrevivi a isto, não podem ser piores. (Diz ela ingenuamente.) Quero dizer, o que é que se segue? A Ana ficar super deprimida porque não está com o Christian e arranjar um Jacob? Nem quero pensar no que é que será a versão da autora do Breaking Dawn.

Por favor, dêem-me um tiro se eu comprar ou tentar pegar no segundo livro antes de passarem uns bons meses, porque é o tempo que eu vou levar a apagar todas as coisas estúpidas deste livro da minha mente. Se eu o tentar ler antes disso é porque fui trocada por um extraterrestre, ou substituída por um shapeshifter, ou tornada num zombie ou vampiro masoquista, ou possuída por um demónio. Ou então terei a memória mais curta do que pensava, mas prefiro as alternativas sobrenaturais.

Devo dizer que a noção de isto ir ser publicado em português me dá vontade de rir histericamente, porque imagino que soe tudo ainda pior em português. E a noção de quererem transformar isto em filme dá cabo de mim. (Se bem que vou totalmente ver, se conseguirem o Ian Somerhalder para Christian. As expressões faciais dele são tão boas que vão tornar o filme automaticamente mais divertido.)

Ufa! Agora que já deitei cá para fora todas as minhas frustrações, sinto-me muito mais aliviada. A minha inner bitchy goddess (vês, Ana, também tenho uma) está satisfeita. Coitada, raramente tem oportunidade de sair cá para fora - um livro tem de ser especialmente irritante para eu lhe dar rédea solta. E o pior é... she'll be back.

Páginas: 528

Editora: Arrow Books (Random House)