domingo, 16 de novembro de 2014

A Long, Long Sleep, Anna Sheehan


Opinião: Um livro que foi uma boa surpresa, em termos das minhas expectativas e do que elas se tornaram ao longo da leitura. É um livro que começa mornamente, e expõe as coisas lentamente, mantendo em suspenso as suas revelações, e por isso levou-me algum tempo a chegar à parte mesmo boa, a parte final, que foi lida a correr. Mas o todo é bastante bom, com uma boa evolução da protagonista, uma descrição interessante dos problemas que enfrenta, e uma adaptação bem curiosa de um conto de fadas.

A protagonista, Rose, é complicada de gostar ao início. O choque de acordar da estase 60 e tal anos depois deixa-a dormente, e as circunstâncias da sua vida deixam-na enfraquecida e com uma pobre capacidade de decisão, mas é por isso que se torna cativante ver a sua evolução. E vale a pena acompanhar a exposição do que fez dela a pessoa que é, mesmo sendo lenta, porque o resultado final é fascinante.

A história pessoal da Rose é arrepiante. Os pais dela são as pessoas mais doentias que se poderia imaginar. A extensão da situação de abuso em que ela estava, e as suas implicações... aqui devo destacar que a autora apresentou espectacularmente bem a situação. Usou uma nova tecnologia, específica deste seu mundo, e explorou um efeito negativo que podia ter, a nível social, e é um pouco assustador.

E toda esta situação me deixou furiosa, pelo que a Rose passou, mas também pela mentalidade auto-vitimizante que lhe deixou. Só aos poucos ela compreende as sequelas que a sua vida inicial lhe deixou, e aquilo que perdeu por não ter crescido de forma normal. Vou soar vingativa, mas sabendo que os pais dela morreram algures no espaço desses 60 anos... espero que tenha sido lento e doloroso, porque o tipo de coisas que eles faziam à Rose não se fazem a ninguém, muito menos uma criança.

O enredo, já o disse, avança lentamente, porque o passado da Rose é revelado aos poucos... mas assim que ganhou tracção, revelou valer a pena acompanhá-lo. Entrosado no processo de reacordar da Rose e da sua reintegração, temos a aparição dum ser que tem como alvo a Rose, determinado a levá-la para um local indeterminado, ou assassiná-la se tudo falhar. É uma coisa que confere o ritmo à narrativa e precipita as descoobertas sobre o passado da Rose, por isso, foi algo que manteve o meu interessse.

Dos personagens secundários, gostaria de destacar o Otto, que é bastante original na sua concepção, e tem um grande potencial para virmos contada a sua história. E uma certa personagem que tem uma relação complicada com a Rose; a sua história abrange um largo espectro no que toca a amor e carinho, e é um pouco estranha quando começamos a avaliar as suas facetas, mas também é isso que faz sentido, a evolução dessa relação conforme as posições em que estão na vida.

Enfim, realmente foi um livro que lendo a primeira metade não dava nada por ele, mas depois a segunda parte começa a desenrolar-se e confere-lhe interesse, revelando-se uma história coesa e entusiasmante. Gostei muito da protagonista, que de ratinho evolui para leão, e que cresce muito e bem ao longo da narrativa. A sua história dá uma nova dimensão ao conto da Bela Adormecida, uma interpretação absorvente, e a autora toma umas opções interessantes com a história, mostrando uma questão actual e importante à luz deste mundo futurista. Gostava muito de saber o que acontece à Rose depois disto.

Páginas: 352

Editora: Candlewick Press

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