terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uma imagem vale mil palavras: X-Men: First Class (2011)

Gosto bastante deste filme. A prova é que já o vi pelo menos uma mão cheia de vezes e não me canso. Os filmes anteriores dos X-Men têm os seus altos e baixos, e têm coisas fixes e têm coisas que em retrospectiva me fazem revirar os olhos, mas têm o seu lugar. Contudo, X-Men: First Class como um todo deixa-me muito satisfeita.

Agrada-me o uso dos anos 60 como fundo da narrativa. É uma época interessante, em que grandes coisas estavam a acontecer, e o uso da Crise dos Mísseis em Cuba e da Guerra Fria como base para o plano do vilão ancora o enredo e dá uma aparência de verosimilhança à inclusão dos mutantes no mundo real.

Gosto deste filme como prequela para a trilogia anterior dos X-Men, e em certa medida, até para os filmes do Wolverine. Há algumas incongruências, certamente, e não seria capaz de enumerá-las todas, mas são relativamente pequenas ou explicáveis (ainda que com explicações convolutas).

Além disso, isto é uma adaptação de comics, e os comics são há muito tempo a terra-mãe das retcons - a alteração de factos da continuidade narrativa, que têm efeitos retroactivos. Portanto, uma contradiçãozita ou outra não tem realmente grande significado, desde que não mexa com o fluxo narrativo ou não sejam coisas que afectem a história de formas colossais. Já estou a modos que habituada às potenciais contradições...

O enredo avança de uma maneira que funciona surpreendentemente bem. A primeira parte é mais dedicada à apresentação e desenvolvimento dos personagens, e para um filme que tem um elenco bastante grande, consegue dar destaque a praticamente toda a gente. É curioso. E depois as raízes da acção da segunda parte são plantadas na primeira, e isso imprime um certo dinamismo à segunda parte.

O elenco é de sonho. Há tanta gente que, duma forma ou doutra, já é uma cara conhecida que é delicioso de acompanhar o trabalho de todos. Aprecio que tenham pegado nos papéis protagonistas, o do Professor X e do Magneto, e tenham apresentado um verdadeiro trabalho de origem. Os personagens estão em fases da vida diferentes, e são necessariamente pessoas diferentes, e seria um desperdício de bons actores como o James McAvoy e o Michael Fassbender tentar beber demasiado da trilogia original.

A Jennifer Lawrence e o Nicholas Hoult são dois jovens actores com boas capacidades, gosto bastante deles, e vestem verdadeiramente o papel, em mais que um sentido. O trabalho de caracterização devia ser um pesadelo de várias horas para ambos, e gabo-lhes a paciência, porque sei que se fosse comigo, dava em doida. Já o Kevin Bacon sempre teve ligeiramente pinta de vilão para mim, por isso não foi difícil vê-lo como o Shaw.

Quanto à Emma Frost, que era uma personagem que eu queria que acertassem, bem... a January Jones dá-lhe o ar certo, de frieza, mas a personagem não tem muito que fazer, e é objecto de machismo por parte de alguns personagens, coisa que eu tenho quase a certeza que ela nos comics faria pagar muito caro.

Simplesmente é uma personagem bastante complexa, e eu preciso de alguém que domine o ar de cabra, e ainda desafie as pessoas a chamar-lhe cabra. Quero ver uma Emma em filme que tenha aquele feitiozinho lixado, mas um absoluto controlo da situação. Eu sei, as pessoas têm alergia a ver uma mulher que se porta como um homem, ainda vivemos num mundo machista a esse ponto. Mas tenho confiança que um dia ainda alguém acerte com a Emma.

Em termos de produção e realização, o filme tem um ar fantástico. Os anos 60 são recriados para o espectador moderno e tudo parece visualmente tão bem, tão bonito, a roupa, os cenários... o pessoal da maquilhagem deve ter tido um trabalho brutal com a Mystique e o Beast, e os efeitos visuais finais complementam bem os personagens, além de fazerem um trabalho interessante noutros pontos, como os efeitos da mutação do Sebastian Shaw.

Partes da banda sonora ainda me estão a passar na cabeça, por isso, suponho que posso dizer que tem um bom trabalho a marcar as cenas. E o genérico final é tão fixe, tão anos 60, mas cheio de imagens alusivas a ADN e cromossomas, fica tão giro.

Em suma, tenho a certeza que ainda não é esta a última vez que vi o filme. Desta vez, a visualização serviu-me de desculpa para falar sobre o filme, do qual gosto muito - mas o que eu queria mesmo era falar do Dias de Um Futuro Esquecido, sobre o qual tenho muitas e variadas ideias, só que achei que era batota falar desse quando não tinha ainda falado deste aqui no blog. Por isso, um dia destes hei-de falar do Dias de Um Futuro Esquecido. Quando conseguir desbobinar tudo o que tiver a dizer duma forma coerente e que faça sentido, isto é. Um dia... não prometo nada.

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