domingo, 19 de março de 2017

The Last of August, Brittany Cavallaro


Opinião: Ok... acho que me divirto demasiado a ler sobre pessoas que NÃO são nada bem resolvidas. A sério, esta série tem um feudo épico entre famílias - a premissa é que Holmes, Watson e Moriarty foram reais e que estamos no século XXI a ler sobre os seus descendentes -, e raios, a extensão a que membros Holmes e Moriarty vão para alimentar a violência do feudo. Estou um pouco traumatizada.

Neste segundo volume da trilogia, Jamie Watson e Charlotte Holmes estão a passar as férias de Natal no Reino Unido, visitando primeiro a mãe dele e depois ficando na mansão da família dela. Mas cedo os seus planos descarrilam; o tio dela, Leander, desaparece misteriosamente e acabam a viajar para Berlim (e Praga), para continuar a investigar o que ele investigava, e tentar descobrir uma pista acerca do seu desaparecimento.

Continuando a partir da ideia que apresentei ali no primeiro parágrafo, adoro seguir o Jamie e a Charlotte. Oh, eles precisam de resolver muitas coisas para serem membros contributivos da sociedade e estar um com o outro romanticamente, mas são certamente divertidos de seguir. Este livro evolui nesse campo, à medida que tentam entender o lugar do outro na sua vida, e discutem imenso e fartam-se de fazer asneiras...

No entanto, gosto de os ler porque acredito que são capazes de chegar a um ponto em que deixam de ser tóxicos um para o outro. O Jamie precisa de certamente trabalhar na sua raiva e em parar de se torturar por coisas que não fez - e parar de se torturar acerca da Charlotte e de esperar algo dela que ela não está preparada para dar.

A Charlotte, por sua vez, precisa de lidar com o que lhe aconteceu (e tendo em conta a sua educação e como cresceu, e a família que a rodeia, raios, como isso é difícil), e precisa aprender a não ver logo o pior fim possível e a confiar nos que realmente o merecem. E bem, ajudava não estar desesperada para entrar no feudo e ajudar a família das piores maneiras possíveis. (Mas isto sou só eu.)

O enredo é incrivelmente louco, acelerando por metade da Europa e atirando-nos revelação atrás de revelação. Gostei maioritariamente, ou melhor, gostei do que a autora estava a tentar fazer, mas sinto que a execução não é das melhores. A montagem do enredo podia ser melhor, menos confusa e mais focada.

Há partes em que é preciso reler para entender - o fim é uma delas -, e como se baseia em coisas escondidas do narrador, e consequentemente do leitor, durante a maior parte da narrativa... bem, quando essas coisas são reveladas adicionam mais confusão do que esclarecimentos acerca do que se está a passar. Não ajuda que sejam reveladas quando já não há tempo e espaço na narrativa para lidar com elas.

Há alguns personagens secundários que gostei de ler, e acerca dos quais gostaria de saber mais. Por exemplo, Emma Holmes, a mãe da Charlotte, que tem um certo espírito e resiliência, e parece ter menos paciência para o drama Holmes-Moriarty, apesar de ser apanhada nele também. E o tio Leander, amigo do pai do Jamie, e com uma mão-cheia de histórias para contar. Outro com pouca vontade de se meter no drama e involuntariamente envolvido nele.

Ainda há August Moriarty. Tenho pena do August. Acho que ele genuinamente é um dos melhores, disposto a estreitar pontes entre as duas famílias e acalmar as guerras entre ambas. É um produto da sua educação e nem sempre tenta cumprir esse objectivo da melhor maneira, mas a sua posição única faz dele um pouco um cordeiro sacrificial, e isso é entristecedor.

O fim, já disse, é incrivelmente confuso. Nem sequer é pelo cliffhanger - seria de esperar, num livro dois de três -, é mesmo pelas motivações de toda a gente e tudo o que estão a fazer e o que acontece de trágico e como isso tem um impacto no que estava a acontecer, e ainda o que estava a acontecer por trás da cortina. Basicamente, demasiado a acontecer, demasiado pouco explicado, demasiado pouco tempo dado para lidarmos com isso.

Estou tão frustrada. É que eu gosto da série e da história e dos personagens, e tolerei o enredo enovelado, mas este fim parece uma confusão pegada. Não é que me faça desistir de continuar a ler (gosto demasiado dos personagens para isso), mas não vejo a necessidade de fazer uma coisa tão complicada. Alguém na equipa de edição estava a ler com atenção?

Enfim. De qualquer modo, é claro que estou com vontade de continuar a ler. Vou esperar não tão pacientemente que passe um ano, porque tendo em conta o que entendi do fim, acho que o terceiro livro vai ser deveras interessante.

Páginas: 336

Editora: Katherine Tegen Books (HarperCollins)

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