sábado, 4 de maio de 2013

A Sedução mais Escura, Gena Showalter


Opinião: Este era um livro muito aguardado pela maioria dos fãs, já que a autora tem arrastado o Paris pela lama há demasiados livros, tantos que eu já lhes perdi a conta. E por isso carrega consigo, após a leitura, uma sensação dual, a de me sentir animada por finalmente ver um final feliz para o Paris e para a Sienna, mas algo desanimada, porque quaisquer expectativas que o leitor tenha construído, alimentadas pela longa espera, nunca corresponderiam ao que realmente acontece.

Oh, é adorável ver a Sienna e o Paris cruzarem-se finalmente, e lutarem um pelo outro, e deitarem para trás das costas tudo o que os separou até aí. As cenas deles são muito satisfatórias, ainda que de vez em quando resvalem para o pateta (a primeira vez que o Paris se atira à Sienna, eles estão rodeados de sombras devoradoras de carne, protegidos por um ténue círculo de sangue, e mesmo estando num círculo ele consegue encostá-la à parede, o que para mim não faz sentido... e não sei como é que a libido deles está tão activa numa situação de vida ou morte, enfim).

Contudo, todas as lutas internas que eles enfrentam não têm realmente conflito, e é óbvio que vão terminar juntos. Ao menos noutros casais eles tiveram de enfrentar coisas mais complicadas; aqui, apesar de muitas mudanças na narrativa, nunca há a sensação de a parada estar alta, como devia haver. Há demasiados avanços e recuos na narrativa, mas são pequenos, e sem qualquer efeito no resultado final. Há demasiadas cenas que não têm grande propósito, nem o de avançar a história deles em condições, nem o de avançar a história principal da saga.

Há algumas cenas com outros personagens, que preparam as suas histórias (faltam, dos Senhores do Submundo principais, as histórias do Kane, do Torin, da Cameo, e vá, do William/Gilly [outro casal que tem sido torturado pela Gena há demasiados livros] e do Galen/Legion), mas também são introduzidos alguns novos portadores de outros demónios (mais?) - não sei se a Gena tem em mente incorporá-los nalgumas histórias futuras, mas o arco narrativo da saga parece estar no fim, não sei se neste momento faz sentido introduzir mais personagens.

A história principal da saga, no entanto, dá um grande avanço - quase tudo nas últimas páginas, o que num livro tão grande não faz muito sentido - e um avanço interessante em termos do status quo que me deixa intrigada - por um lado não vejo como a história pode ainda avançar daqui, já que um grande arco narrativo foi fechado, mas por outro, se a autora introduzir novos elementos na história pode conseguir dar-lhe novo fôlego.

Quanto à edição... estou muito tentada a mudar para inglês. Sempre ouvi dizer que a Harlequin (em Portugal, não faço ideia de como é nos outros países) cortava excertos dos livros para ficarem abaixo dentro das X páginas que costumam ter os livros deles... não sei se é verdade, mas sempre senti durante a saga que estava a perder algo da história, que me faltavam coisas para compreender a narrativa. Talvez influenciada por essa noção, talvez pela tradução que é atroz (neste livro usam sempre o verbo importar para o que deve ser uma miríade de verbos em inglês, e usam sempre este verbo com o pronome -lhe, quando muitas vezes os pronomes -se ou -o eram mais adequados), por vezes durante a leitura da série achei que estava a perder subtexto. A sensação aqui acentuou-se duma maneira quase intolerável... os livros são baratos, mais do que se lesse em inglês, mas valerá a pena continuar a ler em português por causa disso? Boa pergunta.

P.S.: Oh, mas a capa é linda. Muito mais do que as anteriores, e mais adequada, já que ambos os elementos do casal são portadores de demónios.

Título original: The Darkest Seduction (2012)

Páginas: 448

Editora: Harlequin

Tradução: não disponível

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