sábado, 25 de março de 2017

Meg Cabot: She Went All the Way, The Boy is Back


Páginas: 368 / 368

Editora: Avon / William Morrow (HarperCollins)

Ahhhh, li o She Went All the Way há que tempos, e costumava adorá-lo. Todas as voltas e reviravoltas e o sarcasmo com o mundo Hollywoodesco... era bastante divertido.

Muitos anos passados, sobrevive ao escrutínio? Bem, sim e não. Ainda adoro o comportamento ridículo que a Meg descreve do pessoal do mundo do cinema, porque é feito de maneira a gozar um bocadinho com a coisa, e é imensamente divertido.

Também me divirto com a loucura do enredo. A maneira como os protagonistas se detestam, aparentemente - a Lou é uma argumentista e o Jack a estrela dos filmes que ela escreve, e a fonte da discórdia entre eles é o ele ter reescrito e actuado numa cena uma frase que acabou por ficar para a história da saga cinematográfica em que trabalham; e também o facto de ele ser um playboy sem rumo e ter partido o coração à amiga da Lou.

E pronto, é incrivelmente engraçado vê-los repensar a posição que tinham um sobre o outro, reconhecer a atracção mútua e agir de acordo com ela. Em adição, a acção do enredo é bastante louca e excitante - tipos aparecem do nada a querer matar o Jack e eles não fazem ideia porquê, e enquanto fogem consegue encontrar abrigo em casas no meio de nenhures.

Contudo, nesta leitura reconheço que preferia que a relação da Lou e do Jack fosse apresentada doutra maneira. O aspecto de eles se conhecerem há imenso tempo devia ser mais sublinhado, como forma de mostrar que já têm química. Devíamos ter mais cenas que permitam perceber que afinal até se entendem, porque já têm uma relação pré-construída antes do livro, ainda que não seja boa. E preferia que as coisas não avançassem tão depressa entre eles; é irrealista.

De qualquer modo, um volume divertido e que permite um bom bocado.

The Boy is Back é inteiramente novo. É um novo volume na série Boy, e como os outros é contado em comunicações entre personagens. Só que desta vez, está actualizado para os novos tempos. Não são só e-mails; são mensagens de texto e transcrições de entrevistas e artigos de jornais e chats/conversas partilhadas em aplicações de mensagens. (Duas personagens do primeiro livro da série aparecem brevemente: a Dolly é agente do protagonista masculino e o Tim tem uma livraria na cidade onde a acção se passa.)

Gostei muito. Adoro a ideia de ter a história contada em mais meios do que nunca, reconhecendo o mundo em que vivemos hoje. Permite alguma versatilidade na narrativa e graficamente o livro está bem giro.

Também gostei de como a parte do romântica do livro se desenrola. Com todas as referências Austenianas, é claramente um ligeiro retelling de Persuasão - dois apaixonados separados pelas circunstâncias uma década, que se reconectam precisamente por causa das circunstâncias.

Além disso, os dois protagonistas são adoráveis. Acho muita piada a como falam um do outro. A Becky tem a certo momento umas reminescências do tempo que passaram juntos 10 anos antes, e é tão giro. Quer dizer, o Reed é praticamente um unicórnio masculino. Aos 18 anos lia muito e lia com gosto Jane Austen. Onde é que isso se encontra, mesmo? (No entanto, adoraria mais cenas com eles a serem fofos um com o outro.)

O drama e as reviravoltas com os personagens também são divertidos - a um certo ponto. O enredo começa com um erro dos pais do Reed, e toda a gente acha que eles estão a desenvolver algum tipo de demência senil. Há partes dessa situação que é explorada com um pouco menos de finesse do que eu gostaria. Na maior parte, até é tratada com respeito, mas há momentos em que os personagens não parecem levar a situação a sério. Acaba por se relevar algo inteiramente diferente, no entanto... e acho interessante a solução que se apresenta.

Por outro lado, a situação dos pais dos Reed também tem outro ângulo, e adoro o drama envolvendo essa pessoa. É hilariante! E totalmente Meg Cabot. Só ela escreveria um personagem a ter um comportamento inicial tão ridículo, e acabar a ser apanhado assim. Muito divertido.

Em suma, uma bela adição à série de que faz parte.

P.S.: Esta capa! Tenho demasiadas poucas capas amarelas, e esta é fantástica ao vivo.

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