domingo, 26 de março de 2017

Uma imagem vale mil palavras: Beauty and the Beast (2017)

Estou a ter uma ligeira dificuldade para escrever coerentemente. Este era um dos filmes mais esperados do ano, e a cada notícia e trailer uma pessoa só ficava com mais e mais expectativas - o que normalmente me deixa algo apreensiva. Não gosto de expectativas altas. É difícil de ultrapassar a fasquia que põem.

As boas notícias são que este passa o teste com nota máxima. Não era difícil, bastava seguir a história, mas o melhor de tudo é que o filme tem pequenas adições que eu adoro e me divertem e encantam fabulosamente.

Primeira coisa a destacar (porque eu lhe peguei antes sequer de ir ver o filme): banda sonora. Soa-me perfeita, como uma BSO dum musical soaria, e digo isto no melhor dos sentidos. Quando estou a ouvir a parte instrumental, ouvem-se numa música específica trechos de outras músicas que transmitem uma ideia/sentimento, e adoro isso, as ligações entre partes da história através da música. E há trechos memoráveis, que eu mesmo dias depois de ter visto o filme ainda me lembro. (Ajuda que ouça frequentemente a BSO).

Gosto ainda das ligeiras mudanças que fizeram em termos de instrumentação. Puseram em destaque alguns trechos que soam, como direi, mais franceses. (É onde a história se passa.) As músicas já nossas conhecidas soam-me fantásticas, não perfeitas, mas cativantes. Têm uma ou outra mudança em termos de ritmo. Em geral, fico fascinada a ouvir uma e outra vez as músicas até saber de cor a letra. Já tinha uma ligação emocional com as músicas e esta versão só acentuou isso.

As músicas novas têm os seus momentos. Evermore é talvez um pouco lamechas a mais, mas é operática e transmite bem o estado de espírito do personagem. (O Monstro depois da Belle sair do castelo para ir ter com o pai.) Days in the Sun é bem gira, melhor que a Being Human Again, que era uma adição recente ao filme animado, e transmitindo a mesma ideia. Adoro a sua nostalgia. How Does a Moment Last Forever é fofinha.

O elenco acabou por ser uma surpresa. Acho que a única pessoa que foi bastante óbvia desde o início era a Emma Watson. Quer dizer, para a minha geração, é claro que a Hermione também é a Bella. Duh. Mas não estava a ver como é que o Luke Evans era o Gaston, e céus, é perfeito. Se há pessoa que merece um prémio por se divertir com o seu personagem, é o Luke. Porque o Gaston é tão pateta que um actor tem que se divertir a actuar as partes mais ridículas do seu personagem.

A Emma Thompson também é óptima ideia para a narração inicial da maldição (não consigo deixar de ouvir a sua voz e relembrar certas partes da narração) e para a maternal Mrs. Potts. Gosto do pessoal dos serviçais do castelo em geral (a Audra McDonald como cantora de ópera/Madame Garderobe!). E finalmente acho que posso olhar para o Dan Stevens e não me sentir traumatizada com uma certa cena de Downton Abbey. Só foram precisos 4 anos e porem-lhe uma animação de computador em cima. Nada de substancial.

A história: bem, seguem a história do filme animado. Mas fazem uma coisa que eu apreciei muito: preencheram a mesma. Há coisas no filme animado que damos como garantidas, e coisas que aceitamos ver desenvolvidas da maneira que são porque é um filme animado. São coisas que não resultariam num filme com gente de carne e osso, porque lhe faltaria desenvolvimento de personagens, coerência no enredo.

O que é resolvido com as pequenas adições. Gosto de vermos um pouco mais do passado tanto da Belle como do príncipe, porque condicionam as acções deles no presente e as pessoas que são. Adoro a expansão do carácter do Gaston; de certo modo ele é um vilão ainda mais assustador, porque é claro que está bem ciente das suas acções - não é apenas o tolo bruto e burro do filme animado. (E ainda assim o filme mete-se com ele a torto e a direito.) E adoro a música do Gaston - é bastante interessante que uma música sobre o tipo de masculinidade tóxica do Gaston ("eu sou grande e macho e bom a caçar") é também a coisa mais exuberante e estereotipicamente gay.

Gosto de ver um certo tom mais feminista; a Belle é uma mulher educada e que se tenta educar num meio pequeno, e isso é incrivelmente trágico, porque toda a aldeia a vê como estranha. Há uma certa solidão na sua posição, e ela está ciente disso. (Mas gosto da relação próxima que ela tem com o pai, são amorosos juntos, e gosto de como ela o adora e lhe está grata pela pessoa que é.)

Por outro lado, gosto de como o filme expande um pouco mais a relação da Belle e do Monstro, mostrando-nos porque é que estas pessoas encontraram uma ligação em comum. Em parte, é a coisa da solidão em comum - ambos estão separados da sociedade por razões diferentes.

A personalidade do Monstro é bem engraçada. De certo modo, ele é bastante inexperiente em certas coisas, e isso vê-se nalgumas reacções dele. E outra coisa engraçada é ver alguma da arrogância e pedantismo da sua vida anterior nalguns comentários que faz. Podemos até pensar nele como tendo o tipo de personalidade de um Mr. Darcy - horrível à primeira vista, mas depois começamos a escavar e sai dali qualquer coisa bastante interessante.

Gostei bastante de ver algumas cenas em modo live-action. A música do Gaston, já disse, é genial. A parte do Kill the Beast continua a ser bastante assustadora, não importa que eu já não tenha 3 ou 4 anos ou algo do género. O Be Our Guest continua a ser bastante divertido e colorido, e a introdução do Belle/Bonjour continua a ser fantástica visualmente. Não repetiram as piadas visuais, mas criaram algumas novas bem giras.

O castelo é lindo, gosto mesmo do seu visual; as escadarias que até dão tonturas porque não há corrimãos, a grandiosidade de tudo, o vislumbre da sua anterior glória e a confirmação da mesma quando o castelo volta ao seu estado inicial.

As coreografias de certas partes estão giríssimas - again, o Belle é fantástico -, e o ataque ao castelo também, sem contar com a música do Gaston - oh, e a cena inicial no castelo do príncipe! Por falar nisso, a maquilhagem do príncipe nessa cena é extraordinária.

E continuando nessa linha, gostei mesmo de ver as roupas. A opulência dos vestidos no castelo antes da maldição, as cores das roupas comuns das pessoas em Villeneuve. As roupas do Gaston. As roupas da Belle em geral... o vestido amarelo da Belle, que tinha sido criticado por ser demasiado amarelo - bem, aqui são capazes de lhe ter posto um filtro. É um amarelo mais discreto, mais interessante, e os pormenores dourados mereciam poder vê-lo mais de perto. (E os adereços dela na cena! Perfection.) No entanto, o mais interessante desse vestido é a construção dele, que permite que sobressaia na dança. (De qualquer modo, adorei foi o vestido final da Belle - branco com uns bordados/desenhos florais lindos.)

Acho que a única coisa que me faz espécie é algo que na verdade está de acordo com a época histórica - homens a usar peruca. Acho que nunca vou recuperar de ver o Dan Stevens ou o Ewan McGregor naquelas perucas ridículas.

Não tenho muitas críticas, mas uma é a transição entre 2D/3D. Há cenas que são feitas especificamente para 3D e parecem pouco focadas no 2D (sim, fui ver nos dois formatos). Exemplos são os ramos no quarto da Belle (o fundo está desfocadíssimo mas a imagem é desinteressante no 2D, os ramos não a preenchem), ou certas partes do número Be Our Guest.

Outra coisa... é a expressividade dos personagens que são animados por computador. Conseguiram uma expressividade bastante boa com o Monstro - consegue-se perfeitamente ver certos maneirismos do Dan Stevens -, e a animação dele é um equilíbrio entre ser, bem, um monstro, mas manter expressividade.

Com os objectos é mais complicado. Sinto que aqueles que têm como base um objecto real, como a Madame Garderobe e o Maestro Cadenza, me pareceram mais interessantes do que os que parecem totalmente animados, como o Lumiére. Não é que lhe falte expressividade, exactamente, mas parece menos real, de algum modo. O que é óbvio por ser animado por computador, mas pronto, acho que me agradaria mais feito doutra maneira.

E pronto, acho que me vou calar agora, chega de fangirling. Vou voltar para o meu canto a ouvir a banda sonora sem parar até isto sair em formato físico. Mais uma coisa para eu esperar impacientemente... não é que eu não esteja habituada.

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